{"id":6681,"date":"2013-11-04T16:09:36","date_gmt":"2013-11-04T16:09:36","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/11\/04\/os-cumplices-da-ditadura\/"},"modified":"2013-11-04T16:09:36","modified_gmt":"2013-11-04T16:09:36","slug":"os-cumplices-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/11\/04\/os-cumplices-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Os c\u00famplices da ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Conforme foram sendo desvendadas as causas econ\u00f4micas desse regime, a denomina\u00e7\u00e3o \u201cditadura militar\u201d foi sendo substitu\u00edda por outra, que se aproxime \u00e0 realidade do que foi um \u201cbloco c\u00edvico, militar, empresarial e eclesi\u00e1stico\u201d. Horacio Verbitsky e Juan Pablo Bohoslavsky fizeram um levantamento sobre a ditadura Argentina, no livro Cuentas pendientes, sobre os cumplices econ\u00f4micos da ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6679\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/junta_militar51272.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<address \/>Jorge Videla e a Junta Militar Argentina  <!--more-->  <\/address>\n<address><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o est\u00e3o sendo investigados os delitos de sangue cometidos durante as ditaduras militares, mas at\u00e9 aqui ficaram de fora os atores econ\u00f4micos que interessadamente a promoveram ou a facilitaram, isto \u00e9, as pessoas, institui\u00e7\u00f5es e empresas que forneceram bens e servi\u00e7os \u00e0queles governos ou que obtiveram benef\u00edcios em troca do apoio \u00e0 execu\u00e7\u00e3o dos planos criminais. Coautores, associados, instigadores , conspiradores, executores, c\u00famplices, benefici\u00e1rios s\u00e3o alguns dos poss\u00edveis formatos desses v\u00ednculos, que devem ser investigados.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Horacio Verbitsky se uniu a Juan Pablo Bohoslavsky para fazer esse levantamento sobre a Argentina, no livroCuentas pendientes, que tem como subt\u00edtulo \u201cLos c\u00f3mplices ec\u00f3micos de la dictadura&#8221;\u00a0(Siglo XXI).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6680\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/150x223-images-2013-11-cuentas-pendientes.jpg\" border=\"0\" width=\"150\" height=\"223\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Conforme foram sendo desvendadas as causas econ\u00f4micas desse regime, a denomina\u00e7\u00e3o \u201cditadura militar\u201d foi sendo substitu\u00edda por outra, que se aproxime \u00e0 realidade do que foi um \u201cbloco c\u00edvico, militar, empresarial e eclesi\u00e1stico\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEmpres\u00e1rios que s\u00e3o processados penalmente por contribuir a desaparecer a seus oper\u00e1rios, vitimas que demandam aos bancos que financiaram a ditadura, demandas econ\u00f4micas no foro laboral por deten\u00e7\u00f5es no lugar de trabalho que se convertem em desapari\u00e7\u00f5es e s\u00e3o declarados imprescrit\u00edveis, senten\u00e7as que instruem investigar a cumplicidade editorial de jornais, pedidos efetivos de processo contra empres\u00e1rios de meios por ter implementado campanhas de manipula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o em coniv\u00eancia com os planos repressivos, processos por extors\u00e3o de empres\u00e1rios e usurpa\u00e7\u00e3o de bens, a cria\u00e7\u00e3o de uma unidade especial de investiga\u00e7\u00e3o dos delitos de lesa humanidade com motiva\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica no \u00e2mbito da Secretaria de Direitos Humanos e de um escrit\u00f3rio de coordena\u00e7\u00e3o de politicas de direitos humanos, memoria, verdade e justi\u00e7a dentro da Comiss\u00e3o Nacional de Valores, s\u00e3o alguns exemplos desta nova tend\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Finalmente se d\u00e1 a implementa\u00e7\u00e3o de uma orienta\u00e7\u00e3o que vem de longe, do Tribunal Militar de Nuremberg, sobre a responsabilidade dos empres\u00e1rios que haviam facilitado bens e servi\u00e7os para maquinaria estatal nazista:<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAqueles que executam o plano n\u00e3o evadem sua responsabilidade demonstrando que atuaram sob a dire\u00e7\u00e3o da pessoa que o concebeu(&#8230;) Essa pessoa teve que ter a coopera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos, lideres militares, diplom\u00e1ticos e homens de neg\u00f3cios. Quando, com conhecimento dos prop\u00f3sitos daquela pessoa, lhes prestaram coopera\u00e7\u00e3o, eles mesmo fizeram parte do plano que esta havia iniciado. Eles n\u00e3o podem ser considerados inocentes (&#8230;) se sabiam do que estava acontecendo.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">As Comiss\u00f5es da Verdade mais modernas come\u00e7aram a considerar tanto os problemas econ\u00f4micos que levaram aos regimes ditatoriais, como o comportamento assumido pelos empres\u00e1rios durante esse per\u00edodos pol\u00edticos. S\u00e3o os casos da comiss\u00f5es do Qu\u00eania, da Serra Leoa, da \u00c1frica do sul e do Timor Oriental.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O livro procura contribuir para avan\u00e7ar na responsabilidade jur\u00eddica dos atores econ\u00f4micos que contribu\u00edram com ditaduras e considera a dimens\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica desse per\u00edodo afim de:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">a) compreender cabalmente a rela\u00e7\u00e3o que existiu entre o comportamento empres\u00e1rio, a politica econ\u00f4mica do regime e suas consequ\u00eancias, a consolida\u00e7\u00e3o do regime e os crimes que ele cometeu;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">b) identificar os problemas e as tens\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas que alimentaram o conflito e que podem se reproduzir mesmo em democracia;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">c) desenhar os instrumentos adequados para responsabilizar aos cumplices econ\u00f4micos, e<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">d) assegurar as condi\u00e7\u00f5es institucionais atuais que facilitem o debate no marco de um governo democr\u00e1tico capaz de responder e dar solu\u00e7\u00e3o efetiva aos problemas s\u00f3cio-econ\u00f4micos estruturais de hoje, que poder ser um legado \u2013 e uma explica\u00e7\u00e3o \u2013 do per\u00edodo ditatorial.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O livro \u00e9 o levantamento mais sistem\u00e1tico das rela\u00e7\u00f5es entre o empresariado argentino e a ditadura militar naquele pa\u00eds e contribui decisivamente para a investiga\u00e7\u00e3o e a puni\u00e7\u00e3o dos seus respons\u00e1veis. Serve tamb\u00e9m para que se desenvolva algo similar no Brasil, algo que a Comiss\u00e3o da Verdade apenas iniciou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A reprodu\u00e7\u00e3o do \u00edndice do livro d\u00e1 ideia da abordagem geral e dos temas investigados:<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Pasado e presente da cumplicidade economica:<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">1. Por que a dimens\u00e3o econ\u00f4mica esteve ausente tanto tempo na justi\u00e7a de transi\u00e7\u00e3o? Um ensaio explorat\u00f3rio<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Marco te\u00f3rico e dimens\u00e3o internacional:<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">2. Ideias econ\u00f4micas e poder durante a ditadura<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">3. A geopol\u00edtica internacional dos apoios econ\u00f4micos<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A macroeconomia da ditadura:<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">4. O legado ditatorial. O novo padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o de capital, a desindustrializa\u00e7\u00e3o e o ocaso dos trabalhadores<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">5. As finan\u00e7as p\u00fablicas<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">6. Cumplicidade dos prestamistas<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Cumplicidade e Direito<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">7. Cumplicidade empresarial e responsabilidade lega. Informe da Comiss\u00e3o Internacional de Juristas<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">8. Responsabilidade por cumplicidade corporativa. Perspectivas internacional e local<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">9. Prescri\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es por cumplicidade<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Desapari\u00e7\u00f5es a pedido de empresas<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">10. Os casos da Ford e da Mercedes Benz<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">11. Acindar e Technint. Militariza\u00e7\u00e3o extrema da rela\u00e7\u00e3o laboral<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">12. Entre a an\u00e1lise hist\u00f3rica e a responsabilidade jur\u00eddica: o caso Ledesma<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">13. Contribui\u00e7\u00f5es para a analise do papel da c\u00fapula sindica na repress\u00e3o aos trabalhadores na d\u00e9cada de 1970<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">14. Supress\u00e3o dos direitos dos trabalhadores<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Associa\u00e7\u00f5es patronais e agropecu\u00e1rias: cumplicidade e beneficio<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">15. O poder econ\u00f4mico industrial como promotor e benefici\u00e1rio do projeto refundacional da Argentina (1976-1983)<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">16. A cumplicidade das c\u00e2maras patronais agropecu\u00e1rias<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Apropria\u00e7\u00e3o ilegal de empresas:<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">17. A pilhagem organizada<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">18. A Comiss\u00e3o Nacional de Valores e a avan\u00e7ada sobre a \u201csubvers\u00e3o econ\u00f4mica\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">19. O caso do \u201cPapel de jornais\u201d. Contribui\u00e7\u00e3o para seu estudo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Apoios v\u00e1rios, generosos e interessados<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">20. Meios de comunica\u00e7\u00e3o: discurso \u00fanico e neg\u00f3cios \u00e0 sombra do terrorismo de Estado<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">21. O pre\u00e7o da bendi\u00e7\u00e3o episcopal<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">22. As tramas ocultas da It\u00e1lia<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">23. Os advogados, da repress\u00e3o ao neoliberalismo<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Rede Democr\u00e1tica<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conforme foram sendo desvendadas as causas econ\u00f4micas desse regime, a denomina\u00e7\u00e3o \u201cditadura militar\u201d foi sendo substitu\u00edda por outra, que se aproxime \u00e0 realidade do que foi um \u201cbloco c\u00edvico, militar, empresarial e eclesi\u00e1stico\u201d. 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