{"id":6645,"date":"2013-10-23T12:36:21","date_gmt":"2013-10-23T12:36:21","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/23\/historia-sobre-madre-maurina-e-a-mais-emblematica-da-ditadura-militar-diz-pesquisadora\/"},"modified":"2013-10-23T12:36:21","modified_gmt":"2013-10-23T12:36:21","slug":"historia-sobre-madre-maurina-e-a-mais-emblematica-da-ditadura-militar-diz-pesquisadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/23\/historia-sobre-madre-maurina-e-a-mais-emblematica-da-ditadura-militar-diz-pesquisadora\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria sobre madre Maurina \u00e9 a mais emblem\u00e1tica da ditadura militar, diz pesquisadora"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Depois de passar cinco meses na pris\u00e3o, madre Maurina foi extraditada para o M\u00e9xico, em mar\u00e7o de 1970, em troca do c\u00f4nsul japon\u00eas Nokuo Okuchi, sequestrado por militantes de esquerda. Ela ficou 15 anos fora do pa\u00eds, voltando em 1985<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>A hist\u00f3ria da madre Maurina Borges da Silveira, que foi presa, torturada e estuprada durante a ditadura militar (1964-1985), \u00e9 a mais emblem\u00e1tica desse per\u00edodo. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 Denise Assis, jornalista e pesquisadora da vida da madre, autora do livro de fic\u00e7\u00e3o\u00a0Imaculada.\u00a0  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201c[A hist\u00f3ria de madre Maurina] envolveu todas as institui\u00e7\u00f5es, todos os sentimentos, toda a dignidade feminina, toda a dignidade da sociedade\u201d, disse Denise, durante audi\u00eancia p\u00fablica ocorrida no fim da tarde de hoje (21) na Assembleia Legislativa paulista e que reuniu parentes, jornalistas e ex-presos pol\u00edticos para tentar recontar a hist\u00f3ria da madre.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Madre Maurina era diretora do Lar Santana, um orfanato para meninas em Ribeir\u00e3o Preto, interior de S\u00e3o Paulo, e foi presa no dia 25 de outubro de 1969, acusada por acobertar militantes da Frente Armada de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (FALN), que se reuniam e imprimiam material, considerado subversivo \u00e0 \u00e9poca, no por\u00e3o do Lar Santana. Mas a madre n\u00e3o sabia que o grupo, que ocupava o por\u00e3o do orfanato, era formado por militantes pol\u00edticos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando ela chegou para dirigir o orfanato, j\u00e1 havia um grupo de jovens que ocupavam uma sala para discuss\u00e3o. E dentro desse grupo havia um grupo revolucion\u00e1rio. Quando as pessoas desse grupo revolucion\u00e1rio come\u00e7aram a ser presas, houve uma conex\u00e3o com a irm\u00e3 Maurina, e ela tamb\u00e9m foi presa. Ela era inocente, n\u00e3o sabia o que estava acontecendo. Ela foi presa porque, quando percebeu que os rapazes come\u00e7aram a ser presos, foi ver que material era aquele que havia no por\u00e3o, naquela sala. Como achou que aquilo poderia comprometer muitas pessoas, ela acabou queimando o material. E esse foi o grande crime da irm\u00e3 Maurina: ela queimou o material que seria uma prova [para os militares]\u201d, disse a tamb\u00e9m jornalista Matilda Leone, autora do livro\u00a0Sombras da Repress\u00e3o \u2013 O Outono de Maurina Borges.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Depois de presa, madre Maurina foi torturada sendo submetida a sess\u00f5es no pau de arara e a choque el\u00e9trico. \u201cEla foi estuprada\u201d, relatou \u00c1urea Morete Pires, que esteve presa com a madre. Segundo \u00c1urea, a madre nunca confirmou os estupros. \u201cMas quando ela voltava [para a cela], sempre voltava chorando\u201d, disse, em depoimento hoje \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria da madre, que morreu em mar\u00e7o de 2011, causa ainda muitas d\u00favidas. Entre elas, se realmente ficou gr\u00e1vida de um torturador. \u201cEu estive com ela e n\u00e3o acredito que tenha sido estuprada\u201d, declarou o Frei Manoel Borges da Silveira, irm\u00e3o da madre Maurina, em entrevista \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil. Para ele, madre Maurina assumiu \u201cesse sofrimento\u201d, os estupros que aconteciam com outras presas, \u201ccomo se fosse uma coisa sua\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A jornalista Denise Assis disse que certa vez, por telefone, a madre assumiu ter sido estuprada, mas negou a gravidez. \u201cA senhora foi estuprada? A senhora engravidou?, perguntei a ela por telefone. Ela [a madre] fez uma pausa e disse que isso aconteceu [o estupro]. Mas declarou ter pedido muito a Deus para que isso n\u00e3o tivesse consequ\u00eancias. Eu ent\u00e3o perguntei se confirmava o estupro. Ela disse sim, mas n\u00e3o a gravidez\u201d, relatou Denise.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEla foi realmente estuprada. Quanto \u00e0 gravidez, muitas pessoas falaram sobre isso. De onde surgiu essa hist\u00f3ria? Em todos os setores e com todas as pessoas com que conversei, falaram dessa gravidez. E \u00e9 algo que n\u00e3o ficou provado\u201d, disse Matilde Leone.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Depois de passar cinco meses na pris\u00e3o, madre Maurina foi extraditada para o M\u00e9xico, em mar\u00e7o de 1970, em troca do c\u00f4nsul japon\u00eas Nokuo Okuchi, sequestrado por militantes de esquerda. Ela ficou 15 anos fora do pa\u00eds, voltando em 1985.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Para Matilde Leone, h\u00e1 muitas quest\u00f5es que ainda precisam ser investigadas sobre a hist\u00f3ria da madre Maurina. \u201cEssa quest\u00e3o do filho ou do aborto \u00e9 uma quest\u00e3o que a Comiss\u00e3o da Verdade poderia investigar. Isso faz parte dos desmandos e da crueldade da \u00e9poca. Isso faz parte da hist\u00f3ria. Se ela fez um aborto ou foi for\u00e7ada a fazer um aborto, o que realmente aconteceu com a irm\u00e3 Maurina? Por que houve esse sil\u00eancio e essa proibi\u00e7\u00e3o em torno dela para que ela n\u00e3o contasse alguma coisa? Por que esconder?\u201d, disse Matilde.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Para o deputado estadual Adriano Diogo, presidente da comiss\u00e3o, o fato de existirem dois livros sobre a madre, mas ambos ficcionais, mostra que a hist\u00f3ria dela ainda precisa ser elucidada. \u201cDois livros foram apresentados hoje. E os dois livros eram ficcionais. A ditadura foi t\u00e3o brutal que se n\u00e3o se forem trazidos depoimentos na primeira pessoa, e se n\u00e3o se trazer [a hist\u00f3ria] na forma ficcional, as pessoas n\u00e3o acreditam que houve toda essa barbaridade\u201d, declarou a jornalistas.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA comiss\u00e3o da verdade tem tr\u00eas n\u00edveis: mem\u00f3ria, verdade e justi\u00e7a. Mas s\u00f3 estamos na mem\u00f3ria, nas v\u00edtimas. Ainda n\u00e3o chegamos na verdade. E a justi\u00e7a n\u00e3o sei se vai acontecer\u201d, ressaltou o deputado.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; EBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de passar cinco meses na pris\u00e3o, madre Maurina foi extraditada para o M\u00e9xico, em mar\u00e7o de 1970, em troca do c\u00f4nsul japon\u00eas Nokuo Okuchi, sequestrado por militantes de esquerda. Ela ficou 15 anos fora do pa\u00eds, voltando em 1985 A hist\u00f3ria da madre Maurina Borges da Silveira, que foi presa, torturada e estuprada durante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6645"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6645"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6645\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}