{"id":13695,"date":"2021-08-04T18:51:03","date_gmt":"2021-08-04T18:51:03","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=13695"},"modified":"2021-08-04T18:51:03","modified_gmt":"2021-08-04T18:51:03","slug":"acervo-lesbico-brasileiro-reune-documentos-sobre-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2021\/08\/04\/acervo-lesbico-brasileiro-reune-documentos-sobre-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Acervo L\u00e9sbico Brasileiro re\u00fane documentos sobre a ditadura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;S\u00e1bado, dia 15 de novembro, por volta das 23 horas, entrou novamente em a\u00e7\u00e3o o aparato repressivo comandado pelo delegado Richetti. Dessa vez o alvo das incurs\u00f5es noturnas de nossa pol\u00edcia foram os bares Cacha\u00e7\u00e3o, Ferro&#8217;s Bar e Bexiguinha. As mulheres que l\u00e1 se encontravam, munidas de todos os documentos, inclusive de carteira profissional, foram levadas indiscriminadamente com o seguinte argumento: &#8216;voc\u00ea \u00e9 sapat\u00e3o&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trecho acima \u00e9 parte de um manifesto produzido em 1980 pelos grupos Terra Maria, LF e Eros. Ele integra o Acervo L\u00e9sbico Brasileiro (ALB), iniciativa de pesquisadoras de do pa\u00eds que querem reunir documentos hist\u00f3ricos sobre lesbianidade no Brasil e disponibiliz\u00e1-los ao p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre eles, estar\u00e3o trechos de documentos, como este, que mostram a repress\u00e3o da ditadura militar direcionada a mulheres homossexuais e tamb\u00e9m a luta do movimento l\u00e9sbico para incluir a criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A maior parte das mulheres do grupo pesquisou quest\u00f5es relacionadas \u00e0 lesbianidade, e a gente come\u00e7ou a se encontrar a partir de demandas das nossas pesquisas, percebendo o quanto a circula\u00e7\u00e3o desses materiais entre a gente facilitava o nosso trabalho&#8221;, diz Julia Kumpera, mestre em hist\u00f3ria pela Unicamp e diretora financeira do arquivo. Ela estuda as pol\u00edticas sexuais da ditadura militar no Brasil e a hist\u00f3ria de ativismos l\u00e9sbicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte do acervo foi doado pela ativista l\u00e9sbica Marisa Fernandes. Nela, est\u00e3o notas como a que abre esta reportagem, que trata de uma a\u00e7\u00e3o do delegado Jos\u00e9 Wilson Richetti contra redutos das l\u00e9sbicas no final da ditadura, chamada, segundo a Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo, de &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Sapat\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Temos notas que elas faziam chamando para atos, especificamente contra a viol\u00eancia policial. O Richetti promovia opera\u00e7\u00f5es contra tudo que eles consideravam &#8216;vadiagem'&#8221;, diz Paula Silveira Barbosa, diretora-geral do ALB, que \u00e9 mestre em jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O delegado Richetti \u00e9 citado pela Comiss\u00e3o da Verdade paulista como perseguidor da comunidade LGBTQIA+ da capital. &#8220;Essas &#8216;rondas&#8217; comandadas por Jos\u00e9 Wilson Richetti, chefe da Seccional de Pol\u00edcia da Zona Centro desde maio de 1980, tinham por objetivo &#8216;limpar&#8217; a \u00e1rea central da presen\u00e7a de prostitutas, travestis e homossexuais&#8221;, diz o texto da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi uma dessas opera\u00e7\u00f5es que, em 1983, resultou no que hoje \u00e9 lembrado como o &#8220;pequeno Stonewall brasileiro&#8221;, em refer\u00eancia \u00e0 revolta LGBT+ ap\u00f3s a invas\u00e3o policial de um bar nova-iorquino em 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vers\u00e3o brasileira, ativistas do Galf (Grupo de A\u00e7\u00e3o L\u00e9sbica-Feminista) foram proibidas de vender no Ferro&#8217;s Bar, que entre os anos 1960 e 1990 foi um reduto l\u00e9sbico no centro de S\u00e3o Paulo, o jornal que produziam, o Chana com Chana &#8211;nome que dispensa explica\u00e7\u00f5es. Em resposta, ativistas ocuparam o bar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No jornal Folha de S.Paulo, o protesto saiu assim, em uma reportagem que ocupava duas colunas de texto em 21 de agosto de 1983: &#8220;A noite em que as l\u00e9sbicas invadiram seu pr\u00f3prio bar&#8221;. O texto \u00e9 parte dos documentos que far\u00e3o parte do acervo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 outras reportagens, como a da Folha da Tarde, sem data, em cujo t\u00edtulo l\u00ea-se: &#8220;Censura amea\u00e7a Hebe Camargo&#8221;. Por qu\u00ea? \u00c9 que a apresentadora havia chamado para seu programa, exibido \u00e0 \u00e9poca na TV Bandeirantes, Rosely Roth, integrante do Galf e pioneira do movimento l\u00e9sbico brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para viabilizar a manuten\u00e7\u00e3o dos materiais, o ALB lan\u00e7ou uma campanha de financiamento coletivo com a meta de arrecadar cerca de R$ 10 mil at\u00e9 esta segunda-feira (2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos planos \u00e9 digitalizar exemplares do Chana com Chana, o jornal independente produzido pelo Galf e que circulou entre 1981 e 1987. Uma das fun\u00e7\u00f5es do panfleto era a de organizar o movimento l\u00e9sbico e LGBT+ de forma mais ampla para pressionar os parlamentares que elaborariam a nova Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma edi\u00e7\u00e3o, as autoras entrevistam candidatas para a Assembleia Constituinte. &#8220;A formula\u00e7\u00e3o de uma nova Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 um marco hist\u00f3rico important\u00edssimo que pode (ou n\u00e3o) garantir e ampliar os espa\u00e7os democr\u00e1ticos atrav\u00e9s das leis que ir\u00e3o reger o pa\u00eds&#8221;, diz o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outro, cobram de parlamentares a inclus\u00e3o da criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia j\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o. Os grupos tentavam conseguir apoios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 hoje, o Brasil n\u00e3o possui uma lei que formalize que o preconceito contra LGBT+ \u00e9 um delito, apesar da decis\u00e3o de 2019 do STF (Supremo Tribunal Federal) que determinou que, na pr\u00e1tica, ele possa ser punido pela Lei do Racismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte &#8211; <a href=\"https:\/\/esportes.yahoo.com\/noticias\/acervo-l%C3%A9sbico-brasileiro-re%C3%BAne-documentos-050500607.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAAM1NDDJr230V3B9Gcr87ty4_juuKAbaZVROu2-j9s9Qi1xqfNjI6l7jtGDz-WVqMcJgvCw9ywYihph56OOlmC3qbdAazduEiFp7twdA_ijAi26msM7F5XWICkIHS5Okkb8t-b4HW4yYeYFdFN4ZFH6TCkAuczpGaf6PMfqq4yBcP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Yahoo!\/Folhapress<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;S\u00e1bado, dia 15 de novembro, por volta das 23 horas, entrou novamente em a\u00e7\u00e3o o aparato repressivo comandado pelo delegado Richetti. 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