{"id":5251,"date":"2013-05-05T15:13:18","date_gmt":"2013-05-05T15:13:18","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/05\/documentos-apontam-que-cia-via-em-brizola-a-principal-ameaca-a-ditadura\/"},"modified":"2013-05-05T15:13:18","modified_gmt":"2013-05-05T15:13:18","slug":"documentos-apontam-que-cia-via-em-brizola-a-principal-ameaca-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/05\/documentos-apontam-que-cia-via-em-brizola-a-principal-ameaca-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Documentos apontam que CIA via em Brizola a principal amea\u00e7a \u00e0 ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Relat\u00f3rio da ag\u00eancia aponta ex-governador como um ativo insurgente e fomentador da guerrilha<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/zerohora.rbsdirect.com.br\/imagesrc\/14986065.jpg?w=620\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Com o golpe de 1964, Brizola amargou um ex\u00edlio de 15 anos, boa parte dele vivendo em sua fazenda no Uruguai\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>Foto: Ricardo Chaves \/ Agencia RBS  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Nos primeiros anos do regime militar (1964-1985), os focos de insurg\u00eancia armada haviam sido sufocados e a maioria dos l\u00edderes pol\u00edticos de esquerda estava presa ou vivia no ex\u00edlio. Nesse clima de aparente legalidade, a popula\u00e7\u00e3o se inclinava a apoiar os militares, instigada pelo discurso oficial de combate \u00e0 amea\u00e7a subversiva. Um nome, contudo, era temido nos bastidores do poder: Leonel de Moura Brizola.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Enquanto respirava a brisa do Rio da Prata, no Uruguai, Brizola comandava opera\u00e7\u00f5es, treinava guerrilheiros e recebia aux\u00edlio financeiro de Cuba e de ultranacionalistas brasileiros com objetivo de derrubar a ditadura. A vers\u00e3o sobre as atividades do trabalhista e o papel de Cuba no apoio de grupos extremistas na Am\u00e9rica Latina est\u00e3o descritos em um calhama\u00e7o de papeis da CIA \u2014 a ag\u00eancia de intelig\u00eancia americana \u2014 enviados ao governo brasileiro, ao qual ZH teve acesso.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Intitulado Intelligence Handbook, o dossi\u00ea da ag\u00eancia se det\u00e9m em descrever em dezenas de p\u00e1ginas a a\u00e7\u00e3o dos grupos contr\u00e1rios ao regime, com foco sobre o Movimento Nacional Revolucion\u00e1rio (MNR) de Brizola, considerado como o mais &#8220;ativo&#8221; grupo de oposi\u00e7\u00e3o ao regime. A documenta\u00e7\u00e3o \u00e9 datada de fevereiro de 1968.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A teia de rela\u00e7\u00f5es de Brizola \u00e9 descrita em min\u00facias, bem como os homens que formavam o seu establishment: Paulo Shilling \u2014 um dos fundadores do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Master), uma organiza\u00e7\u00e3o precursora do MST \u2014, o ex-deputado Neiva Moreira e o coronel do Ex\u00e9rcito Dagoberto Rodrigues, ex-diretor do Departamento de Correios e Tel\u00e9grafos no governo Jo\u00e3o Goulart. Os tent\u00e1culos de Brizola se estenderiam pela Europa, onde seu contato era o ex-deputado Max da Costa Santos, que se encontrava exilado em Paris. Era ele quem viajava para Cuba atrav\u00e9s de uma conex\u00e3o por Praga em busca de suporte para a\u00e7\u00f5es guerrilheiras. Para a CIA, a indica\u00e7\u00e3o mais clara do envolvimento de Cuba \u00e9 seu apoio ao grupo de exilados de Leonel Brizola. &#8220;Os couriers (mensageiros) cubanos contataram e financiaram insurgentes brasileiros no Uruguai e financiaram sua viagem a Cuba para treinamento em campos de guerrilha&#8221;, aponta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-5244\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/14986137.jpg\" border=\"0\" width=\"512\" height=\"341\" style=\"vertical-align: middle;\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/14986137.jpg 1024w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/14986137-300x200.jpg 300w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/14986137-768x512.jpg 768w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/14986137-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><br \/> <\/span><\/p>\n<address>Tancredo, Simon e Brizola em Nova York: ex-governador prepara seu retorno<\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Um estilo centralizador<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ainda segundo os documentos, Brizola arranjou um grau de prote\u00e7\u00e3o para ele pr\u00f3prio e sua organiza\u00e7\u00e3o no Uruguai desenvolvendo rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas com v\u00e1rios pol\u00edticos e oficiais, bem como com grupos revolucion\u00e1rios daquele pa\u00eds, entre eles o Movimento Revolucion\u00e1rio Oriental e a Frente de Esquerda de Liberta\u00e7\u00e3o (Fidel), ambos ligados ao regime cubano. \u00c0quela altura, Brizola j\u00e1 sofria com escassez de homens dispostos a &#8220;encarar os perigos e dificuldades encontradas pelas guerrilhas&#8221; e os relatos apontam o recrutamento de poss\u00edveis combatentes at\u00e9 no Paraguai. Embora fosse financiado pelos revolucion\u00e1rios de Sierra Maestra e que membros do MNR eram constantemente treinados na ilha, Brizola se recusava a aceitar cubanos como integrantes do seu grupo, segundo a CIA, &#8220;provavelmente temendo perder o controle de sua organiza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 N\u00e3o resta d\u00favida que toda a press\u00e3o e carga era sobre o Brizola. Ele era o perigo \u2014 atesta Jair Krischke, do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos, que considera fundamental que toda documenta\u00e7\u00e3o venha \u00e0 tona, mesmo que sob a \u00f3tica americana dos fatos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Para a CIA, a &#8220;insist\u00eancia&#8221; de Brizola em ser o \u00fanico comandante de qualquer opera\u00e7\u00e3o o teria colocado em desacordo com outros grupos brasileiros e contribu\u00eddo para o seu &#8220;fracasso&#8221; em obter apoio un\u00e2nime at\u00e9 entre os exilados no Uruguai. Centralizador, o ga\u00facho em 1968 estaria cedendo espa\u00e7o para outras agremia\u00e7\u00f5es guerrilheiras, como a Resist\u00eancia Armada Nacionalista (RAN), sob a lideran\u00e7a do ex-almirante C\u00e2ndido de Assis Arag\u00e3o e que reunia antigos oficiais do Ex\u00e9rcito e da FAB. O grupo contaria, conforme os dados da CIA, com uma rede de escape e uma base guerrilheira de apoio na Bol\u00edvia, onde foram encontrados contatos e nomes e endere\u00e7os em Porto Alegre.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 mesmo o suporte de Cuba Brizola estaria perdendo, em detrimento de outras lideran\u00e7as como Carlos Marighella. Diante do suposto isolamento, o ex-governador estaria buscando outras fontes de financiamento atrav\u00e9s do governo da Arg\u00e9lia, onde Miguel Arraes estava exilado. A atua\u00e7\u00e3o de Arraes \u00e9 tida pela CIA como mais voltada para esfera pol\u00edtica, sem a\u00e7\u00e3o &#8220;proeminente nos c\u00edrculos revolucion\u00e1rios&#8221;. J\u00e1 Brizola era mais temido, principalmente por, dois anos antes, ter posicionado um grupo paramilitar na serra do Capara\u00f3, divisa entre Esp\u00edrito Santo e Minas Gerais, naquela que \u00e9 tida como a primeira guerrilha da ditadura. &#8220;O grupo foi recrutado, organizado, treinado, financiado e dirigido por Leonel Brizola&#8221;, enfatiza o relat\u00f3rio da CIA.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Capara\u00f3 era a menina dos olhos do Brizola, mas foi um grande fracasso. Era um grupo muito bem preparado militarmente, mas que acabou se isolando da popula\u00e7\u00e3o e ficou sem condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas de resistir \u2014 relata o jornalista Fl\u00e1vio Tavares, que questiona a maioria dos informes da CIA j\u00e1 que eram baseados em dados do regime que nem sempre traduziam a verdade.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A documenta\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o surpreende a fam\u00edlia de Brizola. O filho Jo\u00e3o Ot\u00e1vio, 60 anos, afirma que se soube mais tarde que havia infiltrados da CIA no Uruguai monitorando seu pai e que foi a partir de 1968 que Brizola parou de arquitetar contra a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Antes disso, ele era uma m\u00e1quina de conspirar e n\u00e3o tenho a menor d\u00favida de que tinha apoio de Cuba.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma descri\u00e7\u00e3o dos levantes<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ao longo das dezenas de p\u00e1ginas do relat\u00f3rio elaborado pela CIA h\u00e1 uma descri\u00e7\u00e3o de tentativas de levantes guerrilheiros ocorridos no pa\u00eds e da capacidade de as For\u00e7as Armadas sufocarem qualquer &#8220;esfor\u00e7o insurgente&#8221;. Existia o temor de novos movimentos em Estados menos populosos como Mato Grosso, Goi\u00e1s e Amazonas \u2014 o que de fato ocorreu no caso da Guerrilha do Araguaia. O dossi\u00ea destaca, contudo, que o Ex\u00e9rcito, precavido, come\u00e7ou a realizar manobras em \u00e1reas rurais e in\u00f3spitas e que a popula\u00e7\u00e3o estaria pronta a auxiliar na dela\u00e7\u00e3o. &#8220;O Ex\u00e9rcito mant\u00e9m uma boa reputa\u00e7\u00e3o entre o povo por meio de programa de a\u00e7\u00e3o c\u00edvica.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O foco embrion\u00e1rio de guerrilha tinha origem em Leonel Brizola. O mais sofisticado esfor\u00e7o teria ocorrido em 1966, na Serra do Capara\u00f3, quando um grupo de cerca de 20 homens apoiados do ex\u00edlio pelo ga\u00facho tentou recriar na regi\u00e3o uma insurrei\u00e7\u00e3o nos moldes cubanos. Sem apoio dos camponeses enquanto aguardava instru\u00e7\u00f5es de Brizola, os guerrilheiros foram capturados no final de mar\u00e7o de 1967. A unidade contava com apoio log\u00edstico de Bayard Demaria Boiteux, ex-presidente do PSB. Junto aos guerrilheiros, a ponte de Boiteux era o ex-sargento Amadeu Rocha, a quem repassava dinheiro e rem\u00e9dios. &#8220;Amadeu dep\u00f4s em interrogat\u00f3rio que Brizola gastou US$ 30 mil providenciado por Cuba no esfor\u00e7o em Capara\u00f3&#8221;, aponta o dossi\u00ea da CIA.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Alguns integrantes dessa insurg\u00eancia, segundo a CIA, teriam participado em 1965 de um incidente no Rio Grande do Sul em um destacamento militar em Tr\u00eas Passos. Eles eram liderados por Jefferson Cardim, que fazia parte do grupo de exilados no Uruguai sob o guarda-chuva de Brizola. O relat\u00f3rio aponta que o levante teve inspira\u00e7\u00e3o brizolista, mas sua influ\u00eancia foi nula.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Cardim estava brigado na \u00e9poca com Brizola. Ele agiu por conta pr\u00f3pria quando cruzou a fronteira \u2014 assegura Jair Krischke, do MJDH.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A documenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m faz men\u00e7\u00e3o \u00e0 pris\u00e3o de um grupo de terroristas em Uberl\u00e2ndia (MG), em 1967, com &#8220;quantidades de explosivos qu\u00edmicos incendi\u00e1rios e armas&#8221;. O interrogat\u00f3rio dos presos incluiu o jornalista Fl\u00e1vio Tavares.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 O Grupo de Uberl\u00e2ndia nunca chegou a funcionar. Quis implantar um foco de guerrilha, mas foi infiltrado pela pol\u00edcia. Se tornou apenas uma isca para levar \u00e0 minha pris\u00e3o \u2014 lembra Tavares, que nega que o grupo possu\u00eda armamentos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o dossi\u00ea, Tavares teria sido recrutado por um membro do bando para contatar Brizola, com quem se encontrou duas vezes em janeiro daquele ano e teria intermediado para um instrutor de guerrilha viajar a Minas Gerais. O grupo foi desmantelado em julho.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Na \u00e9poca, fiz um contato com Brizola, mas desconhec\u00edamos que o grupo tinha se transformado em uma armadilha. Tudo o que o grupo fazia a pol\u00edcia tomava conhecimento. O grupo n\u00e3o tinha rela\u00e7\u00e3o com o Brizola \u2014 afirma o jornalista.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Preocupa\u00e7\u00e3o com os &#8220;reacion\u00e1rios&#8221;<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio da CIA tamb\u00e9m tem um cap\u00edtulo destinado \u00e0 linha dura do regime, que representava uma &#8220;potencial amea\u00e7a&#8221; \u00e0 estrutura pol\u00edtica do pa\u00eds. A preocupa\u00e7\u00e3o com esses setores, classificados de &#8220;reacion\u00e1rios&#8221; pelo dossi\u00ea, envolvia n\u00e3o s\u00f3 oficiais aposentados, mas tamb\u00e9m militares da ativa \u2014 a maioria majores e coron\u00e9is \u2014 com ideias reformistas ligados ao ex-presidente Castelo Branco e que estariam exercendo certa press\u00e3o junto ao atual mandat\u00e1rio, Costa e Silva. O temor se estendia a setores da sociedade como latifundi\u00e1rios (&#8220;abastados plantadores de caf\u00e9&#8221;) e industrialistas, que estariam descontentes com a reforma econ\u00f4mica e que, no passado, chegaram a se unir a nacionalistas em busca de uma legisla\u00e7\u00e3o protecionista.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Nem mesmo o maior nome conservador da pol\u00edtica escapou dos adjetivos da CIA. O ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda \u00e9 tido como a figura pol\u00edtica mais &#8220;perigosa&#8221; ao regime: &#8220;Ele \u00e9 um oportunista esperto, com la\u00e7os apertados com os conservadores, reacion\u00e1rios e oficiais militares linha dura&#8221;. O relat\u00f3rio faz men\u00e7\u00e3o \u00e0 Frente Ampla, movimento liderado por Lacerda e os ex-presidentes Jo\u00e3o Goulart e Juscelino Kubitschek contra o regime, que pleiteava elei\u00e7\u00f5es diretas e a recupera\u00e7\u00e3o dos direitos cancelados com o golpe. O documento menciona que Lacerda estaria perdendo apoio entre os setores conservadores ao &#8220;cortejar&#8221; for\u00e7as pr\u00e9-revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A CIA e os grupos guerrilheiros<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Zero Hora teve acesso a documentos da ag\u00eancia de intelig\u00eancia norte-americana, a CIA, repassados pela ONG The National Security Archive ao governo brasileiro. Especializada na libera\u00e7\u00e3o de documentos secretos, a National \u00e9 vinculada \u00e0 Universidade George Washington. Ao todo, s\u00e3o 270 paginas, sendo 40 pertencentes ao &#8220;Livro de Intelig\u00eancia&#8221; da CIA, de fevereiro de 1968.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A seguir, um resumo de como a CIA monitorava e analisava poss\u00edveis grupos exilados capazes de criar focos de &#8220;insurg\u00eancia&#8221; no Brasil.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Movimento Nacional Revolucion\u00e1rio (MNR)<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Grupo que concentrou sua organiza\u00e7\u00e3o no Uruguai ap\u00f3s o golpe de 1964, o MNR era composto por militares contr\u00e1rios ao regime, por\u00e9m tamb\u00e9m contava com civis. Segundo os documentos da CIA, era organizado por Leonel Brizola e recebia aux\u00edlio do governo cubano.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Trecho dos documentos: &#8220;Entre os v\u00e1rios grupos opostos ao governo existente, o MNR de Leonel Brizola \u00e9 conhecido como o mais ativo&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A Resist\u00eancia Armada Nacionalista (RAN)<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Concentrado em Montevid\u00e9u, era dominado por militares exclu\u00eddos pelo regime, capitaneados pelo almirante Candido Arag\u00e3o, mas tamb\u00e9m trazia antigas lideran\u00e7as do Ex\u00e9rcito e da For\u00e7a A\u00e9rea. O RAN se opunha \u00e0s decis\u00f5es do MRN e n\u00e3o reconhecia Brizola, um civil, como l\u00edder.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Trecho dos documentos: &#8220;O RAN tem sido mal sucedido em obter apoio significativo tanto dos comunistas cubanos quanto dos chineses.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fundado em 1922, defendia o marxismo, com forte atua\u00e7\u00e3o em sindicatos. Teve um curto per\u00edodo de legalidade. Lu\u00eds Carlos Prestes e Carlos Marighella foram grandes lideran\u00e7as, sendo que Marighella deixou a sigla. Segundo a CIA, o PCB recebia aux\u00edlio da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Trecho dos documentos: &#8220;O PCB segue a linha sovi\u00e9tica e \u00e9 o maior grupo revolucion\u00e1rio disciplinado no Brasil. Soma cerca de 13,2 mil de acordo com suas lideran\u00e7as.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O Partido Comunista do Brasil (CPB)<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Articulado por dissidentes do PCB, na d\u00e9cada de 1960, o partido vivia na clandestinidade. Era mais afinado com a doutrina chinesa da esquerda, na defesa de guerrilhas para insuflar a revolu\u00e7\u00e3o armada. Por ser mais recente, ainda sofria com o n\u00famero escasso de membros.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Trecho dos documentos: &#8220;Tr\u00eas ou quatro grupos do CPB receberam de tr\u00eas a seis meses de treinamento em insurg\u00eancia urbana e rural na China comunista.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A\u00e7\u00e3o Popular (AP)<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Formada por lideran\u00e7as estudantis de esquerda, surgiu nos anos 1960, liderada por membros da Igreja Cat\u00f3lica. Mais forte nos centros urbanos, conseguiu organizar manifesta\u00e7\u00f5es estudantis e se ramificar pelo pa\u00eds. Conforme a CIA, teria inclina\u00e7\u00f5es pela insurg\u00eancia armada.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Trecho dos documentos: &#8220;Se a AP iniciar a insurg\u00eancia, ela provavelmente tomar\u00e1 a forma de terrorismo urbano. Muito sobre esta organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 especulativo.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Polop<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Criado nos anos 1960, congregava lideran\u00e7as estudantis e de trabalhadores. Radical, incluindo dissidentes de partidos de esquerda, no futuro deu origem a outros movimentos que lutaram contra o regime. Em 1968, a CIA n\u00e3o acreditava na capacidade de insurg\u00eancia do grupo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Trecho dos documentos: &#8220;Intelectuais marxistas que acreditam que o Brasil pode ser salvo por uma revolu\u00e7\u00e3o violenta baseada em uma alian\u00e7a estudante-trabalhador.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Grupos Trotskistas<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os movimentos trotskistas seguiam a doutrina do ucraniano Leon Trotsky, lideran\u00e7a que fez hist\u00f3ria na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Os movimentos tinham diferentes grupos, como o Partido Oper\u00e1rio Revolucion\u00e1rio Trotskista (PORT), envolvido em paralisa\u00e7\u00f5es de trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Trecho dos documentos: &#8220;Orientado para preparar e liderar revoltas camponesas, eles t\u00eam sido culpados por tentativas de atos isolados de terrorismo e sabotagem.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-5250\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/14986064.jpg\" border=\"0\" width=\"512\" height=\"341\" style=\"vertical-align: middle;\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/14986064.jpg 1024w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/14986064-300x200.jpg 300w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/14986064-768x512.jpg 768w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/14986064-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><br \/> <\/span><\/p>\n<address>Em Nova York: Brizola foi acompanhado pelos EUA desde o in\u00edcio da ditadura<\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>ENTREVISTA Peter Kornbluh<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Diretor da The National Security Archive<\/strong><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;A hist\u00f3ria dos arquivos brasileiros deve ser revelada&#8221;<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Pesquisador da ONG The National Security Archive, Peter Kornbluh \u00e9 um especialista em obter documentos outrora secretos do governo dos Estados Unidos. Ele tem auxiliado o Brasil na obten\u00e7\u00e3o destes relat\u00f3rios, como o acervo de 270 p\u00e1ginas que Zero Hora teve acesso, informes entregues \u00e0 Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em entrevista concedida por e-mail a ZH, o pesquisador avalia a import\u00e2ncia da abertura de arquivos, o primeiro ano da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o brasileira e a influ\u00eancia norte-americana nos regimes militares da Am\u00e9rica Latina. A seguir, os principais trechos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Zero Hora &#8211; Qual a import\u00e2ncia de abrir arquivos secretos de pa\u00edses?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Peter Kornbluh &#8211;<\/strong> A abertura de arquivos governamentais \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o para a democracia. \u00c9 o direito do cidad\u00e3o saber, em qualquer pa\u00eds, o que seu governo tem feito em seu nome, mas sem seu conhecimento. Sem acesso \u00e0 verdadeira hist\u00f3ria, pode n\u00e3o haver fundamento hist\u00f3rico para um debate p\u00fablico integral sobre o futuro. Particularmente, em pa\u00edses como o Brasil, onde existe um hist\u00f3rico de abusos de direitos humanos e repress\u00e3o, as evid\u00eancias nos arquivos s\u00e3o fundamentais para se chegar a um veredicto social, legal e hist\u00f3rico sobre o passado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>ZH &#8211; Como funciona o processo para abrir documentos secretos nos Estados Unidos?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Peter &#8211;<\/strong> Nos Estados Unidos h\u00e1 uma legisla\u00e7\u00e3o clara sobre liberdade de informa\u00e7\u00e3o, que garante o direito legal de requisitar e obter documentos. Existe tamb\u00e9m o sistema da biblioteca presidencial, supervisionado pelo governo, onde documentos-chave s\u00e3o coletados, revisados e eventualmente disponibilizados para pesquisas escolares.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>ZH &#8211; O Brasil criou sua Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o. O senhor a conhece?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Peter &#8211; <\/strong>O Brasil \u00e9 uma das \u00faltimas grandes na\u00e7\u00f5es a aprovar uma lei de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, algo muito importante. O anivers\u00e1rio da lei est\u00e1 chegando, e jornalistas e organiza\u00e7\u00f5es devem avaliar como ela funcionou: quantos pedidos foram arquivados, quantos documentos foram liberados, quantos documentos foram retidos, e se a reten\u00e7\u00e3o foi leg\u00edtima ou ileg\u00edtima. \u00c9 indispens\u00e1vel uma auditoria do primeiro ano para ajudar a melhorar a implementa\u00e7\u00e3o da lei nos anos que vir\u00e3o. A documenta\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o tem apenas o grande papel de fortalecer o fluxo de informa\u00e7\u00e3o para os cidad\u00e3os brasileiros, mas tamb\u00e9m informar outros pa\u00edses sobre o papel que o Brasil desempenhou no Exterior.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>ZH &#8211; Qual foi a influ\u00eancia dos Estados Unidos nas ditaduras militares da Am\u00e9rica do Sul?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Peter &#8211; <\/strong>Os Estados Unidos ajudaram secretamente a criar os mais famosos regimes militares na regi\u00e3o &#8211; do sanguin\u00e1rio regime guatemalteco em 1954 \u00e0s juntas brasileiras em 1964, at\u00e9 o regime Pinochet em 1973. Nos Estados Unidos e na Am\u00e9rica Latina n\u00f3s sabemos muito sobre a interven\u00e7\u00e3o secreta americana na regi\u00e3o em virtude da nossa capacidade de usar a lei de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o para obter documentos com acesso liberado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>ZH &#8211; E Cuba financiou grupos armados na Am\u00e9rica do Sul?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Peter &#8211; <\/strong>Como n\u00e3o temos acesso aos arquivos cubanos, n\u00e3o sabemos a hist\u00f3ria completa sobre o apoio do pa\u00eds \u00e0s insurg\u00eancias latino-americanas. Depois que Che Guevara foi morto por tropas treinadas pelos americanos na Bol\u00edvia, o apoio cubano para insurg\u00eancias foi significativamente reduzido at\u00e9 os anos 1980, quando Cuba apoiou alguns elementos revolucion\u00e1rios na Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>ZH &#8211; Como o senhor avalia o regime militar no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Peter &#8211; <\/strong>O Brasil \u00e9 uma superpot\u00eancia regional. A ditadura brasileira possu\u00eda uma pol\u00edtica exterior muito intervencionista no Conesul &#8211; auxiliando na derrubada de Salvador Allende (Chile), participando no enfraquecimento do governo da Bol\u00edvia, influenciando as elei\u00e7\u00f5es no Uruguai etc. A hist\u00f3ria dos arquivos brasileiros deve ser revelada para o benef\u00edcio da regi\u00e3o latino-americana, como tamb\u00e9m o direito de saber de todos os brasileiros.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Zero Hora<\/p>\n<p class=\"p6\"><span> <\/span><span> <\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio da ag\u00eancia aponta ex-governador como um ativo insurgente e fomentador da guerrilha Com o golpe de 1964, Brizola amargou um ex\u00edlio de 15 anos, boa parte dele vivendo em sua fazenda no Uruguai\u00a0Foto: Ricardo Chaves \/ Agencia RBS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5244,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5251"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5251"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5251\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5244"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}