{"id":12386,"date":"2018-07-10T21:54:33","date_gmt":"2018-07-10T21:54:33","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12386"},"modified":"2018-07-10T21:54:33","modified_gmt":"2018-07-10T21:54:33","slug":"sentenca-da-corte-interamericana-sobre-herzog-reacende-esperanca-no-caso-anisio-teixeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2018\/07\/10\/sentenca-da-corte-interamericana-sobre-herzog-reacende-esperanca-no-caso-anisio-teixeira\/","title":{"rendered":"Senten\u00e7a da Corte Interamericana sobre Herzog reacende esperan\u00e7a no caso An\u00edsio Teixeira"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois da senten\u00e7a da Corte Interamericana sobre Vladimir Herzog, ressurge a esperan\u00e7a de que a morte de An\u00edsio Teixeira tamb\u00e9m seja investigada<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nascido a 12 de julho de 1900, na Bahia, o educador An\u00edsio Teixeira desapareceu no dia 11 de mar\u00e7o de 1971, na cidade do Rio de Janeiro. Seu corpo foi encontrado na tarde do dia 13 de mar\u00e7o do mesmo ano, no fundo do fosso de um elevador na Rua Praia de Botafogo, 48. J\u00e1 est\u00e1 definitivamente provada a falsidade da\u00a0 vers\u00e3o da ditadura, segundo a qual teria ca\u00eddo acidentalmente no fosso do elevador<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Pelo visto, a partir do in\u00edcio de 1971 ocorreu uma concentra\u00e7\u00e3o especial dos setores de intelig\u00eancia da ditadura na busca do ex-capit\u00e3o Carlos Lamarca, que havia desertado, juntamente com outros militares, em 24 de janeiro de 1969, levando armas do quartel do Ex\u00e9rcito, em Jita\u00fana- SP, para a Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR), organiza\u00e7\u00e3o clandestina de combate \u00e0 ditadura da qual o ex-capit\u00e3o fazia parte.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Lamarca foi considerado o respons\u00e1vel pelo planejamento e execu\u00e7\u00e3o do sequestro do embaixador da Su\u00ed\u00e7a no Brasil, Giovanni Bucher, ocorrido em 07 de dezembro de 1970, e libertado, 40 dias depois, a 16 de janeiro de 1971, no Rio de Janeiro, ap\u00f3s haverem embarcado para o ex\u00edlio, no Chile, 70 prisioneiros pol\u00edticos cuja liberdade foi pedida em troca do embaixador. De fato, esse foi um dos epis\u00f3dios mais desmoralizantes vividos pelo regime militar, da\u00ed o empenho priorit\u00e1rio das for\u00e7as repressivas, n\u00e3o somente do Brasil, mas de todas as ditaduras instaladas no Cone Sul, no sentido de buscar e eliminar Lamarca.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s dois meses do desfecho do sequestro do embaixador su\u00ed\u00e7o, Lamarca desligou-se da VPR, em 22 de mar\u00e7o de 1971, para ingressar no Movimento Revolucion\u00e1rio Oito de Outubro (MR-8), a organiza\u00e7\u00e3o da qual fazia parte Stuart Angel Jones. A pris\u00e3o desse \u00faltimo era um trunfo para os militares, portanto, na medida em que poderia fornecer as informa\u00e7\u00f5es para a localiza\u00e7\u00e3o de Lamarca. Assim, a investida sobre Stuart foi violenta., a ponto de ter levado a sua morte, na Base do Gale\u00e3o, da Aeron\u00e1utica, em 14 de maio de 1971.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, verifica-se uma conex\u00e3o entre An\u00edsio Teixeira e o Chile, pa\u00eds onde morou, em parte do anos de 1966, encarregado de realizar a grande reforma da Universidade Nacional daquele pa\u00eds. Naturalmente, os contatos de An\u00edsio com a Universidade continuaram, pois a reforma universit\u00e1ria que implantou fora muito extensa, e deveria incluir acompanhamento a m\u00e9dio prazo, de modo que n\u00e3o se pode descartar a hip\u00f3tese de que, em 1971, contatos dele com o Chile ainda pudessem estar em curso.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">An\u00edsio morreu &#8211; hoje se sabe com certeza-\u00a0 no dia 12 de mar\u00e7o de 1971. Diante dessa informa\u00e7\u00e3o, existe grande\u00a0 probabilidade de queele tenha sido interrogado na Aeron\u00e1utica, ap\u00f3s seu desaparecimento, no dia 11 de mar\u00e7o daquele ano. A hip\u00f3tese \u00e9 confirmado por afirma\u00e7\u00f5es insuspeitas, quase coincidentes,de dois acad\u00eamicos, ambos amigos, tanto\u00a0 de An\u00edsio\u00a0 quanto de autoridades do regime militar,\u00a0 a saber, do ex-governador baiano Luiz Viana Filho e do poeta e educador mineiro Abgar Renault. Segundo eles\u00a0 o educador esteve sob interrogat\u00f3rio na Aeron\u00e1utica, no Rio, no momento em que, pela vers\u00e3o oficial, j\u00e1 teria ca\u00eddo para a morte, no elevador do pr\u00e9dio onde Aur\u00e9lio Buarque de Holanda Ferreira residia, na Rua Praia de |Botafogo, no Rio de Janeiro.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Merece aten\u00e7\u00e3o a liga\u00e7\u00e3o de An\u00edsio com o Chile, na investiga\u00e7\u00e3o sobre sua morte, notadamente porque, pr\u00f3ximo ao momento em que ela se deu, ocorria grande intensifica\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es repressivas no Brasil, em fun\u00e7\u00e3o do empenho da ditadura militar na localiza\u00e7\u00e3o e elimina\u00e7\u00e3o de Carlos Lamarca, cuja ent\u00e3o recent\u00edssima a\u00e7\u00e3o no sequestro do embaixador Bucher imp\u00f4s que os\u00a0 resgatados fossem exatamente mandados para o Chile. Logo depois do sequestro, esse pa\u00eds passou a estar, portanto,\u00a0 no centro das investiga\u00e7\u00f5es conjuntas das for\u00e7as repressoras do Cone Sul.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00a0Antes, em janeiro de 1971, a pris\u00e3o e morte de Rubens Paiva, sob tortura, aconteceu em decorr\u00eancia da deten\u00e7\u00e3o de duas senhoras brasileiras, quando voltavam de uma visita ao Chile, para o Rio de Janeiro, trazendo correspond\u00eancias para serem a ele entregues. O assassinato de Paiva ocorreu imediatamente \u00e0 chegada das duas amigas dele, em consequ\u00eancia das b\u00e1rbaras torturas que lhe foram infligidas em instala\u00e7\u00f5es militares, no Rio de Janeiro, entre 21 e 22 de janeiro de 1971, segundo apurou a CNV. A circunst\u00e2ncia da morte de Rubens Paiva refor\u00e7a a exist\u00eancia do esquema de a\u00e7\u00e3o coordenada das for\u00e7as repressivas com atua\u00e7\u00e3o no Cone Sul, antes mesmo da oficializa\u00e7\u00e3o da terrorista Opera\u00e7\u00e3o Condor, feita pela ditadura chilena de Pinochet (1973-1990).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Menos de dois meses depois da morte de Rubens Paiva, ocorre a morte de An\u00edsio, isto \u00e9, a 12 de mar\u00e7o de 1971, An\u00edsio Teixeira, que\u00a0 tamb\u00e9m fora interrogado em instala\u00e7\u00e3o militar, segundo as citadas informa\u00e7\u00f5es de Luiz Viana Filho e Abgar Renault, provavelmente da Aeron\u00e1utica, no Rio de Janeiro.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Portanto, acredita-se que a conex\u00e3o entre a ca\u00e7ada a Lamarca e as mortes dos tr\u00eas atingidos, no in\u00edcio de 1971, a saber, Rubens Paiva (janeiro), An\u00edsio Teixeira (mar\u00e7o)e Stuart Angel Jones (maio), que possu\u00edam rela\u00e7\u00f5es com o Chile, todas ocorridas no primeiro semestre de 1971, talvez mere\u00e7a uma aten\u00e7\u00e3o especial, na continuidade da investiga\u00e7\u00e3o que vise ao completo esclarecimento da morte de An\u00edsio Teixeira.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito, consta em recente publica\u00e7\u00e3o (1917) do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, intitulada Crimes da Ditadura Militar, na p\u00e1gina 205, uma nota de p\u00e9 de p\u00e1gina que cita a seguinte informa\u00e7\u00e3o, contida na obra A hora do lobo, a hora do carneiro (1989), :da autoria do m\u00e9dico Am\u00edlcar Lobo, conhecido colaborador da ditadura que atuava diretamente no acompanhamento das torturas (v. LOBO, Amilcar . A hora do lobo, a hora do carneiro. Petrop\u00f3lis, RJ, Vozes, 1989, p. 34-35).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No retorno ao Rio, ainda segundo Lobo, o denunciado Sampaio (Rubens Paim Sampaio) lhe disse que: \u201cExistiria uma ordem do pr\u00f3prio ministro do Ex\u00e9rcito para que todas as pessoas que abandonaram o pa\u00eds, principalmente as que escolheram o Chile como ref\u00fagio, deveriam ser mortas ap\u00f3s esclarecerem devidamente as atividades terroristas do grupo a que pertenciam antes da evas\u00e3o. Assim, o CIE (Centro de Intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito), copiando um modelo montado pelos pr\u00f3prios indiv\u00edduos da esquerda atuante, montou aquele \u2018aparelho\u2019 em Petr\u00f3polis, onde os presos eram interrogados e, posteriormente, mortos. Concluiu, dizendo-me que a mulher que eu havia operado fizera um acordo com eles para gravar um video-tape, mostrando-se muito arrependida de suas atividades subversivas e condenando radicalmente as ideias apregoadas pelo comunismo. A chefiado CIE aprovou com entusiasmo este acordo e decidiu poupar a jovem\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O torturador acima citado, o ent\u00e3o major do Ex\u00e9rcito Rubens Paim Sampaio,\u00a0 deu depoimento ao MPF, em cuja publica\u00e7\u00e3o acima referida, em nota de p\u00e9 da p\u00e1gina 203, afirma que ele \u201ctrabalhou no CIE a partir de 1969\/1970 e at\u00e9 1976. At\u00e9 aproximadamente 1973, ficou servindo no CIE do Rio de janeiro, depois passou a servir no CIE de Bras\u00edlia\u201d. Segundo a ficha do cadastro de movimenta\u00e7\u00f5es de Rubens Paim Sampaio, o denunciado esteve lotado\u00a0 no gabinete do ministro do Ex\u00e9rcito, no Rio de Janeiro, entre 4 de agosto de 1970 e 10 de julho de 1974.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A informa\u00e7\u00e3o recente, de Matias Spektor , obtida\u00a0 nos arquivos da CIA, segundo a qual os pr\u00f3prios presidentes da rep\u00fablica militares era quem ordenava a execu\u00e7\u00e3o de \u201cinimigos\u201d do regime, torna veross\u00edmeis todas as suspeitas de mortes n\u00e3o explicadas no per\u00edodo que vai de Garrastazu M\u00e9dici a Jo\u00e3o Figueiredo, passando por Ernesto Geisel, inclusive a de An\u00edsio Teixeira.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Dado que An\u00edsio Teixeira foi interrogado na Aeron\u00e1utica, no Rio, em mar\u00e7o de 1971, o fato de n\u00e3o ter o que informar, na medida em que n\u00e3o pertencia a qualquer organiza\u00e7\u00e3o de esquerda, torna-o ainda mais vulner\u00e1vel, no sentido de que tivesse sido\u00a0 considerado um dos\u00a0 subversivos que seguravam informa\u00e7\u00f5es e que, por isso, deveria ser torturado e depois assassinado.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Portanto, a informa\u00e7\u00e3o recentemente colhida nos documentos da CIA por Matias Spektor, de que teriam sido os pr\u00f3prios presidentes militares, Garrastazu, Jo\u00e3o Figueiredo e Geisel, que ordenaram as torturas e matan\u00e7as de advers\u00e1rios do regime ilegal, imposto em 1964, vem de ser corroborada pela declara\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o major, torturador confesso, Rubens Paim Sampaio contida na cita\u00e7\u00e3o acima. Segundo ela, o major Sampaio afirma, em depoimento, era o pr\u00f3prio ministro do Ex\u00e9rcito que repassava aos torturadores a ordem de assassinato de todos os militantes pol\u00edticos que tivessem passado pelo Chile, ap\u00f3s, sob tortura, terem fornecido informa\u00e7\u00f5es sobre suas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A recente decis\u00e3o da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que obriga\u00a0 governo do Brasil, por conta de acordo internacional do qual \u00e9 signat\u00e1rio a investigar, julgar e punir\u00a0 a morte de Vladimir Herzog, ocorrida em 1975, d\u00e1-nos a esperan\u00e7a de que a morte de An\u00edsio Teixeira tamb\u00e9m seja investigada.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"720\" height=\"405\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZxtSiDObwUE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; GGN<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da senten\u00e7a da Corte Interamericana sobre Vladimir Herzog, ressurge a esperan\u00e7a de que a morte de An\u00edsio Teixeira tamb\u00e9m seja investigada Nascido a 12 de julho de 1900, na Bahia, o educador An\u00edsio Teixeira desapareceu no dia 11 de mar\u00e7o de 1971, na cidade do Rio de Janeiro. 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