{"id":6161,"date":"2013-07-07T23:11:33","date_gmt":"2013-07-07T23:11:33","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/07\/1932-o-ano-em-que-os-paulistas-foram-combater-a-ditadura-vargas\/"},"modified":"2013-07-07T23:11:33","modified_gmt":"2013-07-07T23:11:33","slug":"1932-o-ano-em-que-os-paulistas-foram-combater-a-ditadura-vargas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/07\/1932-o-ano-em-que-os-paulistas-foram-combater-a-ditadura-vargas\/","title":{"rendered":"1932: O ano em que os paulistas foram combater a ditadura Vargas"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O feriado da pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira marca os 81 anos da maior luta armada da hist\u00f3ria dos paulistas<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6158\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/a43e122e-eaca-485e-8c55-027e473c9332.jpg\" border=\"0\" width=\"440\" height=\"227\" style=\"vertical-align: baseline;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Volunt\u00e1rios em Ribeir\u00e3o Preto, no Pal\u00e1cio Rio Branco (Foto: Arquivo pessoal)<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p>A guerra dos paulistas estoura, para valer, em 9 de julho de 1932. Em 23 de maio do mesmo ano, haviam morrido<\/p>\n<p>os estudantes Martins, Miragaia, Drauzio, Camargo e Alvarenga (MMDCA), em repress\u00e3o durante um protesto nas ruas.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A revolu\u00e7\u00e3o dura at\u00e9 2 de outubro, quando os paulistas se rendem \u00e0s for\u00e7as federalistas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ribeir\u00e3o Preto tamb\u00e9m se mobiliza pela revolu\u00e7\u00e3o. Ao final, \u00e9 ocupada por tropas goianas e mineiras. O Jornal A Cidade acompanha todo o movimento.\u00a0As not\u00edcias chegam aos poucos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na edi\u00e7\u00e3o do dia 10 de julho, A Cidade traz o editorial \u201cTenhamos cuidado!\u201d, denunciando \u201ca infiltra\u00e7\u00e3o perigosa de elementos nocivos na pol\u00edtica nacional\u201d. O texto pede: \u201cFundam-se os partidos s\u00e3os, que correspondam a nossa finalidade de paiz civilisado, combatendo sempre os elementos extremistas que querem aguilhoar o Brasil\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Notici\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No dia 12 de julho, o jornal publica os primeiros telegramas:<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>\u201cS\u00e3o Paulo, 11 de julho &#8211; Partiram desta capital, com destino a Cruzeiro, 5 mil homens da For\u00e7a P\u00fablica do Estado, que alli v\u00e3o guarnecer as fronteiras do Estado. Um avi\u00e3o paulista voou hoje sobre a cidade fluminense de Rezende e barra do Pirahy, fazendo reconhecimento. Dois avi\u00f5es de bombardeiro chegaram a esta capital, tendo voado sobre a cidade, aterrisando em campo de Marte, adherindo ao movimento constitucionalista. Not\u00edcias do Rio dizem que o sr. Getulio Vargas dirigiu um manifesto \u00e0 Na\u00e7\u00e3o, em que classifica o povo de S\u00e3o Paulo de rebelde e incita os brasileiros a pegarem em armas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em editorial, A Cidade p\u00f5e a culpa do movimento no presidente da Rep\u00fablica: \u201cMas, em tudo isso, h\u00e1 um culpado, e esse culpado \u00e9 o sr. Getulio Vargas, que n\u00e3o attendeu em tempo os reclamos do povo, que queria a constitucionalisa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds breve, que queria ser livre como sempre foi, n\u00e3o mais se amoldando ao regimen de oppress\u00e3o e de despotismo.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Porta-voz<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Cidade torna-se porta-voz do movimento constitucionalista em Ribeir\u00e3o Preto. J\u00e1 no da 13 de julho publica com destaque na primeira p\u00e1gina um editorial intitulado \u201cSeparatismo? N\u00e3o!\u201d<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>N\u00e3o queremos o Brasil seccionado, n\u00e3o queremos o Brasil de republiquetas ingl\u00f3rias, presa certa e f\u00e1cil de potencias audazes. (&#8230;) Para a luta, paulistas! De cora\u00e7\u00e3o forte e fusil r\u00e1pido pela redemp\u00e7\u00e3o do Brasil!\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Editorial forte<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No dia 14 de julho, sai outro editorial, sob o t\u00edtulo \u201cRibeir\u00e3o Preto, escuta!\u201d: \u201cNunca, nos momentos cr\u00edticos para o estado ou para o Brasil, o povo da grande metr\u00f3pole cafeeira, deste centro magn\u00edfico de energia fecunda e trabalho sadio, recusou o seu concurso, largo e firme pela victoria das boas causas. (,&#8230;) A nossa mocidade esta ahi, galharda e decidida, em busca das sec\u00e7\u00f5es de alimentos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As exmas. Senhoras e senhoritas agem para a constitui\u00e7\u00e3o da Cruz Vermelha, organisa\u00e7\u00e3o t\u00e3o necess\u00e1ria no momento que passa. O professorado local, reunido, num gesto de desprendimento e belleza, hypothecou apoio irrestricto a commiss\u00e3o Pr\u00f3-Constituinte. As classes conservadoras, commercio, lavoura e industria, v\u00e3o pronunciar-se igualmente de maneira efficaz. Os nossos patr\u00edcios mineiros residentes nesta cidade, numa attitude que os enche de sympathia e applausos, telegrapharam as altas autoridades politicas do seu estado, solicitando, em nome das tradi\u00e7\u00f5es montanhezas, a adhes\u00e3o ampla de Minas a conducta nobre de S. Paulo (&#8230;)<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. H\u00e1, ainda, um facto altamente expressivo: a resolu\u00e7\u00e3o dos advogados locaes alistando-se na forma\u00e7\u00e3o do batalh\u00e3o das classes liberaes de Ribeir\u00e3o Preto.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Povo que assim procede \u00e9 povo que quer vencer, e vencer\u00e1.\u201d<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Uni\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No dia 19 de julho, a primeira manchete falando claramente em guerra: \u201cA Lucta pela redemp\u00e7\u00e3o do Brasil \u2013 S\u00e3o Paulo, unido, marcha para a guerra. E Ribeir\u00e3o Preto arregimenta-se para a peleja\u201d. <span class=\"s1\"><br \/> <\/span>O editorial de 20 de julho pede aos trabalhadores n\u00e3o engajados que mantenham-se produtivos: \u201c\u00c9 preciso que cada paulista, compenetrado de seus deveres, tome a sua posi\u00e7\u00e3o, tanto nas armas como em suas actividades, para que a nossa produc\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha solu\u00e7\u00e3o de continuidade, para que sejam abastecidas regularmente as tropas em opera\u00e7\u00f5es e para que a seguran\u00e7a dos nossos lares e da nossa propriedade n\u00e3o periclite. (&#8230;)\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ribeir\u00e3o Preto se mobilizou para defender a Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Num dos v\u00e1rios batalh\u00f5es que se formam e seguem para as frentes de batalha ou para a vigil\u00e2ncia das fronteiras A Cidade inclui um \u201cenviado especial\u201d, seu diretor Jo\u00e3o Palma Gui\u00e3o, ex-prefeito de Ribeir\u00e3o Preto. Ele integra a Companhia Marcondes Salgado, formada por volunt\u00e1rios. Como o pelot\u00e3o n\u00e3o entra em luta, ele acaba mandando relatos cheios de humor.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cPedregulho, 30 \u2013 O rancho tem melhorado sensivelmente. A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 boa e bem feita. De vez em quando apparecem garraf\u00f5es de vinho. E as offertas de doces, bolachas, past\u00e9is se succedem. Alguns est\u00e3o at\u00e9 engordando.. O Virgilio emagreceu um pouco, mas n\u00e3o por falta de alimento. \u00c9 falta de outra cousa&#8230;\u201d<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Mas nem tudo \u00e9 gra\u00e7a. Muitos perdem a vida.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Morre N\u00e9lio<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Em 16 de setembro, A Cidade mancheta: \u201cN\u00e9lio Guimar\u00e3es, o primeiro acad\u00eamico de Direito que tomba o campo de lucta\u201d. \u201cA cidade esteve representada pelo sr. Oswaldo Rossi, que acompanhou o corpo do bravo N\u00e9lio Guimar\u00e3es de Ribeir\u00e3o Preto a Sales Oliveira, onde assistiu ao sepultamento\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Morre Ayrton Roxo<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6159\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/5f5a97c4-c936-4cff-b8b9-d66c4fa68fb6.jpg\" border=\"0\" width=\"310\" height=\"200\" style=\"vertical-align: baseline;\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/5f5a97c4-c936-4cff-b8b9-d66c4fa68fb6.jpg 310w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/5f5a97c4-c936-4cff-b8b9-d66c4fa68fb6-300x194.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 310px) 100vw, 310px\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Jovem de Ribeir\u00e3o Preto, Ayrton Roxo morre aos 23 lutando na Cavalaria Rio Pardo (Foto: Arquivo pessoal)<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 23 de setembro, outra baixa: morre o jovem comerciante de caf\u00e9 Ayrton Roxo, chamado de T\u00e3ozinho por seus companheiros. \u201cCausou profundo pezar nesta cidade a noticia da morte do bravo soldado da cavallaria Rio Pardo, Ayrton Roxo. Filho de Ribeir\u00e3o Preto, T\u00e3ozinho, como todos o chamavam, foi um dos mais bravos soldados de seu batalh\u00e3o. Destemido e patriota, por occasi\u00e3o dos combates era sempre um dos mais avan\u00e7ados. Foi tamb\u00e9m um dos primeiros a alistar-se no batalh\u00e3o em que morreu\u201d.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>O corpo de Ayrton Roxo foi sepultado pelos proprios inimigos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ribeir\u00e3o ocupada<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">25 de setembro de 1932. \u00c9 nessa data que circula a edi\u00e7\u00e3o n\u00b0 10.840 de A Cidade, a \u00faltima antes da ocupa\u00e7\u00e3o a cidade pelas for\u00e7as federais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o seguinte s\u00f3 circular\u00e1 20 dias mais tarde. Os paulistas haviam se rendido no come\u00e7o de outubro. No dia 18 de outubro, Ribeir\u00e3o Preto estava ocupada por for\u00e7as inimigas, primeiro goianas, depois mineiras. A Cidade publica o editorial \u201cNovos Horizontes\u201d, sustentando que a luta n\u00e3o fora em v\u00e3o: \u201cSe o resultado a principio pareceu completamente desfavor\u00e1vel, p\u00f3de-se hoje asseverar que a nossa gente \u2013 a mocidade em primeiro plano \u2013 sahiu victoriosa da sangrenta pugna. O fim desejado era a Constitui\u00e7\u00e3o. Ella est\u00e1 em caminho&#8230;\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A ocupa\u00e7\u00e3o da cidade \u00e9 traum\u00e1tica. H\u00e1 depreda\u00e7\u00f5es, confrontos, constrangimentos, mortes, revolta popular, hostilidades das tropas invasoras, ataque da cavalaria. A paz s\u00f3 voltaria a 1\u00b0 de novembro.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA Cavallaria se foi&#8230; desceu a Duque de Caxias rumo \u00e0 esta\u00e7\u00e3o da Mogyana, para voltar de onde n\u00e3o deveria ter vindo&#8230;\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O engajamento de Ribeir\u00e3o Preto impressiona<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um balan\u00e7o da participa\u00e7\u00e3o de Ribeir\u00e3o Preto durante os 87 dias da revolu\u00e7\u00e3o pela Constitui\u00e7\u00e3o mostra que a cidade se mobilizou para defender os ideais do movimento.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6160\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/ea43fe34-e022-41ec-8f44-ead16b83989c.jpg\" border=\"0\" width=\"310\" height=\"200\" style=\"vertical-align: baseline;\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/ea43fe34-e022-41ec-8f44-ead16b83989c.jpg 310w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/ea43fe34-e022-41ec-8f44-ead16b83989c-300x194.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 310px) 100vw, 310px\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um registro das trincheiras no campo de batalha, com paulistas defendendo as fronteiras do Estado na divisa com Minas (Foto: Arquivo pessoal)<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi s\u00f3 o alistamento dos profissionais liberais, muitos enviados para as frentes de combate.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Houve tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o das mulheres, atrav\u00e9s de colabora\u00e7\u00f5es para os feridos, organiza\u00e7\u00e3o de mantimentos para os batalh\u00f5es, arrecada\u00e7\u00e3o de donativos para fazer frente \u00e0s despesas. Dois ribeir\u00e3o-pretanos morreram em combate: Ayrton Roxo e N\u00e9lio Guimar\u00e3es. Muitos outros participaram da Cavalaria do Rio Pardo, idealizada pelo fazendeiro de Campinas Cid de Castro Prado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte: A CIDADE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O feriado da pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira marca os 81 anos da maior luta armada da hist\u00f3ria dos paulistas Volunt\u00e1rios em Ribeir\u00e3o Preto, no Pal\u00e1cio Rio Branco (Foto: Arquivo pessoal) \u00a0 A guerra dos paulistas estoura, para valer, em 9 de julho de 1932. 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