{"id":13519,"date":"2020-10-10T22:23:28","date_gmt":"2020-10-10T22:23:28","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=13519"},"modified":"2020-10-10T22:23:28","modified_gmt":"2020-10-10T22:23:28","slug":"ocultacao-do-corpo-de-rubens-paiva-e-crime-instantaneo-de-efeitos-permanentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2020\/10\/10\/ocultacao-do-corpo-de-rubens-paiva-e-crime-instantaneo-de-efeitos-permanentes\/","title":{"rendered":"Oculta\u00e7\u00e3o do corpo de Rubens Paiva \u00e9 crime instant\u00e2neo de efeitos permanentes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A 5\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a acolheu embargos de declara\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) para reconhecer que a oculta\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver do deputado federal Rubens Beyrodt Paiva, morto em 1971, \u00e9 crime instant\u00e2neo de efeitos permanentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, os ministros n\u00e3o atenderam o pedido do MPF para manter o processo contra os militares denunciados pelo homic\u00eddio, pois, mesmo que se encontrasse o corpo do deputado, o crime estaria prescrito. Em setembro de 2019, com fundamento na Lei de Anistia, o colegiado\u00a0trancou\u00a0a a\u00e7\u00e3o penal contra os denunciados pela pr\u00e1tica de homic\u00eddio, oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver, fraude processual e quadrilha armada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos embargos de declara\u00e7\u00e3o opostos ap\u00f3s o julgamento, o MPF alegou a ocorr\u00eancia de omiss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tese de que a oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver seria crime permanente e, embora a consuma\u00e7\u00e3o do crime tenha come\u00e7ado em momento coberto pela Lei de Anistia (antes de 1979), sua pr\u00e1tica subsistiria at\u00e9 que o cad\u00e1ver fosse encontrado, &#8220;de modo que o tempo para a contagem da prescri\u00e7\u00e3o \u00e9 calculado apenas a partir do fim da conduta criminosa&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Finalidade da lei<\/strong><br \/>\nO relator, ministro Joel Ilan Paciornik, explicou que o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del2848.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">artigo 211<\/a>\u00a0do C\u00f3digo Penal apresenta tr\u00eas n\u00facleos do mesmo tipo penal: destrui\u00e7\u00e3o, subtra\u00e7\u00e3o e oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver. Segundo ele, quanto \u00e0s figuras da destrui\u00e7\u00e3o e da subtra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 diverg\u00eancia sobre serem crimes instant\u00e2neos, mas h\u00e1 controv\u00e9rsia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 oculta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o ministro, o entendimento do MPF de que seria crime permanente contraria a finalidade da lei, pois, como entende a doutrina especializada, na oculta\u00e7\u00e3o \u2014 diferentemente da destrui\u00e7\u00e3o ou subtra\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver \u2014, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 esconder o corpo temporariamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Afirmar que a a\u00e7\u00e3o ocultar cad\u00e1ver \u00e9 permanente somente seria poss\u00edvel quando se depreendesse que o agente respons\u00e1vel espera, em um momento ou outro, que o objeto jur\u00eddico venha a ser encontrado&#8221;, afirmou o relator, ao lembrar que os exemplos adotados pela doutrina para a oculta\u00e7\u00e3o s\u00e3o de abandono do corpo em terreno baldio, em c\u00f3rrego, rio ou fossa, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso em an\u00e1lise, Joel Paciornik verificou que a den\u00fancia afirma que a conduta de ocultar cad\u00e1ver teria sido praticada logo ap\u00f3s o suposto homic\u00eddio, entre 21 e 22 de janeiro de 1971. &#8220;Dentro da l\u00f3gica do crime permanente, estaria sendo praticada at\u00e9 o presente momento, haja vista o corpo n\u00e3o ter sido encontrado&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Efeitos permanentes<\/strong><br \/>\nDiante do exposto nos autos, o ministro destacou que n\u00e3o se pode deduzir que a oculta\u00e7\u00e3o do corpo do deputado, praticada h\u00e1 49 anos, seja dotada de algum vi\u00e9s tempor\u00e1rio. Contudo, esclareceu que, se fosse admitida a den\u00fancia contra os militares em rela\u00e7\u00e3o apenas ao crime de oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver, a descoberta de que o corpo foi totalmente destru\u00eddo remeteria novamente \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o do crime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Assim, no caso em an\u00e1lise, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre momento consumativo da a\u00e7\u00e3o de ocultar e da a\u00e7\u00e3o de destruir, haja vista a n\u00edtida inten\u00e7\u00e3o de que o suposto cad\u00e1ver jamais seja encontrado. Por oportuno, de rigor afirmar que a conduta imputada na den\u00fancia n\u00e3o \u00e9 permanente, mas instant\u00e2nea de efeitos permanentes&#8221;, concluiu.\u00a0<em>Com informa\u00e7\u00f5es da assessoria de imprensa do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Clique\u00a0<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/dl\/ocultacao-corpo-rubens-paiva-crime.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>\u00a0para ler o ac\u00f3rd\u00e3o<br \/>\nRHC 57.799<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte &#8211; <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2020-out-09\/ocultacao-corpo-rubens-paiva-crime-efeitos-permanentes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Consultor Jur\u00eddico<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 5\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a acolheu embargos de declara\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) para reconhecer que a oculta\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver do deputado federal Rubens Beyrodt Paiva, morto em 1971, \u00e9 crime instant\u00e2neo de efeitos permanentes. 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