{"id":8886,"date":"2017-03-06T23:36:42","date_gmt":"2017-03-06T23:36:42","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8886"},"modified":"2017-03-06T23:36:42","modified_gmt":"2017-03-06T23:36:42","slug":"peca-cria-ficcao-a-partir-de-relatorios-da-comissao-nacional-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2017\/03\/06\/peca-cria-ficcao-a-partir-de-relatorios-da-comissao-nacional-da-verdade\/","title":{"rendered":"Pe\u00e7a cria fic\u00e7\u00e3o a partir de relat\u00f3rios da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Texto escrito por Ave Terrena em conjunto com os atores do\u00a0<\/em><em>Laborat\u00f3rio de T\u00e9cnica Dram\u00e1tica \u2013 LABTD tem a proposta\u00a0<\/em><em>de ser uma dramaturgia muralista, conceito de Oswald de\u00a0<\/em><em>Andrade inspirado na proposta criativa de pintores mexicanos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-55113\" src=\"http:\/\/dicadeteatro.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/O-CORPO-QUE-O-RIO-LEVOU-Renato-Mangolin-010-bx.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/dicadeteatro.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/O-CORPO-QUE-O-RIO-LEVOU-Renato-Mangolin-010-bx.jpg 1024w, http:\/\/dicadeteatro.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/O-CORPO-QUE-O-RIO-LEVOU-Renato-Mangolin-010-bx-300x200.jpg 300w, http:\/\/dicadeteatro.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/O-CORPO-QUE-O-RIO-LEVOU-Renato-Mangolin-010-bx-768x512.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Disparado pelo assombro causado com a ascens\u00e3o do conservadorismo e do fascismo no Brasil, <strong><em>O CORPO QUE O RIO LEVOU<\/em><\/strong> parte da necessidade de investigar e criar uma reflex\u00e3o c\u00eanica sobre a perman\u00eancia e a dura\u00e7\u00e3o dos resqu\u00edcios sentimentais, comportamentais e identit\u00e1rios dos crimes cometidos pela ditadura civil-militar dos anos 1964-1989. A montagem, do Laborat\u00f3rio de T\u00e9cnica Dram\u00e1tica \u2013 LABTD, estreia <u>dia 4 de mar\u00e7o<\/u>, s\u00e1bado, \u00e0s 21 horas, no Centro Cultural S\u00e3o Paulo com dire\u00e7\u00e3o de Diego Moschkovich, dramaturgia de Ave Terrena e elenco formado por Diego Chilio, Fredy \u00c1llan, Maria Emilia Faganello, Sofia Botelho e Sophia Castellano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ganhador da 4\u00aa Edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Z\u00e9 Renato de Teatro, da Secretaria Municipal de Cultura da cidade de S\u00e3o Paulo,<strong><em> O CORPO QUE O RIO LEVOU<\/em><\/strong> parte de relat\u00f3rios da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) para articular o material documental com a experi\u00eancia emp\u00edrica de um coletivo teatral que vive um momento de acirramento das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da sociedade. O resultado desta fric\u00e7\u00e3o \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um texto dram\u00e1tico que ao mesmo tempo remete \u00e0 mem\u00f3ria e desperta a aten\u00e7\u00e3o para o caminho a que podem levar as posturas pol\u00edticas tomadas no presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Of\u00e9lica Latina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <strong><em>O CORPO QUE O RIO LEVOU<\/em><\/strong> Elza, uma atriz em in\u00edcio de carreira, alheia aos conflitos sociais e \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o do conservadorismo em sua \u00e9poca, se preocupa apenas com o teste para um espet\u00e1culo chamado <em>Of\u00e9lica Latina<\/em>, uma vers\u00e3o latino-americana de <em>Hamlet<\/em> dirigida por um renomado diretor norte-americano. No entanto, seu marido, Abelardo, tesoureiro da Caixa Econ\u00f4mica, \u00e9 repentinamente convocado a prestar depoimento numa delegacia, onde, sem que Elza saiba, \u00e9 torturado e assassinado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elza passa a procur\u00e1-lo, sem entender ao certo o que pode ter acontecido e ao mesmo tempo, se iniciam os ensaios para o espet\u00e1culo, para o qual foi selecionada. Um \u00f3rg\u00e3o do governo, contudo, pro\u00edbe a realiza\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo, e Elza se v\u00ea impedida de trabalhar, e de realizar o sonho de sua vida. Vivendo, ent\u00e3o, as consequ\u00eancias da viol\u00eancia pol\u00edtica de seu tempo, sem saber como agir e nem como resistir, ela volta \u00e0s pressas para sua cidade natal, no interior. Entremeadas \u00e0 linha dram\u00e1tica principal da pe\u00e7a, vemos cenas da tortura institucionalizada, todas inspiradas nos manuais de tortura das For\u00e7as Armadas nas d\u00e9cadas de 60 e 70. Nelas, um locutor de r\u00e1dio descreve, como num jogo de futebol, as t\u00e9cnicas de interrogat\u00f3rio aplicadas pelos oficiais do Ex\u00e9rcito durante o regime militar, e pelos policiais militares at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dramaturgia muralista<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escrita por Ave Terrena em conjunto com os atores do Laborat\u00f3rio de T\u00e9cnica Dram\u00e1tica \u2013 LABTD, a dramaturgia de <strong><em>O CORPO QUE O RIO LEVOU <\/em><\/strong>tem a proposta de ser uma dramaturgia muralista, conceito de Oswald de Andrade inspirado na proposta criativa de pintores mexicanos, como Jos\u00e9 Orozco e Diego Rivera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Ave Terrena, a ideia de uma dramaturgia muralista \u00e9 ter muitos olhares sob a mesma realidade social. \u201cS\u00e3o cenas que se sucedem com v\u00e1rios pontos de vista e formam um grande mural, exatamente como nas pinturas dos mexicanos\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ave, que em 2014 fez parte do N\u00facleo de Dramaturgia SESI-British Council, conta ainda que <em>Of\u00e9lica Latina<\/em>, a vers\u00e3o latino-americana de <em>Hamlet<\/em> presente na montagem, tamb\u00e9m \u00e9 um texto seu. \u201c<strong><em>O CORPO QUE O RIO LEVOU<\/em><\/strong> traz uma pe\u00e7a dentro de outra. Fiz uma brincadeira de colocar um texto meu a servi\u00e7o de outro. Quem sabe um dia ele tamb\u00e9m ganha os palcos em vers\u00e3o solo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mosaico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dire\u00e7\u00e3o de Diego Moschkovich est\u00e1 sendo constru\u00edda na pr\u00e1tica dos ensaios, pois a dramaturgia muralista de Ave Terrena prop\u00f5e algo novo. \u201c\u00c9 uma experi\u00eancia bem diferente das minhas outras dire\u00e7\u00f5es. Aqui, a ideia \u00e9 construir um quadro, um painel, um mosaico transversal de cenas\u201d, conta o diretor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ele, a dire\u00e7\u00e3o bebe na fonte dos princ\u00edpios da arte dram\u00e1tica, mas tamb\u00e9m flerta com algo do cinema. \u201cPara mim a necessidade da montagem \u00e9, antes de tudo, a urg\u00eancia de assumir uma posi\u00e7\u00e3o clara frente aos atuais acontecimentos pol\u00edticos que tem levado a um golpe de estado no Brasil, traduzindo-a em linguagem de teatro\u201d, afirma Diego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A investiga\u00e7\u00e3o do material documental (relat\u00f3rios da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade) trouxe tamb\u00e9m a necessidade do diretor na busca por uma fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica consistente, que desembocou na teoria social latino-americana, especificamente em pensadores ligados \u00e0 Teoria da Depend\u00eancia, como Theot\u00f4nio dos Santos, Ruy Mauro Marini e V\u00e2nia Bambirra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O espa\u00e7o c\u00eanico, criado por Wagner Ant\u00f4nio, que tamb\u00e9m assina a ilumina\u00e7\u00e3o, pode ser visto como uma instala\u00e7\u00e3o, que se transforma ao longo das cenas e onde luz e cen\u00e1rio se confundem. Proje\u00e7\u00f5es de imagens e v\u00eddeos completam o espa\u00e7o cenogr\u00e1fico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><\/u><strong>O CORPO QUE O RIO LEVOU<\/strong> \u2013Sexta-feira e s\u00e1bado \u00e0s 21 horas e domingo \u00e0s 20 horas, no Anexo da Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural S\u00e3o Paulo. <u>Dire\u00e7\u00e3o<\/u> \u2013 Diego Moschkovich. <u>Dramaturgia<\/u> \u2013 Ave Terrena. <u>Elenco<\/u> \u2013 Diego Chilio, Fredy \u00c1llan, Maria Emilia Faganello, Sofia Botelho e Sophia Castellano. <u>Dire\u00e7\u00e3o Musical<\/u> \u2013 Felipe Pagliato e Gabriel Barbosa. <u>Dire\u00e7\u00e3o de V\u00eddeo<\/u> \u2013 Camila M\u00e1rquez (NIT). <u>Ilumina\u00e7\u00e3o e Cenografia<\/u> \u2013 Wagner Ant\u00f4nio. <u>Figurino<\/u> \u2013 Diogo Costa. <u>Produ\u00e7\u00e3o<\/u> \u2013 Laura Salerno. <u>Realiza\u00e7\u00e3o<\/u> \u2013 Laborat\u00f3rio de T\u00e9cnica Dram\u00e1tica. <u>Dura\u00e7\u00e3o<\/u> \u2013 120 minutos. Recomendado para maiores de 14 anos. <u>Temporada<\/u>\u00a0 \u2013 <u>Ingressos<\/u> \u2013 R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada). <strong>At\u00e9 9 de abril<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">*Dia 10 de mar\u00e7o, sexta-feira, ingresso promocional \u2013 R$ 3,00.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">**Dia 1\u00ba de abril, s\u00e1bado, \u00e0s 17 horas, bate-papo antes do espet\u00e1culo com convidados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><u>Sinopse<\/u> \u2013 A partir de estudos de relat\u00f3rios da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, <em>O Corpo que o Rio Levou <\/em>conta a hist\u00f3ria do casal Elza e Abelardo. Num Brasil de 2020, segregado por disputas pol\u00edticas, ela \u00e9 selecionada para ser atriz de uma pe\u00e7a internacional sobre a Am\u00e9rica Latina e a ag\u00eancia banc\u00e1ria onde Abelardo trabalha \u00e9 alvo de um ataque da nova guerrilha. Enquanto isso, uma r\u00e1dio narra um jogo de futebol da Copa de 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CENTRO CULTURAL S\u00c3O PAULO<\/strong>\u00a0\u2013<strong>\u00a0<\/strong>Rua Vergueiro, 1000 \u2013 Esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4\u00a0Vergueiro. Telefone (11) 3397-4002.\u00a0<u>Capacidade<\/u> \u2013 66 lugares. <u>Bilheteria<\/u>\u00a0\u2013\u00a0de ter\u00e7a a s\u00e1bado, das 13h \u00e0s 21h30; e domingos, das 13h \u00e0s 20h30. Ingressos vendidos online pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ingressorapido.com.br\/\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=https:\/\/www.ingressorapido.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1487713944282000&amp;usg=AFQjCNFIsqYHJDOb17vD0VTVtFek_tnD4Q\">www.ingressorapido.com.br<\/a>\u00a0ou pelo telefone 4003-1212.\u00a0Acesso para deficientes f\u00edsicos.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.centrocultural.sp.gov.br\/\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/www.centrocultural.sp.gov.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1487713944282000&amp;usg=AFQjCNGRgHjaNdzRy_991A11dt5vLCDjxA\">www.centrocultural.sp.gov.br<\/a><\/p>\n<div id=\"Socializer\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p class=\"linha-fina\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; Dica de Teatro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto escrito por Ave Terrena em conjunto com os atores do\u00a0Laborat\u00f3rio de T\u00e9cnica Dram\u00e1tica \u2013 LABTD tem a proposta\u00a0de ser uma dramaturgia muralista, conceito de Oswald de\u00a0Andrade inspirado na proposta criativa de pintores mexicanos Disparado pelo assombro causado com a ascens\u00e3o do conservadorismo e do fascismo no Brasil, O CORPO QUE O RIO LEVOU parte [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8887,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8886"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8886"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8886\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8888,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8886\/revisions\/8888"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8887"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}