{"id":6613,"date":"2013-10-12T10:28:50","date_gmt":"2013-10-12T10:28:50","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/12\/a-verdade-e-uma-so\/"},"modified":"2013-10-12T10:28:50","modified_gmt":"2013-10-12T10:28:50","slug":"a-verdade-e-uma-so","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/12\/a-verdade-e-uma-so\/","title":{"rendered":"A VERDADE \u00c9 UMA S\u00d3"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A verdade \u00e9 uma s\u00f3. Mas, limitadas como s\u00e3o as pessoas, fazem-se dela interpreta\u00e7\u00f5es diversas, apresentam-se vers\u00f5es diferentes. Isso porque, mudado o \u00e2ngulo de onde se v\u00ea, v\u00ea-se de forma diversa. Especialmente se v\u00ea de forma diversa quando os que interpretam est\u00e3o instalados em posi\u00e7\u00f5es diferentes. No caso do \u201cmassacre de Ipatinga\u201d, o que aconteceu, segundo os sobreviventes?  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos aos fatos.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo dia 7, segunda-feira, no F\u00f3rum de Ipatinga, foi realizada uma audi\u00eancia p\u00fablica conjunta da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) e da Comiss\u00e3o da Verdade em Minas Gerais (Covemg). Foi a primeira reuni\u00e3o conjunta das duas comiss\u00f5es e ela transcorreu em clima de total entrosamento. Na verdade, a pr\u00f3pria Lei n\u00ba 20.765, de 17 de julho de 2013, sancionada pelo governador Ant\u00f4nio Anastasia instituindo a Covemg, estabeleceu em seu artigo primeiro que sua finalidade era acompanhar e subsidiar os trabalhos da CNV. Al\u00e9m disso, a dra. Rosa Cardoso,coordenadora do Grupo de Trabalho Ditadura e Repress\u00e3o aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical, da CNV, respons\u00e1vel pela convoca\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia<span class=\"s1\">, <\/span>fez quest\u00e3o da presen\u00e7a e da contribui\u00e7\u00e3o dos membros da Covemg. Assim, uma boa vontade inicial contribuiu para o feliz andamento da audi\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No intervalo dos trabalhos, foram elaboradas a quatro m\u00e3os 34 perguntas para serem feitas aos representantes da Usiminas e da Pol\u00edcia Militar de Minas Gerais (PMMG) que compareceram para prestar seus esclarecimentos. No caso da Usiminas, foi a primeira vez que ela participou de evento de tal natureza. Uma das testemunhas, o Sr. Cley Vilian, propriet\u00e1rio de dois caminh\u00f5es OPEL utilizados na opera\u00e7\u00e3o do dia 7 de outubro de 1963, ao ser indagado sobre quem o contratou, foi bastante incisivo: Usiminas. Afirmou, ainda, que tinha um contrato assinado com a referida empresa. Tamb\u00e9m foi claro ao afirmar que transportava soldados da cavalaria da PMMG e que, no dia do massacre, um dos seus caminh\u00f5es carregava a metralhadora que foi utilizada para assassinar trabalhadores e familiares. Al\u00e9m de afirmar que possui a c\u00f3pia do contrato com a Usiminas, ele ainda disse que, posteriormente, foi contratado como motorista pela mesma empresa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nesse momento do depoimento, no entender dos advogados presentes \u00e0 audi\u00eancia, esclareceu-se a configura\u00e7\u00e3o da cadeia de comando, ou seja, soube-se quem deu a ordem e quem atirou no epis\u00f3dio que passou \u00e0 hist\u00f3ria como o \u201cmassacre de Ipatinga\u201d. Esse esclarecimento poder\u00e1 facilitar a responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal de todos os que nele estavam envolvidos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O representante da Usiminas, dr. Afonso Celso Flecha de Lima \u00c1lvares, mesmo sabendo qual era o motivo da audi\u00eancia, praticamente n\u00e3o respondeu a nenhuma das perguntas a ele dirigidas. At\u00e9 o nome do primeiro presidente da empresa ele n\u00e3o sabia ou n\u00e3o quis responder. Mas, obviamente, as perguntas ser\u00e3o todas enviadas por escrito \u00e0 Usiminas, que ter\u00e1 um prazo para as respostas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Diante do que se viu na audi\u00eancia p\u00fablica realizada, fica evidente que ser\u00e1 necess\u00e1rio convocar-se uma outra, da qual participem os poss\u00edveis respons\u00e1veis pelo massacre, incluindo todos os torturadores citados. A CNV pode usar seu poder coercitivo para tanto, ou seja, pode convocar quem julgar necess\u00e1rio e, em caso de recusa, pode solicitar provid\u00eancias \u00e0 Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">D\u00e1 trabalho descobrir a verdade, mas ela \u00e9 uma s\u00f3 e existe para al\u00e9m das vers\u00f5es. Em 1963, a cidade de Ipatinga n\u00e3o constava do mapa pol\u00edtico de Minas Gerais, seu nome nem sequer era conhecido. Mas naquela regi\u00e3o, em algum lugar daquela regi\u00e3o, ocorreu um epis\u00f3dio infeliz a que se agregou posteriormente o seu nome. E esse epis\u00f3dio, indevidamente coberto pelas cortinas do tempo e do esquecimento, resta insepulto nas p\u00e1ginas da hist\u00f3ria e reclama esclarecimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">BETINHO DUARTE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A verdade \u00e9 uma s\u00f3. Mas, limitadas como s\u00e3o as pessoas, fazem-se dela interpreta\u00e7\u00f5es diversas, apresentam-se vers\u00f5es diferentes. Isso porque, mudado o \u00e2ngulo de onde se v\u00ea, v\u00ea-se de forma diversa. Especialmente se v\u00ea de forma diversa quando os que interpretam est\u00e3o instalados em posi\u00e7\u00f5es diferentes. 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