{"id":8925,"date":"2017-04-18T19:58:04","date_gmt":"2017-04-18T19:58:04","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8925"},"modified":"2017-04-18T19:58:04","modified_gmt":"2017-04-18T19:58:04","slug":"brasil-deve-desculpas-a-indios-por-abusos-na-ditadura-diz-valente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2017\/04\/18\/brasil-deve-desculpas-a-indios-por-abusos-na-ditadura-diz-valente\/","title":{"rendered":"Brasil deve desculpas a \u00edndios por abusos na ditadura, diz Valente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O projeto de integra\u00e7\u00e3o nacional durante os anos do regime militar, que levou aos confins do Pa\u00eds obras fara\u00f4nicas &#8211; e, muitas vezes, mal planejadas -, como a rodovia Transamaz\u00f4nica, tamb\u00e9m custou a vida de centenas de ind\u00edgenas, frequentemente de etnias que viviam em isolamento no interior da Amaz\u00f4nia Legal e que estavam no caminho desses empreendimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para resgatar os fatos desse per\u00edodo, que envolviam a remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada dos \u00edndios de seus locais de origem, o jornalista Rubens Valente lan\u00e7ou o livro Os fuzis e as flechas &#8211; A hist\u00f3ria de sangue e resist\u00eancia ind\u00edgenas na ditadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Valente, o car\u00e1ter &#8220;irrevers\u00edvel&#8221; de realiza\u00e7\u00e3o de obras provocou diversos confrontos entre os militares e os \u00edndios isolados, marcados pela despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. &#8220;Houve v\u00e1rias escaramu\u00e7as armadas, sempre os \u00edndios com flechas, eles n\u00e3o tinham armas de fogo, e os militares com fuzis, metralhadoras, helic\u00f3pteros e tudo&#8221;, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista ao Jornal do Com\u00e9rcio, Valente tamb\u00e9m critica o sil\u00eancio do Estado brasileiro sobre os abusos e viola\u00e7\u00f5es cometidos pelo governo militar. &#8220;O Estado demora a fazer o reconhecimento e pedir desculpas&#8221;, diz. &#8220;E erra em n\u00e3o estabelecer uma indeniza\u00e7\u00e3o justa.&#8221; O livro ser\u00e1 tema, nesta semana, de uma audi\u00eancia p\u00fablica no Senado, pedida pelo senador Jo\u00e3o Capiberibe (PSB-AP), e que busca discutir compensa\u00e7\u00f5es para as etnias afetadas pelas pol\u00edticas do regime militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornal do Com\u00e9rcio &#8211; Qual foi o maior impacto na vida do povo ind\u00edgena durante os anos da ditadura? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rubens Valente &#8211;<\/strong> A gente poderia dividir (o povo ind\u00edgena) em duas popula\u00e7\u00f5es: a chamada aldeada, que \u00e9 aquela contatada anos antes, da Amaz\u00f4nia Legal para baixo, presente muito no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paran\u00e1. A outra \u00e9 a chamada arredia ou hostil, que hoje n\u00f3s chamamos de isolada, n\u00e3o contatada. \u00c9 a realidade mais presente e verdadeira na Amaz\u00f4nia Legal. Essa popula\u00e7\u00e3o sofreu impacto maior, porque estava na linha dos grandes empreendimentos na Amaz\u00f4nia. Os casos mais graves, em n\u00famero de v\u00edtimas, se concentram na Amaz\u00f4nia Legal, porque havia um projeto militar de ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Consideravam-na um territ\u00f3rio vazio, que precisava ser integrado \u00e0 chamada comunh\u00e3o nacional, e os militares encaminhavam essas obras, rodovias, n\u00e3o s\u00f3 a Transamaz\u00f4nica como tamb\u00e9m a BR-174, a BR-080. O governo queria gerar emprego e integrar a Amaz\u00f4nia, mas o \u00edndio apareceu como um empecilho, pois eles estavam no caminho das obras, as terras eram deles, terras tradicionais, estavam l\u00e1 talvez h\u00e1 mil\u00eanios, centenas de anos; e, para que essas obras ocorressem, os militares desencadearam frentes de atra\u00e7\u00e3o, coordenadas por militares l\u00e1 em cima, embora na ponta fossem desenvolvidas por civis. Eu conto no livro que esses contatos, muitas vezes, ocorreram de forma mal planejada, sem m\u00e9dicos e medicamentos, sem transporte suficiente&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC &#8211; Essa abordagem n\u00e3o foi pensada para prover tudo que era necess\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Valente &#8211;<\/strong> Isso. Os documentos mostram que houve erros de planejamento e execu\u00e7\u00e3o, e houve num sentido geral um desrespeito total \u00e0quelas popula\u00e7\u00f5es, porque elas n\u00e3o eram esclarecidas, n\u00e3o havia uma pr\u00e9-negocia\u00e7\u00e3o, a obra vinha, e na frente vinham esses contatos, e a obra atr\u00e1s j\u00e1 ocorrendo. Muitas dessas obras foram erros monumentais, como a Transamaz\u00f4nica, que enterrou milh\u00f5es de cruzeiros e nunca alcan\u00e7ou o objetivo para o qual foi planejada. As popula\u00e7\u00f5es sofreram muito com isso, com doen\u00e7as e com quase exterm\u00ednio em alguns casos, como os \u00edndios Carara\u00fa, que foram reduzidos a cinco, talvez de 48, que era o c\u00e1lculo da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC &#8211; No total, qual era o tamanho da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena entre essas comunidades isoladas que foi afetada, e quantas mortes houve no per\u00edodo? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Valente &#8211;<\/strong> Esses n\u00fameros eu tenho evitado citar, porque acho que \u00e9 um debate que pode ser infrut\u00edfero. A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) chegou a um n\u00famero de 8 mil mortos. Eu ainda n\u00e3o cheguei a esse n\u00famero no livro. Havia estimativas, inclusive feitas por via a\u00e9rea. A gente sobrevoava as malocas, contava e multiplicava pelo n\u00famero que elas deveriam comportar, s\u00f3 que esse c\u00e1lculo pode induzir a erro, porque as malocas podem n\u00e3o estar em atividade. No caso dos Waimiri-Atroari, a estimativa mais baixa \u00e9 de 240 mortos, que \u00e9 um n\u00famero assombroso. O grupo Arauep\u00e9 foi obrigado a realizar uma caminhada na mata, mal planejada, uma marcha macabra, em que n\u00f3s tivemos cerca de 60 mortos nesse epis\u00f3dio. H\u00e1 v\u00e1rios casos em que voc\u00ea pode mencionar n\u00fameros, e outros n\u00e3o, sob pena de um erro. Mas posso afirmar com certeza que foram centenas de mortos, podendo atingir a casa de oito centenas de mortos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC &#8211; Como a ditadura combateu focos de resist\u00eancia ind\u00edgena nessa expans\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Valente &#8211;<\/strong> O livro traz documentos incontest\u00e1veis, que mostram que o governo tinha grande temor do que poderia vir \u00e0 tona, principalmente na imprensa internacional, inclusive acionando as embaixadas no exterior para acompanhamento das not\u00edcias sobre a realidade das aldeias. Havia a pr\u00e1tica da transfer\u00eancia compuls\u00f3ria de l\u00edderes ind\u00edgenas. H\u00e1 o caso do l\u00edder Patax\u00f3-h\u00e3 h\u00e3 h\u00e3e chamado Samado, que reivindicava terras na Bahia e foi transferido para uma pris\u00e3o chamada Krenak em Minas Gerais, onde teria ficado em torno de tr\u00eas anos pela \u00fanica raz\u00e3o de batalhar terras para seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC &#8211; Na \u00e9poca, qual era o papel da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) em rela\u00e7\u00e3o a essa pol\u00edtica de expans\u00e3o do governo militar? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Valente &#8211;<\/strong> Ela (Funai) que executava o contato com os \u00edndios para permitir que as obras chegassem. E n\u00e3o satisfeito com isso, o governo criou uma outra institui\u00e7\u00e3o muito interessante, chamada Coama (Coordena\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia), porque foi montada e ocupada por militares, e v\u00e1rias entidades regionais da Funai tamb\u00e9m, coron\u00e9is da ativa, da reserva&#8230; Por\u00e9m, na ponta do sistema, havia funcion\u00e1rios da Funai que n\u00e3o concordavam com isso, que procuravam reduzir os danos e inclusive pagavam com as pr\u00f3prias vidas. Fa\u00e7o refer\u00eancia a in\u00fameros servidores da Funai que morreram inclusive pelas m\u00e3os dos pr\u00f3prios \u00edndios, defendendo o ideal de (Marechal) Rondon, de morrer, mas n\u00e3o matar, se recusavam a matar os \u00edndios, ent\u00e3o, de certa forma, s\u00e3o m\u00e1rtires do indigenismo no Brasil. Mais de 30 ou 40 mortes de servidores e tamb\u00e9m mission\u00e1rios cat\u00f3licos que se aproximavam dos \u00edndios com um trabalho mais presente, e que resultou na cria\u00e7\u00e3o do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio por volta de 1972. Ent\u00e3o havia pessoas bem-intencionadas e humanistas no sistema, idealistas, genuinamente amigas dos \u00edndios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC &#8211; Entre as hist\u00f3rias das tribos nesse contexto, o que mais lhe chamou a aten\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Valente &#8211;<\/strong> Cada etnia tem sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e, de uma forma ou de outra, ela \u00e9 impressionante, mas eu acho que a quest\u00e3o dos Waimiri-Atroari salta aos olhos, porque foi a etnia que reagiu com mais efici\u00eancia, mais viol\u00eancia at\u00e9, infelizmente. Foi a etnia que disse n\u00e3o \u00e0 estrada que estava chegando. Essa etnia, portanto, j\u00e1 havia reagido em 1968 e matado uma expedi\u00e7\u00e3o feita pelo SPI (Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao \u00cdndio, anterior \u00e0 Funai), realizada por militares, e depois, no come\u00e7o dos anos 1970, os Waimiri-Atroari reagem matando funcion\u00e1rios da Funai e inclusive o grande sertanista Gilberto Pinto Figueiredo, que era um pai para aquela etnia. Esses \u00edndios reagem tanto \u00e0 obra militar, que os militares rasgam a fantasia e colocam l\u00e1 um batalh\u00e3o de infantaria de selva protegendo os canteiros de obras com ordens secretas, que s\u00f3 vieram a p\u00fablico anos depois, de disparar na mata para, em tese, assustar os \u00edndios, de explodir fogos de artif\u00edcio para que os \u00edndios se assustassem&#8230; esse grupo faz toda a seguran\u00e7a do per\u00edmetro, e todos os indigenistas s\u00e3o retirados da \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC &#8211; N\u00e3o houve nenhuma desist\u00eancia por parte do governo ent\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Valente &#8211;<\/strong> (A estrada iria sair) por bem ou por mal. Dediquei dois cap\u00edtulos no meu livro a uma frase de um general respons\u00e1vel pela obra, que diz que &#8220;essa obra \u00e9 irrevers\u00edvel&#8221;. Tantos anos depois, consegui depoimento de tr\u00eas militares, em &#8220;on&#8221;, que pela primeira vez aceitam discutir e falam abertamente sobre o que ocorreu naquele momento. Um coronel disse que pelo menos 40 \u00edndios teriam morrido \u00e0 bala nesses confrontos. Para mim, fica claro que houve v\u00e1rias escaramu\u00e7as armadas, sempre os \u00edndios com flechas, eles n\u00e3o tinham armas de fogo, e os militares com fuzis, metralhadoras, helic\u00f3pteros e tudo. Da\u00ed o t\u00edtulo do livro, Os fuzis e as flechas. (Os militares tinham) for\u00e7a, n\u00famero, influ\u00eancia pol\u00edtica, tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC &#8211; Sente que hoje, de alguma forma, os abusos cometidos contra a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena durante a ditadura s\u00e3o menos debatidos do que os abusos contra a resist\u00eancia \u00e0 repress\u00e3o, por exemplo? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Valente &#8211;<\/strong> Ao longo do tempo, houve pouco destaque a esse tema. Eu atribuo isso a v\u00e1rios fatores: um deles \u00e9 a pr\u00f3pria estrat\u00e9gia de afastamento do governo militar. O governo abafava, manipulava e mentia inclusive em coletivas. Ent\u00e3o essa estrat\u00e9gia tornou a quest\u00e3o do \u00edndio um n\u00e3o assunto. Houve cerca de 17 reportagens do (jornal) Estado de S. Paulo sobre a quest\u00e3o dos \u00edndios que foram censuradas pelo governo militar. Um coronel me relatou que houve a queima dos documentos no epis\u00f3dio dos Waimiri-Atroari. Acho que muito do esquecimento que ocorreu sobre os ind\u00edgenas foi uma estrat\u00e9gia deliberada dos militares. Esse epis\u00f3dio que contei, da marcha, que morreram ao final de tudo 60 pessoas. Imagina essa informa\u00e7\u00e3o indo a p\u00fablico na imprensa internacional, em toda essa dimens\u00e3o que estou contando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC &#8211; Agora, no dia 20 de abril, vai ocorrer uma audi\u00eancia p\u00fablica no Senado sobre essa quest\u00e3o, uma tentativa de buscar repara\u00e7\u00e3o para esses abusos cometidos. De que maneira poderia haver repara\u00e7\u00e3o a isso? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Valente &#8211;<\/strong> \u00c9 uma iniciativa do senador Jo\u00e3o Capiberibe (PSB-AP), que \u00e9 para discutir o conte\u00fado do livro. No m\u00ednimo, o Estado brasileiro demora a fazer o reconhecimento e pedir desculpas, coisa b\u00e1sica de qualquer rela\u00e7\u00e3o humana. E acho que erra em n\u00e3o estabelecer uma indeniza\u00e7\u00e3o justa, coletiva, em n\u00famero de etnias. Algumas etnias, politicamente mais organizadas, j\u00e1 est\u00e3o conseguindo tanto pelo meio legal, quanto com o importante apoio do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, que tem feito algumas a\u00e7\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o. Recentemente, eu soube de uma decis\u00e3o que dever\u00e1 conceder R$ 10 milh\u00f5es aos \u00edndios Tenharim por conta da Transamaz\u00f4nica (a ser paga pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes &#8211; Dnit). Mas sempre s\u00e3o atitudes judicializadas, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 uma iniciativa volunt\u00e1ria do Estado brasileiro de fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC &#8211; Acredita que essas situa\u00e7\u00f5es ainda ocorrem hoje? S\u00e3o frequentemente citados problemas e conflitos, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s obras da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Valente<\/strong> &#8211; Em rela\u00e7\u00e3o aos \u00edndios isolados, houve avan\u00e7os. Em 1985, houve um grande debate que, na pr\u00e1tica, mudou todo o contato com tribos isoladas. Hoje, temos em torno de 50 etnias que est\u00e3o vivendo suas vidas e n\u00e3o s\u00e3o perturbadas pelo Estado brasileiro. S\u00e3o perturbadas por garimpeiros, fazendeiros, mas pelo Estado brasileiro imperou a ideia de que n\u00e3o devemos piorar a situa\u00e7\u00e3o desses povos, se eles querem falar conosco, que se aproximem e deem um sinal, a comunica\u00e7\u00e3o deve partir deles. Agora, o que h\u00e1 no Brasil hoje \u00e9 uma viol\u00eancia diferente, t\u00e3o danosa e criminosa quanto a anterior, feita por grupos paramilitares, ligados a interesses regionais. Existe o exterm\u00ednio quase programado de lideran\u00e7as guaranis, lideran\u00e7as patax\u00f3s na Bahia, ou seja, a viol\u00eancia mudou de patamar, mudou de forma e de estilo, mas ainda continua existindo e provoca a morte de muitos ind\u00edgenas; e existe outra viol\u00eancia que eu posso chamar de jur\u00eddico-legislativa, que \u00e9 todo um ritual de leis, medidas e decretos que est\u00e3o sendo engendrados na m\u00e1quina, tanto no Judici\u00e1rio quanto no Legislativo, cujo objetivo final \u00e9 a criminaliza\u00e7\u00e3o da luta dos \u00edndios por sua terra. Agora, colocaram como titular do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a um representante (deputado federal Osmar Serraglio, PMDB-PR) que, por sua vez, comanda a pol\u00edtica indigenista. H\u00e1 pouco, tivemos uma entrevista do presidente da Funai dizendo que os \u00edndios n\u00e3o poderiam parar no tempo. Ou seja, h\u00e1 um conjunto de ideias no ar de que os \u00edndios j\u00e1 t\u00eam terra o suficiente, que n\u00e3o precisam mais de terras, e os que est\u00e3o em suas terras deveriam deixar de ser \u00edndios. O que est\u00e1 no ambiente jur\u00eddico brasileiro \u00e9 que o \u00edndio \u00e9 dispens\u00e1vel em uma sociedade moderna. \u00c9 outro tipo de viol\u00eancia, t\u00e3o grave quanto a anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Perfil <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rubens Valente tem 47 anos e \u00e9 rep\u00f3rter h\u00e1 28 anos. Atua na sucursal de Bras\u00edlia do jornal Folha de S.Paulo. \u00c9 formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Ao longo de sua carreira, recebeu 17 pr\u00eamios de jornalismo nacionais e internacionais, entre os quais dois Pr\u00eamios de Excel\u00eancia Jornal\u00edstica da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), dois pr\u00eamios Esso e dois Grandes Pr\u00eamios Folha. Participou como palestrante de nove congressos internacionais realizados pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e fez exposi\u00e7\u00f5es em tr\u00eas Confer\u00eancias Latino-Americanas de Jornalismo de Investiga\u00e7\u00e3o promovidas pelo Instituto Prensa y Sociedad (Ipys). Recebeu tr\u00eas men\u00e7\u00f5es honrosas do Pr\u00eamio Latino-Americano de Jornalismo de Investiga\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do livro-reportagem Os fuzis e as flechas, Valente publicou, em 2014, Opera\u00e7\u00e3o Banqueiro, resultado de investiga\u00e7\u00f5es sobre os documentos e bastidores das opera\u00e7\u00f5es Satiagraha, Banestado e Chacal e da CPI dos Correios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; Jornal do Com\u00e9rcio\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O projeto de integra\u00e7\u00e3o nacional durante os anos do regime militar, que levou aos confins do Pa\u00eds obras fara\u00f4nicas &#8211; e, muitas vezes, mal planejadas -, como a rodovia Transamaz\u00f4nica, tamb\u00e9m custou a vida de centenas de ind\u00edgenas, frequentemente de etnias que viviam em isolamento no interior da Amaz\u00f4nia Legal e que estavam no caminho [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8925"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8925"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8925\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8927,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8925\/revisions\/8927"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}