{"id":8391,"date":"2016-04-19T20:11:30","date_gmt":"2016-04-19T20:11:30","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8391"},"modified":"2016-04-19T20:20:24","modified_gmt":"2016-04-19T20:20:24","slug":"presa-politica-lembra-como-conheceu-coronel-ustra-homenageado-por-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/04\/19\/presa-politica-lembra-como-conheceu-coronel-ustra-homenageado-por-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Presa pol\u00edtica lembra como conheceu coronel Ustra, homenageado por Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<div class=\"mediaelement-audio\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu fui espancada por ele [coronel Ustra] ainda no p\u00e1tio do DOI-Codi. Ele me deu um safan\u00e3o com as costas da m\u00e3o, me jogando no ch\u00e3o, e gritando &#8216;sua terrorista&#8217;. E gritou de uma forma a chamar todos os demais agentes, tamb\u00e9m torturadores, a me agarrarem e me arrastarem para uma sala de tortura\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das milhares de v\u00edtimas da ditadura militar, Amelinha Teles, descreveu assim seu encontro com Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido como \u201ccoronel Ustra\u201d, o primeiro militar reconhecido pela Justi\u00e7a como torturador na ditadura.<\/p>\n<div style=\"width: 358px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/tvbrasil.ebc.com.br\/resistir-e-preciso\/episodio\/vou-me-embora-para-a-clandestinidade\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"Image img__fid__63383 img__view_mode__default attr__format__default\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_pequena\/public\/amelinha-cesar-print-tvbrasil2.png?itok=jpdIDz0h\" alt=\"\" width=\"348\" height=\"201\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O casal C\u00e9sar e Amelinha Telles, em entrevista ao programa Resistir \u00e9 Preciso, transmitido pela TV BrasilImagem TV Brasil<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao <a href=\"http:\/\/radios.ebc.com.br\/viva-maria\/edicao\/2016-04\/bolsonaro-dedicou-seu-voto-favor-do-impeachment-ao-torturador-ustra\" target=\"_blank\">programa <em>Viva Maria<\/em><\/a>, da <strong>R\u00e1dio Nacional da Amaz\u00f4nia<\/strong>, Amelinha contou como era o homem admirado por Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e citado pelo parlamentar durante seu voto a favor do <em>impeachment <\/em>de Dilma Rousseff, ontem (17), no plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEle, levar meus filhos para uma sala, onde eu me encontrava na cadeira do drag\u00e3o, nua, vomitada, urinada? Levar meus filhos para dentro da sala? O que \u00e9 isto? Para mim, foi a pior tortura que eu passei. Meus filhos tinham 5 e 4 anos. Foi a pior tortura que eu passei\u201d, disse a ex-militante do PcdoB. A cadeira do drag\u00e3o era um instrumento de tortura utilizado na ditadura, em que a pessoa era colocada sentada e tinha os pulsos amarrados aos bra\u00e7os da cadeira. Com fios el\u00e9tricos atados em diversas partes do corpo, a pessoa era submetida a sess\u00e3o de choques. Amelinha tamb\u00e9m contou que viu seu marido torturado e em coma ao visit\u00e1-lo na unidade do DOI-Codi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem foi Ustra<\/strong><\/p>\n<figure class=\"default\" style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"width: 287px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"Image img__fid__63360 img__view_mode__default attr__format__default\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_pequena\/public\/coronelustra-wilsondias.jpg?itok=nnz0VXTF\" alt=\"\" width=\"277\" height=\"160\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Coronel Ustra em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, em 10 de maio de 2013Wilson Dias\/Ag\u00eancia Brasil<\/p><\/div>\n<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O militar lembrado pelo parlamentar foi chefe-comandante do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es Internas (DOI-Codi) de S\u00e3o Paulo no per\u00edodo de 1970 a 1974. Em 10 de maio de 2013, ele <a href=\"http:\/\/memoria.ebc.com.br\/agenciabrasil\/noticia\/2013-05-10\/nunca-ocultei-cadaver-diz-coronel-ustra-membros-da-comissao-da-verdade\" target=\"_blank\">compareceu<\/a> \u00e0 sess\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. Apesar do <a href=\"http:\/\/memoria.ebc.com.br\/agenciabrasil\/noticia\/2013-05-09\/justica-concede-ustra-direito-de-ficar-calado-na-comissao-da-verdade\" target=\"_blank\"><em>habeas corpus <\/em><\/a>que lhe permitia ficar em sil\u00eancio, Ustra respondeu a algumas perguntas. Na oportunidade, negou que tivesse cometido qualquer crime durante seu per\u00edodo no comando do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es Internas paulista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No v\u00eddeo, o depoimento de Ustra \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-atom-wrapper type-video context-sdl_editor_representation\" style=\"text-align: justify;\" contenteditable=\"false\">\n<div class=\"dnd-drop-wrapper\">\n<div class=\"image\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/1WeaWDDQNQg\" width=\"480\" height=\"365\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-legend-wrapper\" contenteditable=\"true\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em abril de 2015, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, suspendeu <a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2015-04\/ministra-do-supremo-suspende-acao-penal-contra-coronel-ustra\" target=\"_blank\">uma das a\u00e7\u00f5es penais\u00a0<\/a> contra Ustra que tramitava na Justi\u00e7a Federal em S\u00e3o Paulo. Atendendo a pedido feito pela defesa do militar, a ministra disse, na decis\u00e3o, que suspendeu a a\u00e7\u00e3o pois era necess\u00e1rio aguardar o julgamento da Lei de Anistia pela pr\u00f3pria Corte. O militar morreu em 15 de outubro de 2015 no Hospital Santa Helena, em Bras\u00edlia. Ele tratava de um c\u00e2ncer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, Amelinha integra a Comiss\u00e3o de Familiares de Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos e \u00e9 assessora da Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo Rubens Paiva. Para ela, a homenagem de Bolsonaro a um de seus torturadores pode ser o resgate de uma das p\u00e1ginas mais tristes da hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que significa essa declara\u00e7\u00e3o do deputado \u00e9 que ele quer que o Estado brasileiro continue a torturar e exterminar pessoas que pensem diferente dele. Que democracia \u00e9 essa que quer a tortura, a repress\u00e3o \u00e0s pessoas que n\u00e3o concordam com suas ideias?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fonte &#8211;\u00a0EBC<\/em><\/p>\n<\/div>\n<figure class=\"default\" style=\"text-align: justify;\"><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu fui espancada por ele [coronel Ustra] ainda no p\u00e1tio do DOI-Codi. Ele me deu um safan\u00e3o com as costas da m\u00e3o, me jogando no ch\u00e3o, e gritando &#8216;sua terrorista&#8217;. E gritou de uma forma a chamar todos os demais agentes, tamb\u00e9m torturadores, a me agarrarem e me arrastarem para uma sala de tortura\u201d. 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