{"id":2429,"date":"2012-10-01T12:28:41","date_gmt":"2012-10-01T12:28:41","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/10\/01\/o-misterio-de-dina-2\/"},"modified":"2012-10-01T12:28:41","modified_gmt":"2012-10-01T12:28:41","slug":"o-misterio-de-dina-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/10\/01\/o-misterio-de-dina-2\/","title":{"rendered":"O mist\u00e9rio de Dina"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Documento do Ex\u00e9rcito prova que a lend\u00e1ria guerrilheira do Araguaia foi presa e prestou depoimento antes de desaparecer  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2322\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/i75773.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address>DESTEMIDA \u00danica comandante militar da guerrilha, Dinalva provocava medo nos soldados<\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Conhecida como Dina, a ge\u00f3loga Dinalva Oliveira dos Santos tinha 29 anos em 1974, quando desapareceu durante a guerrilha do Araguaia. Ela foi a \u00fanica mulher, entre os guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) que enfrentaram o Ex\u00e9rcito, a comandar um destacamento militar insurgente. Segundo seus companheiros e at\u00e9 alguns militares, Dina era valente, atemorizava os soldados com sua aud\u00e1cia e saiu ilesa de v\u00e1rios combates. Seu desaparecimento \u00e9 um dos maiores mist\u00e9rios do Araguaia. H\u00e1 vers\u00f5es de que ela morreu em combate; outras garantem que Dina foi executada pelos militares. Seus restos mortais jamais foram encontrados. Agora, um documento do Ex\u00e9rcito obtido por ISTO\u00c9 com exclusividade revela que a guerrilheira foi presa e interrogada antes de desaparecer.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">As provas do depoimento de Dina est\u00e3o no telex n\u00ba 191-E2.1, datado de 12 de junho de 1990, enviado ao Estado-Maior do Comando Militar do Oeste, aos cuidados do ent\u00e3o capit\u00e3o Aur\u00e9lio da Silva Bolze, hoje, coronel e chefe de comunica\u00e7\u00e3o do Comando Militar Sul. Segundo os relatos dos sargentos Jos\u00e9 Alb\u00e9rico da Silva e Paulo Eduardo do Carmo Cunha e do soldado Marcelino Nobre de Oliveira, Dina teria admitido aos oficiais que a interrogaram sua participa\u00e7\u00e3o numa tocaia a uma patrulha militar pr\u00f3ximo a Bacaba, uma das duas bases militares perto de Marab\u00e1 (PA). &#8220;Presa e interrogada, ela declarou ter desistido da emboscada &#8216;a uma patrulha militar&#8217; em face da maior pot\u00eancia de fogo da tropa regular&#8221;, atestam os militares. A patrulha que Dina cercou era comandada pelo ent\u00e3o sargento Jos\u00e9 Vargas Jim\u00e9nez, hoje tenente da reserva. O telex faz parte de uma investiga\u00e7\u00e3o interna do Ex\u00e9rcito para a concess\u00e3o da Medalha do Pacificador ao sargento Vargas, que na \u00faltima semana revelou \u00e0 ISTO\u00c9 que os militares tinham ordem de exterminar os guerrilheiros no Araguaia.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca da emboscada, Vargas n\u00e3o se deu conta do perigo que correu, mas hoje, ao analisar os depoimentos de seus pares, ele se mostra aliviado com o desfecho. &#8220;Depois de capturarmos mais de 40 camponeses na segunda quinzena de outubro, meu grupo continuou com o Curi\u00f3 (o major Sebasti\u00e3o de Moura) vasculhando a selva, num pente-fino procura de bases dos terroristas. Na regi\u00e3o do Peixinho, pedi autoriza\u00e7\u00e3o ao Curi\u00f3 para tomarmos banho no igarap\u00e9.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>DEPOIMENTO <\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Dina admitiu ter feito uma emboscada<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2323\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/i75776.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"238\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address>PRIS\u00c3O Telex de 1990 traz depoimentos de militares revelando que Dina foi presa e interrogada pelo Ex\u00e9rcito<\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p2\"><strong>A BUSCA DA VERDADE<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\">Na segunda-feira 10, o tenente Jos\u00e9 Vargas Jim\u00e9nez compareceu ao Comando Militar do Oeste, na cidade de Campo Grande, MS, para entregar c\u00f3pias de toda a documenta\u00e7\u00e3o apresentada \u00e0 ISTO\u00c9. Vargas explicou a seus superiores o porqu\u00ea das revela\u00e7\u00f5es: &#8220;Disse ao coronel que mostrei os documentos para que minhas revela\u00e7\u00f5es tivessem a credibilidade necess\u00e1ria. S\u00f3 fiz o que fiz na selva porque os guerrilheiros queriam impor o comunismo no Brasil e n\u00e3o a democracia, como eles dizem at\u00e9 hoje&#8221;, justifica-se Vargas. &#8220;Nossos chefes n\u00e3o podem ser omissos, surdos e cegos, como est\u00e3o sendo&#8221;, diz. Nos pr\u00f3ximos dias, Vargas ter\u00e1 que se explicar tamb\u00e9m ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, em Marab\u00e1 (PA). &#8220;Trata-se de um fato diferenciado, que \u00e9 a confiss\u00e3o de um agente do pr\u00f3prio Estado&#8221;, diz Marcelo Jos\u00e9 Ferreira, promotor que investiga a atua\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito na guerrilha do Araguaia. &#8220;Nossas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas t\u00eam o dever de apurar os dois fatos: primeiro, a confiss\u00e3o dos crimes por parte de um agente torturador e, segundo, a revela\u00e7\u00e3o de que existem arquivos e que os acessos s\u00e3o negados \u00e0 sociedade&#8221;, diz Paulo Abra\u00e3o, da Comiss\u00e3o de Anistia. Procurados por ISTO\u00c9, os ministros da Defesa, Nelson Jobim, da Justi\u00e7a, Tarso Genro, e o secret\u00e1rio nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, n\u00e3o quiseram se pronunciar. &#8220;Embora esse debate sempre gere constrangimentos, essas revela\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser consideradas. \u00c9 preciso detalhar a den\u00fancia que faz o oficial do Ex\u00e9rcito. Defendo que ele seja chamado para depor em uma das comiss\u00f5es de Direitos Humanos, na C\u00e2mara ou no Senado&#8221;, diz o senador \u00c1lvaro Dias (PSDB-PR) &#8220;Os detalhes encobertos sobre o que aconteceu no Araguaia precisam vir \u00e0 tona. N\u00f3s dever\u00edamos seguir o exemplo da \u00c1frica do Sul, que instituiu, ao fim do regime do apartheid, a Comiss\u00e3o de Verdade e Concilia\u00e7\u00e3o para que tudo fosse esclarecido&#8221;, completa o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).<\/p>\n<p class=\"p2\">Hoje eu tenho certeza que foi nesse momento que o grupo de Dina nos cercou. Na verdade, se eles tivessem um poderio de fogo igual ao nosso, eu n\u00e3o estaria aqui para contar nada.&#8221;<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>&#8220;Nunca foi dito que Dina teria sido ouvida&#8221;, diz Paulo Abra\u00e3o, presidente da Comiss\u00e3o Nacional de Anistia. &#8220;Os relatos que existem s\u00e3o de que ela foi assassinada exatamente por n\u00e3o ter falado nada&#8221;, conta o vereador de Bel\u00e9m Paulo Fonteles (PT-PA), da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos que investigou as mortes e o desaparecimento de 59 guerrilheiros do Araguaia. Se houver de fato a disposi\u00e7\u00e3o do governo em buscar a verdade sobre os acontecimentos no Araguaia, o documento revelado por ISTO\u00c9 abre um bom caminho: \u00e9 s\u00f3 procurar os militares mencionados para que eles prestem depoimento sobre o que testemunharam na \u00e9poca.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\">Fonte &#8211; Isto \u00c9<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento do Ex\u00e9rcito prova que a lend\u00e1ria guerrilheira do Araguaia foi presa e prestou depoimento antes de desaparecer<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2322,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2429"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2429"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2429\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2322"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}