{"id":6691,"date":"2013-11-10T14:18:35","date_gmt":"2013-11-10T14:18:35","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/11\/10\/livro-conta-a-luta-das-mulheres-paranaenses-durante-a-ditadura-militar-no-brasil\/"},"modified":"2013-11-10T14:18:35","modified_gmt":"2013-11-10T14:18:35","slug":"livro-conta-a-luta-das-mulheres-paranaenses-durante-a-ditadura-militar-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/11\/10\/livro-conta-a-luta-das-mulheres-paranaenses-durante-a-ditadura-militar-no-brasil\/","title":{"rendered":"Livro conta a luta das mulheres paranaenses durante a Ditadura Militar no Brasil"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>O per\u00edodo da Ditadura Militar no Brasil foi uma \u00e9poca marcada por repress\u00e3o, torturas e agress\u00f5es aos opositores. A reportagem do Ilustrado conversou com as jornalistas Suelen Loriany e Laura Beal, autoras do livro \u201cSem liberdade eu n\u00e3o vivo \u2013 mulheres que n\u00e3o se calaram na ditadura\u201d, que foi vencedor do Pr\u00eamio Sangue Novo de Jornalismo este ano. A obra retrata a luta de mulheres paranaenses contra o regime linha dura.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ilustrado: Como foi o processo de escolha da tem\u00e1tica do livro? Voc\u00eas j\u00e1 tinham alguma afinidade com ela?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Suelen: Buscamos mostrar uma vers\u00e3o feminina da hist\u00f3ria que basicamente \u00e9 mostrada por homens. O livro \u00e9 um livro-reportagem perfil, que conta a hist\u00f3ria de seis mulheres do Paran\u00e1 que lutaram contra o regime militar que iniciou em 1964. Nos baseamos primeiramente em um momento em que a presidenta Dilma, que participou dessa luta, falou sobre o tema e contestou um senador (Agripino Maia) que questionou as atividades clandestinas que ela participou na \u00e9poca. Depois de rebat\u00ea-lo, Dilma falou que mentir na ditadura \u00e9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia e que ele jamais saberia o que era ter 19 anos e ser barbaramente torturada por quem teoricamente deveria protej\u00ea-la. Nos questionamos ent\u00e3o sobre a exist\u00eancia de centenas de garotas que, como a presidenta, passaram pelos por\u00f5es da ditadura e que at\u00e9 hoje n\u00e3o temos conhecimento de suas hist\u00f3rias. Buscamos encontr\u00e1-las e saber o que motivou essa luta e o que isso representou para a liberdade da mulher como um todo. A Laura tinha mais afinidade com hist\u00f3ria, e eu vinha de uma trajet\u00f3ria na luta de liberdade feminina, unimos os dois e saiu essa coisa linda!<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Laura: \u00c9 isso a\u00ed.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><br \/> <\/span><strong>Ilustrado: Durante as entrevistas houve algum momento de desabafo das entrevistadas? Ou tem algo que ficou de fora por algum motivo?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Suelen: Todos os relatos s\u00e3o um desabafo, um grito, um sussurro, uma alegria e tamb\u00e9m carregado de \u00f3dio. N\u00e3o existiu saudosismos, mas percebemos que todas ainda acreditam que a justi\u00e7a precisa ser feita, n\u00e3o importa se j\u00e1 se passaram quarenta e poucos anos, ainda h\u00e1 a necessidade de mudan\u00e7a. O desabafo vem no grito pela liberdade que elas ainda buscam.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Tentamos n\u00e3o deixar um pinguinho para fora do livro. Tudo que pudemos descrever, parafrasear, relatar, colocamos na obra.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Laura: O perfil de cada uma \u00e9 um desabafo &#8211; cada uma a sua forma, seja falando de forma explicita sobre as torturas que sofreram ou mesmo em forma da palavra que n\u00e3o conseguia sair por conta do trauma. O desabafo saiu em forma de l\u00e1grima, e tamb\u00e9m da esperan\u00e7a de que as coisas v\u00e3o mudar ainda mais. Acho que o desabafo delas \u00e9 a nossa forma de continuar caminhando.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ilustrado: O livro retrata um momento duro da hist\u00f3ria brasileira sob uma perspectiva diferente, no entanto. Voc\u00eas acreditam que por personalizar os abusos da ditadura nas protagonistas as pessoas passem a considerar o regime de maneira mais pr\u00f3xima e n\u00e3o como algo que \u201caconteceu no passado\u201d?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Suelen: Um dos nossos objetivos \u00e9 manter a discuss\u00e3o viva, \u00e9 trazer \u00e0 luz tanta coisa que est\u00e1 escondida. Sim, ainda. Ouvindo um tanto de cada perfilada, percebemos como ainda estamos no raso. A hist\u00f3ria vai muito al\u00e9m do que encontramos nos livros de hist\u00f3rias, nas aulas do col\u00e9gio ou nos filmes nacionais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Laura: Esperamos que sim. O mais duro de todo esse trabalho \u00e9 ouvir diariamente jovens defendendo esse regime, &#8220;que colocou o Brasil em ordem&#8221;. \u00c9 dif\u00edcil perceber que, mesmo diante da democracia existem aqueles que desconhecem a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do pa\u00eds e que a &#8220;ordem&#8221; de um regime autorit\u00e1rio \u00e9 conseguia \u00e0s custas de mortes, pris\u00f5es e tortura daqueles que pensam diferente. Esperamos que conhecendo essas pessoas, essas mulheres especificamente, as pessoas passem a se questionar as les\u00f5es aos direitos humanos que aconteceram e acontecem at\u00e9 hoje no pa\u00eds. Porque, infelizmente, a ditadura ainda n\u00e3o acabou para muitos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ilustrado: Tem um pouco \u2013 ou muito &#8211; da vis\u00e3o de voc\u00eas nas p\u00e1ginas do \u201cSem liberdade\u201d, como foi conciliar a posi\u00e7\u00e3o de jornalistas e a simpatia pela causa na hora de escrever?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Suelen: Tivemos que ser fi\u00e9is aos relatos. Muitas vezes quando faz\u00edamos algumas perguntas, t\u00ednhamos em mente &#8220;tomara que ela responda tal coisa&#8230;&#8221; e muitas vezes essas respostas n\u00e3o vinham, muitas vezes tivemos que respirar e entender que talvez a obra seguiria para um outro caminho. E foi o que aconteceu. Come\u00e7amos com uma ideia, e logo no come\u00e7o das entrevistas, percebemos que ter\u00edamos que diferenciar o rumo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Laura: Por um lado \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o se emocionar com hist\u00f3rias marcantes e duras, mas por outro \u00e9 maravilhoso estar na posi\u00e7\u00e3o de jornalistas para conseguir fazer com que essas hist\u00f3rias atinjam um maior n\u00famero de pessoas. Acho que esse \u00e9 um jornalismo que pode n\u00e3o mudar o mundo, mas se mudar uma cabe\u00e7a j\u00e1 valeu todo o trabalho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ilustrado: O livro foi lan\u00e7ado h\u00e1 pouco, mas voc\u00eas j\u00e1 t\u00eam projetos em andamento?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Suelen: Sim. Estamos participando de bate-papos, entrevistas, rodas de leitura. No m\u00eas que vem, dia 26, iremos lan\u00e7ar a obra na Livraria Curitiba, shopping Barigui, [ambas em Curitiba] ser\u00e1 um lan\u00e7amento com bate-papo com as autoras e as perfiladas. Pensamos em continuar na luta. Talvez outras obras nas\u00e7am, talvez somente essa permane\u00e7a. Ainda estamos reconhecendo o ch\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Laura: Essa discuss\u00e3o n\u00e3o pode parar. N\u00e3o existem projetos engatilhados, mas, com toda certeza buscaremos trabalhar sempre na busca de uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria &#8211; seja em projetos jornal\u00edsticos ou n\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ilustrado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O per\u00edodo da Ditadura Militar no Brasil foi uma \u00e9poca marcada por repress\u00e3o, torturas e agress\u00f5es aos opositores. 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