{"id":12060,"date":"2017-11-17T21:16:57","date_gmt":"2017-11-17T21:16:57","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12060"},"modified":"2017-11-17T21:16:57","modified_gmt":"2017-11-17T21:16:57","slug":"relatorio-confirma-colaboracao-ativa-da-volks-com-ditadura-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2017\/11\/17\/relatorio-confirma-colaboracao-ativa-da-volks-com-ditadura-no-brasil\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio confirma colabora\u00e7\u00e3o ativa da Volks com ditadura no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A montadora \u00e9 acusada de reprimir funcion\u00e1rios e cooperar com regime militar brasileiro. O documento faz parte de inqu\u00e9rito do MPF contra a Volkswagen<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um relat\u00f3rio da investiga\u00e7\u00e3o realizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) confirma que a montadora alem\u00e3\u00a0Volkswagen\u00a0colaborou de maneira sistem\u00e1tica e ativa com o\u00a0regime militar\u00a0no Brasil, noticiaram o jornal alem\u00e3o S\u00fcddeutsche Zeitung e a emissora NDR nesta quarta-feira (15\/11), ap\u00f3s terem acesso ao documento de 406 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta que a filial brasileira da Volkswagen\u00a0espionou os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios, com interesse de descobrir opini\u00f5es pol\u00edticas, e documentou a espionagem por escrito. Essa documenta\u00e7\u00e3o era enviada ao Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A Volks teve um papel ativo. A montadora n\u00e3o foi obrigada a isso. Eles fizeram parte porque queriam&#8221;, conclui Guaracy Mingardi, perito que assina o relat\u00f3rio do MPF.<\/p>\n<p>O documento \u00e9 pe\u00e7a fundamental no inqu\u00e9rito contra a Volkswagen, aberto em setembro de 2015, ap\u00f3s um pedido de v\u00e1rios sindicatos e da\u00a0Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV).<em><strong><br \/>\n<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio do MPF conclui ainda que o departamento de seguran\u00e7a da montadora permitiu a pris\u00e3o de funcion\u00e1rios dentro de suas f\u00e1bricas, mesmo sem mandados. Ap\u00f3s a deten\u00e7\u00e3o, funcion\u00e1rios que eram considerados opositores ao regime foram torturados durante meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento acusa ainda a Volks de ter observado os funcion\u00e1rios antes das pris\u00f5es. &#8220;\u00c9 improv\u00e1vel que a Volkswagen n\u00e3o tenha participado ativamente dessas investiga\u00e7\u00f5es&#8221;, destaca o texto e acrescenta que o departamento de seguran\u00e7a da montadora teve um papel central na atividade repressora. V\u00e1rios ex-soldados foram contratados pela empresa para trabalhar como seguran\u00e7as.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta ainda que a Volkswagen teve um papel de lideran\u00e7a em encontros de empresas nacionais e internacionais que tinham uma lista negra de funcion\u00e1rios. Segundo o documento do MPF, logo ap\u00f3s o golpe de 1964, a filial brasileira da Volks compartilhava da ideologia do regime e, a partir do fim da d\u00e9cada de 1970, tinha interesses comerciais, ao desejar utilizar o\u00a0&#8220;maquin\u00e1rio repressivo do Estado&#8221;\u00a0para impedir greves.<\/p>\n<p>O documento n\u00e3o aborda qu\u00e3o profundo seria o conhecimento da sede da montadora, em Wolfsburg, na Alemanha, sobre as atividades da filial brasileira. Por\u00e9m, uma an\u00e1lise extensa de documenta\u00e7\u00f5es, realizada por um historiador contratado pela Volks, sugeriu que a sede tomou conhecimento destes atos \u2013 o mais tardar em 1979.<\/p>\n<p><strong>Volks em sil\u00eancio<br \/>\n<\/strong><br \/>\nDesde a divulga\u00e7\u00e3o de um relat\u00f3rio da CNV sobre a Volkswagen h\u00e1 quase tr\u00eas anos, a empresa n\u00e3o comentou as acusa\u00e7\u00f5es e, em 2016, nomeou para uma investiga\u00e7\u00e3o sobre seu passado o historiador Christopher Kopper, que concluiu seu trabalho, confirmando a exist\u00eancia de &#8220;uma colabora\u00e7\u00e3o regular&#8221; entre o departamento de seguran\u00e7a da filial brasileira e o \u00f3rg\u00e3o policial do regime militar.<\/p>\n<p>Ao S\u00fcddeustche Zeitung, a montadora disse que marcou para meados de dezembro uma reuni\u00e3o com antigos funcion\u00e1rios afetados no Brasil.<\/p>\n<p>O pedido de inqu\u00e9rito contra a Volkswagen foi feito ap\u00f3s a conclus\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o realizada pela CNV, em dezembro de 2014. A montadora \u00e9 acusada de\u00a0viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos\u00a0dentro de suas f\u00e1bricas em S\u00e3o Bernardo do Campo entre 1964 e 1985.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o constatou que alguns galp\u00f5es que a empresa tinha numa f\u00e1brica de S\u00e3o Bernardo do Campo foram cedidos aos militares, que os usaram como centros de deten\u00e7\u00e3o e tortura. Al\u00e9m disso, a CNV sustentou que encontrou provas que a multinacional alem\u00e3 doou ao\u00a0regime militar\u00a0cerca de 200 ve\u00edculos, depois usados pelos servi\u00e7os de repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; Carta Capital<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A montadora \u00e9 acusada de reprimir funcion\u00e1rios e cooperar com regime militar brasileiro. O documento faz parte de inqu\u00e9rito do MPF contra a Volkswagen Um relat\u00f3rio da investiga\u00e7\u00e3o realizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) confirma que a montadora alem\u00e3\u00a0Volkswagen\u00a0colaborou de maneira sistem\u00e1tica e ativa com o\u00a0regime militar\u00a0no Brasil, noticiaram o jornal alem\u00e3o S\u00fcddeutsche Zeitung e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12061,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12060"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12060"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12060\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12062,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12060\/revisions\/12062"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12061"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12060"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12060"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12060"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}