{"id":6618,"date":"2013-10-14T17:07:50","date_gmt":"2013-10-14T17:07:50","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/14\/um-dia-muito-especial-aqui-nos-eua\/"},"modified":"2013-10-14T17:07:50","modified_gmt":"2013-10-14T17:07:50","slug":"um-dia-muito-especial-aqui-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/14\/um-dia-muito-especial-aqui-nos-eua\/","title":{"rendered":"Um dia muito especial aqui nos EUA"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Hoje tivemos uma cerim\u00f4nia da Comiss\u00e3o de Anistia junto \u00e0 Brown University para agradecimento e homenagem \u00e0queles que, desde os EUA, promoveram resist\u00eancia \u00e0 ditadura militar brasileira. E amanh\u00e3 continua.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o hist\u00f3rias que desnudam as rela\u00e7\u00f5es Brasil-EUA durante a ditadura. Na semana passada eu falei sobre minha confer\u00eancia na American University onde acentuei a cumplicidade americana no Golpe. Falei que o Golpe de Estado no Brasil foi apoiado pelos EUA no contexto da Guerra Fria. Os historiadores e os arquivos secretos desclassificados pelos Arquivos de Seguran\u00e7a Nacional mostram que antes do Golpe, Washington financiou as elei\u00e7\u00f5es de pol\u00edticos regionais advers\u00e1rios do presidente Jo\u00e3o Goulart e encaminhou ajuda externa para governadores da oposi\u00e7\u00e3o. No dia do Golpe (autodenominado revolu\u00e7\u00e3o ou contrarevolu\u00e7\u00e3o) o presidente Lindon Johnson e sua IV Frota Militar no Oceano Atlantico estava de prontid\u00e3o para intervir diretamente para sustentar a insurg\u00eancia militar no Brasil. Mas n\u00e3o foi preciso pois n\u00e3o houve rea\u00e7\u00e3o social ou resist\u00eancia do presidente Goulart. Gest\u00f5es diplom\u00e1ticas do embaixador Lincoln Gordon e apoio log\u00edstico do Pent\u00e1gono assegurou o apoio ao Golpe. No dia seguinte ao Golpe Militar, Johnson reconheceu oficialmente o Governo Militar. A imprensa norteamericana tamb\u00e9m apoiou e elogiou a agenda anticomunista do &#8220;novo&#8221; governo. O governos Nixon-Ford (1969-1976) apoiaram abertamente os regimes militares na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, logo nos primeiros anos da ditadura, jornalistas, intelectuais, estudantes, religiosos, artistas e congressistas norte-americanos, muitas vezes inspirados pela solidariedade crist\u00e3 e na defesa dos direitos humanos, foram pe\u00e7as-chave no movimento internacional de rep\u00fadio \u00e0 desumanidade da ditadura brasileira. Gra\u00e7as a incans\u00e1veis protestos nas universidades, igrejas e em parte da imprensa foram feitas den\u00fancias sobre as graves viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos no Brasil e sobre a falta de democracia. Isso ajudou a construir uma condena\u00e7\u00e3o moral internacional que colaborou para ativar a derrocada do regime militar. Os ativistas norte americanos ou brasileiros que viviam aqui, motivados pela situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil e no restante da America Latina, ajudaram a reduzir o isolamento doa presos e perseguidos pol\u00edticos brasileiros. Ajudaram a salvar vidas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Hoje homenageamos oficialmente alguns deles. Dias atr\u00e1s, militantes do Brasil agradeceram \u00a0ao Chile por ter protegido tantos de nosso exilados. Desta vez agradecemos aos ativistas americanos. As fotos deles est\u00e3o abaixo para que voc\u00eas os conhe\u00e7am. E segue uma minibiografia de cada um. Alguns nunca pisaram no Brasil. Acalentam este sonho. S\u00e3o estes os homenageados:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Paul Silberstein havia retornado da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de &#8220;Peace Corps&#8221; no Brasil e foi estudar na Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley, quando assistiu ao filme &#8220;Brasil: Um Relat\u00f3rio sobre a Tortura&#8221; (1971 ), que documentou a tortura dos ex-presos pol\u00edticos brasileiros exilados no Chile. Logo depois, se juntou a um pequeno grupo de brasileiros que estavam produzindo o Boletim Informativo Brasileiro, um boletim informativo que documentou abusos dos direitos humanos do regime militar. Trabalhando discretamente nos bastidores, Paulo era um editor do Boletim , que circulou entre os acad\u00eamicos , membros do Congresso e outros interessados no Brasil. Publicado a partir de 1971 at\u00e9 1976, o Boletim era uma voz consistente de oposi\u00e7\u00e3o ao regime militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Harry Strharsky, e sua esposa Loretta Strharsky, conheceu Marcos Arruda \u00a0em Washington, DC , em 1971, e rapidamente se tornou envolvido na organiza\u00e7\u00e3o de uma manifesta\u00e7\u00e3o para protestar contra a visita do presidente brasileiro &#8211; general M\u00e9dici &#8211; \u00e0 Casa Branca de Nixon. Eles e outros formaram o Comit\u00ea Contra a Repress\u00e3o no Brasil (CARIB) como um rosto p\u00fablico de suas atividades, que envolveu organizar protestos p\u00fablicos, a constru\u00e7\u00e3o de liga\u00e7\u00f5es com membros progressistas do Congresso, e apoiar a Comiss\u00e3o Bertrand Russell sobre a Tortura e Repress\u00e3o no Brasil, Chile e Am\u00e9rica Latina. Harry Strharsky serviu como elo de liga\u00e7\u00e3o dos EUA para a Comiss\u00e3o e coordenou suas atividades norte-americanas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Loretta Strharsky , junto com seu marido Harry Strharsky , fazia parte de um pequeno grupo de ativistas na \u00e1rea de Washington, DC, que estavam envolvidos em atividades anti- ditadura, no in\u00edcio dos anos 1970. Como parte da campanha para protestar contra a visita oficial do presidente general M\u00e9dici para os Estados Unidos, Loretta concordou em ser fotografada em cenas de tortura simulada que foram exibidas na frente da Casa Branca. A co-fundadora e incans\u00e1vel membro do Comit\u00ea Contra a Repress\u00e3o no Brasil ( CARIB ) e, posteriormente, a Frente Comum para a Am\u00e9rica Latina ( COFFLA), \u00a0ajudou a sustentar esses grupos que serviram de ponto focal para as atividades de solidariedade latino-americanos em Washington, DC.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">William Wipfler foi Diretor Associado e, em seguida, o Diretor do Departamento do Conselho Nacional de Igrejas da Am\u00e9rica Latina . Em 1970, ele levou uma s\u00e9rie de documentos detalhando os abusos dos direitos humanos no Brasil \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos. Os casos que surgiram a partir dessas den\u00fancias levaram a Comiss\u00e3o a declarar, em 1974, que o Brasil tinha sido respons\u00e1vel por graves viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos. Um artigo de 1970 denunciando a tortura no Brasil , intitulado &#8220;Progresso a que Pre\u00e7o? &#8221; e publicado no &#8220;Cristandade e Crise&#8221; foi uma acusa\u00e7\u00e3o mordaz ao regime militar e ajudou a recrutar muitos cl\u00e9rigos e religiosos \u00e0 causa dos direitos humanos no Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Marcos Arruda se envolveu em atividades pol\u00edticas como estudante de Geologia no in\u00edcio dos anos 60. Depois de ter sido colocado na lista negra do trabalho como ge\u00f3logo no Rio de Janeiro, mudou-se para S\u00e3o Paulo, onde trabalhou em uma f\u00e1brica, a fim de ajudar a reorganizar o movimento sindical que havia sido dizimada depois do golpe militar de 1964. Em 1970 foi preso, acusado de atividades subversivas, e quase morreu sob tortura. Depois de ser libertado da pris\u00e3o, se mudou para os Estados Unidos onde fundou o Comit\u00ea Contra a Repress\u00e3o no Brasil e esteve envolvido em campanhas pelos Estados Unidos para denunciar o regime militar. Um artigo sobre sua pris\u00e3o e tortura publicado no Washington Post, em 1970, ajudou a sensibilizar esse jornal a publicar um editorial contundente contra o governo brasileiro e criticar consistentemente o \u00a0apoio do governo dos EUA \u00e0 ditadura brasileira.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Jovelino Ramos \u00e9 \u00a0ministro presbiteriano aposentado, que era ativista das quest\u00f5es de justi\u00e7a social no Brasil na d\u00e9cada de 1960. Indiciado sob a Lei de Seguran\u00e7a Nacional por supostas atividades subversivas, ele veio para os Estados Unidos em 1968 e participou de diversas atividades na Costa Leste para educar o p\u00fablico dos EUA sobre as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos no Brasil. Estes inclu\u00edram angariar apoio para a declara\u00e7\u00e3o &#8220;N\u00f3s n\u00e3o podemos ficar calados&#8221;, que mobilizou o clero , os l\u00edderes dos direitos civis, e os indiv\u00edduos proeminentes para denunciar o uso da tortura em presos pol\u00edticos no Brasil. Ele serviu como uma liga\u00e7\u00e3o importante entre as atividades anti-ditadura e a comunidade religiosa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Aproveitamos e homenageamos tamb\u00e9m ao querido professor James N Green.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">E amanh\u00e3 na Columbia University uma outra solenidade homenager\u00e1 tamb\u00e9m:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Margaret Craham \u00e9 Professora Em\u00e9rita de Hist\u00f3ria Latinoamericana no Hunter College, da Universidade da Cidade de New York. Enquanto estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Universidade de Columbia em 1960, ela apoiou a campanha para denunciar a tortura e repress\u00e3o no Brasil. Entre suas atividades esteve acompanhar o deputado M\u00e1rcio Moreira Alves, quem havia tido cassado seus direitos pol\u00edticos no Brasil em 1968, em uma excurs\u00e3o por faculdades e universidades na Costa Leste e no Meio-Oeste, na primavera de 1970, para educar os alunos sobre a pol\u00edtica situa\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ralph Della Cava \u00e9 Professor Em\u00e9rito de Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina do Queens College, da Universidade da Cidade de New York. Ele \u00e9 um dos membros fundadores da &#8220;Amigos Americanos do Brasil&#8221; \u00a0em Nova York em 1970, e um dos principais mobilizadores das campanhas para denunciar a tortura nos Estados Unidos na d\u00e9cada de 1970 . Seu artigo &#8220;A tortura no Brasil&#8221;, publicado na revista Commonweal em abril de 1970, provocou uma pol\u00eamica com o ex-embaixador Lincoln Gordon, por revelar a cumplicidade de Gordon com a tortura que ocorreu no Brasil , logo ap\u00f3s o golpe militar de 1964 . Co-organizador do dossi\u00ea &#8220;Terror no Brasil&#8221;, Ralph Della Cava esteve envolvido em todas as campanhas para denunciar abusos de direitos humanos no Brasil durante a d\u00e9cada de 1970 .<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">E \u00e0 dist\u00e2ncia tamb\u00e9m ser\u00e1 lembrado o papel de Anivaldo Padilha que esteve envolvido no movimento de jovens da Igreja Metodista em S\u00e3o Paulo na d\u00e9cada de 1960, bem como no movimento ecum\u00eanico progressista. Em 1970 ele foi preso e torturado por conta de seu envolvimento em atividades clandestinas contra o regime militar brasileiro. Atrav\u00e9s de conex\u00f5es da igreja , ele conseguiu obter um visto para vir para os Estados Unidos, onde trabalhou na Calif\u00f3rnia para organizar campanhas anti-ditadura ao longo dos anos 1970. Al\u00e9m de ser um editor do Boletim Informativo Brasileiro, coordenou diversas atividades junto a um grupo diverso de estudantes brasileiros e ativistas norte-americanos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Abra\u00e7os a todos e todas,<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Paulo Abr\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje tivemos uma cerim\u00f4nia da Comiss\u00e3o de Anistia junto \u00e0 Brown University para agradecimento e homenagem \u00e0queles que, desde os EUA, promoveram resist\u00eancia \u00e0 ditadura militar brasileira. 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