{"id":13299,"date":"2019-10-31T10:33:32","date_gmt":"2019-10-31T10:33:32","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=13299"},"modified":"2019-10-31T10:33:32","modified_gmt":"2019-10-31T10:33:32","slug":"ex-delegado-do-dops-vira-reu-em-acao-penal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2019\/10\/31\/ex-delegado-do-dops-vira-reu-em-acao-penal\/","title":{"rendered":"Ex-delegado do DOPs vira r\u00e9u em a\u00e7\u00e3o penal"},"content":{"rendered":"<pre style=\"text-align: justify;\">Publicado originalmente em 29\/10\/2019. Alterada em 29\/10 \u00e0s 03h00min<\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udio Ant\u00f4nio Guerra, de 79 anos, ex-delegado a servi\u00e7o da ditadura militar brasileira e hoje pastor evang\u00e9lico, virou r\u00e9u na Justi\u00e7a Federal. Ele \u00e9 acusado de destruir 12 cad\u00e1veres entre 1974 e 1975, incinerando-os em fornos de uma usina de a\u00e7\u00facar desativada em Campos dos Goytacazes (RJ).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guerra integrava, \u00e0 \u00e9poca, o Departamento de Ordem Pol\u00edtico Social (Dops). Em mar\u00e7o, resumiu ao jornal Folha de S.Paulo o per\u00edodo em que, segundo ele pr\u00f3prio, matou ou ajudou a sumir com corpos de militantes de esquerda: &#8220;Fiz algumas coisas que n\u00e3o foram boas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pastor foi enquadrado por crime de oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver. O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal foi notificado no dia 22 de outubro sobre a decis\u00e3o da ju\u00edza Fl\u00e1via Rocha Garcia, da 2\u00aa Vara Federal de Campos, de acatar a den\u00fancia feita pelo procurador Guilherme Virg\u00edlio. \u00c0 reportagem, o r\u00e9u disse que a Justi\u00e7a tem todo o seu respeito e que acata &#8220;sua soberania&#8221;, mas que &#8220;gostaria de registrar que n\u00e3o agia por conta pr\u00f3pria, era um soldado cumprindo ordens superiores&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guerra confessou os crimes em v\u00e1rias ocasi\u00f5es. Em Pastor Cl\u00e1udio, document\u00e1rio lan\u00e7ado neste ano, ele comenta, ao ser questionado sobre nomes de desaparecidos durante o regime militar: &#8220;Esse a\u00ed eu matei&#8221;, &#8220;esse eu incinerei&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 havia feito o mesmo relato cinco anos atr\u00e1s, em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, e dois anos antes, em Mem\u00f3rias de uma guerra suja, livro com recorda\u00e7\u00f5es sobre o que definiu como sua &#8220;\u00e9poca de bobo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pastor da Assembleia de Deus, Guerra contou como ele e colegas eram encarregados de queimar mortos despachados por militares. \u00c0s vezes, disse, abriam os sacos pl\u00e1sticos pretos para dar &#8220;uma espiadinha, por curiosidade&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guerra diz que chegou a ver uma mulher com &#8220;sinais f\u00edsicos&#8221; de estupro e um homem sem bra\u00e7o, que desconfiava ser Jos\u00e9 Roman, um corretor de im\u00f3veis do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partid\u00e3o. Por WhatsApp, o ex-delegado afirmou \u00e0 reportagem da Folha de S.Paulo que \u00e9 preciso considerar que &#8220;se tem uma anistia que descriminaliza os atos para os dois lados&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Pastor Cl\u00e1udio tamb\u00e9m \u00e9 abordada a Opera\u00e7\u00e3o Radar, da qual Guerra participou. Nessa opera\u00e7\u00e3o, ele matou membros do Partido Comunista e incinerou corpos de outros militantes que foram assassinados dentro dessa opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua decis\u00e3o, a ju\u00edza federal tamb\u00e9m resgata a Lei da Anistia promulgada em 1979 pelo \u00faltimo presidente da ditadura militar (1964-1985), o general Jo\u00e3o Figueiredo. Fl\u00e1via aponta que a legislatura que anistiava &#8220;crimes pol\u00edticos ou conexos com estes&#8221; no per\u00edodo veio &#8220;antes do advento da Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3&#8221; e &#8220;certamente n\u00e3o \u00e9 convencional, isto \u00e9, est\u00e1 em flagrante disson\u00e2ncia com tratados e conven\u00e7\u00f5es de direitos humanos que o Brasil se submeteu&#8221; na comunidade internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vis\u00e3o da magistrada se alinha \u00e0 do Minist\u00e9rio P\u00fablico, diz o procurador Virg\u00edlio. &#8220;O Brasil, ao editar a Lei de Anistia e deixar de julgar seriamente esses tipos de crime, deixa de proteger os direitos humanos da forma que deveria.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em depoimento, Guerra narrou uma estrat\u00e9gia para dar sumi\u00e7o nos corpos que acabavam n\u00e3o engolidos por chamas, mas jogados em \u00e1guas: arrancar parte do abd\u00f4men das v\u00edtimas, para evitar que gases se formassem neles &#8211; desse jeito, o cad\u00e1ver perigava emergir \u00e0 superf\u00edcie. Rios seriam uma op\u00e7\u00e3o melhor, j\u00e1 que, no mar, &#8220;a onda traz de volta&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ex-agente disse que a ideia de usar a Usina Cambahyba, mais eficiente para eliminar rastros, surgiu porque ele j\u00e1 usava o local para desovar o corpo de criminosos comuns. Era, segundo ele, amigo do propriet\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte dos cad\u00e1veres ele conta que apanhava na Casa da Morte, em Petr\u00f3polis (RJ), utilizada pela ditadura para assassinar opositores. Segundo Guerra, ele parava com o carro no port\u00e3o e esperava militares entregarem defuntos ensacados. Na usina, o cheiro dos corpos n\u00e3o se destacava, porque, de acordo com o ex-delegado, o fedor do vinhoto (subproduto na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e etanol) era mais forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Procuradoria pede, al\u00e9m da condena\u00e7\u00e3o pelos corpos ocultados, que a Uni\u00e3o cancele eventual aposentadoria ou benef\u00edcio que o r\u00e9u receba diante de sua atua\u00e7\u00e3o como agente p\u00fablico. O pastor disse \u00e0 Folha de S.Paulo que recebe um sal\u00e1rio-m\u00ednimo pelo INSS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guerra ainda \u00e9 alvo de outras duas den\u00fancias da Procuradoria: de participar do atentado do Riocentro (teria forjado evid\u00eancias para culpar militantes antiditadura pela bomba) e pelo assassinato de um estudante de Geologia em 1973. Ronaldo Mouth Queiroz era vinculado \u00e0 Alian\u00e7a Nacional Libertadora, opositora aos militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde fevereiro, o ex-delegado cumpre pris\u00e3o domiciliar, condenado pela morte de sua esposa e de sua cunhada, ambas encontradas em 1980 em um lix\u00e3o com 19 e 11 tiros, respectivamente. Esse crime o pastor nega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FONTE &#8211; <a href=\"https:\/\/www.jornaldocomercio.com\/_conteudo\/cadernos\/jornal_da_lei\/2019\/10\/709356-ex-delegado-do-dops-vira-reu-em-acao-penal.html\" target=\"_blank\">JORNAL DO COM\u00c9RCIO<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente em 29\/10\/2019. Alterada em 29\/10 \u00e0s 03h00min Cl\u00e1udio Ant\u00f4nio Guerra, de 79 anos, ex-delegado a servi\u00e7o da ditadura militar brasileira e hoje pastor evang\u00e9lico, virou r\u00e9u na Justi\u00e7a Federal. 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