{"id":8719,"date":"2016-11-08T13:28:07","date_gmt":"2016-11-08T13:28:07","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8719"},"modified":"2016-11-08T13:28:07","modified_gmt":"2016-11-08T13:28:07","slug":"reconhecimento-de-mortos-na-ditadura-pode-ser-paralisado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/11\/08\/reconhecimento-de-mortos-na-ditadura-pode-ser-paralisado\/","title":{"rendered":"Reconhecimento de mortos na ditadura pode ser paralisado"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"article-subtitle\" style=\"text-align: justify;\">A mudan\u00e7a nas gest\u00f5es municipal e federal traz d\u00favidas sobre a continuidade do projeto<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho de identifica\u00e7\u00e3o das ossadas da vala de Perus, do cemit\u00e9rio Dom Bosco, na zona norte de S\u00e3o Paulo, pode ser interrompido por falta de recursos. Hoje, o projeto de reconhecimento dos corpos de desaparecidos do <strong>regime militar<\/strong> custa R$ 3 milh\u00f5es por ano \u2013 pagos pela Prefeitura de S\u00e3o Paulo, Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e o Minist\u00e9rio de Justi\u00e7a e Cidadania.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mudan\u00e7a nas gest\u00f5es municipal e federal, no momento em que contratos com parceiros do projeto dependem de renova\u00e7\u00e3o, traz d\u00favidas sobre sua continuidade. \u201cAlguns contratos de profissionais vencem em janeiro, mas para a conclus\u00e3o do projeto nos precisamos de pelo menos mais dois anos\u201d, alerta Carla Borges, coordenadora de Direito \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Verdade da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pasta faz parte do Grupo de Trabalho Perus (FTP), formado pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e pela Comiss\u00e3o Especial dos Desaparecidos Pol\u00edticos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, a Prefeitura de S\u00e3o Paulo arca com R$ 440 mil, o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a tem liberado, via emenda parlamentar, algo em torno de R$ 2 milh\u00f5es, e o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem liberado, via emenda parlamentar, outros R$ 500 mil. A previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria para o pr\u00f3ximo ano \u00e9 de a Prefeitura dobrar seu valor, mas sua aprova\u00e7\u00e3o depende de vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara Municipal, que deve acontecer at\u00e9 o final deste m\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das 1.047 caixas de corpos que est\u00e3o no Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF), 530 j\u00e1 foram abertas e analisadas. Com essas an\u00e1lises, o grupo tem avan\u00e7ado na identifica\u00e7\u00e3o de tr\u00eas desaparecidos pol\u00edticos: Dimas Ant\u00f4nio Casemiro; Grenaldo de Jesus da Silva e Francisco Jos\u00e9 de Oliveira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAl\u00e9m da abertura das outras caixas e de todo o processo de limpeza e identifica\u00e7\u00e3o, estamos na fase de coleta de DNA e cruzamento de informa\u00e7\u00f5es com as amostras \u00f3sseas\u201d, explica Javier Amadeo, membro do comit\u00ea Gestor do GTP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O atual secret\u00e1rio municipal de Direitos Humanos, Felipe de Paulo, espera que o projeto tenha continuidade com a nova gest\u00e3o do prefeito Jo\u00e3o Doria (PSDB). \u201cAinda n\u00e3o houve nenhum processo de transi\u00e7\u00e3o, mas tenho certeza que ser\u00e1 republicano e estamos prontos para colaborar e garantir esse recurso para uma das a\u00e7\u00f5es mais importantes da nossa secretaria\u201d, avalia. A assessoria do prefeito eleito informou que Doria deve se pronunciar em breve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro fator que tem colocado em risco o desenrolar dos trabalhos \u00e9 o contrato, que vence em janeiro de 2017, com um grupo internacional de arque\u00f3logos e antrop\u00f3logos forenses. Da Argentina e Peru, eles aportam expertise ao projeto ainda n\u00e3o desenvolvida no Pa\u00eds.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Fam\u00edlias<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 74 anos, o historiador Jos\u00e9 Lu\u00eds Del Roio vive a apreens\u00e3o pela identifica\u00e7\u00e3o de sua mulher desaparecida em 1972, a estudante Isis Dias de Oliveira. \u201cUm quarto de s\u00e9culo j\u00e1 se passou e ainda existem perguntas b\u00e1sicas que n\u00e3o foram respondidas: Como? Por qu\u00ea? Quem?\u201d, pergunta. \u201cO que o governo faz \u00e9 uma imensa crueldade com quem tem parentes e amigos v\u00edtimas da ditadura militar\u201d, acrescenta, classificando o contexto de \u201ctortura institucional\u201d. Al\u00e9m dele, outras 41 fam\u00edlias vivem em situa\u00e7\u00e3o parecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descoberta da vala de Perus ocorreu durante a gest\u00e3o da ent\u00e3o prefeita Luiza Erundina, em 4 de setembro de 1990. O local, que originalmente foi aberto em 1972 e teria \u201cfuncionado\u201d at\u00e9 1976, tamb\u00e9m serviria para esconder corpos de indigentes, v\u00edtima de viol\u00eancia policial e, possivelmente, outros desaparecidos pol\u00edticos que n\u00e3o aqueles previamente registrados no cemit\u00e9rio Dom Bosco, onde a vala est\u00e1 situada.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Transfer\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da abertura para identifica\u00e7\u00e3o das ossadas na vala, familiares exigiram a transfer\u00eancia do material para o Departamento de Medicina Legal da Unicamp \u2013 j\u00e1 que no Instituto M\u00e9dico Legal de S\u00e3o Paulo ainda atuavam m\u00e9dicos legistas que assinaram laudos falsos de presos pol\u00edticos mortos em tortura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2001, as ossadas foram transferidas para o Cemit\u00e9rio do Ara\u00e7\u00e1, na regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo, e ficaram sob os cuidados da USP. No per\u00edodo, as caixas com as ossadas ficaram acondicionadas de forma prec\u00e1ria \u2013 e passaram at\u00e9 por uma inunda\u00e7\u00e3o. S\u00f3 em 2014, j\u00e1 na Prefeitura de Fernando Haddad, foi criada a parceria entre o munic\u00edpio, a Comiss\u00e3o Especial de Desaparecidos Pol\u00edticos e a Unifesp. \u201cO trabalho precisou ser retomado do zero. O que vai acontecer se, agora, o processo de identifica\u00e7\u00e3o for interrompido, \u00e9 que ser\u00e3o jogados fora muitos anos de pesquisa\u201d, diz Amadeo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No pr\u00f3ximo dia 28 de novembro, o Grupo de Trabalho Perus vai organizar uma audi\u00eancia p\u00fablica para prestar contas do que foi realizado at\u00e9 agora e apresentar resultados ao p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os minist\u00e9rios da Educa\u00e7\u00e3o e da Justi\u00e7a e Cidadania foram procurados pela reportagem, mas at\u00e9 a conclus\u00e3o desta edi\u00e7\u00e3o n\u00e3o haviam se manifestado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Estado de S. Paulo\/Exame<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mudan\u00e7a nas gest\u00f5es municipal e federal traz d\u00favidas sobre a continuidade do projeto O trabalho de identifica\u00e7\u00e3o das ossadas da vala de Perus, do cemit\u00e9rio Dom Bosco, na zona norte de S\u00e3o Paulo, pode ser interrompido por falta de recursos. 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