{"id":2117,"date":"2012-08-21T12:35:09","date_gmt":"2012-08-21T12:35:09","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/08\/21\/livro-de-volta-aos-trilhos-da-historia-2\/"},"modified":"2012-08-21T12:35:09","modified_gmt":"2012-08-21T12:35:09","slug":"livro-de-volta-aos-trilhos-da-historia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/08\/21\/livro-de-volta-aos-trilhos-da-historia-2\/","title":{"rendered":"Livro: De volta aos trilhos da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornalista Nilton Almeida lan\u00e7a, na ACI, livro sobre a trajet\u00f3ria de luta dos ferrovi\u00e1rios cearenses<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>O trem da hist\u00f3ria pode at\u00e9 atrasar, mas n\u00e3o esquece dos seus passageiros. Numa narrativa sens\u00edvel, mesclando a precis\u00e3o dos fatos hist\u00f3ricos com os relatos subjetivos da vida de cidad\u00e3os comuns, trabalhadores da Rede de Via\u00e7\u00e3o Cearense (RVC), Nilton Almeida, resgata no livro &#8220;Rebeldes pelos caminhos de ferro: Os ferrovi\u00e1rios na cartografia de Fortaleza&#8221; a mem\u00f3ria de um dos movimentos mais representativos, tanto em termos de organiza\u00e7\u00e3o, quanto de conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para a hist\u00f3ria da organiza\u00e7\u00e3o sindical do Cear\u00e1.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;O movimento est\u00e1 na g\u00eanese da forma\u00e7\u00e3o do processo da luta dos trabalhadores no Cear\u00e1&#8221;, reitera o autor, jornalista e doutorando em Hist\u00f3ria Moderna na Universidade de Nova Lisboa. Dessa maneira, \u00e0 medida que crescia a presen\u00e7a dos ferrovi\u00e1rios no Estado eram criados novos munic\u00edpios, bairros e aglomerados urbanos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Da Aldeota, passando pelo Centro, essas vilas oper\u00e1rias, a exemplo da Avenida Francisco S\u00e1, se esparrama sobre a malha urbana de uma Fortaleza provinciana e que ainda n\u00e3o tinha o carro como principal objeto de consumo. O bairro Couto Fernandes \u00e9 exemplo de um n\u00facleo de trabalhadores ferrovi\u00e1rios na periferia de Fortaleza. A base da categoria tinha cerca de 5 mil trabalhadores, que conseguiam mobilizar as massas em defesa da democracia, ap\u00f3s o golpe militar de 1964.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Passado<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que a luta do Sindicato dos Ferrovi\u00e1rios come\u00e7a bem antes, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, com mobiliza\u00e7\u00f5es e greves na Capital e no Interior. Em Fortaleza, as pra\u00e7as do Ferreira e Jos\u00e9 de Alencar foram palcos para a mobiliza\u00e7\u00e3o dos ferrovi\u00e1rios, que mantinham identidade com o Partido Comunista Brasileiro (PCB).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O lan\u00e7amento acontece \u00e0s 19h30, na Casa do Jornalista, Associa\u00e7\u00e3o Cearense de Imprensa (ACI), e \u00e9 fruto da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Hist\u00f3ria Social pela Universidade do Cear\u00e1 (UFC), defendida em julho de 2009 pelo autor, contando com orienta\u00e7\u00e3o da professora Adelaide Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mais do que resgate hist\u00f3rico, \u00e9 um reflexo da vida do autor, fazendo valer a tese de que toda pesquisa reflete a hist\u00f3ria de vida do pesquisador. &#8220;Diz muito sobre minha trajet\u00f3ria&#8221;, admite Nilton Almeida, que viveu toda a efervesc\u00eancia da luta pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. &#8220;Me vejo no livro de v\u00e1rias maneiras&#8221;, conta, destacando o compromisso do historiador com o seu tempo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dividido em tr\u00eas cap\u00edtulos, o livro traz importantes documentos sobre o per\u00edodo, al\u00e9m de mapas e tabelas, detalhes que incluem at\u00e9 o perfil dos ferrovi\u00e1rios cearenses. Assim, prima pela riqueza de detalhes, baseados em fontes e documentos oficiais e depoimentos de familiares e sindicalistas. Embora o foco do livro esteja nos relatos dos personagens, alguns dram\u00e1ticos, revela tamb\u00e9m um pouco de como foi a vida de Fortaleza quando os trilhos davam o tom \u00e0 sua mobilidade, fazendo parte do imagin\u00e1rio de muita gente.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A for\u00e7a dos trabalhadores da Rede de Via\u00e7\u00e3o Cearense\/ Rede Ferrovi\u00e1ria Federal S\/A (RVC\/RFFSA) fez realmente hist\u00f3ria como mostra a pesquisa de Nilton Almeida. Por isso, evidenciar a presen\u00e7a e o papel que essas pessoas representaram para a mem\u00f3ria de Fortaleza faz parte do compromisso da hist\u00f3ria e, consequentemente, da tarefa do historiador. Segundo o autor, a pesquisa tem como fonte principal os relatos de ferrovi\u00e1rios, vi\u00favas ou filhos que compareceram \u00e0 sede da Comiss\u00e3o Especial de Anistia Wanda Sidou, institu\u00edda pela Lei N\u00ba 13.202, de 10 de janeiro de 2002.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi por acaso o contato com o seu objeto de pesquisa, que acontece quando estava cursando as disciplinas como aluno especial, no mestrado de Hist\u00f3ria Social, na UFC. Confessa que, inicialmente, o seu objeto de pesquisa seria outro. &#8220;Sempre demonstrei interesse em pesquisar sobre os crist\u00e3os novos ou judeus no Cear\u00e1&#8221;, diz, mas como tudo tem seu tempo, hoje, retoma o assunto no doutorado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Enquanto amadurecia a ideia em rela\u00e7\u00e3o aos judeus no Cear\u00e1, resolveu investigar o movimento dos ferrovi\u00e1rios. Conta que entre os anos de 2003 a 2006, como representante da Secretaria do Governo do Estado do Cear\u00e1, integrou a Comiss\u00e3o de Anistia do Estado, tendo oportunidade de relatar v\u00e1rios processos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entretanto, um deles despertou a sua aten\u00e7\u00e3o. Trata-se do processo que ficou conhecido como &#8220;grupo dos ferrovi\u00e1rios&#8221; ou &#8220;grupo de Crate\u00fas&#8221;, constitu\u00eddo de 16 presos pol\u00edticos, cabendo ao pesquisador relatar o processo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O objeto come\u00e7a a ser desenhado aos olhos do pesquisador\/relator, uma vez que era, no m\u00ednimo, complicado analisar a dor e o sofrimento dessas pessoas tendo como base uma lei, que estipulava indenizar as v\u00edtimas tendo como par\u00e2metro o valor monet\u00e1rio, que variava entre R$ 5 mil a R$ 30 mil. \u00c0 primeira vista, parecia uma quest\u00e3o bastante objetiva e pr\u00e1tica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O jornalista come\u00e7ou a perceber os elementos subjetivos, que deviam passar despercebidos aos olhos do relator. No entanto, o historiador entra em cena. Certamente, essas pessoas tinham muito mais a contar sobre os seus sofrimentos, ang\u00fastias, estigmatiza-\u00e7\u00f5es sofridas, al\u00e9m das perdas materiais. &#8220;Passei a olhar para os relatos e documentos com os olhos de historiador&#8221;, conta, destacando que &#8220;a proposi\u00e7\u00e3o inicial para este estudo centrou-se na oportunidade de interpretar a hist\u00f3ria da repress\u00e3o aos ferrovi\u00e1rios cearenses com nos processos da Comiss\u00e3o Especial de Anistia&#8221;. O relator iniciante de historiador leu em torno de 800 p\u00e1ginas dos 24 processos que reuniam rica documenta\u00e7\u00e3o. Durante a pesquisa constatou que, at\u00e9 hoje, algumas feridas n\u00e3o foram saradas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Alguns personagens relatam suas hist\u00f3rias, como o mec\u00e2nico Jos\u00e9 Elias Gonzaga, o &#8220;Catita&#8221;, bem como vi\u00favas e filhos, outros n\u00e3o querem tocar no assunto. Como \u00e9 este o caso de familiares do ferrovi\u00e1rio Jos\u00e9 Nobre Parente, jovem que migrou de Quixeramobim para Fortaleza, entrando na RVC em 1946, ao completar 18 anos, aparece morto nas celas do 2\u00ba Distrito Policial, em 1966, ap\u00f3s ter sido preso no local de trabalho. O assunto tem repercuss\u00e3o na imprensa nacional. Ent\u00e3o, s\u00e3o essas nuances que marcam a subjetividade dos acontecimentos hist\u00f3ricos os quais a lei pura e simples n\u00e3o consegue abarcar. Nilton Almeida destaca o trabalho realizado por M\u00e1rio Albuquerque \u00e0 frente da Associa\u00e7\u00e3o 64\/68 que muito contribuiu para a pesquisa.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>LIVRO<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Rebeldes pelos caminhos de ferro: os ferrovi\u00e1rios na cartografia de Fortaleza<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nilton Almeida<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Secult<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">2012, 250 p\u00e1ginas<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">R$ 30<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7amento do livro &#8220;Rebeldes pelos caminhos de ferro&#8221;, de Nilton Almeida. \u00c0s 19h30, na Casa do Jornalista, Associa\u00e7\u00e3o Cearense de Imprensa (Rua Floriano Peixoto, 735, Centro). Contato: (85) 3226.6260<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalista Nilton Almeida lan\u00e7a, na ACI, livro sobre a trajet\u00f3ria de luta dos ferrovi\u00e1rios cearenses O trem da hist\u00f3ria pode at\u00e9 atrasar, mas n\u00e3o esquece dos seus passageiros. 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