{"id":6619,"date":"2013-10-14T17:12:45","date_gmt":"2013-10-14T17:12:45","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/14\/familia-lanca-campanha-para-saber-o-que-aconteceu-com-honestino-guimaraes\/"},"modified":"2013-10-14T17:12:45","modified_gmt":"2013-10-14T17:12:45","slug":"familia-lanca-campanha-para-saber-o-que-aconteceu-com-honestino-guimaraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/14\/familia-lanca-campanha-para-saber-o-que-aconteceu-com-honestino-guimaraes\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia lan\u00e7a campanha para saber o que aconteceu com Honestino Guimar\u00e3es"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>Os 40 anos do desaparecimento do militante Honestino Guimar\u00e3es foram lembrados quinta-feira (10) \u00a0em uma audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade do Rio (CEV-Rio) no Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. No ato, a filha do l\u00edder estudantil, Juliana Botelho, prestou depoimento p\u00fablico pela primeira vez e lan\u00e7ou a campanha &#8220;Trilhas de Honestino&#8221;, para resgatar a mem\u00f3ria do pai e ter pistas do desaparecimento dele.  <!--more-->  <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Contaremos com colabora\u00e7\u00f5es principalmente via redes sociais. Qualquer coisa interessa: fotos, relatos, pistas&#8221;, pediu Juliana, que receber\u00e1 as informa\u00e7\u00f5es pelo e-mail <a href=\"mailto:memoriahonestino@gmail.com\">memoriahonestino@gmail.com<\/a>. &#8220;A campanha tem o objetivo de levantar documentos, registros hist\u00f3ricos e relatos que possam ajudar a estabelecer a verdade sobre o que aconteceu. \u00c9 como cidad\u00e3 brasileira e como filha que pe\u00e7o respostas que at\u00e9 hoje n\u00e3o foram dadas. O que aconteceu com o meu pai? Quem o matou? E onde est\u00e1 o seu corpo?&#8221;.<span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O presidente da CEV-Rio, Wadih Damous, disse que o caso de Honestino, que desapareceu em 10 de outubro de 1973, \u00e9 singular e talvez o mais nebuloso entre os desaparecidos pol\u00edticos. &#8220;Na hist\u00f3ria dos desaparecimentos pol\u00edticos for\u00e7ados na ditadura, \u00e9 \u00fanico. Do Honestino, n\u00e3o h\u00e1 rastros. Honestino \u00e9 o desaparecido total. N\u00e3o h\u00e1 relatos, n\u00e3o h\u00e1 pistas, n\u00e3o h\u00e1 nada. Ele simplesmente desapareceu. O que sabemos \u00e9 que ele era vigiado e perseguido por diversos \u00f3rg\u00e3os da repress\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel que tenha sido assassinado na rua, e se livraram do corpo. Vamos partir do zero&#8221;.<span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Natural de Itabera\u00ed, em Goi\u00e1s, aos 17 anos, Honestino foi o primeiro colocado no vestibular da UnB para geologia, em 1965. Por seu envolvimento com a pol\u00edtica estudantil, foi preso diversas vezes. Em agosto de 1967, preso pela quarta vez, foi eleito presidente da Federa\u00e7\u00e3o dos Estudantes Universit\u00e1rios de Bras\u00edlia. Em 26 de setembro de 1968, foi desligado da universidade como puni\u00e7\u00e3o por ter liderado movimento pela expuls\u00e3o de um falso professor da UnB, informante da ditadura. Naquele ano, casou-se com Isaura Botelho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1968, com a edi\u00e7\u00e3o do Ato Institucional N\u00ba 5 (AI-5), que suspendeu v\u00e1rias garantias constitucionais, Honestino passou a viver na clandestinidade, com Isaura, em S\u00e3o Paulo. Em 1970, nasceu a filha do casal, Juliana. Quando o ent\u00e3o presidente da UNE, Jean Marc van der Weid, foi preso, Honestino assumiu a presid\u00eancia interina da entidade, permanecendo at\u00e9 1971. Naquele ano, foi eleito presidente da entidade. Em 10 de outubro de 1973, foi preso no Rio por agentes do Centro de Informa\u00e7\u00f5es da Marinha (Ceninar), quando desapareceu sem deixar qualquer vest\u00edgio. Tinha 26 anos na \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na audi\u00eancia, prestaram depoimento amigos de Honestino, como o vereador do Rio Eliomar Coelho, que o conheceu ainda na UnB e o definiu como uma pessoa que buscava manter momentos de lazer e alegria apesar do contexto pol\u00edtico. &#8220;Ele tinha uma felicidade muito grande e gostava muito de compartilh\u00e1-la com os amigos. N\u00e3o deixava de viver os prazeres da vida&#8221;, disse o vereador, que lembrou de um epis\u00f3dio em que o militante estendeu uma faixa com os dizeres: &#8220;Yankees, go home&#8221; [Ianques, v\u00e3o para casa], durante a visita do astronauta americano Neil Armstrong \u00e0 universidade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Depois de Coelho, dep\u00f4s o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Agostinho Guerreiro, que al\u00e9m de colega de milit\u00e2ncia, era tamb\u00e9m amigo de Honestino e se casou com a ex-mulher dele, Isaura Botelho, e criou Juliana, filha do casal. &#8220;A grandeza dele era tamanha, que ele consentiu que a Juliana o chamasse de pai Gui e eu fosse o pai Gusto. Fomos muito amigos&#8221;.\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Agostinho levava Juliana para encontrar Honestino com frequ\u00eancia, e lembra um dia em que quebraram as regras da organiza\u00e7\u00e3o de esquerda e fizeram um almo\u00e7o. &#8220;N\u00e3o pod\u00edamos saber o endere\u00e7o nem o nome verdadeiro uns dos outros. Quando \u00edamos nos mudar, decidimos fazer um almo\u00e7o em fam\u00edlia com ele no nosso apartamento. Me lembro at\u00e9 hoje do sorriso dele quando falamos dessa ideia. O abra\u00e7o que ele me deu chegava a machucar. Quebramos todas as regras de seguran\u00e7a e tiramos fotografias aquele dia. Uma delas me marcou muito, que \u00e9 ele deitado no colo da Juliana. Foram quatro, cinco horas muito felizes&#8221;.<span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outra depor foi Elia Meneses, que abrigou Honestino em sua casa sem saber seu verdadeiro nome, como volunt\u00e1ria da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. &#8220;Ele era muito manso e ao mesmo tempo muito seguro. Era muito focado. Praticava exerc\u00edcios, se alimentava bem e dormia pouco, dizendo que era prepara\u00e7\u00e3o para a luta pol\u00edtica. Falava muito da filha e principalmente da m\u00e3e, que dizia ser a pessoa que ele mais amava&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3e de Honestino, Maria Rosa Guimar\u00e3es, buscou informa\u00e7\u00f5es sobre o filho ao saber de seu desaparecimento, e chegou a obter a promessa de que poderia visit\u00e1-lo no Natal de 1973, em uma pris\u00e3o de Bras\u00edlia. Quando o dia chegou, no entanto, os militares disseram a ela, no local, que o filho n\u00e3o estava l\u00e1. Maria Rosa morreu no ano passado.<span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo dia 20 de setembro, Honestino Guimar\u00e3es foi considerado anistiado pol\u00edtico, e o relator do processo recomendou que, em na certid\u00e3o de \u00f3bito, de 1995, fosse modificada a data de falecimento, que foi registrada como 10 de outubro de 1973 para data de desaparecimento. Outro pedido foi a inclus\u00e3o da causa de morte, que est\u00e1 em branco no documento, como &#8220;crimes cometidos pelo Estado&#8221;.<span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes e o Diret\u00f3rio Central Estudantil da UFRJ tamb\u00e9m participaram do ato e exaltaram Honestino como um exemplo e inspira\u00e7\u00e3o para o movimento estudantil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211;\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os 40 anos do desaparecimento do militante Honestino Guimar\u00e3es foram lembrados quinta-feira (10) \u00a0em uma audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade do Rio (CEV-Rio) no Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 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