{"id":2216,"date":"2012-09-04T19:43:27","date_gmt":"2012-09-04T19:43:27","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/04\/a-farsa-na-morte-de-marighella-2\/"},"modified":"2012-09-04T19:43:27","modified_gmt":"2012-09-04T19:43:27","slug":"a-farsa-na-morte-de-marighella-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/04\/a-farsa-na-morte-de-marighella-2\/","title":{"rendered":"A farsa na morte de Marighella"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>&#8220;Eu vi os policiais colocando o corpo no banco de tr\u00e1s do carro&#8221;, revela o fot\u00f3grafo que registrou a imagem do guerrilheiro executado. Essa testemunha desmancha a vers\u00e3o dos militares para esconder como foi batido o inimigo n\u00famero 1 da ditadura  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>MENTIRA E VERDADE<\/strong><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">A primeira foto \u00e9 a da vers\u00e3o oficial que o fot\u00f3grafo S\u00e9rgio<span class=\"s2\"><br \/> <\/span>Jorge foi obrigado a registrar. A segunda \u00e9 uma nova<span class=\"s2\"><br \/> <\/span>reprodu\u00e7\u00e3o feita por ele: um modelo foi usado para mostrar<span class=\"s2\"><br \/> <\/span>como estava Marighella antes da encena\u00e7\u00e3o policial<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A primeira foto acima, \u00e0 esquerda, correu o mundo depois da noite de 4 de novembro de 1969. Ela era vista como prova da iminente vit\u00f3ria do governo contra a oposi\u00e7\u00e3o armada \u00e0 ditadura militar brasileira. Carlos Marighella, 58 anos, o terrorista mais ca\u00e7ado do Pa\u00eds, l\u00edder da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), organiza\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel por dezenas de assaltos a bancos e explos\u00f5es de bombas, estava morto. Amigo de Fidel Castro, celebrado pela Europa como principal comandante da guerra revolucion\u00e1ria na Am\u00e9rica do Sul, Marighella tinha levado quatro tiros numa emboscada policial na alameda Casa Branca, no bairro dos Jardins, em S\u00e3o Paulo. Segundo a vers\u00e3o dos militares, o guerrilheiro fora atra\u00eddo para um \u201cponto\u201d com religiosos dominicanos simpatizantes da ALN e trocara tiros com os agentes que varejavam o local do encontro. Um conceituado fot\u00f3grafo da revista \u201cManchete\u201d, S\u00e9rgio Vital Tafner Jorge, ent\u00e3o com 33 anos, fez o clique da c\u00e2mara rolleiflex que registrou Marighella estirado no banco traseiro do fusca dos dominicanos. Barriga \u00e0 mostra, cal\u00e7a aberta, dois filetes de sangue escorrendo pelo rosto. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>\u201cFoi tudo uma farsa\u201d, revela agora \u00e0 ISTO\u00c9 S\u00e9rgio Jorge, que est\u00e1 com 75 anos. \u201cEu vi os policiais colocando o Marighella no banco de tr\u00e1s do carro\u201d. Naquela noite, Jorge estava no Est\u00e1dio do Pacaembu \u00e0 espera dos melhores \u00e2ngulos de um Corinthians x Santos quando ficou sabendo da morte do guerrilheiro. Ele abandonou o est\u00e1dio antes mesmo de a not\u00edcia ser confirmada pelos alto-falantes do Pacaembu e recebida com um urro de comemora\u00e7\u00e3o pela torcida. Acompanhado de outros quatro fot\u00f3grafos, Jorge chegou \u00e0 alameda Casa Branca pouco depois das 20 horas. O que ele viu ali \u2013 e foi proibido de documentar \u2013 era diferente do que aparece na famosa foto estampada depois nas p\u00e1ginas da \u201cManchete\u201d e em dezenas de outras publica\u00e7\u00f5es. Jorge est\u00e1 decidido a contar para a Comiss\u00e3o da Verdade, que o governo federal vai instalar no pr\u00f3ximo m\u00eas, a arma\u00e7\u00e3o que testemunhou. J\u00e1 foi pensando nisso que, no m\u00eas passado, com a ajuda de um amigo que serviu de modelo e um fusquinha emprestado, Jorge procurou reproduzir numa nova foto exatamente o que presenciou no dia 4 de novembro de 1969. O resultado \u00e9 a segunda cena da p\u00e1gina anteior, \u00e0 direita: o amigo de Jorge, representando Marighella, ocupa o banco da frente do carro, numa posi\u00e7\u00e3o distinta daquela que a pol\u00edcia fez quest\u00e3o de espalhar. Eram os anos de chumbo e havia muita coisa para ser escondida.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><br \/> <\/span><strong>NO MESMO CEN\u00c1RIO<\/strong><span class=\"s2\"><br \/> <\/span>O fot\u00f3grafo S\u00e9rgio Jorge volta ao mesmo ponto da alameda<span class=\"s2\"><br \/> <\/span>Casa Branca para contar a arma\u00e7\u00e3o que testemunhou<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os mais famosos retratos da ditadura come\u00e7am a contar suas verdadeiras hist\u00f3rias. S\u00e9rgio Jorge ganhou coragem de revelar a farsa da morte de Marighella depois que o fot\u00f3grafo-perito Silvaldo Leung Vieira contou, no dia 5 de janeiro, ao jornal \u201cFolha de S. Paulo\u201d que sua foto do jornalista Vladimir Herzog morto nas depend\u00eancias do DOI-Codi, em 1975, era \u2013 como j\u00e1 se sabia \u2013 uma encena\u00e7\u00e3o criada pelos militares. Vieira est\u00e1 atr\u00e1s de uma indeniza\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro, pois julga que teve prejudicada sua carreira de funcion\u00e1rio p\u00fablico. J\u00e1 S\u00e9rgio Jorge quer apenas acertar contas com o passado. \u201cVi que tinha chegado a hora de contar. O Brasil mudou\u201d, diz ele. Durante mais de 40 anos, Jorge remoeu os fatos daquela noite, que \u00e9 capaz de reconstituir em detalhes. Ele e os outros fot\u00f3grafos, logo que chegaram \u00e0 alameda Casa Branca, foram recebidos aos gritos pelo temido delegado do Dops, S\u00e9rgio Paranhos Fleury, o homem que comandou o cerco a Marighella. \u201cN\u00e3o quero ouvir um clique! Todos encostados no muro, com as m\u00e1quinas no ch\u00e3o!\u201d, ordenou Fleury. Ningu\u00e9m ousou desobedecer. \u201cEra uma loucura, ficamos vendo tudo aquilo acontecer sem poder registrar nada\u201d, diz Jorge. Marighella estava no banco da frente, com uma perna para dentro do carro e outra para fora, os dois bra\u00e7os ca\u00eddos e quase nada de sangue na roupa. Tr\u00eas policiais retiraram o corpo do fusca (veja reconstitui\u00e7\u00e3o acima) e o deitaram na cal\u00e7ada. Abriram a cal\u00e7a de Marighella e revistaram seus bolsos. Tentaram, ent\u00e3o, recoloc\u00e1-lo no banco de tr\u00e1s. \u201cMas n\u00e3o conseguiam e foi preciso que um dos policiais desse a volta no autom\u00f3vel e puxasse o corpo para dentro.\u201d A a\u00e7\u00e3o durou cerca de 40 minutos at\u00e9 que os fot\u00f3grafos foram autorizados a fotografar. Chegando perto do carro, S\u00e9rgio Jorge p\u00f4de ver que havia uma pasta atr\u00e1s do banco dianteiro e, sobre o assento de tr\u00e1s, uma peruca e uma capa.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Na presen\u00e7a de S\u00e9rgio Jorge e dos demais fot\u00f3grafos, os policiais, sem nenhum constrangimento, encenavam um n\u00famero que viria a se tornar corriqueiro naqueles tempos: o teatro do confronto entre guerrilheiros urbanos e as for\u00e7as da repress\u00e3o. A ditadura no Brasil deixou um saldo macabro de 475 advers\u00e1rios mortos, 163 deles ainda desaparecidos. Foi a partir de 1969, o ano da morte de Marighella, que o regime militar ingressou em seu per\u00edodo mais duro e a elimina\u00e7\u00e3o de inimigos passou a ser regra. As execu\u00e7\u00f5es de militantes de esquerda, sem chance de pris\u00e3o, tornaram-se t\u00e3o comuns quanto os laudos fantasiosos de inqu\u00e9ritos policiais destinados apenas a escamotear uma pol\u00edtica oficial de exterm\u00ednio. No caso de Carlos Marighella, o esclarecimento de sua morte \u00e9 especialmente problem\u00e1tico, pois existem pelo menos tr\u00eas vers\u00f5es conflitantes para ela. Primeiro h\u00e1 a vers\u00e3o dos militares, segundo a qual ele foi varado por uma rajada de metralhadora quando, do banco de tr\u00e1s do fusca dos dominicanos, reagiu a tiros a uma ordem de pris\u00e3o do delegado Fleury. A per\u00edcia, entretanto, acabou concluindo que n\u00e3o sa\u00edra um tiro sequer da arma de Marighella. Desse modo, a tese da pol\u00edcia parece n\u00e3o ser mais que um esfor\u00e7o para esconder a prov\u00e1vel execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria do guerrilheiro, al\u00e9m de uma tentativa de driblar uma complica\u00e7\u00e3o extra do epis\u00f3dio: a suspeita de que, naquela noite, foi o fogo amigo que matou tamb\u00e9m uma jovem policial e um dentista alem\u00e3o que casualmente passava pelo local no momento do tiroteio (outro delegado, um desafeto de Fleury, acabou baleado na virilha). A segunda vers\u00e3o \u00e9 a dos dois frades dominicanos que a pol\u00edcia usou como isca para Marighella. Em seu julgamento, os religiosos sustentaram que o guerrilheiro foi executado no meio da rua, longe do fusca em que eles estavam. Por fim, o Grupo Tortura Nunca Mais, em 1996, adotou as conclus\u00f5es de um laudo em que legistas garantem que Marighella foi morto com um tiro no peito \u00e0 queima-roupa, que seccionou-lhe a aorta, e alvejado ainda por outros tr\u00eas disparos.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><br \/> <\/span><strong>O CASO VLADO <\/strong><span class=\"s2\"><br \/> <\/span>O fot\u00f3grafo-perito que registrou a encena\u00e7\u00e3o do suposto<span class=\"s2\"><br \/> <\/span>suic\u00eddio de Vladimir Herzog tamb\u00e9m reconheceu a montagem<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Carlos Marighella era autor do \u201cManual do Guerrilheiro Urbano\u201d, um confuso texto de 50 p\u00e1ginas que jovens esquerdistas de todo o mundo liam como uma b\u00edblia. Figura principal dos cartazes amarelos que a ditadura espalhava com retratos de terroristas, vinha sendo ca\u00e7ado pelo Dops e monitorado pela m\u00e1quina de informa\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos. Um ano antes de sua morte, o consulado americano em S\u00e3o Paulo j\u00e1 informara seu governo sobre as rela\u00e7\u00f5es de Marighella com os dominicanos. Agora, o depoimento exclusivo de S\u00e9rgio Jorge \u00e0 ISTO\u00c9 \u2013 e que ele se disp\u00f5e a prestar tamb\u00e9m \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade, institu\u00edda pelo governo para esclarecer as mortes ocorridas durante a ditadura \u2013 poder\u00e1 jogar uma nova luz sobre os fatos, embora ainda seja dif\u00edcil fazer conjecturas sobre as inten\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dos policiais que transferiram o corpo de Marighella para o banco de tr\u00e1s do carro. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>S\u00e9rgio Jorge foi o primeiro fot\u00f3grafo do Pa\u00eds a ganhar o Pr\u00eamio Esso de Jornalismo. Ele conta que, quando chegou \u00e0 reda\u00e7\u00e3o da \u201cManchete\u201d com a foto do cad\u00e1ver de Marighella, teve o cuidado de relatar a seu chefe a arma\u00e7\u00e3o que tinha visto. Ouviu como resposta que a vers\u00e3o de Fleury seria a definitiva e, sempre avesso \u00e0 pol\u00edtica, resolveu se calar. \u201cTodo mundo me dizia para n\u00e3o me meter com essas coisas que era muito perigoso\u201d, diz ele. O caso s\u00f3 voltou a perturb\u00e1-lo cinco anos atr\u00e1s, no momento em que come\u00e7ou a selecionar fotografias para um livro em seu arquivo pessoal, com mais de 60 mil imagens. As fotos de Marighella n\u00e3o est\u00e3o com ele: foram parar num arquivo da revista \u201cManchete\u201d, recentemente leiloado. \u201cDos fot\u00f3grafos que estavam comigo naquele dia, s\u00f3 eu estou vivo. Cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o posso levar para o t\u00famulo a hist\u00f3ria verdadeira\u201d, diz S\u00e9rgio Jorge. \u201cSempre tive muito medo, mas com a Comiss\u00e3o da Verdade acho que chegou a hora.\u201d<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><br \/> <\/span><strong>COMBATE<\/strong><span class=\"s2\"><br \/> <\/span>H\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas, Simas denunciou a farsa<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Nilm\u00e1rio Miranda, um dos representantes da comiss\u00e3o do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a que, em 1996, responsabilizou o Estado brasileiro pela morte de Marighella, considera importante o depoimento de S\u00e9rgio Jorge. \u201cIsso vai ajudar a Comiss\u00e3o da Verdade a regatar os fatos hist\u00f3ricos\u201d, diz ele. \u201cAo inv\u00e9s de suic\u00eddios, assassinatos cru\u00e9is. Ao inv\u00e9s de fugas da pris\u00e3o, desaparecimentos for\u00e7ados. Ao inv\u00e9s de tiroteios simulados, execu\u00e7\u00f5es \u00e0 queima-roupa.\u201d O advogado de presos pol\u00edticos M\u00e1rio Simas, que foi a primeira voz a afrontar a vers\u00e3o oficial da morte de Marighella, quando fazia a defesa dos frades dominicanos, espera que o depoimento de Jorge possa, finalmente, contribuir para o esclarecimento do caso. \u201cNo processo, lancei dez d\u00favidas sobre a vers\u00e3o oficial que nunca foram respondidas pelo Estado\u201d, diz ele. Simas, que presidiu a Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz da Arquidiocese de S\u00e3o Paulo, n\u00e3o tem d\u00favidas sobre o modo de a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia: \u201cO delegado Fleury era um ca\u00e7ador sem escr\u00fapulos, que n\u00e3o respeitava nada para chegar a seus objetivos.\u201d <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Aos 86 anos, a mulher de Marighella, Clara Charf, se espanta ao saber das revela\u00e7\u00f5es de S\u00e9rgio Jorge. Ela estranha que seu marido, que n\u00e3o sabia dirigir, estivesse ocupando o banco do motorista do fusca. Mas acredita que este depoimento possa enterrar de vez a vers\u00e3o \u201cmentirosa\u201d da pol\u00edcia. \u201c\u00c9 um impulso muito grande para a revis\u00e3o da hist\u00f3ria\u201d, diz ela. \u00c9 uma expectativa id\u00eantica \u00e0 do ex-militante Ot\u00e1vio \u00c2ngelo, certamente um dos \u00faltimos companheiros que viram Marighella vivo. Membro do Grupo T\u00e1tico Armado da ALN, Ot\u00e1vio \u00c2ngelo estava no derradeiro \u201cponto\u201d que Marighella cumpriu no fim da tarde do dia 4 de novembro de 1969, antes de ir para a alameda Casa Branca. Eles se encontraram no bairro do Tatuap\u00e9, na zona leste de S\u00e3o Paulo e, segundo Ot\u00e1vio \u00c2ngelo, Marighella se mostrava muito preocupado com a seguran\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o por causa da pris\u00e3o de v\u00e1rios militantes. \u201cEle parecia nervoso, apreensivo\u201d, relembra. \u201cFalava que est\u00e1vamos no cerco e que, se n\u00e3o consegu\u00edssemos sair desse cerco, n\u00e3o sobreviver\u00edamos.\u201d A previs\u00e3o de Marighella, como se v\u00ea, acabaria cumprida em poucas horas.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Eu vi os policiais colocando o corpo no banco de tr\u00e1s do carro&#8221;, revela o fot\u00f3grafo que registrou a imagem do guerrilheiro executado. 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