{"id":8477,"date":"2016-06-03T13:26:17","date_gmt":"2016-06-03T13:26:17","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8477"},"modified":"2016-06-03T13:26:17","modified_gmt":"2016-06-03T13:26:17","slug":"memoria-fraturada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/06\/03\/memoria-fraturada\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria fraturada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O filme \u201cO Outro Lado do Para\u00edso\u201d fala de afeto entre pai e filho, descobertas e o Golpe de 64<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diretor Andr\u00e9 Ristum falou sobre o seu pai no document\u00e1rio <em>De Glauber para Jirges <\/em>(o pai, Jirges Ristum, era tamb\u00e9m cineasta e morreu em 1984) e no longa <em>Meu Pa\u00eds<\/em> (2011), o tema da figura paterna veio de forma ficcional. A Ditadura Militar foi abordada em <em>Tempo de Resist\u00eancia,<\/em>document\u00e1rio baseado nas mem\u00f3rias de Leopoldo Paulino, militante, assim como outros companheiros retratados no filme, como Jos\u00e9 Dirceu e o jornalista Franklin Martins que lutaram contra o Golpe de 64.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O Outro Lado do Para\u00edso, <\/em>que estreia hoje nos cinemas de todo pa\u00eds, volta aos dois temas principais dos seus filmes anteriores; a mem\u00f3ria paterna e o Golpe Militar de 1964. O filme \u00e9 inspirado no conto juvenil hom\u00f4nimo de Luiz Fernando Emediato, jornalista e publisher da Gera\u00e7\u00e3o Editorial, e conta a hist\u00f3ria da fam\u00edlia dele que saiu de Minas Gerais para tentar uma vida\u00a0 melhor em Bras\u00edlia, cidade que tinha acabado de ser inaugurada e parecia, pelo menos aos olhos do seu pai, um lugar de oportunidade e prosperidade. \u201cMesmo sendo um projeto pessoal de Emediato, que \u00e9 um dos produtores, <em>O Outro Lado do Para\u00edso<\/em> perpassa outras tem\u00e1ticas que j\u00e1 trabalhei nos meus filmes anteriores. S\u00e3o temas que gosto de abordar na minha obra\u201d, diz Ristum para a reportagem da<strong>Brasileiros.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme que ficou pronto h\u00e1 quase dois anos e j\u00e1 tinha passado por festivais de cinema como Gramado, Fest Aruanda, Havana e dentro da Mostra do Distrito Federal do Festival de Bras\u00edlia (na maioria dos festivais recebeu o pr\u00eamio de p\u00fablico) ganhou urg\u00eancia e atualidade em decorr\u00eancia dos acontecimentos pol\u00edticos recentes. O pano de fundo do filme \u00e9 o Golpe de 64, quando o presidente Jo\u00e3o Goulart foi deposto pelo militares em 31 de mar\u00e7o daquele ano. Agora estamos vivendo novamente um estado de exce\u00e7\u00e3o quando uma presidenta eleita pelo voto do povo foi afastada, at\u00e9 ser julgada pelo Senado, por um processo de impeachment que alguns chamam de Golpe, assim como foi o de 64.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa triste coincid\u00eancia n\u00e3o foi planejada pelo produtor de <em>O Outro Lado do Para\u00edso<\/em>, Luiz Fernando Emediato e nem poderia. Segundo ele, o filme demorou por falta de grana para o lan\u00e7amento. \u201cO filme foi or\u00e7ado em R$ 8,5 milh\u00f5es e captamos R$ 5,5 milh\u00f5es. Decidi ent\u00e3o fazer com esse dinheiro e esperar captar a outra parte, mas n\u00e3o conseguimos captar mais nada durante esse tempo. Ent\u00e3o tive que colocar do meu bolso quase R$ 3 milh\u00f5es para terminar o filme e lan\u00e7\u00e1-lo. Mas voc\u00eas sabem que lan\u00e7ar filme sem dinheiro \u00e9 dif\u00edcil, mas n\u00e3o tinha mais como segur\u00e1-lo\u201d, explica Emediato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tom memorial\u00edstico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme <em>O Outro Lado do Para\u00edso <\/em>\u00e9 narrado por Nando (David Galeano), em voz off, que lembra os acontecimentos daquele in\u00edcio dos anos 1960, quando fam\u00edlia dele (ele, o pai, a m\u00e3e e dois irm\u00e3os, uma irm\u00e3 mais velha e o ca\u00e7ula) decide ir tentar a vida em Bras\u00edlia. O pai (Eduardo Moscovis), um sonhador e n\u00f4made, acha que o futuro \u00e9 a nova capital do pa\u00eds. Chegando l\u00e1, a fam\u00edlia vai morar em Taquatinga, uma das periferias em torno do Plano Piloto, que j\u00e1 crescia de forma desorganizada e injusta, assim como outras cidades brasileiras. O pai vira oper\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o civil e termina entrando para o sindicato. O momento \u00e9 de embuli\u00e7\u00e3o, com as Reformas de Base de Jango e a Marcha da Fam\u00edlia Com Deus Pela Liberdade, que queria que o presidente renunciasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nando vai se adaptando a nova vida, agora descobrindo o gosto pela leitura e um namorinho com a filha da professora. Quando a vida estava entrando nos eixos, acontece o Golpe Militar. A vida em Bras\u00edlia, que era dif\u00edcil, se torna insuport\u00e1vel para eles. O pai vai preso e a fam\u00edlia, com a ajuda de um av\u00f4 materno, toma a decis\u00e3o de volta para Minas Gerais.\u00a0 Passado algum tempo, o pai \u00e9 solto e voltar para junto deles, agora com os sonhos destro\u00e7ados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contando uma hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O Outro Lado do Para\u00edso <\/em>\u00e9 narrado de forma cl\u00e1ssica, com a inten\u00e7\u00e3o de contar a hist\u00f3ria de forma clara e simples, sem apuro na linguagem, o que fez grande parte da cr\u00edtica n\u00e3o gostar do filme. Por outro lado, o p\u00fablico que o assistiu nos festivais por onde passou, gostou do que viu, sem se importar com o tom algumas vezes melodram\u00e1tico e um simplismo narrativo. \u201cO filme agradou em cheio o p\u00fablico, n\u00e3o somente o daqui do Brasil como em outros pa\u00edses como It\u00e1lia e Cuba. Inclusive as plat\u00e9ias-testes que fizemos\u201d, revelou Ristum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme trata de um tema universal que \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre pai e filho, t\u00eam personagens bem constru\u00eddos e defendidos por seus int\u00e9rpretes, especialmente os pap\u00e9is vividos pelos atores, Du Moscovis e David Galeano, toca num dos momentos mais conturbados da nossa hist\u00f3ria, que foi o Golpe de 64, traz imagens de arquivo da \u00e9poca e insere no filme trechos de um curta-metragem documental seminal <em>Bras\u00edlia: Contradi\u00e7\u00f5es de Uma Cidade Nova, <\/em>dirigido pelo grande cineasta Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988), em 1967. Um document\u00e1rio corajoso e revelador, pois j\u00e1 denunciava, em plena ditadura, as contradi\u00e7\u00f5es dos \u201cProjetos Oficiais\u201d da Capital Federal na vida das pessoas humildes (Os candangos de Bras\u00edlia). O arquiteto Oscar Niemeyer acreditava que a cidade que idealizou, ap\u00f3s o Regime Militar, iria cumprir a sua fun\u00e7\u00e3o primordial, socializar os seus habitantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os trechos do curta de Joaquim Pedro imprimem ao filme <em>O Outro Lado do Para\u00edso, <\/em>o tom documental que a hist\u00f3ria necessita, dando veracidade as suas imagens ficcionais. Mas de certa forma essas imagens s\u00e3o dilu\u00eddas, perdendo seu valor de den\u00fancia de uma realidade de mis\u00e9ria que se aflorava naquele peda\u00e7o de \u201cpara\u00edso\u201d, ao se centrar nas descobertas de Nando (namoro, livros, divers\u00f5es), deixando de se aprofundar na luta daquela gente.<\/p>\n<div class=\"shorten_url\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"shorten_url\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"shorten_url\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; Brasileiros<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O filme \u201cO Outro Lado do Para\u00edso\u201d fala de afeto entre pai e filho, descobertas e o Golpe de 64 O diretor Andr\u00e9 Ristum falou sobre o seu pai no document\u00e1rio De Glauber para Jirges (o pai, Jirges Ristum, era tamb\u00e9m cineasta e morreu em 1984) e no longa Meu Pa\u00eds (2011), o tema da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8478,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8477"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8477"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8477\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8479,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8477\/revisions\/8479"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8478"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}