{"id":4547,"date":"2013-04-04T00:05:02","date_gmt":"2013-04-04T00:05:02","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/04\/as-raizes-do-golpe-no-brasil\/"},"modified":"2013-04-04T00:05:02","modified_gmt":"2013-04-04T00:05:02","slug":"as-raizes-do-golpe-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/04\/as-raizes-do-golpe-no-brasil\/","title":{"rendered":"As ra\u00edzes do golpe no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Document\u00e1rio 1964 \u2013 Um golpe contra o Brasil resgata acontecimentos e interesses que conduziram \u00e0 queda de Jo\u00e3o Goulart<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/sites\/default\/files\/1964---Acervo-Iconographia.gif\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"190\" style=\"vertical-align: top;\" \/>  <!--more-->  <br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Uma s\u00e9rie de iniciativas nos \u00faltimos anos vem colocando em pauta o per\u00edodo da ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985). Al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es de repercuss\u00e3o como a Comiss\u00e3o da Verdade, livros e filmes lan\u00e7ados recentemente tamb\u00e9m resgatam acontecimentos e contribuem para a compreens\u00e3o do que ocorreu na \u00e9poca.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Um dos mais novos trabalhos nesse sentido \u00e9 o document\u00e1rio 1964 \u2013 Um golpe contra o Brasil, uma parceria entre o N\u00facleo Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria Pol\u00edtica e a TVT \u2013 Televis\u00e3o dos Trabalhadores. Lan\u00e7ada em mar\u00e7o deste ano, a produ\u00e7\u00e3o tem como foco a quest\u00e3o do regime, mas com uma proposta diferente: relatar e analisar os momentos que antecederam o golpe.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO N\u00facleo [de Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria Pol\u00edtica] pensou em um v\u00eddeo capaz de informar aos mais jovens o que foi o pr\u00e9-golpe e o golpe para que se entendam os interesses de classe em jogo no Brasil naquele momento e os interesses do grande imp\u00e9rio estadunidense nessa hist\u00f3ria\u201d, explica o diretor do document\u00e1rio, o jornalista, escritor e artista pl\u00e1stico Alipio Freire.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O v\u00eddeo se antecipa aos 50 anos do golpe, que se completar\u00e3o em 2014. Para Freire, \u00e9 preciso desde j\u00e1 disponibilizar outras vers\u00f5es para os fatos, diferentes das que contam a hist\u00f3ria oficial. \u201c\u00c9 preciso que as pessoas, e sobretudo os jovens, tenham acesso a outro tipo de informa\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O document\u00e1rio se inicia com a elei\u00e7\u00e3o de J\u00e2nio Quadros para a presid\u00eancia da Rep\u00fablica e Jo\u00e3o Goulart como vice, em 1960, e se estende at\u00e9 a posse de Humberto Castello Branco, primeiro presidente militar, em 15 de abril de 1964. A narrativa foi constru\u00edda a partir de depoimentos de militantes e opositores do regime como Almino Affonso, ent\u00e3o deputado federal e ministro do Trabalho do governo Jango; Rafael Martinelli, dirigente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT); a soci\u00f3loga Maria Victoria Benevides; Aldo Arantes, ent\u00e3o presidente da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE), e Jo\u00e3o Pedro Stedile, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O v\u00eddeo n\u00e3o ser\u00e1 comercializado, e sim distribu\u00eddo para institui\u00e7\u00f5es, com a recomenda\u00e7\u00e3o de que todas que recebam o material fa\u00e7am e difundam cinco c\u00f3pias, a fim de que o projeto alcance o maior p\u00fablico poss\u00edvel. Em breve, tamb\u00e9m ser\u00e1 disponibilizado na internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o segundo semestre, est\u00e1 previsto o lan\u00e7amento de uma vers\u00e3o do document\u00e1rio voltada \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o nas escolas. Com o mesmo conte\u00fado, o material ser\u00e1 dividido em oito m\u00f3dulos de 24 minutos cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1964 \u00e9 o primeiro longa-metragem dirigido por Alipio Freire. Nascido em Salvador (BA) em 1945, Alipio Freire vive em S\u00e3o Paulo desde os 16 anos. Sua milit\u00e2ncia na Ala Vermelha (grupo dissidente do PCdoB) durante o regime o levou \u00e0 pris\u00e3o entre 1969 e 1974. Em entrevista ao Brasil de Fato, o jornalista destaca a necessidade de desvelar os interesses de classe que compunham a luta pol\u00edtica naquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil de Fato \u2013 Como surgiu a ideia para esse document\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/sites\/default\/files\/alipio_freire_Douglas-Mansur_Novo-Movimento.gif\" border=\"0\" width=\"250\" height=\"400\" style=\"vertical-align: top;\" \/><\/p>\n<address>Alipio Freire &#8211; Foto: Douglas Mansur<\/address>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alipio Freire \u2013<\/strong> Quem pensou em fazer o v\u00eddeo foi o N\u00facleo de Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria Pol\u00edtica, do qual sou presidente nesse momento. O N\u00facleo pensou um v\u00eddeo capaz de informar aos mais jovens o que foi o pr\u00e9-golpe e o golpe, para que se entendam os interesses de classe em jogo no Brasil naquele momento e os interesses do grande imp\u00e9rio estadunidense nessa hist\u00f3ria. No pr\u00f3ximo ano ser\u00e3o 50 anos do golpe de Estado civil-militar e eles contar\u00e3o suas vers\u00f5es oficiais, mais ou menos liberaloides ou ditatoriais, mas todas como um grande mouro [neste sentido, trabalho, abnega\u00e7\u00e3o da vida] pela democracia. \u00c9 preciso que as pessoas, e sobretudo os jovens, tenham acesso a outro tipo de informa\u00e7\u00e3o. Queremos que as pessoas possam entender bem aquele tempo, porque disso depende grande parte do presente e, sobretudo, o futuro do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"line-height: 1.3em;\">Qual a principal contribui\u00e7\u00e3o trazida por esse document\u00e1rio, na sua opini\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u00c9 explicitar a disputa de classes no Brasil e de hegemonia dos Estados Unidos no mundo e entender a pol\u00edtica como luta de classes. Pol\u00edtica \u00e9 luta de classes, \u00e9 a disputa entre as classes, setores e segmentos pelos seus interesses. N\u00e3o tem nenhuma m\u00e1gica na pol\u00edtica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">No document\u00e1rio, n\u00f3s trabalhamos com as classes sociais no Brasil, tanto o grande capital aliado ao capital internacional quanto um programa gestado por setores da burguesia nacional a partir de um projeto de desenvolvimento nacional. Trabalhamos tamb\u00e9m com os trabalhadores urbanos, particularmente a classe oper\u00e1ria, com o movimento campon\u00eas, estudantes, sujeitos que atuaram na pol\u00edtica institucional de correntes pol\u00edticas diferentes, pessoas da esquerda crist\u00e3, comunistas, trabalhistas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Mas n\u00e3o tive o menor interesse em entrevistar o outro lado. Ouvir certos outros lados em algumas circunst\u00e2ncias \u00e9 importante, mas eles [figuras do regime] est\u00e3o falando o tempo inteiro nos jornais. Tem os filmes deles, que n\u00e3o nos ouvem. Essa \u00e9 a tentativa de uma vers\u00e3o do povo brasileiro de sua hist\u00f3ria. \u00c9 um v\u00eddeo com corte de classe, sim, como os deles s\u00e3o. S\u00f3 que as nossas classes s\u00e3o outras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">H\u00e1 um corte tolo sobre a ditadura, que acredita que o golpe e a ditadura foram militares. N\u00e3o foram. Os militares tiveram um peso, mas foi civil-militar. Quando voc\u00ea diz que \u00e9 militar, onde voc\u00ea p\u00f5e o fim da ditadura? Na hora em que o Tancredo [Neves] n\u00e3o assume porque fica doente, e assume outro civil, Jos\u00e9 Sarney. A ditadura n\u00e3o acaba a\u00ed. Acaba quando voc\u00ea constitui um novo Estado de Direito, e isso foi em 1988.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"line-height: 1.3em;\">Como tem sido a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">As pessoas t\u00eam gostado, o que para n\u00f3s \u00e9 extremamente importante. T\u00eam gostado n\u00e3o s\u00f3 dos conte\u00fados, mas da maneira como est\u00e1 exposto. Estou muito contente e vou ficar mais ainda quando os brasileiros, particularmente os jovens, e outros companheiros do mundo inteiro se apropriarem dessa hist\u00f3ria. [O v\u00eddeo] \u00e9 um produto para incidir sobre o saber e a reflex\u00e3o das pessoas, mesmo que n\u00e3o concordem com o que se fala.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"><strong>Voc\u00ea acredita que isso de alguma forma atrapalha a compreens\u00e3o daquele momento?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Muito, demais, porque evita que os que criam e alimentam os mitos fa\u00e7am a cr\u00edtica \u00e0s nossas derrotas e tamb\u00e9m \u00e0s vit\u00f3rias anteriores. Cr\u00edtica no sentido de an\u00e1lise, n\u00e3o \u00e9 xingar e muito menos um ataque pessoal contra o mito que geralmente n\u00e3o tem nada a ver com isso. S\u00e3o os seguidores que criam essa situa\u00e7\u00e3o, e isso n\u00e3o \u00e9 bom. Devemos atingir as pessoas olho no olho e pela porta da frente da cabe\u00e7a, n\u00e3o mexendo com emo\u00e7\u00f5es desconhecidas. Respeitar os nossos companheiros que tombaram e lutaram l\u00e1 atr\u00e1s \u00e9 uma coisa. A mitologiza\u00e7\u00e3o \u00e9 outra, porque n\u00e3o trabalha com seres humanos, trabalha com os ideais, e isso ningu\u00e9m foi e ningu\u00e9m ser\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No teaser de apresenta\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio voc\u00ea afirmou que \u00e9 preciso superar o sentimento de \u201csolidariedade ao sofrimento\u201d que est\u00e1 presente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura. O que voc\u00ea quis dizer com isso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No conjunto da sociedade hoje vai se criando uma consci\u00eancia, a partir dos governos civis, que desabrocha com mais visibilidade a partir do segundo governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e da presidenta Dilma [Rousseff]. Tiveram grande visibilidade as iniciativas do [ex-] ministro Paulo Vanucchi, dos Direitos Humanos, criando os Memoriais das Pessoas Imprescind\u00edveis, jogando para a rua um assunto que estava entre quatro paredes; e do presidente da Comiss\u00e3o de Anistia, Paulo Abr\u00e3o, que, ao criar as caravanas da Anistia, levou para o Brasil inteiro essa discuss\u00e3o. Fora os grupos de direitos humanos que, com isso, t\u00eam seu trabalho potencializado. Depois veio a Comiss\u00e3o da Verdade, que eu acho um avan\u00e7o imenso para esse pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acontece que, de um modo geral, o primeiro movimento das pessoas frente a isso \u00e9 um sentimento extremamente generoso de solidariedade com os que foram perseguidos, torturados, assassinados e desaparecidos, o que \u00e9 muito bom. No entanto, n\u00f3s n\u00e3o podemos parar por a\u00ed. \u00c9 preciso que toda essa sociedade saiba quais os motivos que moveram essas pessoas a resistir e o que aconteceu no pa\u00eds naquele momento. Consideramos fundamental dar a verdadeira dimens\u00e3o pol\u00edtica dos programas e projetos que estavam em curso durante o governo Jo\u00e3o Goulart e que foram massacrados pelas elites brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando um pouco sobre o per\u00edodo do pr\u00e9-golpe, o que representava a figura do Jango naquele momento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rigor, o Jango representava um programa que se inicia pensado e aplicado no governo de Get\u00falio Vargas dos anos 1950, que o leva ao suic\u00eddio. Pa\u00edses atrasados com o desenvolvimento industrial buscavam esse desenvolvimento bancado pelo Estado e articulado com os capitais nacionais e fundado \u2013 da\u00ed seu grande aspecto popular \u2013 em um grande programa de distribui\u00e7\u00e3o de renda. A reforma agr\u00e1ria teria um papel fort\u00edssimo nisso. Primeiro porque ela geraria trabalho pr\u00f3ximo das ferrovias e das rodovias, e a\u00ed o campon\u00eas podia desaguar sua produ\u00e7\u00e3o. Vinha junto com isso a luz el\u00e9trica no campo. A ind\u00fastria de capital nacional produziria geladeiras, liquidificadores e m\u00e1quinas de costura que eles [camponeses] poderiam consumir. Isso era uma revolu\u00e7\u00e3o na concep\u00e7\u00e3o de Brasil naquele tempo. Ele [Jango] representava esse projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"><strong>Havia mesmo o apoio das organiza\u00e7\u00f5es populares para as reformas de base?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Sim, mas o grande problema eram duas quest\u00f5es. Uma \u00e9 um entulho autorit\u00e1rio que est\u00e1 presente at\u00e9 hoje, que \u00e9 a Carta Sindical e o Imposto Sindical, ou seja, a subordina\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores ao Estado. O movimento sindical durante a ditadura se bateu contra isso violentamente e depois as centrais sindicais n\u00e3o derrubaram isso. Se o sindicato come\u00e7a a ter atividades de um tipo que n\u00e3o est\u00e3o na Carta Sindical, o Estado pode intervir.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Junto com essa quest\u00e3o est\u00e1 o tipo de pol\u00edtica dominante, que \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e do povo em torno das sedes dos sindicatos e das lideran\u00e7as. E o que acontece em 1964. Tudo era organizado em torno de l\u00edderes. Veio o golpe e bastou ocupar as sedes dos sindicatos, botar as lideran\u00e7as para correr ou matar, que n\u00e3o sobrou organiza\u00e7\u00e3o independente da classe trabalhadora. \u00c9 diferente, por exemplo, se os trabalhadores estivessem organizados dentro dos seus locais de trabalho. E isso serve tanto para os [trabalhadores] urbanos como para os rurais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"line-height: 1.3em;\">De que forma, para voc\u00ea, os fatos narrados no document\u00e1rio se relacionam com o presente?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Toda essa mem\u00f3ria tem que ser usada para a transforma\u00e7\u00e3o do presente e do futuro. Sen\u00e3o ela vira nostalgia ou narcisismo. Essa mem\u00f3ria tem que nos fazer lembrar que at\u00e9 hoje o mesmo terror de Estado da \u00e9poca da escravid\u00e3o, da ditadura Vargas e da civil-militar instalada em 1964 permanece. Est\u00e1 nas chacinas das periferias de S\u00e3o Paulo e nas chacinas contra o MST no campo. Isso \u00e9 o terror de Estado, as torturas continuam a existir. \u00c9 que o foco agora saiu da repress\u00e3o maior contra a oposi\u00e7\u00e3o, e se fixou nos trabalhadores mais pobres. Nos bairros de periferia, n\u00e3o vigora sequer o mais singelo direito garantido pela Constitui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o direito de ir e vir. Come\u00e7a a escurecer e todos se trancam em casa, com medo igualmente da pol\u00edcia e do crime organizado, e cada vez temos mais dificuldade de saber quais os limites entre um e outro. O terror de Estado est\u00e1 a\u00ed, vivo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c1964 \u2013 Um golpe contra o Brasil\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Dire\u00e7\u00e3o: Alipio Freire<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Dura\u00e7\u00e3o: 147 minutos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Foto do topo: Acervo Iconographia<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Fonte &#8211; Brasil de Fato<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Document\u00e1rio 1964 \u2013 Um golpe contra o Brasil resgata acontecimentos e interesses que conduziram \u00e0 queda de Jo\u00e3o Goulart<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4547"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4547"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4547\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4547"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4547"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4547"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}