{"id":8687,"date":"2016-10-11T01:48:51","date_gmt":"2016-10-11T01:48:51","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8687"},"modified":"2016-10-11T01:48:51","modified_gmt":"2016-10-11T01:48:51","slug":"investigacao-sobre-a-morte-de-marighella-e-aberta-46-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/10\/11\/investigacao-sobre-a-morte-de-marighella-e-aberta-46-anos-depois\/","title":{"rendered":"Investiga\u00e7\u00e3o sobre a morte de Marighella \u00e9 aberta 46 anos depois"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 agora, 46 anos depois, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) abriu uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a morte do \u00a0militante de esquerda Carlos Marighella, fundador da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), em 4 de novembro de 1969. Essa \u00e9, ainda, a primeira vez que a equipe de policiais do delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury, do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops), que foi o s\u00edmbolo da repress\u00e3o na ditadura, ser\u00e1 investigada por um crime pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fleury comandou a opera\u00e7\u00e3o que matou Marighella. Ela foi realizada por 43 homens, entre civis e militares. A decis\u00e3o de apurar \u00e9 do procurador da Rep\u00fablica Andrey Borges de Mendon\u00e7a, que j\u00e1 come\u00e7ou a tomar depoimentos de testemunhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 \u00c9 sempre importante que a verdade seja descoberta \u2014 disse o procurador aposentado H\u00e9lio Bicudo, que denunciou Fleury pelos crimes comuns em a\u00e7\u00f5es do Esquadr\u00e3o da Morte \u2014 bando de policiais que executava bandidos nos anos 1960 e 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nUma das testemunhas ouvidas pelo procurador foi o jornalista do Estado Jos\u00e9 Maria Mayrink, o primeiro rep\u00f3rter a chegar ao local da emboscada que vitimou Marighella. Mayrink conhecia os dominicanos Yves do Amaral Lesbaupin, o Frei Ivo, e Fernando de Brito, que esperavam Marighella em um Fusca quando o Dops o encurralou. Eles haviam sido presos dias antes e obrigados a participar da cilada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Quem matou o Marighella foi o Tralli (o investigador Jos\u00e9 Carlos Tralli) \u2014 disse o investigador R.A., de 68 anos, um dos policiais que participaram da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o jornalista Ivan Seixas, da Comiss\u00e3o de Familiares de Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos, a investiga\u00e7\u00e3o do MPF \u00e9 importante para que se &#8220;saiba o que aconteceu&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 \u00c9 fundamental investigar essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele dia, contou Seixas, quatro quarteir\u00f5es estavam cercados por policiais. Marighella ia se encontrar com os frades. Ele n\u00e3o sabia que os dois haviam sido presos. Estava desarmado e sozinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Houve uma execu\u00e7\u00e3o, e o Estado \u00e9 respons\u00e1vel por ela \u2014 afirmou Seixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O MPF deve ouvir os depoimentos de Ivo e de Fernando. Tamb\u00e9m vai ouvir antigos militantes da ALN que foram torturados por Fleury em busca de informa\u00e7\u00f5es que levassem at\u00e9 Marighella, como o economista Paulo de Tarso Venceslau, al\u00e9m de policiais e militares envolvidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 V\u00e3o ter de fazer muita dilig\u00eancia em cemit\u00e9rio e em mesa branca \u2014 disse o investigador R.A..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos delegados da opera\u00e7\u00e3o, Raul Ferreira, o Raul Pudim, Tucunduva e Fleury j\u00e1 est\u00e3o mortos. Tamb\u00e9m morreram investigadores como Tralli e Jos\u00e9 Campos Correa Filho, o Camp\u00e3o. Laudos e documentos do Dops tamb\u00e9m ser\u00e3o analisados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A iniciativa dos procuradores da Rep\u00fablica se baseia no argumento de que, como esses delitos foram crimes contra a humanidade, eles s\u00e3o imprescrit\u00edveis e insuscet\u00edveis de gra\u00e7a ou anistia. Quase duas dezenas de den\u00fancias j\u00e1 foram feitas pelo MPF \u00e0 Justi\u00e7a Federal contra agentes da ditadura. Em todas, a Justi\u00e7a decidiu que as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem prosperar em raz\u00e3o da decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF) que manteve a Lei de Anistia, de 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; Zero Hora<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00f3 agora, 46 anos depois, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) abriu uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a morte do \u00a0militante de esquerda Carlos Marighella, fundador da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), em 4 de novembro de 1969. 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