{"id":5230,"date":"2013-05-05T14:47:30","date_gmt":"2013-05-05T14:47:30","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/05\/militares-perseguidos-na-ditadura-acusam-discriminacao-e-pedem-justica\/"},"modified":"2013-05-05T14:47:30","modified_gmt":"2013-05-05T14:47:30","slug":"militares-perseguidos-na-ditadura-acusam-discriminacao-e-pedem-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/05\/militares-perseguidos-na-ditadura-acusam-discriminacao-e-pedem-justica\/","title":{"rendered":"Militares perseguidos na ditadura acusam discrimina\u00e7\u00e3o e pedem justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>Militares perseguidos pela ditadura militar deram neste s\u00e1bado depoimentos \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) em audi\u00eancia p\u00fablica na cidade do Rio de Janeiro. Entre os depoimentos de seis pessoas ouvidas hoje, o tom era de insatisfa\u00e7\u00e3o com a aplica\u00e7\u00e3o da anistia aos militares punidos pelo regime de exce\u00e7\u00e3o que prevaleceu no Pa\u00eds entre 1964 e 1985.  <!--more-->  <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os depoimentos ressaltaram que os militares punidos pela ditadura n\u00e3o tiveram a mesma anistia que aqueles que integraram o regime. As dificuldades v\u00e3o da garantia de pens\u00e3o para esposas e filhas at\u00e9 a possibilidade de ascender \u00e0s patentes que companheiros de farda contempor\u00e2neos fi\u00e9is \u00e0 ditadura conseguiram.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, eles reclamam que as For\u00e7as Armadas os continuam tratando de forma diferenciada, como se fossem militares de segunda classe. &#8220;Continuamos discriminados e punidos. N\u00e3o querem nos deixar voltar \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de militar. At\u00e9 hoje somos rotulados e mal recebidos nos quart\u00e9is. Voc\u00ea \u00e9 olhado com desconfian\u00e7a. Eles est\u00e3o nos humilhando&#8221;, disse o capit\u00e3o-de-mar-e-guerra Luiz Carlos de Souza Moreira.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Expulso da Marinha, quando era capit\u00e3o-tenente em 1964, por trabalhar com almirantes leais ao ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica Jo\u00e3o Goulart, Moreira disse esperar uma anistia completa, assim como os militares que permaneceram nas For\u00e7as Armadas. &#8220;Eu quero uma anistia ampla, geral e irrestrita como tiveram os torturadores&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para Paulo Cunha, consultor da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, a anistia deveria apagar o passado desses militares, mas n\u00e3o \u00e9 o que ocorre. &#8220;Eles ainda s\u00e3o vistos como p\u00e1rias, como pessoas n\u00e3o muito bem vistas. Muitos deles n\u00e3o t\u00eam nem herdeiros para deixar [pens\u00f5es]. Eles s\u00f3 querem o reconhecimento de um direito&#8221;, declarou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Opera\u00e7\u00e3o Mosquito<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A audi\u00eancia p\u00fablica de hoje tamb\u00e9m serviu para que alguns militares fornecessem informa\u00e7\u00f5es sobre epis\u00f3dios antes e durante a ditadura militar de 1964, como a chamada Opera\u00e7\u00e3o Mosquito. A a\u00e7\u00e3o visava a impedir a posse de Jo\u00e3o Goulart como presidente da Rep\u00fablica depois da ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros, em 1961.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo relato do coronel-aviador Roberto Baere, o plano era impedir que o avi\u00e3o que trazia Jango de Porto Alegre para Bras\u00edlia, chegasse \u00e0 capital federal. O ent\u00e3o tenente do 1\u00ba Grupamento de Avia\u00e7\u00e3o de Ca\u00e7a da Base A\u00e9rea de Santa Cruz disse ter recebido ordens do comandante da base, tenente-coronel Paulo Costa (j\u00e1 morto), para preparar os ca\u00e7as a fim de abater o avi\u00e3o do vice-presidente.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Baere disse que ele e tr\u00eas colegas se recusaram a cumprir a miss\u00e3o e pediram para n\u00e3o ser inclu\u00eddos nos planos de derrubada da aeronave. &#8220;Pedimos que ele n\u00e3o nos escalasse porque entramos nas For\u00e7as Armadas para defender a Constitui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o agredi-la&#8221;, declarou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o de um jovem oficial de pouco menos de 30 anos de idade, segundo ele, foi o motivo para a expuls\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea tr\u00eas anos depois, j\u00e1 durante a ditadura militar. &#8220;Fui sumariamente expulso, ap\u00f3s 50 dias de pris\u00e3o incomunic\u00e1vel, policiado na porta por um oficial portando metralhadora, como se fosse um marginal de alta periculosidade&#8221;, disse o coronel.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O suboficial Paulo Novais Coutinho foi expulso por se recusar a cumprir uma ordem superior, que, se levada a cabo, provavelmente ocasionaria um massacre. O ent\u00e3o fuzileiro naval disse que, em 25 de mar\u00e7o de 1964, foi enviado ao Sindicato dos Metal\u00fargicos, no centro da cidade, para dispersar uma reuni\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Marinheiros e Fuzileiros Navais, considerada ilegal pelo comando da Marinha.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;O Conselho do Almirantado determinou que os fuzileiros navais fossem reprimir a manifesta\u00e7\u00e3o. Eu era da companhia de pol\u00edcia, ent\u00e3o fomos, um pelot\u00e3o de 39 homens, para reprimi-la. L\u00e1, a assembleia estava em sess\u00e3o em apoio ao presidente constitucional do Pa\u00eds, Jo\u00e3o Goulart. Ao recebermos uma ordem [dos superiores] para evacuar a reuni\u00e3o a qualquer pre\u00e7o. Isso resultaria em um massacre. Ent\u00e3o, botamos a metralhadora no ch\u00e3o, entramos no sindicato e apoiamos o movimento&#8221;, relatou o suboficial.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Segundo ele, sua atitude lhe rendeu a expuls\u00e3o do Corpo de Fuzileiros Navais e oito meses de pris\u00e3o. Ele disse que ficou incomunic\u00e1vel por sete meses e chegou a ficar detido por 30 dias no por\u00e3o de um navio adernado.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A posi\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Defesa \u00e9 n\u00e3o comentar sobre o assunto.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Militares perseguidos pela ditadura militar deram neste s\u00e1bado depoimentos \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) em audi\u00eancia p\u00fablica na cidade do Rio de Janeiro. 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