{"id":8881,"date":"2017-03-02T19:21:21","date_gmt":"2017-03-02T19:21:21","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8881"},"modified":"2017-03-02T19:21:21","modified_gmt":"2017-03-02T19:21:21","slug":"viuva-de-perseguido-na-ditadura-deve-ser-indenizada-por-danos-morais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2017\/03\/02\/viuva-de-perseguido-na-ditadura-deve-ser-indenizada-por-danos-morais\/","title":{"rendered":"Vi\u00fava de perseguido na ditadura deve ser indenizada por danos morais"},"content":{"rendered":"<div class=\"wysiwyg\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel a cumula\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais com a repara\u00e7\u00e3o concedida pela comiss\u00e3o de anistia. Seguindo essa jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, a 3\u00aa Turma do\u00a0Tribunal Regional Federal da 3\u00aa Regi\u00e3o\u00a0determinou \u00e0 Uni\u00e3o o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, no valor de R$ 50 mil, \u00e0 vi\u00fava de anistiado pol\u00edtico em raz\u00e3o de pris\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o e tortura sofrida na \u00e9poca do regime militar, nas d\u00e9cadas de 1960, 1970 e 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o considerou ainda que \u00e9\u00a0imprescrit\u00edvel a pretens\u00e3o contra viola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais decorrentes do regime de exce\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A autora havia postulado indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais sofridos por seu falecido marido, v\u00edtima da ditadura militar a partir de 1964, tendo sido preso e torturado nas depend\u00eancias de \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o, sujeitando-o a inqu\u00e9rito policial e a demiss\u00e3o de cargo p\u00fablico no Servi\u00e7o de Assist\u00eancia M\u00e9dica Domiciliar e de Urg\u00eancia, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Alegava ainda que a situa\u00e7\u00e3o havia provocado diversos problemas e sequelas psicol\u00f3gicas ao c\u00f4njuge, conforme provas documentais juntadas \u00e0 a\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 inequ\u00edvoco que os procedimentos ent\u00e3o adotados tinham car\u00e1ter excepcional, usando m\u00e9todos e t\u00e9cnicas que infligiam grave viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica, que na normalidade democr\u00e1tica n\u00e3o poderiam ser admitidos, assim gerando danos morais pass\u00edveis de indeniza\u00e7\u00e3o, na forma do artigo 37, \u00a7 6\u00ba, combinado com\u00a0artigo 5\u00ba, V e X, ambos da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Os atos estatais narrados produziram mais do que inequ\u00edvoca causalidade jur\u00eddica do dano, em termos de s\u00e9ria ofensa \u00e0 honra, imagem, dignidade e integridade, tanto moral como psicol\u00f3gica, nos diversos planos poss\u00edveis, incluindo o pessoal, familiar, profissional e social\u201d, destacou o relator do processo, desembargador federal Carlos Muta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A condi\u00e7\u00e3o de anistiado pol\u00edtico\u00a0<em>post mortem<\/em>\u00a0foi reconhecida pela Comiss\u00e3o de Anistia, ap\u00f3s requerimento formulado pela autora, na qualidade de sucessora. Segundo o relator, deve ser aplicado o atual entendimento do STJ quanto ao cabimento da a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o por danos morais, que n\u00e3o se confunde com a repara\u00e7\u00e3o feita na via administrativa (Comiss\u00e3o de Anistia). Inclusive, inexiste comprova\u00e7\u00e3o de que tenha havido, efetivamente, indeniza\u00e7\u00e3o da mesma natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 evidente que o c\u00f4njuge da autora foi v\u00edtima do regime pol\u00edtico institu\u00eddo no pa\u00eds com o Golpe de 1964, sendo submetido \u00e0 pris\u00e3o e \u00e0s suas consequ\u00eancias, por isso sua condi\u00e7\u00e3o de anistiado pol\u00edtico foi, inclusive, reconhecida pela Comiss\u00e3o de Anistia, o que justifica a condena\u00e7\u00e3o da requerida ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o, arbitrada em R$ 50 mil, de modo a permitir justa e adequada repara\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo sem acarretar enriquecimento sem causa, avaliando-se diversos aspectos relevantes \u2014\u00a0como a condi\u00e7\u00e3o social, viabilidade econ\u00f4mica e grau de culpa do ofensor, gravidade do dano ao patrim\u00f4nio moral e ps\u00edquico do autor\u201d, conclui o relator.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, ao julgar apela\u00e7\u00e3o parcialmente provida, a 3\u00aa Turma do TRF-3 acrescentou que ao valor da indeniza\u00e7\u00e3o devem ser aplicados juros de mora e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, conforme as normas previstas pelo STJ e Conselho da Justi\u00e7a Federal. A Uni\u00e3o tamb\u00e9m deve arcar com honor\u00e1rios advocat\u00edcios fixados em 10% do valor da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel 0006000-39.2014.4.03.6100\/SP<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte &#8211; Revista Consultor Jur\u00eddico<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 poss\u00edvel a cumula\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais com a repara\u00e7\u00e3o concedida pela comiss\u00e3o de anistia. 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