{"id":8764,"date":"2016-12-07T00:19:15","date_gmt":"2016-12-07T00:19:15","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8764"},"modified":"2016-12-07T00:19:15","modified_gmt":"2016-12-07T00:19:15","slug":"justica-italiana-ouve-primeira-testemunha-contra-ex-agentes-da-ditadura-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/12\/07\/justica-italiana-ouve-primeira-testemunha-contra-ex-agentes-da-ditadura-no-brasil\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a italiana ouve primeira testemunha contra ex-agentes da ditadura no Brasil"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"description\" style=\"text-align: justify;\">Arquivista falou sobre ditaduras do Cone Sul e Opera\u00e7\u00e3o Condor<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na manh\u00e3 desta segunda-feira (05\/12), foi a ouvida a primeira testemunha do\u00a0processo Condor brasileiro\u00a0que tramita no tribunal de Roma, na It\u00e1lia. O caso julga os ex-agentes da ditadura militar brasileira (1964-1985) Jo\u00e3o Osvaldo Leivas Job, Carlos Alberto Ponzi, \u00c1tila Rohrsetzer e Marco Aur\u00e9lio da Silva \u2013 que morreu no dia 2 de junho \u2013 pelo assassinato do \u00edtalo-argentino Lorenzo Vi\u00f1as Gigli.<\/p>\n<div id=\"attachment_8765\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8765\" class=\"size-full wp-image-8765\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/30649931903_458f2099c2_z.jpg\" alt=\"A arquivista italiana Giulia Barrera, primeira testemunha do caso que julga ex-agentes da ditadura brasileira na It\u00e1lia \/ Janaina Cesar \/ Opera Mundi\" width=\"640\" height=\"359\" \/><p id=\"caption-attachment-8765\" class=\"wp-caption-text\">A arquivista italiana Giulia Barrera, primeira testemunha do caso que julga ex-agentes da ditadura brasileira na It\u00e1lia \/ Janaina Cesar \/ Opera Mundi<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A arquivista italiana Giulia Barrera falou \u00e0 corte por mais de quatro horas e, antes de entrar no caso espec\u00edfico de Vi\u00f1as, explicou o que foi a Opera\u00e7\u00e3o Condor e como as ditaduras do Cone Sul a colocaram em pr\u00e1tica. Barrera usou slides de textos, gr\u00e1ficos e imagens para ilustrar de forma did\u00e1tica o per\u00edodo repressivo na regi\u00e3o. Documentos desclassificados do servi\u00e7o de intelig\u00eancia dos Estados Unidos tamb\u00e9m foram elencados e lidos, entre estes um fax da Embaixada norte-americana em Buenos Aires onde era citada a pris\u00e3o de 12 militantes do movimento Montoneros, que lutava contra a ditadura na Argentina (1976-1983) e do qual Vi\u00f1as fazia parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00edtalo-argentino desapareceu em 26 de junho de 1980, entre os munic\u00edpios de Paso De Los Livres e Uruguaiana, na fronteira entre Argentina e Brasil. Por conta da milit\u00e2ncia nos Montoneros, Vi\u00f1as j\u00e1 havia sido preso em 1974. No ex\u00edlio, foi para o M\u00e9xico em 1975, com sua esposa Claudia Olga Allegrini, e veio em 1977 para o Brasil. Em 1979, retornou \u00e0 Argentina, onde nasceu sua filha, Maria Paula. Por conta da persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o casal decidiu ir para a It\u00e1lia. Em junho de 1980, Vi\u00f1as embarcou em um \u00f4nibus em Buenos Aires com destino ao Rio de Janeiro \u2014 sua esposa Claudia faria o mesmo percurso um m\u00eas de depois e juntos iriam para o pa\u00eds europeu. No entanto, Vi\u00f1as n\u00e3o completou o percurso e desapareceu na fronteira entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Comiss\u00e3o Nacional da Verdade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A arquivista italiana mencionou uma carta escrita em 1994 por Silvia Tolchinsky, militante Montonero sequestrada em Las Cuevas, fronteira da Argentina com o Chile, e endere\u00e7ada a Claudia Allegrini, em que Tolchinsky relata ter encontrado Vi\u00f1as em uma pris\u00e3o clandestina. Barrera tamb\u00e9m usou o relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, produzido pelo governo de Dilma Rousseff, onde o nome de Vi\u00f1as aparece entre as v\u00edtimas da repress\u00e3o brasileira. Diante da apresenta\u00e7\u00e3o da ficha da CNV com o resumo da hist\u00f3ria do italiano, a procuradora Tiziana Cugini interveio e ressaltou a import\u00e2ncia do relat\u00f3rio por ser o primeiro produzido por uma comiss\u00e3o da verdade onde os nomes dos poss\u00edveis criminosos s\u00e3o divulgados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a procuradora Cugini, \u201co depoimento de Barrera \u00e9 fundamental para contextualizar o per\u00edodo hist\u00f3rico e os crimes cometidos\u201d. Segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico italiano, na data em que Vi\u00f1as foi sequestrado, Leivas Job era secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a do Rio Grande do Sul; Ponzi chefiava a ag\u00eancia do SNI (Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es) em Porto Alegre; Rohrsetzer era diretor da Divis\u00e3o Central de Informa\u00e7\u00f5es do Rio Grande do Sul; e Silva, delegado de pol\u00edcia, cobria o cargo de diretor do Dops (Departamentos de Ordem Pol\u00edtica e Social) do Rio Grande do Sul. Rohrsetzer mora em Florian\u00f3polis e Leivas Job e Ponzi vivem em Porto Alegre. Marco Aur\u00e9lio da Silva vivia, at\u00e9 sua morte em junho passado, em uma praia do litoral ga\u00facho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Investiga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cugini est\u00e1 substituindo o procurador Giancarlo Capaldo, que por cerca 15 anos investigou a morte e o desaparecimento de 25 cidad\u00e3os de origem italiana entre 1973 e 1980, per\u00edodo de atua\u00e7\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o Condor. Com o fim das investiga\u00e7\u00f5es preliminares, foram denunciadas 146 pessoas, mas por falta de colabora\u00e7\u00e3o de alguns pa\u00edses e devido ao grande n\u00famero de pessoas j\u00e1 falecidas, apenas 33 viraram r\u00e9us, al\u00e9m dos quatro brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outubro passado a\u00a0procuradoria romana pediu a pris\u00e3o perp\u00e9tua\u00a0de 27 ex-agentes de ditaduras de Bol\u00edvia, Chile, Peru e Uruguai e absolveu um ex-militar. A senten\u00e7a deste processo deve ser proferida no dia 13 de janeiro de 2017. J\u00e1 a pr\u00f3xima audi\u00eancia do processo em que os brasileiros s\u00e3o r\u00e9us foi marcada para o dia 27 de fevereiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; Brasil de Fato<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arquivista falou sobre ditaduras do Cone Sul e Opera\u00e7\u00e3o Condor Na manh\u00e3 desta segunda-feira (05\/12), foi a ouvida a primeira testemunha do\u00a0processo Condor brasileiro\u00a0que tramita no tribunal de Roma, na It\u00e1lia. 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