{"id":916,"date":"2012-06-02T13:25:25","date_gmt":"2012-06-02T13:25:25","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/02\/evaristo-arns-conta-como-eram-efetuadas-as-prisoes-na-ditadura-2\/"},"modified":"2012-06-02T13:25:25","modified_gmt":"2012-06-02T13:25:25","slug":"evaristo-arns-conta-como-eram-efetuadas-as-prisoes-na-ditadura-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/06\/02\/evaristo-arns-conta-como-eram-efetuadas-as-prisoes-na-ditadura-2\/","title":{"rendered":"Evaristo Arns conta como eram efetuadas as pris\u00f5es na ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com uma pesquisa iniciada em 1979, em sigilo absoluto, dom Paulo Evaristo Arns quis trazer a p\u00fablico o mecanismo de repress\u00e3o do regime militar brasileiro (1964-1985) que prendia e torturava pessoas. O resultado da empreitada, realizada a partir de documentos produzidos pelo pr\u00f3prio governo, pode ser conhecido em \u201cBrasil: Nunca Mais\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.boainformacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/1128693.jpeg\" border=\"0\" width=\"175\" height=\"230\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Por meio de documentos, obra denuncia crueldades da ditadura  <!--more-->  <\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No livro, o autor relata detalhes de como funcionaram as ag\u00eancias de investiga\u00e7\u00e3o, quais eram seus crit\u00e9rios, quem foram os principais perseguidos, os movimentos de esquerda existentes na \u00e9poca, como eram feitas as pris\u00f5es e as cru\u00e9is t\u00e9cnicas de tortura utilizadas nos presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Arns tamb\u00e9m denuncia o fato de crian\u00e7as e gestantes tamb\u00e9m terem sido submetidos \u00e0s violentas agress\u00f5es f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas perpetradas pelos torturadores.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo foi uma das primeiras den\u00fancias fortemente documentadas sobre os crimes cometidos pela ditadura. Leia um trecho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">*<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Como eram efetuadas as pris\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O labirinto do sistema repressivo montado pelo Regime Militar brasileiro tinha como ponta-do-novelo-de-l\u00e3 o modo pelo qual eram presos os suspeitos de atividades pol\u00edticas contr\u00e1rias ao governo. Num completo desrespeito a todas as garantias individuais dos cidad\u00e3os, previstas nas Constitui\u00e7\u00e3o que os generais alegavam respeitar, ocorreu uma pr\u00e1tica sistem\u00e1tica de deten\u00e7\u00f5es na forma de sequestro, sem qualquer mandado judicial nem observ\u00e2ncia de qualquer lei.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s da pesquisa BNM foi poss\u00edvel selecionar alguns casos, apresentado a seguir, que ilustram com fidelidade a pr\u00e1tica rotineira das pris\u00f5es ilegais ocorridas naqueles anos dif\u00edceis da vida nacional.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A funcion\u00e1ria p\u00fablica Lara de Lemos, de 50 anos, narrou ao juiz-auditor, em 1973, como fora presa no Rio:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">[&#8230;] a depoente estranhou a maneira pela (qual foi) feita a sua deten\u00e7\u00e3o, altas horas da noite, por tr\u00eas indiv\u00edduos de aspecto marginal, sem nenhum mandado judicial, os quais intimaram a depoente a acompanh\u00e1-los; no ve\u00edculo para onde fora conduzida, fora encapuzada e obrigada a deitar-se no ch\u00e3o do carro para n\u00e3o ser vista; posteriormente veio a saber que o local de sua pris\u00e3o era a P.E. (Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito) [&#8230;].<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As capturas eram cercadas de um clima de terror, do qual n\u00e3o se poupavam pessoas isentas de qualquer suspeita, conforme carta, anexada aos autos, do estudante de Medicina Adail Ivan Lemos, de 22 anos, encaminhada \u00e0 Justi\u00e7a Militar Carioca em 1970:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">[&#8230;] Quando entrei na sala de jantar, minha m\u00e3e, sentada escrevendo \u00e0 m\u00e1quina, chorava em sil\u00eancio. Um pouco antes, por volta das 15:30h, meu irm\u00e3o tinha sido preso enquanto estudava. Minutos depois come\u00e7ou a ser agredido fisicamente, no quarto de minha m\u00e3e, levando, segundo suas palavras, \u201cum pau violento\u201d. Socos, cuteladas, empurr\u00f5es, seriam \u201ccaf\u00e9 pequeno\u201d perto do que viria mais tarde. Mas, ainda ali, separado da m\u00e3e por alguns metros, teve sua cabe\u00e7a soqueada contra a parede [&#8230;].<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">*<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/livraria.folha.com.br\/catalogo\/1172106\/brasil-nunca-mais\">\u201cBrasil: Nunca Mais\u201d<\/a><br \/> Autor: Dom Paulo Evaristo Arns<br \/> Editora: Vozes de Bolso<br \/> P\u00e1ginas: 160<br \/> Quanto: R$ 21,90 (pre\u00e7o promocional*)<br \/> Onde comprar: 0800-140090 ou na <a href=\"http:\/\/livraria.folha.com.br\/catalogo\/1172106\/brasil-nunca-mais\">Livraria da Folha<\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o: Pre\u00e7o v\u00e1lido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. N\u00e3o cumulativo com outras promo\u00e7\u00f5es da Livraria da Folha. Em caso de altera\u00e7\u00e3o, prevalece o valor apresentado na p\u00e1gina do produto.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; \u00a0Boa Informa\u00e7\u00e3o<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma pesquisa iniciada em 1979, em sigilo absoluto, dom Paulo Evaristo Arns quis trazer a p\u00fablico o mecanismo de repress\u00e3o do regime militar brasileiro (1964-1985) que prendia e torturava pessoas. O resultado da empreitada, realizada a partir de documentos produzidos pelo pr\u00f3prio governo, pode ser conhecido em \u201cBrasil: Nunca Mais\u201d. 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