{"id":12181,"date":"2018-02-14T13:02:03","date_gmt":"2018-02-14T13:02:03","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12181"},"modified":"2018-02-14T13:02:52","modified_gmt":"2018-02-14T13:02:52","slug":"banco-central-promete-abrir-atas-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2018\/02\/14\/banco-central-promete-abrir-atas-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Banco Central promete abrir atas da ditadura"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\">Institui\u00e7\u00e3o diz, no entanto, que sigilo banc\u00e1rio a impede de liberar tudo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0Banco Central (BC)\u00a0vai colocar as atas do Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN) da \u00e9poca da ditadura dispon\u00edveis no site atrav\u00e9s do programa \u201cTranspar\u00eancia Ativa\u201d at\u00e9 o fim do ano. Por\u00e9m, segundo o presidente\u00a0Ilan Goldfajn, uma parte continuar\u00e1 tarjada porque o sigilo banc\u00e1rio tem tempo indeterminado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A institui\u00e7\u00e3o negou ao historiador Carlos Fico, da UFRJ, acesso \u00e0s atas do CMN, como revelou o jornal O Globo na edi\u00e7\u00e3o deste domingo, apesar de o professor ter pedido as atas por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o. Fico conseguiu, recorrendo \u00e0 Controladoria-Geral da Uni\u00e3o (CGU), um acesso paulatino e parcial. At\u00e9 agora recebeu apenas os \u00edndices das atas das reuni\u00f5es do CMN de 1964-1985, e mesmo assim eles vieram com alguns itens tarjados de preto.<\/p>\n<article class=\"conteudo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tenho zero vontade de ajudar a ditadura e muito menos evitar que os documentos sejam estudados. Vamos fazer o que for poss\u00edvel para divulgar o m\u00e1ximo. Se ficar algo exclu\u00eddo ser\u00e1 1%&#8221;, disse ontem Ilan Goldfjan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente do BC afirmou que vai determinar que todos os itens tarjados sejam olhados cuidadosamente para verificar se eles est\u00e3o mesmo sob sigilo banc\u00e1rio.\u00a0&#8220;N\u00e3o posso ferir a Lei Complementar 105, do sigilo banc\u00e1rio, mas sei que, se houver subs\u00eddio, recursos p\u00fablicos envolvidos, n\u00e3o est\u00e1 sob sigilo e neste caso ser\u00e1 liberado&#8221;, afirmou.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\" style=\"text-align: justify;\">\n<h4 class=\"intertitulo\">For\u00e7a-tarefa depois do Carnaval<\/h4>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, vieram itens tarjados que claramente t\u00eam dinheiro p\u00fablico envolvido, como o da reuni\u00e3o do dia 1\u00ba de agosto de 1984, com tr\u00eas opera\u00e7\u00f5es de benef\u00edcios fiscais atrav\u00e9s do BRJ, Banco Lavra e Bamerindus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Banco Central censurou informa\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o existem mais, como essas. H\u00e1 uma opera\u00e7\u00e3o de 1\u00b0 de setembro de 1972 registrada assim: \u201cFinancilar &#8211; Lume Cia de Cr\u00e9dito Imobili\u00e1rio &#8211; Pedido de autoriza\u00e7\u00e3o para sub-rogar-se em cr\u00e9dito da Caixa Econ\u00f4mica Federal junto (tarja longa) e na d\u00edvida correspondente junto ao Banco Nacional de Habita\u00e7\u00e3o\u201d. O Banco Lume quebrou em meio a um esc\u00e2ndalo, o BNH foi fechado deixando um rombo p\u00fablico, e a opera\u00e7\u00e3o ocorrida h\u00e1 45 anos \u00e9 censurada pelo Banco Central.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu teria o maior prazer de entregar se a lei for mudada para se dizer que, \u201cquando houver interesse hist\u00f3rico, pode-se liberar\u201d. Podemos mudar a lei, mas n\u00e3o quebrar a lei. E ela diz que o sigilo tem tempo ilimitado&#8221;, argumentou Ilan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Banco Central montar\u00e1, depois do carnaval, uma for\u00e7a-tarefa para ler todas as atas e disponibiliz\u00e1-las. O presidente da institui\u00e7\u00e3o disse que pode liberar at\u00e9 mais rapidamente do que a CGU prometeu ao historiador \u2014 sete de cada vez. Pode ser dez ou mais. Mas a decis\u00e3o tomada, a partir da divulga\u00e7\u00e3o, \u00e9 publicar no site do BC, at\u00e9 o fim deste ano, todas as informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o estiverem sob sigilo banc\u00e1rio.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\" style=\"text-align: justify;\">\n<h4 class=\"intertitulo\">Fantasma do AI-5<\/h4>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel que os procuradores e advogados do BC, consultados pelo presidente Ilan, tenham feito uma interpreta\u00e7\u00e3o exagerada do que esteja sob a cobertura do sigilo banc\u00e1rio. Institui\u00e7\u00f5es e empresas que n\u00e3o existem mais fizeram opera\u00e7\u00f5es em favor de pessoas que j\u00e1 morreram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como impedir que isso seja acessado no meio de uma pesquisa hist\u00f3rica? Al\u00e9m do mais, como o pr\u00f3prio presidente do BC disse, tudo o que envolver algum tipo de subs\u00eddio p\u00fablico pode ser divulgado. Ningu\u00e9m ia ao CMN pedir recursos privados. Obviamente, em cada item daquele financiamento, aval para empr\u00e9stimo externo, permiss\u00e3o para n\u00e3o recolher compuls\u00f3rio, ou benef\u00edcio fiscal, havia dinheiro p\u00fablico envolvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 agora tudo que o historiador recebeu foram os \u00edndices das reuni\u00f5es. E uma das curiosidades das tarjas do Banco Central \u00e9 que at\u00e9 o AI-5 n\u00e3o h\u00e1 itens censurados. Nos anos 1970, pior tempo da ditadura, h\u00e1 cortes. E eles se estendem at\u00e9 o fim do regime. \u00c9 como se o fantasma do AI-5 ainda assombrasse o Banco Central.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Garanto que ningu\u00e9m olhou sob a \u00f3tica do AI-5, mas quando aparecia o nome de algu\u00e9m ou alguma empresa foi preciso tarjar. Vou fazer todo o esfor\u00e7o para divulgar, mas infelizmente continuar\u00e1 sendo tarjado tudo que envolver sigilo banc\u00e1rio. N\u00e3o quero processo sobre o Banco Central, nem sobre mim, por ferir a Lei Complementar n\u00famero 105. \u00c9 o \u00fanico limite que coloco&#8221;, disse Ilan.<\/p>\n<\/article>\n<div class=\"info-negocios\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"info-negocios\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"info-negocios\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; \u00c9poca<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Institui\u00e7\u00e3o diz, no entanto, que sigilo banc\u00e1rio a impede de liberar tudo O\u00a0Banco Central (BC)\u00a0vai colocar as atas do Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN) da \u00e9poca da ditadura dispon\u00edveis no site atrav\u00e9s do programa \u201cTranspar\u00eancia Ativa\u201d at\u00e9 o fim do ano. 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