{"id":6270,"date":"2013-08-08T01:55:41","date_gmt":"2013-08-08T01:55:41","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/08\/08\/predio-simbolo-do-arbitrio-da-ditadura-militar-em-sp-sera-museu-da-justica\/"},"modified":"2013-08-08T01:55:41","modified_gmt":"2013-08-08T01:55:41","slug":"predio-simbolo-do-arbitrio-da-ditadura-militar-em-sp-sera-museu-da-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/08\/08\/predio-simbolo-do-arbitrio-da-ditadura-militar-em-sp-sera-museu-da-justica\/","title":{"rendered":"Pr\u00e9dio s\u00edmbolo do arb\u00edtrio da ditadura militar em SP, ser\u00e1 museu da justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O pr\u00e9dio de tr\u00eas andares situado na avenida Brigadeiro Luiz Ant\u00f4nio, 1249, na Bela Vista, regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo, que ser\u00e1 entregue oficialmente nesta segunda-feira (05) pelo governo federal \u00e0 sec\u00e7\u00e3o paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), passar\u00e1 por uma profunda metamorfose. Maior s\u00edmbolo do arb\u00edtrio, antiga sede da 2\u00aa Auditoria Militar, ele ser\u00e1 transformado num memorial de luta pol\u00edtica pela justi\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o dos direitos sufocados durante a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6269\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/bgfux37aetyn677itldsqjx1a.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/span><\/p>\n<address \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>Antiga sede da 2\u00aa Auditoria Militar, na av. Brigadeiro Luiz Ant\u00f4nio, em S\u00e3o Paulo  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<address><span style=\"line-height: 1.3em;\"><br \/><\/span><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No meio dos cerca de 20 mil processos que tramitaram entre 1964 e 1985 ali foram julgados os principais l\u00edderes e dirigentes da gera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que se formou a partir de 1985 com a redemocratiza\u00e7\u00e3o. Entre eles est\u00e3o os ex-presidente <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/fhc\/4f7df884d14d951b120000b2.html\">Fernando Henrique Cardoso<\/a> , <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/lula\/4f8898dfd14d951b12000154.html\">Luiz In\u00e1cio Lula da Silva<\/a> e a atual titular do Planalto, <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/dilma-rousseff\/4f884a98d14d951b12000143.html\">Dilma Rousseff<\/a> . A defesa exercida \u00e0 \u00e9poca pelos advogados era uma mera formalidade, j\u00e1 que os direitos mais comezinhos de quem ousou enfrentar um a ent\u00e3o poderosa m\u00e1quina militar eram simplesmente ignorados.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cNossos escrit\u00f3rios eram invadidos, o habeas corpus foi ignorado e havia um desrespeito muito grande aos mais elementares princ\u00edpios do direito. Eu mesmo fui preso tr\u00eas vezes por defender perseguidos pol\u00edticos\u201d, conta o advogado Belis\u00e1rio dos Santos J\u00fanior, ex-secret\u00e1rio de Justi\u00e7a e vice-presidente da Comiss\u00e3o da Verdade paulista. Ele \u00e9 um dos respons\u00e1veis pela \u201cconquista\u201c da \u00faltima trincheira da ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Diante do escancarado cerceamento, os advogados eram obrigados a exercer a criatividade para defender seus clientes na desigual batalha jur\u00eddica: como a pol\u00edcia e os \u00f3rg\u00e3os militares agiam frequentemente na clandestinidade, sempre que se tinha not\u00edcia de pris\u00f5es, os fatos eram narrados em of\u00edcio e formalmente comunicados aos ju\u00edzes militares. Assim, os casos tornavam-se de conhecimento da justi\u00e7a e evitava-se que a lista de mortos e desaparecidos fosse encorpada.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Num clima adverso, em que o medo se alternava com o bom humor dos advogados, Belis\u00e1rio lembra que seu colega Idibal Pivetta, sempre que precisava de uma informa\u00e7\u00e3o sobre andamento de processo, telefonava para Dias, um dos escriv\u00e3es da justi\u00e7a militar, com uma rotineira brincadeira: \u201cDias, a democracia est\u00e1 vindo a\u00ed. N\u00f3s vamos crescer e tomar esse pr\u00e9dio\u201d. Ator e diretor de teatro (\u00e9 criador do grupo Teatro Popular Uni\u00e3o e Olho Vivo, do qual Belis\u00e1rio tamb\u00e9m participa), o advogado Idibal contava, naturalmente, com a parceria do servidor, que levava a \u201camea\u00e7a\u201d na esportiva.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cIdibal foi profeta\u201d, diz Belis\u00e1rio, ao relacionar a brincadeira ao evento dessa segunda-feira. O pr\u00e9dio que est\u00e1 sendo \u201ctomado\u201d pelos advogados &#8211; defensores e perseguidos ao mesmo tempo &#8211; pertence a Superintend\u00eancia do Patrim\u00f4nio da Uni\u00e3o (SPU) e ser\u00e1 cedido em car\u00e1ter permanente \u00e0 OAB. Administrado em gest\u00e3o compartilhada com \u00f3rg\u00e3os de cultura e direitos humanos do governo estadual, prefeitura e Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, o local ser\u00e1 um museu vivo, mais ou menos como \u00e9 a Pinacoteca do Estado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Uma das novidades simb\u00f3licas ser\u00e1 a invers\u00e3o das portarias. Dentro da reengenharia da obra, a entrada principal agora ser\u00e1 pelos fundos, \u00fanico local permitido \u00e0 \u00e9poca aos advogados e presos e perseguidos pol\u00edticos que iam \u00e0 2\u00aa Auditoria Militar prestar depoimentos que, no final, se tornavam in\u00f3cuos diante de senten\u00e7as cujo desfecho todos sabiam com anteced\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cQuem saiu de l\u00e1 humilhado agora voltar\u00e1 com dignidade\u201d, diz Belis\u00e1rio. Segundo ele, a transforma\u00e7\u00e3o do local refor\u00e7ar\u00e1 os sentimentos de mem\u00f3ria e repara\u00e7\u00e3o contra a famigerada Lei de Seguran\u00e7a Nacional, que cristalizava as barbaridades perpetuadas no per\u00edodo de arb\u00edtrio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Os \u00faltimos julgamentos ocorridos no pr\u00e9dio envolveram como r\u00e9us o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) &#8211; por ofensa ao ex-presidente Jo\u00e3o Batista Figueiredo &#8211; e os dirigentes do PCB, acusados por fazer pol\u00edtica num momento em que era proibido at\u00e9 entrar na justi\u00e7a com pedido de registro partid\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Belis\u00e1rio, a estrat\u00e9gia da defesa &#8211; uma ousadia &#8211; foi entregar ao ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, Armando Falc\u00e3o, celebrizado pela eterna postura do \u201cnada a declarar\u201d, o pedido de legaliza\u00e7\u00e3o da legenda comunista. \u201cAo receber os documentos o Armando Falc\u00e3o ficou mudo\u201d, lembra o advogado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; IG<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pr\u00e9dio de tr\u00eas andares situado na avenida Brigadeiro Luiz Ant\u00f4nio, 1249, na Bela Vista, regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo, que ser\u00e1 entregue oficialmente nesta segunda-feira (05) pelo governo federal \u00e0 sec\u00e7\u00e3o paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), passar\u00e1 por uma profunda metamorfose. Maior s\u00edmbolo do arb\u00edtrio, antiga sede da 2\u00aa Auditoria Militar, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6270"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6270"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6270\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6270"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6270"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6270"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}