{"id":8419,"date":"2016-05-02T17:59:44","date_gmt":"2016-05-02T17:59:44","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8419"},"modified":"2016-05-02T17:59:44","modified_gmt":"2016-05-02T17:59:44","slug":"novos-relatos-expoem-ciencia-da-tortura-na-ditadura-militar-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/05\/02\/novos-relatos-expoem-ciencia-da-tortura-na-ditadura-militar-brasileira\/","title":{"rendered":"Novos relatos exp\u00f5em &#8216;ci\u00eancia&#8217; da tortura na ditadura militar brasileira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Sess\u00f5es de espancamento acompanhadas por m\u00e9todos para prolongar o sofrimento da v\u00edtima, um cronograma de ataques e at\u00e9 um jacar\u00e9 colocado em celas. No regime militar, as pr\u00e1ticas de torturas receberam um tratamento &#8220;cient\u00edfico&#8221; por parte dos autores dos crimes, segundo relatos contidos em documentos coletados pelo Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha em Genebra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Estado teve acesso pela primeira vez aos arquivos do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha sobre o Brasil em sua nova fase de abertura de documentos. Nos 17 mil informes registrados entre 1965 e 1975 guardados em Genebra, a entidade manteve dezenas de documentos sobre o per\u00edodo mais sombrio da ditadura no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No auge da repress\u00e3o no Brasil, nos anos 1970, o comit\u00ea atuou para tentar garantir os direitos humanos dos prisioneiros. Esses relatos, segundo a Cruz Vermelha, s\u00e3o uma evid\u00eancia do car\u00e1ter institucional que as viola\u00e7\u00f5es tiveram durante o per\u00edodo de maior brutalidade da ditadura no Pa\u00eds. A entidade jamais foi autorizada a visitar os centros de torturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os informes n\u00e3o puderam ser consultados pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, que concluiu seus trabalhos em dezembro de 2014, antes de a entidade ter aberto seus arquivos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>&#8216;M\u00e9todo&#8217;<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 21 de janeiro de 1970, o comit\u00ea apresenta documentos detalhados das pr\u00e1ticas contra prisioneiros pol\u00edticos, escritos em portugu\u00eas por ex-prisioneiros ou fontes que aceitaram, de forma an\u00f4nima, repassar \u00e0 entidade informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em praticamente todos eles, \u00e9 o car\u00e1ter organizado e &#8220;cient\u00edfico&#8221; da tortura que \u00e9 destacado. &#8220;A grande maioria dos presos passa por um processo de torturas f\u00edsicas, morais e psicol\u00f3gicas. De acordo com a gravidade do caso ou a pressa em se obter informa\u00e7\u00f5es, s\u00e3o colocados em cub\u00edculo isolados, em celas isoladas ou em celas coletivas (em ordem decrescente se import\u00e2ncia)&#8221;, diz o relato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O m\u00e9todo aplicado \u00e9 o cient\u00edfico. Baseia-se na aplica\u00e7\u00e3o dosada de um sofrimento atroz dentro do limite exato da resist\u00eancia humana. Para tanto, os cuidados m\u00e9dicos s\u00e3o constantes, para verificar o grau de resist\u00eancia do torturado e evitar alguma marca permanente (loucura, fraturas, cicatrizes). Mesmo assim, em v\u00e1rios casos o limite foi ultrapassado e registram-se desequil\u00edbrios nervosos, loucura, crises card\u00edacas, surdez&#8221;, descreve. &#8220;Trata-se de uma luta para destruir &#8211; n\u00e3o a resist\u00eancia f\u00edsica &#8211; mas a resist\u00eancia moral do preso. A press\u00e3o f\u00edsica \u00e9 apenas um ve\u00edculo para a press\u00e3o moral. Ao mesmo tempo que se submete o preso a torturas, acena-se com o fim de tudo, se (o detido) falar.&#8221;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Sequ\u00eancia<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ato de torturar n\u00e3o ocorria, segundo os documentos, de forma aleat\u00f3ria. &#8220;A tortura come\u00e7a sempre com um espancamento. A fase seguinte \u00e9 a do choque el\u00e9trico. &#8220;O aparelho utilizado \u00e9 um telefone de campanha, de magneto.&#8221; O choque \u00e9 aplicado simultaneamente ao &#8220;pau de arara&#8221;. Num outro relato sobre os &#8220;Tipos de tortura preferidos&#8221;, o documento aponta a &#8220;coloca\u00e7\u00e3o de animais, como cobras, ratos e at\u00e9 um jacar\u00e9, na cela dos presos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os torturadores, os relatos dos documentos da Cruz Vermelha apontam nomes citados pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. Um deles \u00e9 o Tenente Coutinho, &#8220;m\u00e9dico que controla cientificamente a tortura&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos informes da Comiss\u00e3o da\u00a0Verdade, trata-se de Jos\u00e9 Lino Coutinho da Fran\u00e7a Neto. Ele prestou servi\u00e7o militar na unidade da Marinha na Ilha das Flores (RJ), em 1969 e 1970, e teve participa\u00e7\u00e3o em casos de tortura. Outro \u00e9 Miguel Laginestra, apontado como &#8220;torturador frio, mas que prefere que os outros fa\u00e7am o servi\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\">\n<div id=\"fullImageCenter1\" class=\"img-box\" align=\"center\">\n<h3 class=\"tituloAlbum\"><img decoding=\"async\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2014\/12\/10\/10dez2014---a-presidente-dilma-rousseff-chorou-ao-discursar-nesta-quarta-feira-10-em-cerimonia-onde-recebeu-o-relatorio-final-da-comissao-nacional-da-verdade-sobre-crimes-e-violacoes-de-direitos-1418217830754_956x500.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<h5 class=\"legendaTexto\" style=\"text-align: justify;\">A presidente Dilma Vana Rousseff era militante da VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria Palmares). Foi presa em 16 de janeiro de 1970 e ficou tr\u00eas anos encarcerada. Ela foi submetida a diversas sess\u00f5es de tortura, sendo colocada no pau de arara, espancada, apanhando de palmat\u00f3ria, recebendo choques el\u00e9tricos. Socos no seu rosto lhe causaram problemas na arcada dent\u00e1ria que persistem at\u00e9 hoje. &#8220;O estresse \u00e9 feroz, inimagin\u00e1vel. Descobri, pela primeira vez que estava sozinha. Encarei a morte e a solid\u00e3o. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente o resto da vida. [&#8230;] As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim&#8221;, descreveu Dilma, em 2001.<\/h5>\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\">\n<div id=\"fullImageCenter1\" class=\"img-box\" align=\"center\">\n<h3 class=\"tituloAlbum\"><img decoding=\"async\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2014\/03\/25\/25mar2014---ines-etienne-romeu-unica-sobrevivente-da-casa-da-morte-de-petropolis-um-dos-centros-clandestinos-de-tortura-do-regime-militar-na-serra-fluminense-recebe-um-beijo-na-cabeca-durante-1395778730099_956x500.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<h5 class=\"legendaTexto\" style=\"text-align: justify;\">\u00danica sobrevivente da chamada &#8220;Casa da Morte&#8221; de Petr\u00f3polis, um dos centros clandestinos de tortura do regime militar, In\u00eas Etienne Romeu foi integrante da VPR (Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria) e da Polop (Organiza\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria Marxista Pol\u00edtica Oper\u00e1ria) e sofreu constantes torturas e amea\u00e7as de morte e foi estuprada tr\u00eas vezes. &#8220;Meus carrascos afirmaram que &#8216;me suicidariam&#8217; na pris\u00e3o, caso eu revelasse os fatos que ouvi, vi e que me contaram durante os tr\u00eas meses de minha pris\u00e3o, pois reconhecem que &#8216;sei demais'&#8221;, contou In\u00eas.<\/h5>\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\">\n<div id=\"fullImageCenter1\" class=\"img-box\" align=\"center\">\n<h3 class=\"tituloAlbum\"><img decoding=\"async\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" src=\"http:\/\/imguol.com\/2013\/05\/10\/10mai2013---o-vereador-gilberto-natalini-presidente-da-comissao-da-verdade-da-camara-municipal-de-sao-paulo-presta-depoimento-a-comissao-nacional-da-verdade-nesta-sexta-feira-10-em-brasilia-1368207139139_956x500.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<h5 class=\"legendaTexto\" style=\"text-align: justify;\">O hoje vereador de S\u00e3o Paulo Gilberto Natalini (PV) era m\u00e9dico, com orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 esquerda, mas n\u00e3o possu\u00eda filia\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-partid\u00e1ria quando foi preso. Ele foi torturado por agentes do DOI-Codi (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es do Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna) e ficou surdo em raz\u00e3o dos choques que sofreu. &#8220;O pau de arara n\u00e3o, esse n\u00e3o usaram comigo. Eu n\u00e3o lembro, mas eu aque que n\u00e3o usaram n\u00e3o, mas choques sim. Eu sou deficiente auditivo dos dois ouvidos, eu tive que fazer cirurgia ao inv\u00e9s de cl\u00ednica m\u00e9dica, porque cl\u00ednica m\u00e9dica precisa muito do estetosc\u00f3pio&#8221;, relatou Natalini<\/h5>\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\">\n<div id=\"fullImageCenter1\" class=\"img-box\" align=\"center\">\n<h3 class=\"tituloAlbum\"><img decoding=\"async\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/entretenimento\/2013\/06\/11\/a-diretora-lucia-murat-que-dedicou-o-filme-a-memoria-que-me-contam-a-vera-silvia-magalhaes-amiga-da-cineasta-e-uma-das-principais-figuras-do-mr-8-ligado-ao-sequestro-do-embaixador-norte-americano-1370999697404_956x500.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<h5 class=\"legendaTexto\" style=\"text-align: justify;\">A cineasta L\u00facia Murat foi espancada, sofreu choques el\u00e9tricas e abuso sexual por parte dos militares durante a ditadura. Ela foi presa duas vezes: a primeira em outubro de 1968, em um congresso estudantil, quando ficou apenas uma semana, e a segunda em 1971, quando vivia na clandestinidade. Ela ficou detida tr\u00eas anos e meio e contou que, neste per\u00edodo, pensou em se matar. &#8220;(Os militares) gritavam, me xingavam, me puseram de novo no pau de arara. Mais espancamento, mais choque, mais \u00e1gua e dessa vez entraram as baratas. Puseram baratas passeando pelo meu corpo, colocaram uma barata na minha vagina. Hoje parece loucura, mas um dos torturadores, de nome de guerra Gugu, tinha uma caixa onde ele guardava as baratas amarradas por barbantes e atrav\u00e9s do barbante ele conseguia manipular as baratas pelo meu corpo&#8221;, relatou L\u00facia, em depoimento \u00e0s Comiss\u00f5es Nacional e Estadual do Rio de Janeiro<\/h5>\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\">\n<div id=\"fullImageCenter1\" class=\"img-box\" align=\"center\">\n<h3 class=\"tituloAlbum\"><img decoding=\"async\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2013\/05\/28\/28mai2013---a-historiadora-dulce-pandolfi-presa-e-torturada-na-decada-de-1970-durante-a-ditadura-militar-afirmou-em-depoimento-a-comissao-da-verdade-do-rio-de-janeiro-nesta-terca-feira-28-que-foi-1369768136172_615x300.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<h5 class=\"legendaTexto\" style=\"text-align: justify;\">A historiadora Dulce Pandolfi foi presa e torturada na d\u00e9cada de 1970, durante a ditadura militar, e contou \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade que foi usada como &#8220;cobaia&#8221; em aulas de tortura para militares. Integrante do DCE (Diret\u00f3rio Central dos Estudantes) da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) na \u00e9poca, ela ficou um ano e quatro meses encarcerada e disse que jacar\u00e9s foram utilizados para atemoriz\u00e1-la. Ela tamb\u00e9m contou como os torturadores lhe deram um &#8220;soro da verdade&#8221;: &#8220;&#8230; eles me deram uma inje\u00e7\u00e3o que voc\u00ea j\u00e1 fica mais grogue. [&#8230;] na \u00e9poca tinha este mito de que existiria um soro que voc\u00ea aplicava nas pessoas e a pessoa falava tudo. [&#8230;]&#8221;, declarou. Ela afirmou ainda que o major da Pol\u00edcia Militar Riscala Corbaje a torturou ao perceber que o soro n\u00e3o havia produzido o efeito esperado. &#8220;(Ele) me levou para uma sala, me deitou no ch\u00e3o, subiu nas minhas costas, come\u00e7ou a me pisotear e a me bater com o cacete. Dizendo, aos gritos, que ia me socar at\u00e9 a morte. O seu descontrole foi tamanho e os seus gritos t\u00e3o estridentes que os outros torturadores entraram na sala e arrancaram ele de cima de mim&#8221;<\/h5>\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\">\n<div id=\"fullImageCenter1\" class=\"img-box\" align=\"center\">\n<h3 class=\"tituloAlbum\"><img decoding=\"async\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2014\/12\/10\/21set1979---o-estudante-jean-marc-van-der-weid-retorna-do-exilio-no-aeroporto-do-galeao-no-rio-de-janeiro-1418255950733_615x470.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<h5 class=\"legendaTexto\" style=\"text-align: justify;\">O estudante Jean Marc Van der Weid era militante da A\u00e7\u00e3o Popular e presidente da UNE (Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes) em 1969, quando foi preso e levado ao DOPS (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social). Durante sua passagem no c\u00e1rcere, ele foi torturado. &#8220;Havia outra tortura que Jean Marc odiava mais. Os guardas usavam palmat\u00f3rias &#8211;pranchas planas de madeira dotadas de pequenos furos, normalmente usadas para castigar meninos de escola. Uma palmada ou duas provocavam uma dor penetrante, como picadas de agulhas de croch\u00ea, mas, at\u00e9 chegar \u00e0 Ilha das Flores, Jean Marc jamais tivera medo da palmat\u00f3ria. Agora os torturadores usavam-na durante horas, atingindo-lhe repetidamente a cabe\u00e7a, os rins e o sexo&#8221;, descreveu o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade<\/h5>\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\">\n<div id=\"fullImageCenter1\" class=\"img-box\" align=\"center\">\n<h3 class=\"tituloAlbum\"><img decoding=\"async\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2014\/12\/10\/11jun2009---crimeia-alice-de-almeida-irma-de-um-dos-desaparecidos-durante-o-regime-militar-lanca-livro-sobre-o-tema-1418255945927_956x500.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<h5 class=\"legendaTexto\" style=\"text-align: justify;\">Crim\u00e9ia Alice de Almeida era guerrilheira e militante do PCdoB e foi presa em dezembro de 1972, em S\u00e3o Paulo, gr\u00e1vida de sete meses. Ela foi submetida a diversos m\u00e9todos de tortura: &#8220;Pela manh\u00e3, o pr\u00f3prio comandante major Carlos Alberto Brilhante Ustra foi retirar-me da cela e ali mesmo come\u00e7ou a torturar-me [&#8230;]. Espancamentos, principalmente no rosto e na cabe\u00e7a, choques el\u00e9tricos nos p\u00e9s e nas m\u00e3os, murros na cabe\u00e7a quando eu descia as escadas encapuzada, que provocavam dores horr\u00edveis na coluna e nos calcanhares, palmat\u00f3ria de madeira nos p\u00e9s e nas m\u00e3os. Por recomenda\u00e7\u00e3o de um torturador que se dizia m\u00e9dico, n\u00e3o deviam ser feitos espancamentos no abd\u00f4men e choque el\u00e9tricos somente nas extremidades dos p\u00e9s e das m\u00e3os&#8221;, relatou Crim\u00e9ia<\/h5>\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\">\n<div id=\"fullImageCenter1\" class=\"img-box\" align=\"center\">\n<h3 class=\"tituloAlbum\"><img decoding=\"async\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2014\/12\/10\/darci-myaki-1418255941537_956x500.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<h5 class=\"legendaTexto\" style=\"text-align: justify;\">Darci Miyaki foi presa no dia 25 de janeiro de 1972, no Rio de Janeiro. Ela conta que foi agarrada por v\u00e1rios homens que a jogaram num Opala branco, onde levou pontap\u00e9s. Tr\u00eas dias depois, ela foi levada para uma cela: &#8220;Tiraram toda a minha roupa&#8230; Logo que eu cheguei passei pelo corredor polon\u00eas, em que levava pancadas; &#8216;telefone&#8217;; ca\u00eda, a\u00ed eles me levantavam &#8211;eu tinha cabelo comprido&#8211;, me levantavam pelo cabelo e em seguida me levaram para a sala de torturas&#8221;, relatou Darci \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, em junho de 2013. Ela contou ainda que foi violentada sexualmente e sofreu choque el\u00e9tricos nas partes \u00edntimas em S\u00e3o Paulo, para onde foi transferida depois. &#8220;N\u00e3o d\u00e1 para descrever, um torturador enfiar um fio na sua vagina, na sua parte mais \u00edntima. Me tornei uma mulher est\u00e9ril. O ato sexual, depois de tudo isso, se tornou algo muito est\u00e9ril pra mim&#8221;, afirmou a militante<\/h5>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<article id=\"conteudo-principal\" class=\"canal-media rod news\">\n<div id=\"texto\">\n<div class=\"modalbumfotos modulos carregado\">\n<div class=\"conteudo\">\n<div id=\"albumHTML1\">\n<div id=\"boxFullImage1\" class=\"boxFullImage \">\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\">\n<div id=\"fullImageCenter1\" class=\"img-box\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2014\/12\/10\/aurea-moretti-pires-1418258311653_615x300.png\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/p>\n<h3 class=\"tituloAlbum\"><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<h5 class=\"legendaTexto\" style=\"text-align: justify;\">A militante \u00c1urea Moretti Pires foi colocada no pau de arara e sofreu choques el\u00e9tricos antes de ficar encarcerada no pres\u00eddio Tiradentes, em S\u00e3o Paulo. \u00c0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, em janeiro de 2014, ela relatou uma das sess\u00f5es de tortura. &#8220;Levaram, ent\u00e3o, o cabo Aparecido com seu pau de arara, com seu choque el\u00e9trico, t\u00e1, eu amarrada do modo como eles fazem que fica amarrado, assim, pulso amarrado, de um modo que a parte de baixo da perna d\u00e1 pra passar o cano do pau de arara, n\u00e9?, ent\u00e3o quando levanta a gente t\u00e1 pendurado de cabe\u00e7a pra baixo, e no caso ele tirou toda minha roupa, fiquei s\u00f3 de calcinha&#8221;.\u00a0<em>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Mem\u00f3rias da Resist\u00eancia<\/em><\/h5>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"modulos-rodape\">\n<section id=\"boletim-giro\" class=\"composto mod\">\n<div class=\"form\">\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\">\n<div id=\"fullImageCenter1\" class=\"img-box\" align=\"center\">\n<h3 class=\"tituloAlbum\"><img decoding=\"async\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2014\/12\/15\/frei-tito-de-alencar-lima-foi-torturado-entre-1969-e-1970-sob-comando-do-dops-departamento-de-ordem-politica-e-social-sergio-paranhos-fleury-e-suicidou-se-em-1974-na-franca-1418640660992_367x550.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<h5 class=\"legendaTexto\" style=\"text-align: justify;\">O frei Tito de Alencar Lima foi torturado entre 1969 e 1970, sob comando do DOPS (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social) S\u00e9rgio Paranhos Fleury, e suicidou-se em 1974, na Fran\u00e7a. Inclu\u00eddo na lista de prisioneiros pol\u00edticos soltos em troca da vida do embaixador su\u00ed\u00e7o sequestrado pela VPR (Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria), foi liberado em dezembro de 1970, quando foi viver no ex\u00edlio. Na \u00e9poca, ele relatou uma sess\u00e3o de tortura: &#8220;Revestidos de paramentos lit\u00fargicos, os policiais me fizeram abrir a boca &#8216;para receber a h\u00f3stia sagrada&#8217;. Introduziram um fio el\u00e9trico&#8221;. Na Fran\u00e7a, frei Tito apresentou sinais de transtorno psicol\u00f3gico e diversas vezes tentou o suic\u00eddio. Ele alegava estar sendo perseguido por Fleury, que estaria amea\u00e7ando a sua fam\u00edlia. Entre suas anota\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos meses de vida, havia a seguinte frase: &#8220;\u00c9 melhor morrer do que perder a vida&#8221;<\/h5>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3 class=\"font-color1\"><\/h3>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/article>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Fonte &#8211;\u00a0O Estado de S. Paulo\/UOL<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sess\u00f5es de espancamento acompanhadas por m\u00e9todos para prolongar o sofrimento da v\u00edtima, um cronograma de ataques e at\u00e9 um jacar\u00e9 colocado em celas. No regime militar, as pr\u00e1ticas de torturas receberam um tratamento &#8220;cient\u00edfico&#8221; por parte dos autores dos crimes, segundo relatos contidos em documentos coletados pelo Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha em Genebra. 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