{"id":2211,"date":"2012-09-03T20:12:36","date_gmt":"2012-09-03T20:12:36","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/03\/morre-universindo-diaz-simbolo-da-luta-contra-ditadura-3\/"},"modified":"2012-09-03T20:12:36","modified_gmt":"2012-09-03T20:12:36","slug":"morre-universindo-diaz-simbolo-da-luta-contra-ditadura-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/03\/morre-universindo-diaz-simbolo-da-luta-contra-ditadura-3\/","title":{"rendered":"Morre Universindo D\u00edaz, s\u00edmbolo da luta contra ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Uruguaio foi sequestrado em Porto Alegre em 1978<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>Sobrevivente da ditadura uruguaia, pela qual foi sequestrado em Porto Alegre em 1978 durante uma opera\u00e7\u00e3o conjunta com for\u00e7as brasileiras, sendo barbaramente torturado, o historiador Universindo Rodr\u00edguez D\u00edaz, 60 anos, morreu neste domingo em Montevid\u00e9u \u00a0ap\u00f3s uma luta de seis meses contra um c\u00e2ncer na medula.  <!--more-->  <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Universindo deixa o filho, Carlos Iv\u00e1n Rodr\u00edguez Tr\u00edas, e a ex-mulher Ivonne Tr\u00edas, que cuidavam dele durante a doen\u00e7a.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Mesmo ap\u00f3s ter identificado o c\u00e2ncer em janeiro passado, o historiador mantinha intactos seus planos de publica\u00e7\u00e3o de livros e cria\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios. Com a abertura dos arquivos da repress\u00e3o uruguaia, procurava por informa\u00e7\u00f5es sobre as v\u00edtimas da ditadura, na incans\u00e1vel tarefa de resgatar a hist\u00f3ria dessa \u00e9poca sombria no Uruguai e nos pa\u00edses vizinhos.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>\u2014 O que ele n\u00e3o previa era morrer \u2014 diz o amigo Jair Krischke, do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Krischke esteve pela \u00faltima vez com Universindo no in\u00edcio de julho, em Montevid\u00e9u. Na \u00e9poca, o uruguaio estava bem e falou de seus projetos. A reca\u00edda fatal ocorreu no \u00faltimo s\u00e1bado. Krischke recebeu um e-mail da ex-mulher do historiador que o prevenia sobre o que poderia acontecer em seguida. Universindo passara por um transplante de medula e estava com n\u00edvel zero de gl\u00f3bulos brancos no sangue.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Mesmo torturado ao longo dos cinco anos em que passou preso, Universindo n\u00e3o demonstrava revolta. Entrou com um processo contra seus algozes ainda durante a ditadura. A a\u00e7\u00e3o foi bloqueada pela anistia uruguaia, mas o atual presidente, Jos\u00e9 &#8220;Pepe&#8221; Mujica, permitiu a reabertura das 80 investiga\u00e7\u00f5es sobre crimes no per\u00edodo de exce\u00e7\u00e3o. Um deles \u00e9 o de Universindo e sua companheira do Partido por la Victoria del Pueblo (PVP), L\u00edlian Celiberti, tamb\u00e9m sequestrada em Porto Alegre, ao lado dos filhos dela, ent\u00e3o com tr\u00eas e oito anos.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>\u2014 Universindo n\u00e3o tinha m\u00e1goas. Estava de bem com a vida, era apaixonado pela sua profiss\u00e3o. O Uruguai perdeu um filho ilustre, um homem bom que honrou a tradi\u00e7\u00e3o charrua de n\u00e3o se entregar \u2014 afirmou Krischke.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>O sequestro<\/strong><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Porto Alegre entrou na rota da Opera\u00e7\u00e3o Condor em 17 de novembro de 1978, quando se consumou o sequestro dos uruguaios L\u00edlian Celiberti e Universindo D\u00edaz. Perseguidos pela ditadura militar do Uruguai, os dois tentavam se esconder num apartamento da Rua Botafogo, no bairro Menino Deus. Foram capturados por policiais ga\u00fachos, chefiados pelo delegado Pedro Seelig, e agentes uruguaios que tiveram permiss\u00e3o para entrar no territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00c0 \u00e9poca, n\u00e3o se imaginava que o seq\u00fcestro era uma t\u00edpica a\u00e7\u00e3o da Condor\u00a0\u2014 a alian\u00e7a secreta criada pelas ditaduras da Argentina, do Chile, do Brasil, do Uruguai e do Paraguai para ca\u00e7ar opositores pol\u00edticos al\u00e9m das fronteiras. Cogitou-se que fosse somente uma coopera\u00e7\u00e3o eventual entre o Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) e a Companhia de Contrainforma\u00e7\u00f5es do ex\u00e9rcito uruguaio. N\u00e3o era.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">L\u00edlian e Universindo foram interrogados e torturados na Capital ga\u00facha, sofrendo a primeira etapa do ritual Condor. Enfrentaram a segunda fase, o traslado at\u00e9 os calabou\u00e7os do Uruguai. Escaparam da prov\u00e1vel solu\u00e7\u00e3o final\u00a0\u2014 a morte e o desaparecimento nas \u00e1guas do Oceano Atl\u00e2ntico ou do Rio da Prata\u00a0\u2014 gra\u00e7as ao rep\u00f3rter Luiz Cl\u00e1udio Cunha e ao fot\u00f3grafo J. B. Scalco, que descobriram e denunciaram o crime nas p\u00e1ginas da revista Veja.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A opera\u00e7\u00e3o Condor<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O que foi<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Organizada no final de 1975, em Santiago do Chile, a Opera\u00e7\u00e3o Condor sistematizou as coopera\u00e7\u00f5es eventuais j\u00e1 existentes entre as ditaduras do Cone Sul. O general Augusto Pinochet entendia que os governos fardados deveriam agir de forma articulada contra o que julgava ser a &#8220;amea\u00e7a internacional do comunismo&#8221;. Agindo al\u00e9m das fronteiras, a Condor assassinou um ex-presidente de Rep\u00fablica (o boliviano Juan Jos\u00e9 Torres), dois parlamentares uruguaios (Zelmar Michelini e H\u00e9ctor Guti\u00e9rrez Ruiz), um general e ex-ministro (o chileno Carlos Prats), um ex-chanceler (o chileno Orlando Letelier) e centenas de opositores pol\u00edticos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Pa\u00edses participantes<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Principalmente Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bol\u00edvia.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Objetivo<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Neutralizar os grupos guerrilheiros de esquerda opositores aos regimes militares de direita, tais como Tupamaros (Uruguai), Montoneros (Argentina) e MIR (Chile).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Estrat\u00e9gia<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Unificar esfor\u00e7os de todos os aparatos repressivos para combater os focos de resist\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Papel dos EUA<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Tinha conhecimento, conforme demonstram documentos secretos divulgados pelo Departamento de Estado em 2001<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que Condor<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Porque \u00e9 a ave t\u00edpica dos Andes, famosa pela sua ast\u00facia na ca\u00e7a as suas presas.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando ocorreu<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Iniciou-se na primeira metade dos anos 70 e terminou em meados dos anos 80.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Chega a 100 mil o n\u00famero de mortos e desaparecidos no continente<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Zero Hora<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uruguaio foi sequestrado em Porto Alegre em 1978 Sobrevivente da ditadura uruguaia, pela qual foi sequestrado em Porto Alegre em 1978 durante uma opera\u00e7\u00e3o conjunta com for\u00e7as brasileiras, sendo barbaramente torturado, o historiador Universindo Rodr\u00edguez D\u00edaz, 60 anos, morreu neste domingo em Montevid\u00e9u \u00a0ap\u00f3s uma luta de seis meses contra um c\u00e2ncer na medula.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2211"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2211"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2211\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}