{"id":12814,"date":"2019-04-04T10:40:02","date_gmt":"2019-04-04T10:40:02","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=12814"},"modified":"2019-04-04T10:44:27","modified_gmt":"2019-04-04T10:44:27","slug":"jovem-araraquarense-e-simbolo-de-luta-durante-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2019\/04\/04\/jovem-araraquarense-e-simbolo-de-luta-durante-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Jovem araraquarense \u00e9 s\u00edmbolo de luta durante a ditadura"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"col-lg-9 no-padding mg-bt-55\" style=\"text-align: justify;\">A enfermeira Lu\u00edsa Augusta Garlippe tinha 33 anos quando foi morta na regi\u00e3o do Araguaia<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jovem araraquarense Lu\u00edsa Augusta Garlippe, a Tuta, se tornou s\u00edmbolo de resist\u00eancia e luta durante os anos da ditadura militar. Ela era jovem e saiu de Araraquara na d\u00e9cada de 60 para estudar enfermagem na capital, l\u00e1 se uniu ao combate \u00e0 ditadura militar e \u00e0s ideias comunistas, foi para a guerrilha do Araguaia e desapareceu. Relatos d\u00e3o conta que morreu em junho de 1974, aos 33 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lu\u00edsa fez parte de uma gera\u00e7\u00e3o onde discordar era crime. &#8220;Ela trabalhava na \u00e1rea da sa\u00fade, era parteira, foi para o Araguaia ajudar a popula\u00e7\u00e3o muito carente, n\u00e3o foi pegar em armas. Mas acabou morta porque tinha uma ideologia de mundo diferente&#8221;, diz o fisioterapeuta Luiz Armando Garlippe, sobrinho de Lu\u00edza.<\/p>\n<div id=\"attachment_12816\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-9.jpg\" rel=\"attachment wp-att-12816\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12816\" class=\"size-full wp-image-12816\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-9.jpg\" alt=\"Lu\u00edsa (no meio de amigos) logo quando foi para S\u00e3o Paulo estudar enfermagem\" width=\"790\" height=\"509\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-9.jpg 790w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-9-300x193.jpg 300w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-9-768x495.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12816\" class=\"wp-caption-text\">Lu\u00edsa (no meio de amigos) logo quando foi para S\u00e3o Paulo estudar enfermagem<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Hist\u00f3ria\u00a0<\/b><br \/>\nTuta nasceu em Araraquara em 16 de outubro de 1941. Filha do ferrovi\u00e1rio Armando Garlippe e da dona-de-casa Durvalina Santomo Garlippe, teve mais um irm\u00e3o da mesma m\u00e3e, Saulo Garlippe. Aos 10 anos perdeu a m\u00e3e e seu pai se casou novamente, tendo mais quatro filhos: Adilson, Armando, Marli e Maray, todos foram criados em Araraquara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A garota estudou na escola Pedro Jos\u00e9 Neto e no Ieba (Instituto de Ensino Bento de Abreu) e aos 19 anos decidiu ir para a capital para estudar enfermagem. Tinha sido aprovada no curso da Universidade do Estado de S\u00e3o Paulo (USP). Em 1964, quando se formou foi trabalhar no Hospital das Cl\u00ednicas e chegou a ser enfermeira-chefe do Departamento de Doen\u00e7as Tropicais, assunto em que se especializou, fazendo inclusive, na \u00e9poca, algumas viagens ao Amap\u00e1 e ao Acre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sobrinho conta que nesta \u00e9poca seu tio Saulo tamb\u00e9m se mudou para a capital para estudar engenharia e Tuta j\u00e1 fazia milit\u00e2ncia no PCdoB, onde seu apelido era Tuca. A jovem participava tamb\u00e9m da Associa\u00e7\u00e3o dos Funcion\u00e1rios do Hospital das Cl\u00ednicas, distribu\u00eda panfletos e organizava seus colegas de trabalho.<\/p>\n<div id=\"attachment_12817\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-10.jpg\" rel=\"attachment wp-att-12817\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12817\" class=\"size-full wp-image-12817\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-10.jpg\" alt=\"Lu\u00edsa (a quinta da esquerda para direita) j\u00e1 na equipe do Hospital das Cl\u00ednicas\" width=\"790\" height=\"509\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-10.jpg 790w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-10-300x193.jpg 300w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-10-768x495.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12817\" class=\"wp-caption-text\">Lu\u00edsa (a quinta da esquerda para direita) j\u00e1 na equipe do Hospital das Cl\u00ednicas<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Araguaia\u00a0<\/b><br \/>\nNuma profiss\u00e3o considerada estrat\u00e9gica, com seu companheiro Pedro Alexandrino Filho, tamb\u00e9m conhecido como Peri, Tuta se mudou para a regi\u00e3o do Araguaia. &#8220;No Araguaia, minha tia trabalhava na \u00e1rea da sa\u00fade era parteira e sabemos que depois da morte de um m\u00e9dico, assumiu a chefia dos servi\u00e7os l\u00e1 na regi\u00e3o&#8221;, conta Luiz Armando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de embarcar para o Araguaia, em 1971, Tuta se encontrou com o irm\u00e3o Saulo e disse que faria uma viagem, mas sem dar detalhes do que faria, por seguran\u00e7a dela e tamb\u00e9m da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram anos sem not\u00edcias de Lu\u00edsa, at\u00e9 que no final de 1974, Saulo teria sido procurado por um dos militantes do partido que relatou a morte de Tuta.<\/p>\n<div id=\"attachment_12818\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-11.jpg\" rel=\"attachment wp-att-12818\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12818\" class=\"size-full wp-image-12818\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-11.jpg\" alt=\"Lu\u00edsa Augusta Garlippe \u00e9 a araraquarense morta durante a ditadura militar\" width=\"790\" height=\"509\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-11.jpg 790w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-11-300x193.jpg 300w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ABAP-11-768x495.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12818\" class=\"wp-caption-text\">Lu\u00edsa Augusta Garlippe \u00e9 a araraquarense morta durante a ditadura militar<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Morte\u00a0<\/b><br \/>\nSegundo relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o da Verdade feito em 2013, Lu\u00edsa foi vista pela \u00faltima vez por seus companheiros em 25 de dezembro de 1973, em um acampamento pr\u00f3ximo \u00e0 Serra das Andorinhas, quando houve intenso tiroteio contra eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista dada \u00e0 Revista Playboy, em dezembro de 2006, o tenente-coronel Sebasti\u00e3o Rodrigues de Moura, o major Curi\u00f3, afirmou ter assassinado as guerrilheiras Lu\u00edsa Augusta Garlippe e Dinalva Teixeira. Na mat\u00e9ria Curi\u00f3 diz que Tuta e Dina tentavam ir embora e estavam vendendo algumas coisas para financiar a fuga. Ent\u00e3o, o major armou uma emboscada e acabou atirando em Dina, que tinha 29 anos. Tuta, segundo Curi\u00f3 foi morta por um tenente. A a\u00e7\u00e3o teria ocorrido em junho de 1974, na regi\u00e3o de Marab\u00e1. Segundo o major, ambas foram as \u00faltimas militantes a tombar na guerrilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 segundo Raimundo Ant\u00f4nio Pereira de Melo, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos ex-combatentes da Guerrilha do Araguaia, Lu\u00edsa Augusta Garlippe e sua amiga Dina ca\u00edram em uma emboscada quando pediram ajuda para um vaqueiro de uma fazenda da regi\u00e3o para comprar roupas e as passagens. O mesmo foi at\u00e9 o quartel para delatar o paradeiro delas e ambas acabaram aprisionadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram levadas para a casa azul onde eram feitas as torturas. No mesmo dia teria sido levadas para a mata, onde estavam outras pessoas desaparecidas. At\u00e9 agosto de 1975 Tuta teria sido vista, mas depois desta data tudo leva a crer que a jovem foi morta na mata e jogada no rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As informa\u00e7\u00f5es sobre sua morte s\u00e3o desencontradas. At\u00e9 hoje a fam\u00edlia n\u00e3o tem resposta, mas estamos aqui para n\u00e3o deixar sua hist\u00f3ria ser esquecida&#8221;, diz o sobrinho Luiz Armando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA) condenou o Brasil pela desaparecimento de 62 pessoas na regi\u00e3o do Araguaia no caso Gomes Lund e Outros (&#8220;Guerrilha do Araguaia&#8221;) VS. Brasil, dentre elas est\u00e1 Lu\u00edsa. A senten\u00e7a obriga o Estado Brasileiro a investigar os fatos, julgar e, se for o caso, punir os respons\u00e1veis e de determinar o paradeiro das v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lu\u00edsa consta na lista de desaparecidos pol\u00edticos do anexo I da lei 9.140\/95. Na CEMDP, o caso de Lu\u00edsa foi protocolado com o n\u00famero 058\/96.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua homenagem a cidade de Campinas deu o seu nome a uma rua no bairro Vila Esperan\u00e7a. O PROCON da cidade de Santo Andr\u00e9 leva seu nome e em Araraquara, a homenagem foi na Comiss\u00e3o de Direitos Humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O que foi a guerrilha do Araguaia\u00a0<\/b><br \/>\nA guerrilha do Araguaia foi um movimento guerrilheiro existente na regi\u00e3o amaz\u00f4nica brasileira, ao longo do rio Araguaia, entre as d\u00e9cadas de 60 e 70. Criada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o objetivo da a\u00e7\u00e3o era fomentar uma revolu\u00e7\u00e3o socialista iniciada no campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Combatida pelas For\u00e7as Armadas a partir de 1972, quando v\u00e1rios de seus integrantes j\u00e1 haviam se estabelecido na regi\u00e3o h\u00e1 pelo menos seis anos, o palco das opera\u00e7\u00f5es de combate entre a guerrilha e os militares se deu onde os estados de Goi\u00e1s, Par\u00e1 e Maranh\u00e3o faziam divisa. Seu nome vem do fato de se localizar \u00e0s margens do rio Araguaia, pr\u00f3ximo \u00e0s cidades de S\u00e3o Geraldo do Araguaia e Marab\u00e1 no Par\u00e1 e de Xambio\u00e1, no norte de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estima-se que o movimento era composto por cerca de oitenta guerrilheiros sendo que, destes, menos de vinte sobreviveram. Muitos militantes da guerrilha seguem desaparecidos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.acidadeon.com\/araraquara\/cotidiano\/cidades\/NOT,0,0,1414223,jovem+araraquarense+e+simbolo+de+luta+durante+a+ditadura.aspx\" target=\"_blank\">acidadeon.com<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A enfermeira Lu\u00edsa Augusta Garlippe tinha 33 anos quando foi morta na regi\u00e3o do Araguaia A jovem araraquarense Lu\u00edsa Augusta Garlippe, a Tuta, se tornou s\u00edmbolo de resist\u00eancia e luta durante os anos da ditadura militar. 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