{"id":12040,"date":"2017-11-13T20:59:19","date_gmt":"2017-11-13T20:59:19","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12040"},"modified":"2017-11-13T20:59:19","modified_gmt":"2017-11-13T20:59:19","slug":"escritora-da-brasilandia-fala-na-franca-sobre-o-bairro-durante-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2017\/11\/13\/escritora-da-brasilandia-fala-na-franca-sobre-o-bairro-durante-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Escritora da Brasil\u00e2ndia fala na Fran\u00e7a sobre o bairro durante a ditadura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com uma obra sobre a vida na periferia de S\u00e3o Paulo durante a ditadura militar, a escritora Sonia Regina Bischain, 60, participou de\u00a0 um debate em uma das mais importantes universidades do mundo, a Sorbonne de Paris, no m\u00eas passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Moradora da Brasil\u00e2ndia, na zona norte de S\u00e3o Paulo, ela recebeu o convite por conta do livro \u201cNem Tudo \u00e9 Sil\u00eancio\u201d, que conta a hist\u00f3ria de quatro gera\u00e7\u00f5es de mulheres que viram a forma\u00e7\u00e3o do bairro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela aborda como a regi\u00e3o surge com uma popula\u00e7\u00e3o empurrada para locais cada vez mais distantes do centro e que tamb\u00e9m vive os per\u00edodos de turbul\u00eancia pol\u00edtica na ditadura militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro chegou \u00e0s m\u00e3os de Regina Dalcastagn\u00e8, professora e pesquisadora da Universidade de Bras\u00edlia. Por meio dela, o pesquisador Paulo Thomaz teve conhecimento do texto e citou o livro fora do pa\u00eds. \u201cMais tarde, resolveram fazer na Sorbonne um evento sobre literatura e ditadura no mundo\u201d, conta Sonia, que tamb\u00e9m \u00e9 fot\u00f3grafa e escreveu outros tr\u00eas livros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A autora aponta que o per\u00edodo ditatorial brasileiro \u00e9 marcado por muitos livros que abordavam o tema e marcaram \u00e9poca dentro da literatura como \u201cAs Meninas\u201d, de Lygia Fagundes Telles e \u201cQuarup\u201d, de Ant\u00f4nio Callado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO diferencial \u00e9 que todos os outros livros foram escritos por intelectuais de classe m\u00e9dia que se exilaram, e com o pessoal da periferia isso nunca foi contado. Por isso, acabei sendo convidada para contar a vida de pessoas comuns que tamb\u00e9m foram atingidas\u201d, ressalta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na obra, o romance aborda a vida de mulheres do bairro e tenta fazer um paralelo entre a vida na periferia e o momento vivido no pa\u00eds.<\/p>\n<figure id=\"attachment_12188\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/mural.blogfolha.uol.com.br\/files\/2017\/11\/Foto-2-Regina-Bischain-na-Sorbonne.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-12188\" src=\"http:\/\/mural.blogfolha.uol.com.br\/files\/2017\/11\/Foto-2-Regina-Bischain-na-Sorbonne.jpg\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" srcset=\"http:\/\/mural.blogfolha.uol.com.br\/files\/2017\/11\/Foto-2-Regina-Bischain-na-Sorbonne.jpg 960w, http:\/\/mural.blogfolha.uol.com.br\/files\/2017\/11\/Foto-2-Regina-Bischain-na-Sorbonne-180x137.jpg 180w, http:\/\/mural.blogfolha.uol.com.br\/files\/2017\/11\/Foto-2-Regina-Bischain-na-Sorbonne-550x418.jpg 550w, http:\/\/mural.blogfolha.uol.com.br\/files\/2017\/11\/Foto-2-Regina-Bischain-na-Sorbonne-750x570.jpg 750w, http:\/\/mural.blogfolha.uol.com.br\/files\/2017\/11\/Foto-2-Regina-Bischain-na-Sorbonne-600x456.jpg 600w, http:\/\/mural.blogfolha.uol.com.br\/files\/2017\/11\/Foto-2-Regina-Bischain-na-Sorbonne-300x228.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"730\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Sonia (a segunda \u00e0 esquerda) em debate na Sorbonne (Acervo pessoal).<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a participa\u00e7\u00e3o, ela tamb\u00e9m apresentou o poema Travessia, de sua autoria. \u201cTento esquecer a hora tr\u00e1gica dos que sucumbiram,\u00a0dos que n\u00e3o chegar\u00e3o a lugar algum. Tudo ficou no passado, a vida me cabe nas m\u00e3os. Levo apenas mem\u00f3rias, ou o que delas restou: feridas na alma\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de ter estudado minimamente franc\u00eas ainda na inf\u00e2ncia, Sonia sentiu incertezas em rela\u00e7\u00e3o ao convite, pois temia as barreiras culturais e lingu\u00edsticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNaturalmente, ela ficou bastante assustada quando foi convidada pra falar na Sorbonne ao lado de estudiosos e intelectuais. [Mas] superou o medo\u201d, diz Fl\u00e1via Bischain, 32, professora do ensino m\u00e9dio da rede p\u00fablica e filha da autora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEla n\u00e3o tem ensino superior, mas soube desenvolver em n\u00f3s o gosto pela leitura e pelos estudos. Sempre leu muito e escreve muito. Seus romances mostram um pouco da sua vis\u00e3o sobre fatos importantes da hist\u00f3ria, a forma\u00e7\u00e3o do nosso bairro, as pessoas que conheceu e um pouco dela mesma: mulher da periferia, que sempre levou o mundo nas costas\u201d, ressalta a filha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>POESIA PERIF\u00c9RICA<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde cedo, Sonia esteve envolvida com cultura na Brasil\u00e2ndia. Hoje ela \u00e9 uma das coordenadoras do Sarau da Brasa, um dos mais populares eventos liter\u00e1rios da regi\u00e3o, que j\u00e1 existe h\u00e1 nove anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s come\u00e7amos a trabalhar nas escolas tamb\u00e9m, muita gente que organiza sarau \u00e9 professor da rede p\u00fablica e levou a ideia para seus alunos\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela mostra otimismo quanto \u00e0 import\u00e2ncia do sarau em despertar o interesse nos estudantes pela cultura. \u201cExistem muitos depoimentos de jovens que n\u00e3o gostavam de ler e nem de escrever, mas se identificaram quando come\u00e7aram a ler os livros e poemas do pessoal do sarau, pois \u00e9 a realidade que conhecem. O cl\u00e1ssico est\u00e1 um pouco longe deles\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; Ronaldo Lages<\/strong>\u00a0&#8211; correspondente da Brasil\u00e2ndia onaldolages.mural@gmail.com &#8211; Folha de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma obra sobre a vida na periferia de S\u00e3o Paulo durante a ditadura militar, a escritora Sonia Regina Bischain, 60, participou de\u00a0 um debate em uma das mais importantes universidades do mundo, a Sorbonne de Paris, no m\u00eas passado. 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