{"id":12030,"date":"2017-10-26T20:43:46","date_gmt":"2017-10-26T20:43:46","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12030"},"modified":"2017-10-26T20:43:46","modified_gmt":"2017-10-26T20:43:46","slug":"ha-42-anos-vladimir-herzog-era-assassinado-pela-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2017\/10\/26\/ha-42-anos-vladimir-herzog-era-assassinado-pela-ditadura\/","title":{"rendered":"H\u00e1 42 anos, Vladimir Herzog era assassinado pela ditadura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No dia 25 de outubro de 1975, portanto, h\u00e1 42 anos, Vladimir Herzog era torturado e assassinado nas depend\u00eancias do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es do Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna, o DOI-CODI, localizado a rua Tom\u00e1s Carvalhal, 1030, no bairro do Para\u00edso, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Isso aconteceu depois de Herzog se apresentar voluntariamente, no dia anterior, para prestar esclarecimentos sobre sua liga\u00e7\u00e3o com o Partido Comunista Brasileiro e sobre uma campanha contra ele e contra o jornalismo praticado pela TV Cultura, emissora da qual Vlado era diretor, levada a cabo na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo por Wadih Helu e Jos\u00e9 Maria Marin, deputados da ARENA, o partido de sustenta\u00e7\u00e3o do regime militar.<\/p>\n<p>A repercuss\u00e3o da morte de Vladimir Herzog foi enorme. A partir daquele momento, estava exposta aos olhos do pa\u00eds a crueldade do regime ditatorial em vig\u00eancia desde 1964. Manifesta\u00e7\u00f5es populares, principalmente de estudantes, come\u00e7aram a eclodir, como n\u00e3o ocorria desde 1968.<\/p>\n<p>Uma semana depois do assassinato, mais de 8 mil pessoas participaram de um culto ecum\u00eanico na Catedral da S\u00e9, em S\u00e3o Paulo, concelebrado pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo James Wright. O fato mobilizou n\u00e3o apenas importantes setores da oposi\u00e7\u00e3o, mas at\u00e9 o conservador empresariado paulista. Come\u00e7ava a\u00ed o processo que culminaria na redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em janeiro de 1976, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de S\u00e3o Paulo, liderado por Aud\u00e1lio Dantas e Fernando Pacheco Jord\u00e3o, encaminhou \u00e0 Justi\u00e7a Militar o manifesto \u201cEm nome da verdade\u201d, subscrito por 1.004 jornalistas. Era a primeira vez, naquele per\u00edodo de forte censura e repress\u00e3o, que se ousava contestar publicamente a vers\u00e3o oficial de suic\u00eddio e reclamar a completa elucida\u00e7\u00e3o dos fatos.<\/p>\n<p>Em 1978, a Justi\u00e7a brasileira, em senten\u00e7a proferida pelo juiz M\u00e1rcio Jos\u00e9 de Moraes, condenou a Uni\u00e3o pela pris\u00e3o ilegal, tortura e morte de Vladimir Herzog. Em 1996, a Comiss\u00e3o Especial dos Desaparecidos Pol\u00edticos reconheceu oficialmente que ele foi assassinado e concedeu uma indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 Clarice Herzog e sua fam\u00edlia, que n\u00e3o a aceitou, por julgar que o Estado brasileiro n\u00e3o deveria encerrar o caso dessa forma. Eles queriam que as investiga\u00e7\u00f5es continuassem. O atestado de \u00f3bito, por\u00e9m, s\u00f3 foi retificado mais de 15 anos depois.<\/p>\n<p>Vladimir Herzog, no entanto, permanece vivo. Muito vivo.<\/p>\n<p>Por meio do Instituto Vladimir Herzog, criado em 2009 e presidido por Clarice Herzog para celebrar a vida de Vlado e para fortalecer a luta pela Democracia, pelos Direitos Humanos e pela Liberdade de Express\u00e3o.<\/p>\n<p>Por meio do Pr\u00eamio Jornal\u00edstico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, que neste ano chega a sua 39\u00aa edi\u00e7\u00e3o batendo recordes de inscri\u00e7\u00e3o e valorizando, ainda mais, o jornalismo que se prop\u00f5e a denunciar as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos ao redor do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por meio da Pra\u00e7a Vladimir Herzog, no Centro de S\u00e3o Paulo, que re\u00fane obras de arte concebidas pelo artista pl\u00e1stico Elifas Andreato em homenagem ao Vlado, e recebe centenas de pessoas todos os dias.<\/p>\n<p>E por meio de tantos outros espa\u00e7os, eventos, institui\u00e7\u00f5es, filmes, livros e iniciativas diversas que homenageiam e resgatam a mem\u00f3ria de um per\u00edodo t\u00e3o cruel, t\u00e3o triste, mas t\u00e3o importante na hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A luta continua.<\/p>\n<p>Vladimir Herzog. Presente!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; Vermelho\/SP, com texto de Giuliano Galli, para o Instituto Vladimir Herzog<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 25 de outubro de 1975, portanto, h\u00e1 42 anos, Vladimir Herzog era torturado e assassinado nas depend\u00eancias do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es do Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna, o DOI-CODI, localizado a rua Tom\u00e1s Carvalhal, 1030, no bairro do Para\u00edso, em S\u00e3o Paulo. 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