{"id":4535,"date":"2013-04-03T23:12:47","date_gmt":"2013-04-03T23:12:47","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/03\/o-31-de-marco-e-as-maos-do-gato\/"},"modified":"2013-04-03T23:12:47","modified_gmt":"2013-04-03T23:12:47","slug":"o-31-de-marco-e-as-maos-do-gato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/03\/o-31-de-marco-e-as-maos-do-gato\/","title":{"rendered":"O 31 DE MAR\u00c7O E AS M\u00c3OS DO GATO"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>Noves fora os furibundos defensores de tudo o que aconteceu nos 21 anos do regime militar, importa lembrar: a opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o reagiu ao golpe. Pelo contr\u00e1rio, parte da popula\u00e7\u00e3o apoiou, \u00a0a maioria apenas assistiu. Insurgiram-se muito poucos, mesmo assim, retoricamente. O governo Jo\u00e3o Goulart caiu feito um castelo de cartas, em parte por obra e gra\u00e7a do ent\u00e3o \u00a0presidente, que desautorizou a resist\u00eancia armada.  <!--more-->  <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Ainda no pal\u00e1cio das Laranjeiras, no Rio, impediu o ministro da Aeron\u00e1utica de mandar bombardear com petardos incendi\u00e1rios as ainda insipientes tropas do general Mour\u00e3o Filho, entre Juiz de Fora e \u00a0Petr\u00f3polis. Inocentes que habitavam a regi\u00e3o seriam queimados, coisa para ele inadmiss\u00edvel. Mandou regimentos da Vila Militar subirem a serra, mas eles aderiram ou voltaram sem disparar um tiro. De S\u00e3o Paulo, o II Ex\u00e9rcito \u00a0apoiou a rebeli\u00e3o e lan\u00e7ou-se na estrada para o Rio. No resto do pa\u00eds, a mesma coisa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jango percebeu o perigo de permanecer na antiga capital, j\u00e1 dominada pelos insurgentes. Tentou ficar em Bras\u00edlia, mas n\u00e3o contou com a \u00a0 guarni\u00e7\u00e3o local. Seguiu \u00a0para Porto Alegre, onde o general respons\u00e1vel s\u00f3 podia garantir sua seguran\u00e7a pessoal por poucas horas: a tropa rebelara-se tamb\u00e9m no Rio Grande. Assim, depois de voar para uma de suas fazendas, em S\u00e3o Borja, um dia depois acabou no Uruguai, sempre preocupado \u00a0em n\u00e3o ser \u00a0respons\u00e1vel pelo derramamento de sangue. O Brasil deve ao ex-presidente esse gesto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, 49 anos depois, com quase todos os personagens daquele 31 de mar\u00e7o j\u00e1 mortos, a pergunta que se faz \u00e9 se poderia ter sido diferente, n\u00e3o em termos de guerra civil, por\u00e9m politicamente. Afinal, mesmo contaminados pela propaganda anti-comunista, os militares rebelados tamb\u00e9m n\u00e3o desejavam o conflito armado. Bastou a demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, com a colabora\u00e7\u00e3o da maioria do Congresso, para que tudo se resolvesse mais ou menos \u00a0conforme a Constitui\u00e7\u00e3o vigente, apesar de a luta pelo poder haver conduzido a iniciativas inconstitucionais e violentas, como a cassa\u00e7\u00e3o de mandatos e as pris\u00f5es ilegais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que veio depois pouco teve a ver com as inten\u00e7\u00f5es iniciais dos golpistas, fora certos bols\u00f5es radicais que nessas horas assumem iniciativas extremadas, quando estimulados e \u00a0n\u00e3o contidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso que quase \u00a0meio s\u00e9culo tenha \u00a0transcorrido \u00a0para a exegese ainda n\u00e3o \u00a0definitiva \u00a0da transforma\u00e7\u00e3o de uma mera quartelada em ditadura cruel e ilimitada. A verdade \u00e9 que por tr\u00e1s da espada acirrou-se a ambi\u00e7\u00e3o das elites retrogradas e infensas \u00e0s reformas sociais que atabalhoadamente \u00a0vinham sendo propostas por Jo\u00e3o Goulart. Os militares, boa parte por ingenuidade, outra por ignor\u00e2ncia, foram as m\u00e3os do gato com que as elites econ\u00f4micas tiraram as castanhas do fogo. Houve participa\u00e7\u00e3o externa, \u00e9 claro, com os Estados Unidos e \u00a0as multinacionais se destacando, mas, \u00a0no fundo, \u00a0a responsabilidade ficou mesmo com industriais, banqueiros, grandes comerciantes, empreiteiros, especuladores, bar\u00f5es da m\u00eddia e demais esp\u00e9cimes nacionais \u00a0da fauna que, \u00a0de amedrontada \u00a0com a sombra das reformas, transmudou-se \u00a0em ave de rapina. Ainda h\u00e1 dias um l\u00edder trabalhista denunciou a participa\u00e7\u00e3o da FIESP na banda mais podre do regime instaurado, estimulando a \u00a0persegui\u00e7\u00e3o e at\u00e9 a tortura nos advers\u00e1rios do golpe. Talvez n\u00e3o fosse a FIESP, como institui\u00e7\u00e3o, mas foram montes de seus integrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sucessivos generais presidentes que se sucederam \u00a0tiveram culpa, \u00e9 \u00f3bvio, pois \u00a0preferiram seguir o roteiro preparado pelas for\u00e7as ocultas atr\u00e1s do trono, sem reagir. Assim, o regime foi perdendo setores de opini\u00e3o que o \u00a0tinham aceitado: a Igreja, a classe m\u00e9dia e \u00a0a imprensa, em maioria, passaram de adeptos a indiferentes \u00a0e, depois, a advers\u00e1rios. At\u00e9 parte do empresariado engrossou a fila da discord\u00e2ncia e da resist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os 50 anos do 31 de \u00a0mar\u00e7o merecem, antes de \u00a0completados, \u00a0uma an\u00e1lise que poderia come\u00e7ar pela leitura dos jornais da \u00e9poca da eclos\u00e3o do movimento militar at\u00e9 sua d\u00e9b\u00e2cle nos anos oitenta.<\/p>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Carlos Chagas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Noves fora os furibundos defensores de tudo o que aconteceu nos 21 anos do regime militar, importa lembrar: a opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o reagiu ao golpe. Pelo contr\u00e1rio, parte da popula\u00e7\u00e3o apoiou, \u00a0a maioria apenas assistiu. Insurgiram-se muito poucos, mesmo assim, retoricamente. 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