{"id":6631,"date":"2013-10-18T14:37:37","date_gmt":"2013-10-18T14:37:37","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/18\/sede-do-antigo-dops-em-bh-e-tombada-e-se-tornara-centro-de-memoria\/"},"modified":"2013-10-18T14:37:37","modified_gmt":"2013-10-18T14:37:37","slug":"sede-do-antigo-dops-em-bh-e-tombada-e-se-tornara-centro-de-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/18\/sede-do-antigo-dops-em-bh-e-tombada-e-se-tornara-centro-de-memoria\/","title":{"rendered":"Sede do antigo Dops em BH \u00e9 tombada e se tornar\u00e1 centro de mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Segundo dados oficiais, 85 mineiros que lutavam contra o regime foram mortos, no pr\u00e9dio do Dops, entre 1964 e 1985<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p><em>Sede do antigo Dops na Av. Afonso Pena, em BH, onde atualmente funciona o Departamento de Investiga\u00e7\u00e3o Anti-drogas da Pol\u00edcia Civil <\/em><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Uma p\u00e1gina obscura do per\u00edodo da ditadura em Belo Horizonte ser\u00e1 transformada para ter um futuro mais interessante para a popula\u00e7\u00e3o de Belo Horizonte. Nesta quarta-feira, foi aprovado, pelo Conselho Deliberativo do Patrim\u00f4nio Cultural de Belo Horizonte, o tombamento do pr\u00e9dio da sede do antigo Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops), na Avenida Afonso Pena, n\u00famero 2.351. Com a decis\u00e3o, o local ser\u00e1 transformado em um centro de direitos humanos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na reuni\u00e3o desta tarde estiveram presentes parentes de torturados no local e uma das pessoas que foi torturada no edif\u00edcio. No parecer da relatora, Juliana Gonzaga Jayme, o local deve ser preservado, principalmente, pelo seu valor de mem\u00f3ria contra os atos de viol\u00eancia cometidos no endere\u00e7o. \u201cPreservar a mem\u00f3ria, ali\u00e1s, \u00e9 uma forma eficaz de evitar a repeti\u00e7\u00e3o daquilo que se repudia e, nesse caso, o que se evita \u00e9 repetir sess\u00f5es de tortura f\u00edsica e psicol\u00f3gica, que ocorreram diuturnamente no n\u00famero 2351 da Avenida Afonso Pena. Sess\u00f5es essas que n\u00f3s repudiamos e, por isso mesmo, n\u00e3o queremos esquecer e, tampouco silenciar sobre elas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">No dossi\u00ea usado como argumento para sustentar o pedido de tombamento do pr\u00e9dio foram apresentados in\u00fameros relatos sobre as pr\u00e1ticas de tortura cometidas no pr\u00e9dio e como a estrutura f\u00edsica do local foi adaptada para as pr\u00e1ticas violentas. (Confira o relato logo abaixo).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Em junho, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e a Frente Independente pela Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a de Minas Gerais encaminharam pedido \u00e0 Secretaria de Estado da Cultura e ao Conselho de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico para que o im\u00f3vel seja tombado. Em dos depoimentos, um policial civil relata como os locais eram usados para torturas as pessoas consideradas suspeitas pelo regime militar. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Em maio, um monumento em homenagem aos mortos pela ditadura militar foi inaugurado no canteiro central da Afonso Pena, em frente ao antigo Dops. Segundo dados oficiais, 85 mineiros que lutavam contra o regime foram mortos entre 1964 e 1985. Na ocasi\u00e3o, o presidente da Comiss\u00e3o Nacional de Justi\u00e7a, Paulo Abr\u00e3o, manifestou seu desejo de que o antigo Dops vire um centro de mem\u00f3ria. Outra obra que pretende preservar a hist\u00f3ria dos que lutaram contra a ditadura, o antigo \u201ccoleginho\u201d da Fafich, no Santo Ant\u00f4nio, est\u00e1 sendo preparado para se tornar um Memorial da Anistia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Com informa\u00e7\u00f5es de Felipe Can\u00eado<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"> Confira o relato de como eram praticadas torturas no local retirados do dossi\u00ea do tombamento: <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u201cEm um canto do estacionamento do DOPS, ou seja, estrategicamente localizado fora do edif\u00edcio principal, existe uma pequena sala, ainda hoje conhecida pelo apelido de sauna. Nela observa-se uma marca\u00e7\u00e3o no ch\u00e3o, feita em cimento, encobrindo a exist\u00eancia de uma antiga \u2018piscina\u2019 ou tanque azulejado, de raio pequeno, imposs\u00edvel de ser utilizada para a pr\u00e1tica da nata\u00e7\u00e3o, mas com uma profundidade significativa, capaz de cobrir uma pessoa adulta. Na mesma sala, existe um cub\u00edculo, tamb\u00e9m azulejado, com capacidade para abrigar alguns homens em p\u00e9. Nela funcionava \u2018a sauna\u2019. Esse local, segundo o relato de um policial civil que preferiu n\u00e3o se identificar, era apresentado aos \u2018de fora\u2019 como sendo um espa\u00e7o de lazer dos funcion\u00e1rios onde, nos finais de semana, faziam churrasco e se refrescavam. Tratava-se, no entanto, de uma sala de tortura, onde os presos passavam pelo o que o policial chamou de \u2018esquenta e esfria\u2019. Ap\u00f3s ser colocado no calor da sauna, o preso passava por sess\u00f5es de afogamento na piscina. Alguns bancos em alvenaria, presentes na sala, completavam o cen\u00e1rio da tortura\u201d. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u201cOutro c\u00f4modo do DOPS que ainda guarda os sinais da pr\u00e1tica da tortura \u00e9 uma saleta, localizada no segundo andar, toda revestida por placas de corti\u00e7a. A presen\u00e7a da corti\u00e7a, material utilizado para abafar som, denuncia que naquele local, pessoas foram torturadas. N\u00e3o por acaso, essa sala pode ser acessada por uma entrada extraoficial. Segundo o relato do policial, atrav\u00e9s dessa entrada, presos eram levados ou retirados do DOPS sem serem vistos por sua fam\u00edlia ou advogados que, na entrada oficial do pr\u00e9dio, esperavam em v\u00e3o por not\u00edcias da pessoa detida\u201d. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo dados oficiais, 85 mineiros que lutavam contra o regime foram mortos, no pr\u00e9dio do Dops, entre 1964 e 1985 \u00a0 Sede do antigo Dops na Av. 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