{"id":12277,"date":"2018-05-08T14:53:30","date_gmt":"2018-05-08T14:53:30","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12277"},"modified":"2018-05-08T14:53:30","modified_gmt":"2018-05-08T14:53:30","slug":"debate-sobre-1968-revisita-momento-historico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2018\/05\/08\/debate-sobre-1968-revisita-momento-historico\/","title":{"rendered":"Debate sobre 1968 revisita momento hist\u00f3rico"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: justify;\">Semin\u00e1rio realizado pelo Col\u00e9gio de A a Z, em parceria com O GLOBO, re\u00fane alunos e leitores<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o eram nem 8h30m deste s\u00e1bado e os dois andares da plateia do Teatro Oi Casa Grande j\u00e1 estavam lotados. No palco, o evento &#8220;1968: Presente&#8221;, tema do cinedebate promovido pelo Col\u00e9gio e Vestibular de A a Z, em parceria com o jornal O Globo, que levou para conversar com alunos, e tamb\u00e9m leitores, convidados de not\u00f3rio saber e que viveram aquele ano incandescente, aberto com a Primavera de Praga e, para os brasileiros, encerrado com o AI-5. Participaram do debate os colunistas Zuenir Ventura e Carlos Andreazza, o rep\u00f3rter Chico Otavio, o m\u00e9dico Luiz Ten\u00f3rio, o jornalista Cid Benjamin, a documentarista Emilia Silveira e Rafael Pinna, vice-diretor do A a Z, que mediou o debate. Tamb\u00e9m participaram do evento os professores Roberta Luz (de Hist\u00f3ria) e Aldene Rocha (de Artes).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de juntar pessoas com pensamentos diferentes provocou um rico debate. Previsto para terminar \u00e0s 12h30, o encontro foi at\u00e9 13h, e &#8220;duraria a tarde toda se dependesse dos alunos&#8221;, disse Pinna. Antes da conversa, a plateia assistiu a um document\u00e1rio de quinze minutos sobre 1968, produzido pela editoria de v\u00eddeo do GLOBO, e a um trecho do document\u00e1rio &#8220;Tropic\u00e1lia&#8221;, do diretor Marcelo Machado. A professora Roberta Luz fez uma apresenta\u00e7\u00e3o em que procurou trazer 1968 para o presente &#8211; objetivo da iniciativa, que nasceu no ano passado de uma sugest\u00e3o do rep\u00f3rter Chico Otavio, seis vezes vencedor do Pr\u00eamio Esso e autor de reportagens reveladoras sobre a ditadura militar, ao vice-diretor do col\u00e9gio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Vivemos em um estado que n\u00e3o abra\u00e7a as suas popula\u00e7\u00f5es mais pobres, n\u00e3o d\u00e1 oportunidade para os negros, e n\u00e3o \u00e9 por falta de capacidade. Basta pensarmos em quantos negros est\u00e3o neste teatro, quantos negros j\u00e1 tivemos como professores, quantos est\u00e3o em posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a na sociedade. N\u00e3o vivemos mais um per\u00edodo ditatorial, mas as lutas de 68 continuam presentes &#8211; disse a professora. &#8211; Sobre as quest\u00f5es de g\u00eanero, as mulheres continuam lutando por protagonismo na sociedade, com representa\u00e7\u00e3o p\u00edfia no Legislativo e sal\u00e1rios desiguais em rela\u00e7\u00e3o aos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No debate, o primeiro a falar com o jornalista Zuenir Ventura, autor do livro &#8220;1968 &#8211; O ano que n\u00e3o terminou&#8221;. Ele come\u00e7ou lembrando o assassinato de Edson Lu\u00eds de Lima Souto, morto no dia 28 de mar\u00e7o daquele ano em frente ao restaurante Calabou\u00e7o. Zuenir estava na janela da revista Vis\u00e3o, no sexto andar de um pr\u00e9dio a 200 metros do Calabou\u00e7o, ao lado dos colegas Ziraldo e Washington Novaes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Foi a primeira vez que o Rio de Janeiro se uniu e foi pra rua contra a ditadura. Nenhuma gera\u00e7\u00e3o no mundo, naquele per\u00edodo, sofreu mais do que a brasileira. Foi a mais corajosa. Enquanto lutavam contra a sociedade de consumo na Fran\u00e7a, lutava-se contra a repress\u00e3o militar no Brasil &#8211; disse Zuenir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz Ten\u00f3rio, m\u00e9dico que, \u00e0 \u00e9poca, presidia o centro acad\u00eamico de medicina da UEG (hoje UERJ), e que esteve no enterro de Edson Lu\u00eds, coleciona lembran\u00e7as de 68. Pinna perguntou a Ten\u00f3rio se ele e seus companheiros tinham no\u00e7\u00e3o de que aqueles momentos seriam cruciais na hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00f3s t\u00ednhamos uma utopia: ach\u00e1vamos que \u00edamos derrubar a ditadura. Tivemos essa megalomania, de que o movimento estudantil poderia derrubar os militares. T\u00ednhamos 20 e poucos anos e n\u00e3o t\u00ednhamos consci\u00eancia do que se passava, mas sab\u00edamos que o golpe traria grandes danos ao pa\u00eds e \u00e0 sociedade brasileira. O ano foi muito marcante para mim porque come\u00e7ou com a morte do Edson Lu\u00eds, mas houve outra morte emblem\u00e1tica, na porta do Hospital Pedro Ernesto, onde eu fazia resid\u00eancia &#8211; disse, lembrando o assassinato de Luiz Paulo da Cruz, aluno da faculdade de medicina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a jornalista e documentarista Emilia Silveira, diretora de &#8220;Galeria F&#8221; e &#8220;Setenta&#8221;, ambos sobre o per\u00edodo da ditadura militar, &#8220;ainda estamos sofrendo as consequ\u00eancias da ditadura militar. O sistema de sa\u00fade p\u00fablica e tamb\u00e9m de educa\u00e7\u00e3o foram desmantelados\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Passamos 21 anos no obscurantismo da ditadura. A qualidade musical na \u00e9poca da ditadura se deveu a uma resist\u00eancia da classe art\u00edstica, que n\u00e3o deixou de trabalhar. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que foi empobrecido em muitos sentidos pelos militares. Nesses 21 anos se formou uma gera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o tinha uma boa escola, pois a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica foi desmantelada. Isso gerou um empobrecimento intelectual no Brasil.<\/p>\n<div id=\"pub-retangulo-2\" class=\"arroba publicidade clearfix\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"foto\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/22658250-b7a-ff9\/FT1086A\/420\/x76562139_RI-Rio-de-Janeiro-RJ-5-05-20181968-presenteEvento-que-debate-o-ano-de-1968-na-ditadu-1.jpg.pagespeed.ic.L8DmUhcV9Y.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>Debate ocorreu no Teatro Oi Casa Grande com a casa cheia<b>\u00a0&#8211; Hermes de Paula \/ Ag\u00eancia O Globo<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carlos Andreazza, editor-executivo do Grupo Editorial Record e comentarista da r\u00e1dio Jovem Pan, al\u00e9m de colunista do GLOBO, falou sobre como foi, em seu per\u00edodo escolar, ser neto de M\u00e1rio Andreazza, ministro de tr\u00eas governos militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Nasci em 1980, tenho 38 anos, mas nasci neto da ditadura. Minha vida escolar e universit\u00e1ria foi muito prejudicada por ter sido neto de um ministro de governos militares. N\u00e3o foi uma escolha, foi destino. Tive professores que haviam sido torturados e que n\u00e3o liam meu sobrenome na chamada. Eu entendia que aquilo era a resposta de um sujeito que havia sido submetido \u00e0 barb\u00e1rie. Eu tenho o direito de me orgulhar do meu av\u00f4, mas, se ele estivesse vivo, eu o questionaria. Ele n\u00e3o era obrigado a ser signat\u00e1rio do AI-5, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andreazza rejeitou semelhan\u00e7as entre 1968 e 2018. Disse repudiar compara\u00e7\u00f5es com aquele per\u00edodo \u201cporque vivemos um per\u00edodo democr\u00e1tico, com elei\u00e7\u00f5es em outubro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Os militares n\u00e3o querem mais saber de pol\u00edtica, n\u00e3o haver\u00e1 outra ditadura. O maior perigo, no meu entender, n\u00e3o vem da atividade pol\u00edtica. A amea\u00e7a que vivemos hoje \u00e9 a da desqualifica\u00e7\u00e3o absoluta dos pol\u00edticos e a concep\u00e7\u00e3o de que o judici\u00e1rio pode administrar o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve diverg\u00eancias entre os debatedores. Cid Benjamin, por exemplo, disse n\u00e3o guardar rancor de seus torturadores \u2013 chegou a almo\u00e7ar com um deles, quando colaborava com a Comiss\u00e3o da Verdade, para tentar convenc\u00ea-lo a colaborar com o trabalho da comiss\u00e3o. Ten\u00f3rio e Emilia disseram que n\u00e3o perdoam seus algozes. Ten\u00f3rio emocionou a plateia ao contar que um colega de faculdade estava entre os homens que o torturaram no DOI-CODI em 1972. Cid fez uma autocr\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Participei da gera\u00e7\u00e3o que entrou na luta armada. Com muito orgulho, porque nos entregamos por inteiro, com toda a generosidade, mas a luta armada foi um erro pol\u00edtico, pois jamais poder\u00edamos vencer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rep\u00f3rter do GLOBO Chico Otavio contou sobre uma reportagem recente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Em plena efervesc\u00eancia de 68, com as ruas pegando fogo, o Costa e Silva aceitou receber comiss\u00e3o de professores e estudantes no Pal\u00e1cio do Planato. Reuni\u00e3o negociada por bispo auxiliar do Rio, Dom Castro Pinto. Foi duro para a dire\u00e7\u00e3o do movimento estudantil convencer os estudantes a ir l\u00e1 conversar com o presidente, e tamb\u00e9m foi dif\u00edcil para o presidente convencer seus ministros militares sobre a importancia de participar desse encontro. Talvez isso poderia ter evitado, quem sabe, o AI-5 no fim daquele ano. Mas para mim ficou claro que ningu\u00e9m queria conversa. Os estudantes chegaram vestindo camisa, era uma reuni\u00e3o super formal, mas eles se recusaram a usar terno e a reuni\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ou mal &#8211; disse Chico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aluna do pr\u00e9-vestibular do A a Z na Barra da Tijuca \u2013 uma das sete unidades da institui\u00e7\u00e3o \u2013, Larissa Santos, de 23 anos, voltou para casa satisfeita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Temos um cen\u00e1rio de polariza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, ent\u00e3o divergimos muito nos temas cotidianamente. Foi \u00f3timo ter um debate que n\u00e3o tinha pessoas exatamente com a mesma opini\u00e3o. Mesmo n\u00e3o concordando, elas estavam ali debatendo, conversando, e n\u00f3s pudemos participar, perguntar, divergir. Isso ilustra o que \u00e9 a democracia. Hoje tivemos acesso a conte\u00fados que n\u00e3o vemos na escola, no pr\u00e9-vestibular. O momento mais comovente para mim foi o relato do Luiz Ten\u00f3rio. Ele ter contado que foi torturado por um amigo de turma dele, tamb\u00e9m m\u00e9dico, algu\u00e9m que descumpriu todos os juramentos da medicina &#8211; disse ela, que sonha ser m\u00e9dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Rafael Pinna, o objetivo foi alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A confirma\u00e7\u00e3o veio da rea\u00e7\u00e3o da plateia, que vibrou o tempo todo. Qualquer debate com base hist\u00f3rica des\u00e1gua no presente. Conseguimos falar de 1968, mas tamb\u00e9m de 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; O Globo<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semin\u00e1rio realizado pelo Col\u00e9gio de A a Z, em parceria com O GLOBO, re\u00fane alunos e leitores N\u00e3o eram nem 8h30m deste s\u00e1bado e os dois andares da plateia do Teatro Oi Casa Grande j\u00e1 estavam lotados. 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