{"id":4519,"date":"2013-04-03T03:17:31","date_gmt":"2013-04-03T03:17:31","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/03\/militares-investigaram-lula-mesmo-11-anos-apos-fim-do-deops\/"},"modified":"2013-04-03T03:17:31","modified_gmt":"2013-04-03T03:17:31","slug":"militares-investigaram-lula-mesmo-11-anos-apos-fim-do-deops","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/03\/militares-investigaram-lula-mesmo-11-anos-apos-fim-do-deops\/","title":{"rendered":"Militares investigaram Lula mesmo 11 anos ap\u00f3s fim do Deops"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Abertura de arquivos revelam que, apesar da extin\u00e7\u00e3o do departamento em 1983, ex-presidente foi investigado clandestinamente at\u00e9 1994<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4518\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lulainvestigado1994.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"232\" style=\"vertical-align: top;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Principal l\u00edder da esquerda brasileira no final da ditadura militar (1964-1985), o ex-presidente da Rep\u00fablica Luiz In\u00e1cio Lula da Silva era frequentemente citado &#8211; e vigiado &#8211; nos documentos do Departamento Estadual de Ordem Pol\u00edtica e Social (Deops-SP), que controlava\u00a0e reprimia\u00a0movimentos pol\u00edticos e sociais contr\u00e1rios ao regime. Na \u00faltima segunda-feira, o Arquivo P\u00fablico de S\u00e3o Paulo liberou a consulta p\u00fablica, pela internet,\u00a0de milhares de fichas digitalizadas e prontu\u00e1rios do departamento, produzidos\u00a0entre 1923 e 1983. Lula aparece em ao menos 50\u00a0registros e, mesmo com a extin\u00e7\u00e3o do\u00a0Deops, em 1983, foi investigado clandestinamente at\u00e9 1994.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O ex-presidente teve seu nome ligado a posi\u00e7\u00f5es consideradas\u00a0radicais, como\u00a0apoio a Fidel Castro, defesa da estatiza\u00e7\u00e3o dos bancos, incita\u00e7\u00e3o de greves e cr\u00edticas a Jos\u00e9 Sarney e Tancredo Neves. Dos anos de chumbo da ditadura (1968-1974) ainda n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que apenas 10% do material foi digitalizado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em um documento de janeiro de 1985, o Deops ressaltava que &#8220;Lula admite acordo com Tancredo (Neves, que morreu antes de tomar posse), sob condi\u00e7\u00f5es, onde consta que o nominado declarou que o partido (PT) pode fazer um acordo com o futuro presidente, sob as condi\u00e7\u00f5es de que o governo promova a reforma agr\u00e1ria, garanta liberdade e autonomia sindicais, reduza a jornada de trabalho para 40 horas semanais e conceda reajuste trimestral de sal\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em outro arquivo, de 1990, os investigadores escreveram que Lula ia &#8220;fazer campanha na rua contra o candidato ao governo (de SP) Paulo Maluf, no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es, independente da decis\u00e3o do partido (PT) pelo voto nulo ou apoio a Luiz Antonio Fleury. &#8216;Eu senti na pele o que foi o governo Maluf, na greve de 1980. Todos n\u00f3s somos anti-malufistas de ber\u00e7o'&#8221;, disse o petista \u00e0 \u00e9poca ao jornal Folha da Tarde.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Cr\u00edticas a Sarney e invas\u00e3o de terras<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em 1985, Lula foi citado por uma entrevista concedida \u00e0 Folha da Tarde, em que afirmava ter receio de uma &#8220;Constituinte elitista&#8221;. &#8220;Consta que o nominado revelou o temor de que a Constituinte seja como em 1934 e 1946, onde prevalecia o ponto de vista do governo. Fez tamb\u00e9m algumas cr\u00edticas ao governo atual e ao presidente (Jos\u00e9)\u00a0Sarney (que assumiu ap\u00f3s a morte de Tancredo Neves, em 1985, e concluiu o mandato em 1990)\u00a0&#8220;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em outra investiga\u00e7\u00e3o clandestina, o petista foi citado por incentivar invas\u00f5es de terras. &#8220;Consta que o nominado incentivou a ocupa\u00e7\u00e3o de propriedades. &#8216;A terra tem de ser ocupada para que trabalhadores n\u00e3o morram mais debaixo de pontes&#8217;, exortou o nominado&#8221; ao jornal O Estado de S. Paulo em 1989, conforme o documento publicado ontem.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O acervo da\u00a0Deops<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O Arquivo P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo disponibiliza desde segunda-feira a consulta p\u00fablica, pela internet, de mais de 274 mil fichas digitalizadas e 12,8 mil prontu\u00e1rios produzidos pela Deops-SP\u00a0no per\u00edodo compreendido entre 1923 e 1983. No total, s\u00e3o cerca de 1 milh\u00e3o de imagens, fichas, prontu\u00e1rios e dossi\u00eas. Nesses 60 anos, est\u00e3o compreendidos dois per\u00edodos em que houve cerceamento das liberdades no Brasil: o Estado Novo (1937-1945) e a ditadura militar, iniciada em 1964. A pesquisa pode ser feita a partir do site do Arquivo P\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o coordenador do \u00f3rg\u00e3o, Carlos Bacellar, a amplia\u00e7\u00e3o do acesso a qualquer cidad\u00e3o \u00e9 uma etapa importante para a democracia brasileira. &#8220;J\u00e1 mant\u00ednhamos esse arquivo aberto para quem quisesse consult\u00e1-lo e agora fica dispon\u00edvel a qualquer pessoa interessada&#8221;, disse ele. O governador de S\u00e3o Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ressaltou que h\u00e1 o compromisso do Estado com a transpar\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es, principalmente no que diz respeito ao regime militar.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Paulo Abr\u00e3o, secret\u00e1rio nacional de Justi\u00e7a, afirmou que boa parte desse arquivo foi constru\u00eddo para justificar a repress\u00e3o. &#8220;H\u00e1 muitas mentiras ali, mas \u00e9 mais um passo no aperfei\u00e7oamento da nossa jovem democracia&#8221;, ponderou.\u00a0&#8220;Que os outros governadores sigam o exemplo de S\u00e3o Paulo. Essa \u00e9 uma homenagem \u00e0 luta dos familiares dos mortos na ditadura por esse acesso&#8221;, completou ele.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Paulo S\u00e9rgio Pinheiro, presidente da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, diz que o acesso irrestrito, sem qualquer tipo de obst\u00e1culo, &#8220;permite desenvolver uma an\u00e1lise cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a esse acervo&#8221;.\u00a0O\u00a0Terra\u00a0entrou em contato com a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo e aguarda uma resposta sobre as investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Terra<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abertura de arquivos revelam que, apesar da extin\u00e7\u00e3o do departamento em 1983, ex-presidente foi investigado clandestinamente at\u00e9 1994<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4518,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4519"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4519"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4519\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4518"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}