{"id":13383,"date":"2020-03-03T16:20:27","date_gmt":"2020-03-03T16:20:27","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=13383"},"modified":"2020-03-03T16:20:27","modified_gmt":"2020-03-03T16:20:27","slug":"pacto-de-impunidade-se-houvesse-justica-de-transicao-defensores-da-ditadura-nao-estariam-na-vida-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2020\/03\/03\/pacto-de-impunidade-se-houvesse-justica-de-transicao-defensores-da-ditadura-nao-estariam-na-vida-publica\/","title":{"rendered":"PACTO DE IMPUNIDADE  Se houvesse Justi\u00e7a de transi\u00e7\u00e3o, defensores da ditadura n\u00e3o estariam na vida p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<pre style=\"text-align: justify;\">Publicado originalmente em\u00a02 de mar\u00e7o de 2020, 7h17<\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi incomodado com os rumos de uma investiga\u00e7\u00e3o que o presidente Jair Bolsonaro deu um dos sinais mais fortes a respeito do tom que adotaria enquanto chefe do Executivo. O mandat\u00e1rio queria que a apura\u00e7\u00e3o sobre o atentado a faca sofrido por ele em Juiz de Fora (MG), em setembro de 2018, envolvesse n\u00e3o apenas Ad\u00e9lio Bispo, o autor do ataque, mas tamb\u00e9m o advogado do r\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"esquerda\" src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/img\/b\/eugenia-gonzaga-procuradora-regional.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A OAB entrou com\u00a0uma medida de seguran\u00e7a em favor da defesa de Ad\u00e9lio. Contrariado, Bolsonaro disparou n\u00e3o contra a entidade, mas contra o seu presidente, Felipe Santa Cruz, filho do militante da A\u00e7\u00e3o Popular (AP) Fernando Santa Cruz, assassinado em 1974 por agentes da ditadura militar (1964-1985).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Um dia se o presidente da OAB quiser saber como \u00e9 que o pai dele desapareceu no per\u00edodo militar, eu conto pra ele. Ele n\u00e3o vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele&#8221;, disse, sabendo que tocaria em um ponto sens\u00edvel: o paradeiro do corpo de Fernando, como o de diversas v\u00edtimas do regime de exce\u00e7\u00e3o, ainda \u00e9 desconhecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A declara\u00e7\u00e3o, feita no dia 29 de julho de 2019, gerou rea\u00e7\u00f5es imediatas. A procuradora regional da Rep\u00fablica\u00a0<strong>Eug\u00eania Gonzaga<\/strong>, ent\u00e3o presidente da Comiss\u00e3o Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos (CEMDP), afirmou, no dia seguinte, que &#8220;nunca um presidente da Rep\u00fablica, nem mesmo da pr\u00f3pria ditadura, ousou atacar uma fam\u00edlia de maneira t\u00e3o vil&#8221;. Em 1\u00ba de agosto, pouco depois da fala, ela acabou exonerada pelo presidente, deixando a comiss\u00e3o que chefiava desde 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista \u00e0\u00a0<strong>ConJur<\/strong>, Gonzaga afirma que condutas como a de Bolsonaro podem ser explicadas pelo fato de que o Brasil nunca elucidou os crimes cometidos durante a ditadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando falamos sobre Justi\u00e7a de Transi\u00e7\u00e3o [conjunto de medidas pol\u00edticas e judiciais utilizadas como repara\u00e7\u00e3o das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos], n\u00e3o estamos falando apenas de processar os respons\u00e1veis pelos assassinatos, mas de elucidar os crimes e dar uma resposta aos familiares. A Argentina teve agora um governo conservador, mas ningu\u00e9m ousou atentar contra a democracia fazendo apologia a torturadores. Se houvesse Justi\u00e7a de Transi\u00e7\u00e3o efetiva no Brasil, Bolsonaro n\u00e3o teria se tornado presidente. N\u00e3o teria sido eleito nem deputado&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com ela, o Judici\u00e1rio e os governos civis tiveram a chance de abordar o tema com maior sensibilidade, mas acabaram optando, em muitos casos, pela ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas mais protocolares do que verdadeiramente eficazes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A procuradora comentou ainda a atua\u00e7\u00e3o de Marco Vin\u00edcius Pereira na Presid\u00eancia da CEMDP. O advogado filiado ao PSL e assessor da ministra Damares Alves (Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos) j\u00e1 anunciou uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as no regimento da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criada em 1995 por meio da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L9140.htm\" target=\"_blank\">Lei 9.140<\/a>, a CEMDP tem como objetivo primordial localizar e identificar v\u00edtimas da ditadura. A normativa tamb\u00e9m estabelece um valor indenizat\u00f3rio aos familiares de mortos e desaparecidos pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia abaixo os principais trechos da entrevista:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Em janeiro, o Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos anunciou um novo regimento interno para a CEMDP. O que achou da mudan\u00e7a e quais foram as altera\u00e7\u00f5es mais sens\u00edveis?<br \/>\nEug\u00eania Gonzaga \u2014<\/strong>\u00a0Para os atuais integrantes, a comiss\u00e3o nem deveria estar funcionando mais. Basta ver a declara\u00e7\u00e3o do atual presidente de que os trabalhos ser\u00e3o encerrados at\u00e9 o meio deste ano. A mudan\u00e7a mais grave foi a revoga\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.in.gov.br\/web\/dou\/-\/resolucao-n-2-de-29-de-novembro-de-2017-887773\" target=\"_blank\">Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 2<\/a>, que determina a retifica\u00e7\u00e3o dos assentos de \u00f3bito dos mortos e desaparecidos pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o tamb\u00e9m s\u00f3 poder\u00e1 fazer buscas para fam\u00edlias que tenham entrado com a solicita\u00e7\u00e3o em um prazo de at\u00e9 120 dias desde que a Lei 9.140 entrou em vigor, e n\u00f3s estamos falando de uma norma que passou a valer em 1995. \u00c9 uma posi\u00e7\u00e3o absolutamente in\u00e9dita e os familiares jamais foram orientados sobre isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As medidas deixam a comiss\u00e3o em d\u00e9bito com as fam\u00edlias. Al\u00e9m disso, contrariam justamente os motivos pelos quais ela foi criada. Uma coisa \u00e9 voc\u00ea estipular prazo para indeniza\u00e7\u00e3o, outra \u00e9 limitar a mera declara\u00e7\u00e3o de que determinada pessoa foi v\u00edtima da ditadura. Mas no entendimento do novo presidente, a comiss\u00e3o esgotou seu papel e ela n\u00e3o ir\u00e1 mais atuar em nenhuma frente que n\u00e3o tenha sido criada a partir de ordem judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Mas o novo presidente\u00a0pode simplesmente encerrar a comiss\u00e3o?<br \/>\nEug\u00eania Gonzaga \u2014<\/strong>\u00a0O que o Marco Vin\u00edcius pode fazer \u00e9 dizer que as investiga\u00e7\u00f5es j\u00e1 chegaram ao seu limite e que n\u00e3o h\u00e1 mais para onde prosseguir. A comiss\u00e3o s\u00f3 deveria acabar quando houvesse resposta para cada um dos casos, quando as apura\u00e7\u00f5es puderem indicar quais corpos apareceram, quais n\u00e3o apareceram e o que foi feito com eles. Nesses casos, at\u00e9 o n\u00e3o \u00e9 uma resposta. E por que digo que at\u00e9 o n\u00e3o \u00e9 uma resposta? Porque na vala de Perus [vala clandestina encontrada em 1990 no Cemit\u00e9rio Dom Bosco, zona norte de S\u00e3o Paulo]\u00a0foi identificado, por exemplo, o corpo do sindicalista Alu\u00edsio Palhano, assassinado em 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o dele era muito parecida com a do Fernando Santa Cruz. Ele passou pela Casa da Morte, DOI-Codi\u00a0de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, e a\u00ed foi aparecer na vala de Perus. Ent\u00e3o h\u00e1 uma possibilidade, ainda que remota, do corpo do Fernando Santa Cruz estar aqui tamb\u00e9m. E para essas fam\u00edlias que nunca tiveram resposta nenhuma, o n\u00e3o j\u00e1 diz algo, porque permite poder afirmar que o seu familiar n\u00e3o est\u00e1 aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 O novo presidente da CEMDP tamb\u00e9m prop\u00f4s a transfer\u00eancia das ossadas analisadas pelo Grupo de Trabalho Perus para Bras\u00edlia, o que s\u00f3 n\u00e3o n\u00e3o se concretizou porque\u00a0<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-nov-23\/ossadas-perus-nao-podem-analisadas-policia-procuradora\" target=\"_blank\">o Gabinete de Concilia\u00e7\u00e3o do TRF-3 impediu<\/a>\u00a0e disse que o material deveria ficar em S\u00e3o Paulo. Bolsonaro j\u00e1 tentou encerrar as investiga\u00e7\u00f5es por meio de decreto. Por que especificamente a CEMDP e o GTP parecem incomodar tanto?<br \/>\nEug\u00eania Gonzaga \u2014<\/strong>\u00a0As pessoas que, de algum modo, apoiam a ditadura ou que acham que ela n\u00e3o foi t\u00e3o grave, ficam incomodadas quando h\u00e1 alguma identifica\u00e7\u00e3o. A vala de Perus \u00e9 a prova de que o governo ocultou corpos. E os militares sempre negaram tudo isso. A identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma prova incontest\u00e1vel que confronta o discurso dos militares. A vala \u00e9 um produto do governo. Ningu\u00e9m vai parar em um cemit\u00e9rio se n\u00e3o tiver um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico que coloque essas pessoas l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o toda vez que surge uma comprova\u00e7\u00e3o, fica estampado que houve ditadura, que houve assassinatos e que o governo municipal participou, escondendo esses corpos. Isso \u00e9 ruim para os simpatizantes desse per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o do desaparecimento \u00e9 um tema que ningu\u00e9m nunca quis tratar no Brasil, desde a Anistia, em 1979. Quando aprovaram a Lei de Anistia (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L6683.htm\" target=\"_blank\">Lei 6.683\/79<\/a>), ningu\u00e9m falou nada sobre os desaparecidos. E de l\u00e1 para c\u00e1 os familiares n\u00e3o conseguiram ser devidamente ouvidos. Houve apenas a Lei 9.140, que j\u00e1 tem 25 anos. E mesmo com essa norma, o Estado s\u00f3 reconheceu a morte daqueles militantes pol\u00edticos que foram assassinados em aparelhos policiais ligados \u00e0 repress\u00e3o pol\u00edtica. Foram admitidos apenas os casos praticamente incontroversos, mas a exist\u00eancia da vala deixa o discurso oficial em aberto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Em 2010, o Supremo Tribunal Federal teve a chance de rever a Lei de Anistia. A corte, no entanto, decidiu pela sua manuten\u00e7\u00e3o. O STF deixou de ouvir os pedidos dos familiares de mortos e desparecidos pol\u00edticos\u00a0ou n\u00e3o quis se indispor com os militares?<\/strong><br \/>\n<strong>Eug\u00eania Gonzaga \u2014<\/strong>\u00a0As duas coisas. O Nelson Jobim [ex-deputado, ministro e presidente do STF, ex-ministro da Justi\u00e7a e da Defesa], que\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2019\/08\/em-video-jobim-detalha-como-atuou-para-impedir-revisao-da-lei-da-anistia.shtml\" target=\"_blank\">contou ter negociado uma solu\u00e7\u00e3o para os mortos e desaparecidos pol\u00edticos<\/a>, explica muito bem o pacto que foi feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pol\u00edticos queriam voltar \u00e0 legalidade, as cortes queriam voltar \u00e0 normalidade. Todos eles deram sua palavra de honra aos militares. Houve um avan\u00e7o com a Lei 9.140, mas j\u00e1 faz muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se relacionarmos os marcos posteriores, podemos ver que eles s\u00e3o muito afastados no tempo.\u00a0Em 2006, por exemplo, foi lan\u00e7ado\u00a0o relat\u00f3rio da CEMDP; em 2012, foi criado o Grupo de Trabalho Perus; de 2012 a 2014, houve a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV). Mas os relat\u00f3rios produzidos por essas comiss\u00f5es apenas chancelaram o que os pr\u00f3prios familiares j\u00e1 haviam descoberto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o, de mem\u00f3ria, verdade e justi\u00e7a no Brasil sempre foram protocolares. Basta notar que o pa\u00eds\u00a0<a href=\"http:\/\/www.corteidh.or.cr\/docs\/casos\/articulos\/seriec_219_por.pdf\" target=\"_blank\">precisou ser condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos<\/a>\u00a0em 2010 [Caso Gomes Lund e Outros]\u00a0para que a CNV fosse criada. A instaura\u00e7\u00e3o dessa comiss\u00e3o era uma pauta bem mais antiga que isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, causar mal-estar aos militares sempre foi um problema. Nenhum governo lidou adequadamente com a quest\u00e3o porque houve um pacto de impunidade e isso n\u00e3o \u00e9 um mal apenas dos pol\u00edticos mais conservadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Lula sempre foi muito mais ligado aos movimentos sociais. Em 2010, quando o Estado brasileiro foi condenado a fazer buscas na regi\u00e3o do Araguaia [sul do Par\u00e1 e hoje norte do Tocantins], ao inv\u00e9s de ele dar estrutura para a CEMDP proceder e coordenar a busca, ele deu suporte para o Minist\u00e9rio da Defesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca, os familiares ficaram de fora, s\u00f3 participaram depois que o Minist\u00e9rio P\u00fablico questionou a medida. Na solenidade que instituiu a CNV, os generais estavam se sentindo desconfort\u00e1veis. Na ocasi\u00e3o, a Vera Paiva, que era representante dos familiares, foi convidada a falar, mas acabou desconvidada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre descontentar os militares ou os familiares, a Dilma escolheu descontentar os familiares. \u00c9 como se as medidas adotadas fossem sempre aplicadas com certo constrangimento. E todas as pol\u00edticas ocorreram por meio do impulso dos familiares. Muito mais poderia ter sido feito e todos os presidentes \u2014 sobretudo os progressistas \u2014 deveriam pedir perd\u00e3o aos familiares, porque eles n\u00e3o fizeram o bastante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Acredita que essa omiss\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas de mem\u00f3ria ajuda a\u00a0explicar o fen\u00f4meno Bolsonaro, que foi eleito justamente com um discurso saudosista da ditadura?<br \/>\nEug\u00eania Gonzaga \u2014<\/strong>\u00a0Com certeza. Quando falamos sobre Justi\u00e7a de Transi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estamos falando apenas de processar os respons\u00e1veis pelos assassinatos, mas de elucidar os crimes e dar uma resposta aos familiares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, o Brasil sempre adotou uma conduta nacional em favor do esquecimento. A Argentina teve agora um governo conservador, mas ningu\u00e9m ousou atentar contra a democracia fazendo apologia a torturadores. Isso nunca esteve em quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui no Brasil, o Bolsonaro, enquanto deputado, homenageou torturadores, fez apologia ao crime e declara\u00e7\u00f5es pr\u00f3-tortura. Isso configura quebra de decoro. Mas ele nunca foi questionado. As nossas representa\u00e7\u00f5es sempre foram arquivadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando ele se tornou candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, deu declara\u00e7\u00f5es contra os princ\u00edpios democr\u00e1ticos que est\u00e3o na Constitui\u00e7\u00e3o sobre a qual ele iria jurar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 compatibilidade com o exerc\u00edcio do mandato. Mais da metade dos eleitores escolheu o Bolsonaro, mas a gente vive em um Estado Democr\u00e1tico de Direito. Existe uma Constitui\u00e7\u00e3o com princ\u00edpios e regras que s\u00e3o diariamente desrespeitadas por Bolsonaro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tentar derrubar um ordenamento vigente para instituir outro se chama golpe ou revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o democracia, ainda que estejamos falando de um presidente que foi eleito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parafraseando o Caetano Veloso, em terra em que h\u00e1 tortura \u2014 ou a defesa dela \u2014, ningu\u00e9m \u00e9 cidad\u00e3o. Se houvesse Justi\u00e7a de Transi\u00e7\u00e3o efetiva no Brasil, Bolsonaro n\u00e3o teria se tornado presidente. N\u00e3o teria sido eleito nem deputado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Ap\u00f3s o Bolsonaro atacar o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, a senhora se posicionou afirmando que &#8220;nunca um presidente da Rep\u00fablica, nem mesmo da pr\u00f3pria ditadura, ousou atacar uma fam\u00edlia de maneira t\u00e3o vil&#8221;. Dois dias depois, acabou exonerada da CEMDP. Acredita que foi retalia\u00e7\u00e3o?<br \/>\nEug\u00eania Gonzaga \u2014<\/strong>\u00a0N\u00e3o tenho d\u00favida. Foi persegui\u00e7\u00e3o\u00a0pol\u00edtica. O pr\u00f3prio Bolsonaro disse que agora o presidente \u00e9 de direita, como se isso fosse motivo para exonerar algu\u00e9m e como se eu tivesse declarado qualquer tipo de prefer\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu estava simplesmente cumprindo o meu trabalho. A Lei 9.140 determina que a CEMDP acolha as fam\u00edlias, repare e reconhe\u00e7a as responsabilidades do Estado. Negar essa responsabilidade e colocar em d\u00favida quem \u00e9 que matou essa ou aquela pessoa, jogando com a contra-informa\u00e7\u00e3o, como est\u00e1 sendo feito, \u00e9 justamente o contr\u00e1rio. Bolsonaro usou de um golpe baixo contra outra autoridade. Essa conduta abusiva atingiu todas as fam\u00edlias e eu respondi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">FONTE &#8211; <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2020-mar-02\/entrevista-eugenia-gonzaga-procuradora-regional-republica\" target=\"_blank\">CONSULTOR JUR\u00cdDICO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente em\u00a02 de mar\u00e7o de 2020, 7h17 Foi incomodado com os rumos de uma investiga\u00e7\u00e3o que o presidente Jair Bolsonaro deu um dos sinais mais fortes a respeito do tom que adotaria enquanto chefe do Executivo. 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