{"id":12033,"date":"2017-10-26T22:30:15","date_gmt":"2017-10-26T22:30:15","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12033"},"modified":"2017-10-26T22:30:15","modified_gmt":"2017-10-26T22:30:15","slug":"brasil-pode-ser-condenado-por-morte-de-herzog-decisao-cabe-a-corte-interamericana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2017\/10\/26\/brasil-pode-ser-condenado-por-morte-de-herzog-decisao-cabe-a-corte-interamericana\/","title":{"rendered":"Brasil pode ser condenado por morte de Herzog; decis\u00e3o cabe \u00e0 Corte Interamericana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A morte do jornalista Vladimir Herzog completou 42 anos na quarta-feira (25), dia em que a Corte Interamericana de Direitos Humanos teve uma jornada intensa, com uma s\u00e9rie de depoimentos pr\u00e9vios \u00e0 sua decis\u00e3o de condenar ou absolver o Estado brasileiro por torturar e matar Herzog durante o regime militar.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Segundo o \u201cEl Pa\u00eds\u201d, a decis\u00e3o deve ser emitida um m\u00eas. Estiveram presentes no julgamento a vi\u00fava do jornalista, Clarice Herzog, al\u00e9m de membros da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), representantes do Governo brasileiro, peritos e p\u00fablico suficiente para encher a sala de audi\u00eancias do edif\u00edcio em San Jos\u00e9 (Costa Rica). Composto por cinco ju\u00edzes de v\u00e1rias nacionalidades, o comit\u00ea \u00e9 presidido pelo mexicano Eduardo Ferrer Mac-Greggor.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Durante os depoimentos, Clarice repassou as circunst\u00e2ncias da morte, que inicialmente foi apresentada como suic\u00eddio, al\u00e9m das sequelas familiares e o rastro que a morte de Vlado deixou sobre a sociedade brasileira. &#8220;A viol\u00eancia social de agora \u00e9 uma heran\u00e7a da ditadura&#8221;, lamentou no tribunal.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8220;Para n\u00f3s \u00e9 fundamental saber a verdade. O Estado nunca fez nada, nem sequer enviou condol\u00eancias&#8221;, disse a vi\u00fava. Vlado deixou dois filhos, um dos quais hoje dirige o Instituto Vladimir Herzog, que trabalha pela repara\u00e7\u00e3o das viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos ocorridas durante a ditadura (1964-85) e contra a posterior impunidade garantida pela Lei de Anistia (1979) e pelo conceito jur\u00eddico de &#8220;coisa julgada&#8221;.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em 1996, o Governo pagou uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 100 mil reais \u00e0 fam\u00edlia, mas n\u00e3o houve revis\u00e3o judicial do caso. Em 2008, uma nova tentativa de reabrir o processo foi arquivada por causa dos efeitos da Lei de Anistia. J\u00e1 em 2012, o Estado brasileiro aceitou modificar o laudo pericial do corpo de Herzog para eliminar a refer\u00eancia ao falso suic\u00eddio e atribuir sua morte \u00e0s les\u00f5es provocadas por maus-tratos, embora isso n\u00e3o tenha tido repercuss\u00e3o jur\u00eddica alguma.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Diante da Corte Interamericana, o perito Sergio Gardenghi, em nome da CIDH, disse que o Caso Herzog &#8220;deve ser retirado do arquivo&#8221;, j\u00e1 que os crimes da ditadura se enquadram na categoria de crimes contra a humanidade e s\u00e3o imprescrit\u00edveis. &#8220;Ainda existem pr\u00e1ticas de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos geradas na ditadura militar&#8221;, observou o procurador.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Alberto Toron, advogado representante do Estado brasileiro, defendeu a legalidade da prescri\u00e7\u00e3o do crime. Embora sejam reconhecidos os atos de tortura e o assassinato, a defesa considerou que tais atos correspondem a um contexto pol\u00edtico diferente, sob condi\u00e7\u00f5es que foram corrigidas pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Tamb\u00e9m considera improcedente que a Corte julgue atos anteriores a 1998, quando o Brasil aderiu \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o deste tribunal interamericano.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A Audi\u00eancia ocorre 12 dias ap\u00f3s a Corte Interamericana notificar o Brasil com a primeira condena\u00e7\u00e3o por viol\u00eancia policial, por dois massacres policiais cometidos em 1994 e 1995 na favela Nova Bras\u00edlia, no Rio de Janeiro. Nele, 26 pessoas foram mortas e tr\u00eas mulheres violentadas. A investiga\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia local foi arquivada em 2009 por prescri\u00e7\u00e3o do crime, sem esclarecimento dos fatos nem san\u00e7\u00f5es aos respons\u00e1veis, concluiu a Corte. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve repara\u00e7\u00f5es \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual e aos familiares dos mortos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211;\u00a0portalimprensa.com.br<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte do jornalista Vladimir Herzog completou 42 anos na quarta-feira (25), dia em que a Corte Interamericana de Direitos Humanos teve uma jornada intensa, com uma s\u00e9rie de depoimentos pr\u00e9vios \u00e0 sua decis\u00e3o de condenar ou absolver o Estado brasileiro por torturar e matar Herzog durante o regime militar. 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