{"id":6639,"date":"2013-10-23T12:22:45","date_gmt":"2013-10-23T12:22:45","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/23\/livro-com-relatos-de-perseguidos-politicos-e-lancado-em-fortaleza\/"},"modified":"2013-10-23T12:22:45","modified_gmt":"2013-10-23T12:22:45","slug":"livro-com-relatos-de-perseguidos-politicos-e-lancado-em-fortaleza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/23\/livro-com-relatos-de-perseguidos-politicos-e-lancado-em-fortaleza\/","title":{"rendered":"Livro com relatos de perseguidos pol\u00edticos \u00e9 lan\u00e7ado em Fortaleza"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O lan\u00e7amento de \u201cRepress\u00e3o e Direito \u00e0 Resist\u00eancia \u2013 Os Comunistas na luta contra a ditadura (1964\/1985)\u201d foi realizado na noite desta segunda-feira (21\/10), na Assembleia Legislativa. A publica\u00e7\u00e3o re\u00fane depoimentos de militantes da A\u00e7\u00e3o Popular (AP) e do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e \u00e9 resultado da iniciativa do projeto Marcas da Mem\u00f3ria da Comiss\u00e3o da Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e da Editora Anita Garibaldi.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6637\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/livro1.jpg50743.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"220\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O clima foi de reconhecimento \u00e0 trajet\u00f3ria de homens e mulheres que deram a vida em prol da democracia do Brasil e, acima de tudo, de resgate da mem\u00f3ria desses her\u00f3is e hero\u00ednas nacionais. Benedito Bizerril, membro da Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois no Cear\u00e1, destacou a import\u00e2ncia do livro. \u201cEste \u00e9 um trabalho que registra depoimentos de v\u00e1rios companheiros que participaram da luta contra a ditadura. Essas hist\u00f3rias nos mostram momentos dif\u00edceis, com pris\u00f5es e persegui\u00e7\u00f5es. Estes relatos nos apresentam personagens que, naquele momento hist\u00f3rico, representaram a luta em defesa de ideias que o povo defendia: por democracia e liberdade\u201d, ratificou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o advogado, o livro tem o intuito de \u201cregistrar o papel hist\u00f3rico desses homens e mulheres, al\u00e9m de resgatar a mem\u00f3ria no sentido de buscar repara\u00e7\u00e3o moral a esses her\u00f3is. O povo brasileiro e as atuais gera\u00e7\u00f5es t\u00eam que conhecer o que ocorreu naquele per\u00edodo, o que brasileiros passaram e quais lutas desenvolveram para construir o Brasil dos dias de hoje\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Representando a Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, M\u00e1rio Albuquerque ratificou o trabalho realizado pelo grupo. \u201cO Projeto Marcas da Mem\u00f3ria, atrav\u00e9s do qual o livro foi publicado, \u00e9 mais uma inova\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Anistia. Ela existe desde 2002, masfoi na gest\u00e3o do atual presidente, Paulo Abr\u00e3o, que come\u00e7ou em 2008, que ela alcan\u00e7ou nova din\u00e2mica. Antes os julgamentos eram atos meramente administrativos. De l\u00e1 para c\u00e1, saiu dos gabinetes e ganhou visibilidade. Agora, os processos tornaram-se p\u00fablicos e divulgados pela m\u00eddia. Pelas Caravanas da Anistia os julgamentos foram levado aos Estados. S\u00f3 aqui no Cear\u00e1 j\u00e1 foram realizadas duas vezes\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ainda segundo M\u00e1rio, esta nova postura rendeu maior participa\u00e7\u00e3o e visibilidade aos julgamentos. \u201cN\u00e3o se trata de uma repara\u00e7\u00e3o financeira, pois nada paga o que passamos. O significado das a\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o de Anistia \u00e9 pol\u00edtico, sendo um ato formal em que o Estado Brasileiro vem, de p\u00fablico, pedir desculpas pelas atrocidades cometidas\u201d, ratificou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6638\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/repressao%20001.jpg\" border=\"0\" width=\"700\" height=\"900\" \/><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m da Ditadura<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Osvaldo Bertolino fez a apresenta\u00e7\u00e3o do livro durante seu lan\u00e7amento. O jornalista foi um dos colaboradores da elabora\u00e7\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o. \u201cO projeto nasceu de uma ideia da Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e a Funda\u00e7\u00e3o Mauricio Grabois entrou participando do edital lan\u00e7ado em 2011. A partir da\u00ed surgiu a parceria para realizar as entrevistas, editar e publicar o material\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Bertolino explicou que a Funda\u00e7\u00e3o Mauricio Grabois \u00e9 ligada ao PCdoB e tem por prioridade \u201cresgatar a hist\u00f3ria, a mem\u00f3ria, o pensamento marxista e progressista do nosso pa\u00eds. Temos trabalhado nessa busca de informa\u00e7\u00f5es desde 2008, quando foi institu\u00edda\u201d. Segundo o jornalista, este resgate est\u00e1 focado em trabalho documental e registro oral. \u201cAssim como no caso do livro, nosso intuito \u00e9 registrar a mem\u00f3ria dessas testemunhas da nossa hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de focar em relatos de personagens que sofreram persegui\u00e7\u00e3o durante os duros anos de repress\u00e3o, Osvaldo Bertolino diz que o livro remete a um per\u00edodo mais amplo da hist\u00f3ria brasileira. \u201cSeu alcance \u00e9 maior que o espectro de tempo que ele procura mostrar, pois h\u00e1 conex\u00e3o dos registros buscando, no fio da hist\u00f3ria, a trajet\u00f3ria de resist\u00eancia e mobiliza\u00e7\u00e3o popular ao longo da hist\u00f3ria brasileira\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, Bertolino citou epis\u00f3dios que contribu\u00edram para o estopim da repress\u00e3o. Dentre eles, a Revolu\u00e7\u00e3o dos Tenentes, o Estado Novo, a ascens\u00e3o do nazifascismo, e os projetos antag\u00f4nicos que ecoavam o clamor do povo brasileiro em confronto com os interesses da elite brasileira. \u201cEste caminho evoluiu porque a elite n\u00e3o conseguia garantir o poder pelas vias democr\u00e1ticas, nem se firmar como corrente e da\u00ed partiu para pr\u00e1ticas golpistas, dentre elas o Golpe de 1964\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Diante do cen\u00e1rio de persegui\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o, acrescentou Bertolino, o PCdoB avaliou que o regime s\u00f3 seria derrubado pelo caminho da guerra popular. \u201cA partir da\u00ed constatou-se a necessidade de organizar os n\u00facleos da luta armada e, dentre eles, os concentrados na regi\u00e3o do Araguaia. Foi em torno da ideia da guerra popular que se formou toda a milit\u00e2ncia do PCdoB\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O jornalista confirmou que nem todas as entrevistas fazem parte desta primeira edi\u00e7\u00e3o do livro. \u201cNossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer outro volume para contemplar todos os que contribu\u00edram com depoimentos. Mas este primeiro trabalho d\u00e1 pra ter ideia do que foi a resist\u00eancia dos comunistas e sua colabora\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria do Brasil. Foi um alto tributo de sangue e de vida para que pud\u00e9ssemos desenvolver a mesma luta hist\u00f3rica, mas por outros caminhos\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Hist\u00f3ria viva<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O cearense Carlos Augusto Di\u00f3genes (Patinhas) \u00e9 um dos 26 personagens que fazem parte do livro. Presente no lan\u00e7amento da publica\u00e7\u00e3o em Fortaleza, o ex-presidente estadual do PCdoB-CE contou brevemente sua trajet\u00f3ria. \u201cMinha m\u00e3e queria que eu fosse padre; meu pai, militar. E foi na Escola de Cadetes do Ex\u00e9rcito que participei da primeira greve. L\u00e1 ouvi o comandante dizer que tinha comunista envolvido na manifesta\u00e7\u00e3o e foi quando descobri que o comunismo pregava o bem\u201d. De volta a Fortaleza, ap\u00f3s abandonar o Ex\u00e9rcito, Patinhas entrou no curso de Engenharia da UFC, quando come\u00e7ou a atuar junto ao movimento estudantil e entrou no PCdoB. Perseguido, foi embora do Cear\u00e1, viveu na clandestinidade e sentiu na pele a persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO livro apresenta, de forma humana, as hist\u00f3rias de 26 companheiros. Conta a vida de cada um de n\u00f3s. Conhe\u00e7o a maioria das pessoas que nele est\u00e1 contido, mas ao ler soube de informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tinha conhecimento at\u00e9 ent\u00e3o. Cada hist\u00f3ria tem em comum a cren\u00e7a na democracia e a luta pela liberdade\u201d, defendeu Patinhas que comemorou a vitoriosa trajet\u00f3ria. \u201cHoje sou grato por estar vivo. Teve um tempo em n\u00e3o acreditava mais que poderia escapar com vida. Sab\u00edamos que est\u00e1vamos colocando nossa vida em risco. Nossa sa\u00edda era continuar a resist\u00eancia e buscar enfrentar os perigos, mas sempre lutando porque j\u00e1 est\u00e1vamos marcados para morrer\u201d, recordou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Olhando para o passado, Carlos Augusto diz sair mais forte. \u201cN\u00e3o perdi tempo, mas ganhei tempo como ser humano. Saio dessa hist\u00f3ria mais convicto de que o Brasil precisa de uma revolu\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a saga do nosso povo. Compreendemos que a democracia s\u00f3 existe pelo povo e o que ele precisa \u00e9 de condi\u00e7\u00f5es adequadas nas \u00e1reas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, casa pra morar e emprego\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O comunista refor\u00e7ou que os personagens do livro, como tantos outros que n\u00e3o fazem parte desta edi\u00e7\u00e3o e mais outros que deram a vida em nome da democracia, s\u00e3o exemplos heroicos n\u00e3o s\u00f3 do PCdoB, mas do povo brasileiro. \u201cQue esses exemplos sejam a nossa luz para que cada um de n\u00f3s, exercendo seu papel, possamos criar esta corrente que nos levar\u00e1 a um pa\u00eds mais soberano, justo e democr\u00e1tico\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Mais<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de Carlos Augusto Di\u00f3genes, tamb\u00e9m fazem parte desta edi\u00e7\u00e3o de \u201cRepress\u00e3o e Direito \u00e0 Resist\u00eancia \u2013 Os Comunistas na luta contra a ditadura (1964\/1985)\u201d, \u00edcones da resist\u00eancia no Cear\u00e1. Oz\u00e9as Duarte teve destacado papel na organiza\u00e7\u00e3o do PCdoB no Cear\u00e1. A mineira Gilse Cosenza tamb\u00e9m foi uma das respons\u00e1veis pela reestrutura\u00e7\u00e3o do Partido no Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m fora ouvidos Benedito Bizerril, Chico Lopes, Abel Rodrigues e Jos\u00e9 Rubens Sales Bastos (Rub\u00e3o). Eles dever\u00e3o fazer parte da pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Vermelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O lan\u00e7amento de \u201cRepress\u00e3o e Direito \u00e0 Resist\u00eancia \u2013 Os Comunistas na luta contra a ditadura (1964\/1985)\u201d foi realizado na noite desta segunda-feira (21\/10), na Assembleia Legislativa. 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