{"id":2124,"date":"2012-08-21T12:56:18","date_gmt":"2012-08-21T12:56:18","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/08\/21\/rio-teve-13-centros-de-tortura-4\/"},"modified":"2012-08-21T12:56:18","modified_gmt":"2012-08-21T12:56:18","slug":"rio-teve-13-centros-de-tortura-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/08\/21\/rio-teve-13-centros-de-tortura-4\/","title":{"rendered":"Rio teve 13 centros de tortura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Pesquisa da UFMG mapeou 82 c\u00e1rceres mantidos pela ditadura no Brasil<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Relatos dos Por\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Dos 82 centros de tortura que funcionaram no regime militar no Brasil entre 1964 e 1985, 13 localizavam-se no Rio de Janeiro. O n\u00famero, que faz parte do mapa produzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre os endere\u00e7os da repress\u00e3o durante a ditadura militar, surpreendeu a coordenadora do projeto, a professora Helo\u00edsa Starling. Embora n\u00e3o esperasse uma quantidade t\u00e3o grande, ela deduz que o n\u00famero pode estar ligado \u00e0 forte presen\u00e7a de organiza\u00e7\u00f5es de esquerda no estado e ao entendimento de que a cidade era a porta de entrada do pa\u00eds.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Foi no Rio que aconteceram o sequestro do embaixador americano e o roubo ao cofre de Ademar de Barros &#8211; explicou a professora.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A pesquisa, desenvolvida no projeto Rep\u00fablica do N\u00facleo de Pesquisa, Documenta\u00e7\u00e3o e Mem\u00f3ria da UFMG, ser\u00e1 apresentada amanh\u00e3 em evento promovido pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade na sede da OAB-RJ. Ao lado de S\u00e3o Paulo e Pernambuco, o Rio est\u00e1 entre os tr\u00eas estados com a maior incid\u00eancia de centros de tortura do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O n\u00famero elevado de c\u00e1rceres paulistas era esperado, mas no caso das unidades pernambucanas, o projeto sup\u00f5e que o regime priorizou um estado irradiador de a\u00e7\u00f5es de esquerda para o resto do Nordeste, al\u00e9m de ter sido cen\u00e1rio do atentado ao Aeroporto de Guararapes e de queimas de canaviais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Estudo servir\u00e1 de base para Comiss\u00e3o da Verdade<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Mapa aponta uso de s\u00edtio clandestino em S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para desenvolver o mapa, que servir\u00e1 de base para as investiga\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, os pesquisadores do Projeto Rep\u00fablica classificaram os centros em quatro categorias: militares, policiais civis, clandestinos e h\u00edbridos (compartilhado entre militares e policiais civis). Uma das novidades apontadas pelos pesquisadores do grupo \u00e9 um s\u00edtio em S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti, na Baixada Fluminense.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entre os locais mais conhecidos por tortura, morte ou desaparecimento de militantes que combateram o regime est\u00e3o os temidos Destacamentos de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centros de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (DOI-Codis) de S\u00e3o Paulo e do Rio de Janeiro, e os Departamentos de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops). J\u00e1 entre os clandestinos, est\u00e3o a Casa da Morte, em Petr\u00f3polis, e o S\u00edtio 31 de Mar\u00e7o, mas o n\u00famero total, como demonstram pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, pode ser muito maior.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; O mapa n\u00e3o \u00e9 definitivo. Espero que sirva de est\u00edmulo para outros pesquisadores continuarem procurando e identificando centros de tortura &#8211; disse Helo\u00edsa Starling, coordenadora do projeto.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em junho, o GLOBO publicou uma s\u00e9rie de reportagens com relatos do coronel Paulo Malh\u00e3es, primeiro agente da repress\u00e3o a admitir que atuou na Casa da Morte. Malh\u00e3es revelou que o local teria sido utilizado como &#8220;casa de conveni\u00eancia&#8221; para formar infiltrados nas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Iniciado em 2007, o estudo est\u00e1 sustentado pelo mapeamento feito pelos pesquisadores. Outro objetivo \u00e9 produzir um mapa dos acervos dispon\u00edveis. A equipe \u00e9 formada por 20 pessoas, entre alunos de gradua\u00e7\u00e3o, mestrado e doutorado. Na segunda-feira, os estudantes tamb\u00e9m mostrar\u00e3o um v\u00eddeo com imagens da repress\u00e3o, entre as quais uma filmagem in\u00e9dita do delegado paulista S\u00e9rgio Paranhos Fleury em uma cerim\u00f4nia de condecora\u00e7\u00e3o da Marinha.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A professora fez quest\u00e3o de ressaltar que a pr\u00e1tica da tortura se instalou desde o in\u00edcio do regime, mas teria se materializado como pol\u00edtica de Estado no per\u00edodo compreendido entre os anos de 1969 e 1977, \u00e9poca em que se registra a maior parte das mortes e desaparecimentos de guerrilheiros.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da apresenta\u00e7\u00e3o do estudo, a comiss\u00e3o realizar\u00e1 uma audi\u00eancia p\u00fablica com ex-presos e familiares de mortos e desaparecidos, al\u00e9m de debates com convidados como os professores Carlos Fico, Maria Celina D&#8221;Ara\u00fajo e o te\u00f3logo Leonardo Boff.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Dops: 223 &#8216;colaboradores&#8217; atuavam como agentes<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Acervo de delegacia em PE mostra que militares tamb\u00e9m eram monitorados; prontu\u00e1rios escondiam abusos<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>relatos dos por\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Recife Extinto em 1990 e com seu acervo transferido para o Arquivo P\u00fablico do Estado &#8211; onde est\u00e1 sendo digitalizado &#8211; os quase 170 mil documentos da Delegacia de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) em Recife come\u00e7am a revelar os bastidores da repress\u00e3o e mostram que n\u00e3o s\u00f3 os inimigos do regime eram monitorados, mas tamb\u00e9m os pr\u00f3prios agentes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1tica, muito usual no Estado Novo, prolongou-se pelo menos at\u00e9 duas d\u00e9cadas depois de 1964. Em alguns prontu\u00e1rios, \u00e9 poss\u00edvel identificar a inten\u00e7\u00e3o de proteger militares ou civis que participavam de opera\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o; observa-se ainda que alguns deles cometiam abusos de autoridade em investiga\u00e7\u00f5es comuns e eram acobertados pelo sistema. E que se envolveram em assassinatos, investiga\u00e7\u00f5es paralelas e chegaram a ter seus nomes usados por terceiros em miss\u00f5es n\u00e3o autorizadas pela ent\u00e3o Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica, que agia entrosada com \u00f3rg\u00e3os federais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O acervo revela, tamb\u00e9m, que al\u00e9m de funcion\u00e1rios da Secretaria de Seguran\u00e7a, a delegacia chegou a contar com uma lista de 223 colaboradores que, por conta dos servi\u00e7os prestados, eram &#8220;merecedores de renova\u00e7\u00e3o de credenciais&#8221; no in\u00edcio dos anos 70. Os documentos mostram que pessoas atuavam em car\u00e1ter paralelo e eram reunidas em grupos espec\u00edficos: Investigadores Adidos da Secretaria ou Sociedade Investigativa Secreta.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Os pap\u00e9is praticamente n\u00e3o fazem refer\u00eancia ao Comando de Ca\u00e7a aos Comunistas, o CCC, que atuou com muita intensidade no per\u00edodo ap\u00f3s 64.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 prov\u00e1vel que o n\u00famero de colaboradores seja maior do que os 223 apontados num dos \u00faltimos relat\u00f3rios no per\u00edodo da ditadura. Um dos mais conhecidos era Rog\u00e9rio Matos, n\u00e3o inclu\u00eddo na lista, embora ele possu\u00edsse, em 1969, uma carteira de &#8220;agente secreto&#8221; do Dops, segundo revela\u00e7\u00e3o feita pelo ex-delegado Jorge de Tasso \u00e0 Comiss\u00e3o Estadual da Mem\u00f3ria e da Verdade. Rog\u00e9rio \u00e9 acusado de matar, em 1969, o padre Ant\u00f4nio Henrique Pereira Neto, assessor do bispo Dom Helder C\u00e2mara.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Secret\u00e1rio comandou a pris\u00e3o de 20 militantes<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Deputado que pedia puni\u00e7\u00e3o para subversivos tamb\u00e9m tinha dossi\u00ea<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">recife Documentos do Dops de Pernambuco apontam que, s\u00f3 em 1965, o ent\u00e3o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica \u00c1lvaro Costa Lima comandou a pris\u00e3o de 20 ativistas, &#8220;encaminhou 27 inqu\u00e9ritos contra elementos subversivos&#8221; e ouviu 226 &#8220;pessoas envolvidas em subvers\u00e3o&#8221;. Durante a edi\u00e7\u00e3o do ato institucional n\u00famero dois (AI-2), chegou a deslocar &#8220;dez carros FM e 15 jipes&#8221; para as ruas a fim de evitar &#8220;levantamento de ativistas vermelhos mais perigosos, fichados na revolu\u00e7\u00e3o de 31 de mar\u00e7o&#8221;. Registros fazem refer\u00eancias ao esfacelamento do comit\u00ea regional do Partido Comunista do Brasil e mostram que a pol\u00edcia civil dever\u00e1 &#8220;obter novos \u00eaxitos&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com passagem na pol\u00edcia do chamado Estado Novo e autonomeado um ca\u00e7ador de comunista depois de 1964, o ex vereador e deputado Wandekolk Wanderley tem um dossi\u00ea volumoso no Dops, por dois motivos. Se por um lado ele escrevia requerimentos ao Dops pedindo provid\u00eancias &#8220;contra a exist\u00eancia de movimentos com finalidade subversivas&#8221; e defendendo &#8220;a preserva\u00e7\u00e3o do regime democr\u00e1tico a qualquer custo&#8221;, por outro teve seus passos monitorados ao envolver-se em investiga\u00e7\u00f5es particulares para provar que o seu filho, Jos\u00e9 Carlos Wanderley, n\u00e3o tinha envolvimento na morte de um m\u00e9dico (sem motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica). Conforme documentos do Dops, o ex-deputado &#8211; j\u00e1 morto &#8211; coagiu testemunhas e fez pris\u00f5es arbitr\u00e1rias.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Hom\u00f4nimo era monitorado<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outra informa\u00e7\u00e3o curiosa refere-se a um cidad\u00e3o chamado Jos\u00e9 Silvestre Costa, hom\u00f4nimo do ent\u00e3o delegado de Seguran\u00e7a Social Jos\u00e9 Silvestre, acusado de tortura em diversos documentos da \u00e9poca. Segundo o ex preso pol\u00edtico Francisco de Assis Barreto Rocha Filho, o policial se gabava de &#8220;n\u00e3o ter colocado um dedo em nenhum subversivo&#8221;, mas comandava as sess\u00f5es de tortura. Rocha Filho diz ter sido sua v\u00edtima durante cinco dias de interrogat\u00f3rio. Silvestre era um homem temido.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com os documentos recolhidos ao arquivo, o hom\u00f4nimo do delegado &#8220;dizendo-se agente da Pol\u00edcia Federal, coronel do Ex\u00e9rcito e agente do SNI (Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es)&#8221; invadiu um escrit\u00f3rio na rua Augusta, em S\u00e3o Paulo, e apreendeu &#8220;posteres de propaganda comunista&#8221;, dizendo-se &#8220;possuidor de autoriza\u00e7\u00e3o de um general importante&#8221;. Seu caso consta em &#8220;protocolo sigiloso&#8221;, e o nome utilizado indevidamente foi o do &#8220;General Muricy&#8221;, provavelmente Ant\u00f4nio Carlos Muricy, um dos l\u00edderes militares do golpe de 1964.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa da UFMG mapeou 82 c\u00e1rceres mantidos pela ditadura no Brasil Relatos dos Por\u00f5es Dos 82 centros de tortura que funcionaram no regime militar no Brasil entre 1964 e 1985, 13 localizavam-se no Rio de Janeiro. O n\u00famero, que faz parte do mapa produzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2124"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2124"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2124\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2124"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2124"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2124"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}