{"id":6655,"date":"2013-10-24T12:16:30","date_gmt":"2013-10-24T12:16:30","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/24\/estados-devem-reparar-apesar-de-leis-de-anistia\/"},"modified":"2016-02-07T23:04:27","modified_gmt":"2016-02-07T23:04:27","slug":"estados-devem-reparar-apesar-de-leis-de-anistia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/10\/24\/estados-devem-reparar-apesar-de-leis-de-anistia\/","title":{"rendered":"Estados devem reparar apesar de leis de anistia"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Os Estados devem buscar formas de investigar o passado para elucidar crimes cometidos por seus agentes durante regimes totalit\u00e1rios e reparar suas v\u00edtimas apesar de suas leis de anistia. Essa \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o do juiz Diego Garcia-Say\u00e1n, presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, durante entrevista coletiva na tarde desta ter\u00e7a-feira (23\/10) na sede do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, em Bras\u00edlia.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A fala de Say\u00e1n foi uma an\u00e1lise a respeito da situa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses latino-americanos que, antes de acabar com seus governos ditatoriais, aprovaram leis anistiando os crimes cometidos pelos agentes estatais e pelos que lutaram contra o governo repressivo. A decis\u00e3o da corte no caso espec\u00edfico do Brasil foi tomada quando do caso da atua\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito brasileiro na repress\u00e3o \u00e0 chamada Guerrilha do Araguaia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Naquele caso, a corte deixou claro que a investiga\u00e7\u00e3o de crimes cometidos por Estados durante ditaduras \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o de meios e n\u00e3o de resultado. E portanto n\u00e3o podem ser atrapalhadas pela exist\u00eancia de regras de anistia, ainda que sejam leis aprovadas pelo Poder Legislativo (clique <a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/seriec_219_por.pdf\">aqui<\/a> para ler a senten\u00e7a da Corte Interamericana de Direitos Humanos, em portugu\u00eas).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso do Brasil, que em 1979 viu aprovada a Lei 6.683 concedendo anistia a todos os que cometeram crimes pol\u00edticos entre setembro de 1961 e agosto de 1979. A regra valeu tanto para agentes estatais quanto para os militantes que pegaram em armas para tentar derrubar o regime.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O coment\u00e1rio de Say\u00e1n repete a jurisprud\u00eancia da Corte Interamericana, que determina aos Estados que passaram por ditaduras que investiguem os crimes cometidos pelos aparelhos de governo e busquem formas de reparar as v\u00edtimas e seus familiares. \u201cN\u00f3s n\u00e3o propomos modelos, mas recomendamos que cada pa\u00eds encontrei seu pr\u00f3prio caminho\u201d, disse o presidente.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No caso do Brasil, essa repara\u00e7\u00e3o poderia encontrar um empecilho justamente por causa da Lei de Anistia, de 1979. O Supremo Tribunal Federal brasileiro entende que crimes contra a humanidade, como nos casos de desaparecimento for\u00e7ado por agentes estatais, s\u00e3o permanentes e n\u00e3o prescrevem. S\u00f3 que decide isso apenas nos casos de ex-funcion\u00e1rios de ditaduras estrangeiras, j\u00e1 que no Brasil o pr\u00f3prio Supremo fixou que a Lei da Anistia foi recepcionada pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, e portanto os agentes estatais que cometeram crimes n\u00e3o podem ser punidos por eles.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O governo federal brasileiro, em busca de fazer as investiga\u00e7\u00f5es recomendadas em senten\u00e7as da Corte Interamericana de Direitos Humanos, criou sua Comiss\u00e3o Nacional de Anistia, submetida ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. A posi\u00e7\u00e3o institucional da comiss\u00e3o, conforme <a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/08\/decisao-de-recebimento-da-denuncia-2\/\">explicitada<\/a> por seu presidente, Paulo Abr\u00e3o, \u00e9 a de que a Lei de Anistia se tornou uma \u201cregra de ouro\u201d para ditadores do passado. Para Abr\u00e3o, o fato de o Supremo ter entendido que a Lei da Anistia foi recepcionada pela Constitui\u00e7\u00e3o, passa a mensagem ao \u201cditador do futuro\u201d de que, antes de deixar o poder, edite uma lei que o &#8220;absolva de todos os seus crimes&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entretanto, para Garc\u00eda-Say\u00e1n, \u201cas leis de anistia s\u00e3o faculdades dos poderes legislativos de cada pa\u00eds, e deixar sem efeito uma lei traz v\u00e1rias consequ\u00eancias\u201d. A recomenda\u00e7\u00e3o do presidente da Corte Interamericana \u00e9 que cada pa\u00eds encontre o seu caminho que elucidar o pr\u00f3prio passado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina em que as leis est\u00e3o vigentes, mas o Judici\u00e1rio vem desenvolvendo mecanismos de investiga\u00e7\u00e3o. H\u00e1 correntes na Am\u00e9rica Latina que buscam encontrar formas de que as v\u00edtimas sejam reparadas sem que se passe pelo caminho da vingan\u00e7a\u201d, afirmou. \u00c9 o caso da Argentina, onde a Corte Suprema declarou inconstitucionais as duas leis de anistia vigentes que impediam a apura\u00e7\u00e3o de crimes cometidos pela ditadura militar local, que foi de 1972 a 1977.\u00a0No entanto, no Brasil, \u201ctemos uma lei e uma decis\u00e3o desta Suprema Corte [o STF] que a chancelou\u201d, como finalizou a quest\u00e3o o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Fonte &#8211; Revista Consultor Jur\u00eddico<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Estados devem buscar formas de investigar o passado para elucidar crimes cometidos por seus agentes durante regimes totalit\u00e1rios e reparar suas v\u00edtimas apesar de suas leis de anistia. 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