{"id":13746,"date":"2021-11-09T20:37:59","date_gmt":"2021-11-09T20:37:59","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=13746"},"modified":"2021-11-09T20:37:59","modified_gmt":"2021-11-09T20:37:59","slug":"como-o-filho-de-marighella-descobriu-a-morte-do-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2021\/11\/09\/como-o-filho-de-marighella-descobriu-a-morte-do-pai\/","title":{"rendered":"Como o filho de Marighella descobriu a morte do pai"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: justify;\">Carlos Marighella em diferentes retratos &#8211; Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo e Arquivo P\u00fablico do Estado do Rio de Janeiro (Aperj) via Wikimedia Commons<\/h6>\n<pre>ISABELA BARREIROS\u00a0PUBLICADO EM 08\/11\/2021, \u00c0S 14H34<\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Marighella foi fuzilado \u00e0 queima-roupa em uma emboscada no dia 4 de novembro de 1969<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Marigh<\/strong><strong>el<\/strong><strong>la<\/strong>\u00a0estava chegando ao ponto tradicional de encontro, na Alameda Casa Branca, nos Jardins, em S\u00e3o Paulo, em 4 de novembro de 1969. O guerrilheiro entraria no Volkswagen estacionado em frente ao n\u00famero 806, em que estavam os dois freis, Ivo e Fernando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo seguia como sempre; tirando o fato de que, daquela vez, os religiosos estavam acompanhados do delegado do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops),\u00a0<strong>S\u00e9rgio Paranhos Fleury<\/strong>\u00a0e de 28 policiais que encurralaram o militante de 57 anos em uma emboscada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os freis haviam sido torturados pela ditadura militar para revelarem informa\u00e7\u00f5es sobre o comunista baiano. Presos por\u00a0<strong>Freury<\/strong>, sofreram com espancamentos, pau de arara, eletrochoques e todo o tipo de tortura do per\u00edodo, sendo obrigados a acertarem aquele encontro com o guerrilheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marighella<\/strong>\u00a0entrou no carro e se acomodou, ao mesmo tempo em que os oficiais abandonaram seus esconderijos, tiraram os freis do ve\u00edculo e come\u00e7aram a ca\u00e7ada pelo inimigo N\u00ba 1 da ditadura militar, que n\u00e3o deixaria a Alameda Casa Branca vivo naquele dia de 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estrategista da luta armada foi\u00a0fuzilado \u00e0 queima roupa\u00a0pelos policiais. De acordo com um dossi\u00ea feito pela Comiss\u00e3o Especial de Mortos e Desaparecidos, do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, em 1996,\u00a0ele foi morto\u00a0com um tiro na regi\u00e3o do peito, mas recebeu disparos tamb\u00e9m nas n\u00e1degas, no p\u00fabis e no queixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A not\u00edcia da morte do guerrilheiro se espalhou pelo pa\u00eds. Imagens do corpo de\u00a0<strong>Marighella<\/strong>, jogado dentro do Volkswagen, que foi local da tocaia, come\u00e7aram a circular na imprensa e o filho do baiano foi chamado para reconhecer o pai pelo cad\u00e1ver, crivado de balas e em terr\u00edvel estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi somente assim que ele ficou sabendo da morte do pai.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">O inimigo N\u00ba 1 da ditadura foi morto<\/h4>\n<div id=\"attachment_13748\" style=\"width: 1290px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ABAP-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13748\" class=\"size-full wp-image-13748\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ABAP-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ABAP-2.jpg 1280w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ABAP-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ABAP-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ABAP-2-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13748\" class=\"wp-caption-text\">Retrato de Marighella \/ Cr\u00e9dito: Arquivo P\u00fablico do Estado do Rio de Janeiro, via Wikimedia Commons<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlinhos Marighella<\/strong>\u00a0morava em Salvador, na Bahia, com parentes, quando recebeu a not\u00edcia da morte do pai. Ele vivia longe porque esta foi a maneira que o guerrilheiro encontrou de mant\u00ea-lo em seguran\u00e7a, visto que a ditadura o perseguia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filho do guerrilheiro contou em\u00a0entrevista \u00e0 Ag\u00eancia UniCEUB\u00a0em 2019 que ele n\u00e3o acreditava que o pai havia morrido porque o comunista era dado como morto in\u00fameras vezes e sempre reaparecia. Pensou, assim, que quando foi chamado para reconhecer o corpo do pai por um jornalista, que se tratava de uma not\u00edcia falsa.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>Aqui na Bahia, eu convivi muito tempo com as not\u00edcias de que ele estava sendo procurado, que ele havia sido encontrado, morto, mas ele logo reaparecia\u201d, disse\u00a0<strong>Carlinhos<\/strong>\u00a0na \u00e9poca.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAquilo acabou criando em nossa fam\u00edlia uma esp\u00e9cie de cren\u00e7a de que ele nunca morreria, que nunca chegaria a esse desfecho. Ent\u00e3o, quando a not\u00edcia chegou de que ele havia sido morto, foi de uma maneira bem peculiar\u201d, continuou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele explicou o contexto: \u201cEu estava em casa, em 1969, e um jornalista [da Tribuna da Bahia] foi at\u00e9 a minha casa me dizer que gostaria que eu fosse at\u00e9 a reda\u00e7\u00e3o do jornal para confirmar a not\u00edcia que estava circulando nas reda\u00e7\u00f5es dos jornais de que meu pai havia morrido\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>Eu fui para l\u00e1 achando que era mais uma not\u00edcia falsa, mas, quando eu cheguei no jornal, vi que as not\u00edcias apresentavam fotos e s\u00f3 ent\u00e3o eu percebi, horrorizado, que as fotos eram realmente do meu pai e que ele estava realmente morto\u201d, revelou.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia do guerrilheiro e a milit\u00e2ncia brasileira sofreram muito com a morte de\u00a0<strong>Marighella<\/strong>. O Estado brasileiro apenas\u00a0reconheceu que\u00a0<strong>Marighella<\/strong>\u00a0foi alvo de persegui\u00e7\u00e3o\u00a0durante a ditadura em 9 de novembro de 2012, com a publica\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o do ministro\u00a0<strong>Jos\u00e9 Eduardo Cardozo<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nela, o ministro reconheceu que\u00a0<strong>Carlos Marighella<\/strong>\u00a0sofreu persegui\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro no auge da repress\u00e3o pol\u00edtica da ditadura militar, em uma anistia \u201cpost mortem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/reportagem\/como-o-filho-de-marighella-descobriu-morte-do-pai.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aventurasnahistoria.uol<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Marighella em diferentes retratos &#8211; Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo e Arquivo P\u00fablico do Estado do Rio de Janeiro (Aperj) via Wikimedia Commons ISABELA BARREIROS\u00a0PUBLICADO EM 08\/11\/2021, \u00c0S 14H34 Marighella foi fuzilado \u00e0 queima-roupa em uma emboscada no dia 4 de novembro de 1969 Carlos Marighella\u00a0estava chegando ao ponto tradicional de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13747,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13746"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13746"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13746\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13749,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13746\/revisions\/13749"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}