{"id":13556,"date":"2020-11-27T00:53:28","date_gmt":"2020-11-27T00:53:28","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=13556"},"modified":"2020-11-27T00:53:28","modified_gmt":"2020-11-27T00:53:28","slug":"stj-julga-se-portaria-que-anulou-anistias-feriu-devido-processo-legal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2020\/11\/27\/stj-julga-se-portaria-que-anulou-anistias-feriu-devido-processo-legal\/","title":{"rendered":"STJ julga se portaria que anulou anistias feriu devido processo legal"},"content":{"rendered":"<pre>Publicado originalmente em 25 de novembro de 2020, 21h23<\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a come\u00e7ou a enfrentar, nesta quarta-feira (25\/11), mandados de seguran\u00e7a impetrados contra o\u00a0ato administrativo\u00a0da ministra Damares Alves (Mulher, Fam\u00edlia e Direitos Humanos), que em junho anulou a declara\u00e7\u00e3o de anistia pol\u00edtica de quase 300 pessoas. Os afetados s\u00e3o cabos da Aeron\u00e1utica perseguidos politicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram colocados em julgamento 11 a\u00e7\u00f5es mandamentais, de relatoria do ministro Napole\u00e3o Nunes Maia e interrompidas por pedido de vista do ministro Og Fernandes. Em outros cinco mandados de seguran\u00e7a, de relatoria do ministro S\u00e9rgio Kukina, a se\u00e7\u00e3o negou agravo regimental contra a decis\u00e3o que indeferiu a retomada do pagamento de precat\u00f3rios aos anistiados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora as causas de pedir sejam variadas, o cerne da discuss\u00e3o \u00e9 saber se o procedimento de revis\u00e3o e anula\u00e7\u00e3o das anistias concedidas foi conduzido em flagrante viola\u00e7\u00e3o ao direito de defesa e, consequentemente, ao devido processo legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discuss\u00e3o \u00e9\u00a0baseada\u00a0na decis\u00e3o de outubro de 2019, quando o Supremo Tribunal Federal definiu que existe a possibilidade de um ato ser anulado pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica mesmo\u00a0depois de decorrido o prazo decadencial\u00a0de cinco anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O julgamento tratou das anistias concedidas com fundamento na Portaria 1.104\/1964, em que o governo militar afastou dos quadros da aeron\u00e1utica cerca de 2,5 mil pessoas. Em 2002, a Comiss\u00e3o de Anistia apontou que a norma foi editada por motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Assim os perseguidos pela ditadura passaram a receber ressarcimento em 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos, o valor pago aos militares anistiados chega a R$ 3,9 bilh\u00f5es. Caso o STF n\u00e3o tivesse autorizado a anula\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio da Defesa, respons\u00e1vel pelo pagamento dos benef\u00edcios, poderia ter que desembolsar, de uma s\u00f3 vez, R$ 13 bilh\u00f5es para o pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es retroativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde ent\u00e3o, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a fez os ajustes cab\u00edveis a partir da decis\u00e3o do Supremo. Em fevereiro, o ent\u00e3o presidente, ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha,\u00a0suspendeu por liminar\u00a0o pagamento de 235 precat\u00f3rios a militares anistiados. Em junho,\u00a0negou a seguran\u00e7a\u00a0a um cabo que visava obter o cancelamento da anula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_13557\" style=\"width: 295px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ABAP.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13557\" class=\"size-full wp-image-13557\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ABAP.png\" alt=\"\" width=\"285\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13557\" class=\"wp-caption-text\">Anistia aos cabos perseguidos pela ditadura come\u00e7ou a gerar pagamentos via precat\u00f3rios a partir de 2002<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao determinar a revis\u00e3o, o STF apontou que deveria ser respeitado o devido processo legal, e que n\u00e3o poder\u00e1 a Uni\u00e3o pediria a devolu\u00e7\u00e3o das verbas j\u00e1 recebidas pelos benefici\u00e1rios. Segundo os afetados pela anula\u00e7\u00e3o, as irregularidades variam entre o cerceamento de defesa at\u00e9 o fato de a revis\u00e3o ter ocorrido antes do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o do Supremo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas portarias, a ministra justifica a anula\u00e7\u00e3o pela suposta &#8220;aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de persegui\u00e7\u00e3o exclusivamente pol\u00edtica no ato concessivo&#8221;. No \u00fanico voto at\u00e9 agora proferido, o ministro Napole\u00e3o apontou que essa justificativa n\u00e3o \u00e9 suficiente para a supress\u00e3o do benef\u00edcio. Por isso, votou pela concess\u00e3o da seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00d4nus da prova<\/strong><br \/>\nPara o relator, as condicionantes impostas pelo Supremo para a revis\u00e3o da anistia ap\u00f3s os cinco anos de prazo decadencial n\u00e3o foram cumpridas pelas portarias do\u00a0Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Supremo admitiu a revis\u00e3o se o governo comprovasse a aus\u00eancia de motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no afastamento dos cabos da Aeron\u00e1utica. O governo, por sua vez, cancelou porque entendeu que os cabos n\u00e3o comprovaram a exist\u00eancia de motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no mesmo ato.<\/p>\n<div id=\"attachment_13558\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ABAP-2.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13558\" class=\"size-full wp-image-13558\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ABAP-2.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13558\" class=\"wp-caption-text\">Para ministro Napole\u00e3o, anula\u00e7\u00e3o das anistias desrespeitou decis\u00e3o do Supremo<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o ministro Napole\u00e3o, n\u00e3o houve explica\u00e7\u00e3o suficiente a possibilitar a ampla defesa e o contradit\u00f3rio por parte dos afetados. Assim,\u00a0n\u00e3o se deve admitir como leg\u00edtima a pr\u00e1tica imotivada de um ato que, ao ser contestado em via judicial ou administrativa, conduz o gestor a construir algum motivo que d\u00ea ensejo \u00e0 validade do ato administrativo. A motiva\u00e7\u00e3o a posteriori solapa a garantia de defesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Talvez queiramos passar uma borracha nessa fase recente do Brasil. Dizer que n\u00e3o houve persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de ningu\u00e9m. Se o Supremo diz que \u00e9 poss\u00edvel fazer a revis\u00e3o quando se comprovar a aus\u00eancia de motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, quem tem que comprovar aus\u00eancia \u00e9 quem exonerou o sujeito&#8221;, disse Napole\u00e3o. &#8220;Se o sujeito foi posto pra fora sem se saber por que, isso \u00e9 a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destacou ainda a inviabilidade de, 20 anos ap\u00f3s a concess\u00e3o da anistia, pedir prova da motiva\u00e7\u00e3o de ato ocorrido h\u00e1 mais de 50 anos. &#8220;O problema est\u00e1 sendo criado pela m\u00e1 vontade contra os anistiados. Esse problema n\u00e3o existe. \u00c9 s\u00f3 a administra\u00e7\u00e3o mostrar por que o sujeito foi desligado&#8221;, concluiu.<\/p>\n<div id=\"attachment_13559\" style=\"width: 295px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ABAP-3.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13559\" class=\"size-full wp-image-13559\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ABAP-3.jpeg\" alt=\"\" width=\"285\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13559\" class=\"wp-caption-text\">Plen\u00e1rio do STF admitiu a revis\u00e3o das anistias mesmo ap\u00f3s decad\u00eancia do direito<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cabimento de MS<\/strong><br \/>\nA mat\u00e9ria rendeu discuss\u00e3o sobre o alcance da discuss\u00e3o em mandado de seguran\u00e7a. A ministra Regine Helena Costa por entender que s\u00f3 cabe quando verificada ofensa ao devido processo legal. &#8220;Questionar a anula\u00e7\u00e3o em si, inclusive para discutir prova, n\u00e3o vejo como se possa apreciar em sede mandamental&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ministro Mauro Campbell contextualizou a discuss\u00e3o para explicar que a hip\u00f3tese \u00e9 de reavaliar se, entre os cabos afetados pela portaria de 1964, n\u00e3o est\u00e3o pessoas n\u00e3o-perseguidas, conforme levantado por \u00f3rg\u00e3os como a AGU e o TCU. &#8220;Ficaram os perseguidos pol\u00edticos que deveriam ser honrados com anistia e quem jamais sofreu nenhuma persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, muitos aprovados em concursos p\u00fablicos e que foram colocados na mesma situa\u00e7\u00e3o&#8221;, disse. &#8220;Isso tudo pode e deve ser enfrentado em a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria&#8221;, complementou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ministro Gurgel de Faria, por outro lado, deu raz\u00e3o ao entendimento do relator. &#8220;N\u00e3o se pode olvidar que a pessoa recebeu durante 20 anos essa anistia e agora simplesmente se diz que n\u00e3o tem prova. Se for assim, esse processo administrativo \u00e9 de faz de conta. A \u00fanica forma de demonstrar que foi perseguida \u00e9 atrav\u00e9s de instru\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria&#8221;, apontou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como houve pedido de vista do ministro Og Fernandes, o primeiro a votar depois do relator, nenhum deles oficialmente fixou posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2020-nov-25\/stj-julga-portaria-anulou-anistias-feriu-direito-defesa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Revista\u00a0Consultor Jur\u00eddico<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente em 25 de novembro de 2020, 21h23 &nbsp; A 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a come\u00e7ou a enfrentar, nesta quarta-feira (25\/11), mandados de seguran\u00e7a impetrados contra o\u00a0ato administrativo\u00a0da ministra Damares Alves (Mulher, Fam\u00edlia e Direitos Humanos), que em junho anulou a declara\u00e7\u00e3o de anistia pol\u00edtica de quase 300 pessoas. 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