{"id":8569,"date":"2016-07-28T19:27:22","date_gmt":"2016-07-28T19:27:22","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8569"},"modified":"2021-06-11T20:40:44","modified_gmt":"2021-06-11T20:40:44","slug":"perto-dos-100-avo-da-praca-de-maio-ainda-luta-para-punir-militares-da-ditadura-argentina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/07\/28\/perto-dos-100-avo-da-praca-de-maio-ainda-luta-para-punir-militares-da-ditadura-argentina\/","title":{"rendered":"Perto dos 100, av\u00f3 da Pra\u00e7a de Maio ainda luta para punir militares da ditadura argentina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com quase 97 anos, Rosa Tarlovsky de Roisinblit ainda acredita em ver condenados os acusados pelo desaparecimento de sua filha e seu genro durante a ditadura na Argentina, cujo beb\u00ea roubado \u00e9 um dos 120 recuperados pelas Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Roisinblit, vice-presidente dessa emblem\u00e1tica organiza\u00e7\u00e3o, se orgulha por ter conseguido fazer sentar no banco dos r\u00e9us o general-de-brigada aposentado Omar Graffigna, de 90 anos, um dos ex-comandantes da For\u00e7a A\u00e9rea durante a ditadura (1976-1983), junto com os que sequestraram seu neto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Estou muito emocionada porque finalmente o caso est\u00e1 se resolvendo. Olhem quantos anos se passaram e agora se chega \u00e0 verdade&#8221;, disse Roisinblit ao receber a\u00a0AFP em seu modesto apartamento a 50 metros do Congresso argentino, enquanto assiste a fase final do julgamento dos carrascos de sua filha e genro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relembra que come\u00e7ou &#8220;a querela contra o Estado em 1979, e agora se somaram meus netos. Sei que vamos ganhar&#8221;, confiou com voz firme de ligeiro sotaque russo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Graffigna, que foi absolvido no hist\u00f3rico Julgamento das Juntas de 1985, enfrenta agora a justi\u00e7a pelo desaparecimento de Patricia Roisinblit e seu marido, Jos\u00e9 P\u00e9rez Rojo, militantes da organiza\u00e7\u00e3o armada peronista Montoneros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ambos foram sequestrados no dia 6 de outubro de 1978 com sua filha Mariana, de 1 ano e 3 meses, que foi devolvida \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Patricia estava gr\u00e1vida de 8 meses. Eles foram colocados na Regional de Intelig\u00eancia de Buenos Aires (Riba) de Mor\u00f3n (periferia oeste), que dependia da For\u00e7a A\u00e9rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No parto, a jovem foi transferida para o centro clandestino de deten\u00e7\u00e3o da Escola de Mec\u00e2nica da Armada (Esma) e, dias depois de dar \u00e0 luz em condi\u00e7\u00f5es sub-humanas em um por\u00e3o, teve seu beb\u00ea roubado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ironias da vida, Rosa foi obstetra em sua juventude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Vi Graffigna no julgamento. Vejo-o como um velho que vai negar tudo, mas eu sei que \u00e9 verdade pelo que eu o acuso&#8221;, disse Roisinblit.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um problema nas pernas tem a impedido de ir \u00e0 Casa das Av\u00f3s, como tem feito diariamente durante os \u00faltimos 39 anos, e a assistir todos as audi\u00eancias do julgamento, mais um nesse pa\u00eds que ainda n\u00e3o fechou a ferida de uma ditadura que deixou 30 mil\u00a0desaparecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto com Graffigna s\u00e3o julgados pelo caso o ex-agente civil da Aeron\u00e1utica, Francisco G\u00f3mez, j\u00e1 condenado como sequestrador de seu neto, e o ex-chefe do Riba, Luis Trillo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Dor que n\u00e3o termina<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Dor sempre haver\u00e1, essa ferida n\u00e3o cura nunca&#8230; Mas dizer que vou parar? N\u00e3o, nunca vou parar&#8221;, assegura Rosa, que nasceu no dia 19 de agosto de 1919 em Moises Ville, um povoado de imigrantes judeus no campo de Santa Fe (centro-oeste) onde seu pai chegou crian\u00e7a &#8220;fugindo da persegui\u00e7\u00e3o czarista&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O neto de Rosa que &#8220;viveu 21 anos sem saber que era filho de desaparecidos&#8221;, repete Rosa, hoje recuperou sua identidade e leva o sobrenome de seus dois pais, ainda que tenha escolhido mantido Guillermo, como foi chamado sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida de Guillermo deu uma reviravolta no dia 27 de abril de 2000 quando uma jovem se apresentou em seu trabalho e lhe disse: &#8220;Ol\u00e1, sou Mariana, filha de desaparecidos, e procuro meu irm\u00e3o que pode ser voc\u00ea&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele se aproximou das Av\u00f3s e o teste de DNA foi definitivo: Mariana era sua irm\u00e3 e hoje este homem corpulento de 37 anos \u00e9 Guillermo Rodolfo P\u00e9rez Roisinblit. Ambos foram testemunhas no julgamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Contra a verdade n\u00e3o h\u00e1 nada o que fazer. N\u00e3o se pode lutar contra ela&#8221;, afirma sua av\u00f3 ao admitir que a rela\u00e7\u00e3o nem sempre foi f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;No in\u00edcio, o reencontro foi po\u00e9tico&#8221;, relembra Rosa, mas depois Guillermo ficou com raiva quando seus sequestradores foram julgados e condenados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Rosa, n\u00e3o havia outra op\u00e7\u00e3o al\u00e9m da justi\u00e7a: o sequestraram, registraram como pr\u00f3prio, fraudaram uma certid\u00e3o de nascimento e mentiram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 o tempo permitiu a reconcilia\u00e7\u00e3o. &#8220;Agora me chama de &#8216;baba&#8217; (av\u00f3). \u00c9 um bom menino&#8221;, diz de Guillermo, pai de tr\u00eas filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Como pode ser uma pessoa t\u00e3o boa se foi criada por um repressor?&#8221;, pergunta-se Rosa e logo responde: &#8220;\u00c9\u00a0que tem os genes&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00f3s lutamos, mas os her\u00f3is s\u00e3o nossos filhos que se levantaram contra uma ditadura feroz e deram a vida por um pa\u00eds melhor&#8221;, sustenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; UOL<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com quase 97 anos, Rosa Tarlovsky de Roisinblit ainda acredita em ver condenados os acusados pelo desaparecimento de sua filha e seu genro durante a ditadura na Argentina, cujo beb\u00ea roubado \u00e9 um dos 120 recuperados pelas Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maio. 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