{"id":6722,"date":"2013-11-26T03:12:28","date_gmt":"2013-11-26T03:12:28","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/11\/26\/jornalista-faz-uma-autopsia-da-ditadura\/"},"modified":"2013-11-26T03:12:28","modified_gmt":"2013-11-26T03:12:28","slug":"jornalista-faz-uma-autopsia-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/11\/26\/jornalista-faz-uma-autopsia-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Jornalista faz uma aut\u00f3psia da ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Renato Dias obteve com \u00a0exclusividade, no Arquivo Nacional, em Bras\u00edlia (DF), documento que desvenda como ocorreu in\u00edcio do desmantelamento do Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Popular (Molipo), uma dissid\u00eancia da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), grupo fundado, em Cuba, no ano de 1970. Esta uma das revela\u00e7\u00f5es de Hist\u00f3ria &#8211; Para Al\u00e9m do Jornal &#8211; Um rep\u00f3rter exuma esqueletos da ditadura civil e militar (2013), RD Movimento, 284 p\u00e1ginas, de autoria do jornalista e soci\u00f3logo Renato Dias, 46 anos de idade. O livro ser\u00e1 lan\u00e7ado, hoje, a partir das 18h30, no hall de entrada da Assembleia Legislativa do Estado de Goi\u00e1s.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O autor conta, em detalhes, a opera\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica realizada pelo m\u00e9dico Afr\u00e2nio de Azevedo, que mudaria o rosto do capit\u00e3o da guerrilha, Carlos Lamarca. O guerrilheiro integrou a VPR, passou pela VAR-Palmares e morreu, em 1971, na Bahia, integrando o MR-8 e solit\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Renato Dias faz um levantamento completo da Guerrilha do Araguaia, conflito que ocorreu no Norte de Goi\u00e1s (Atual Tocantins) e Sul do Par\u00e1 entre os anos de 1972 e 1975 e elucida um mist\u00e9rio de como morreu o goiano Divino Ferreira de Souza, em 1973. Num dos trechos mais pol\u00eamicos do livro, ele coloca tr\u00eas especialistas para analisarem a veracidade do Di\u00e1rio do velho Maur\u00edcio Grabois, o comandante da guerrilha deflagrada pelo PCdoB, sob inspira\u00e7\u00e3o das t\u00e1ticas e estrat\u00e9gias do comunista chin\u00eas Mao-Ts\u00e9 Tung.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com um texto leve e objetivo, ele desnuda a vida privada do que ele chama de &#8220;Cavaleiro da Esperan\u00e7a&#8221; \u00a0Luiz Carlos Prestes, l\u00edder da coluna que leva seu nome na d\u00e9cada de 1920. Uma curiosidade \u00e9 que Prestes n\u00e3o permitia o consumo de Coca-Cola em sua casa e era um ex\u00edmio descascador de abacaxis, como conta Maria Prestes, sua companheira. Carbon\u00e1rio baiano filho de um italiano com uma negra hauss\u00e1, descendente de escravos, Carlos Marighella tem perfil constru\u00eddo. O inimigo p\u00fablico n\u00famero um da ditadura civil e militar morreu, em quatro de novembro de 1969, mesmo dia do sequestro do avi\u00e3o da Varig protagonizado por Maria Augusta Tomaz, \u00e0 \u00e9poca na ALN.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong> Hist\u00f3ria &#8211;<\/strong> Para Al\u00e9m do Jornal &#8211; Um rep\u00f3rter exuma esqueletos da ditadura civil e militar traz duas entrevistas reveladoras. Uma com o \u00faltimo comandante militar da ALN, o hoje m\u00fasico Carlos Eug\u00eanio Sarmento Coelho da Paz. Clemente, como era chamado nos anos de chumbo, afirma a Renato Dias que a estrat\u00e9gia de luta armada (1968-1975) teria sido correta e possu\u00eda chances reais de vit\u00f3ria no Brasil. O contraponto \u00e9 o ex-l\u00edder estudantil Vladimir Palmeira, l\u00edder das revoltas de 1968 no Pa\u00eds e que foi trocado pelo embaixador dos EUA Charles Burke Elbrick. Ele insiste que a &#8220;op\u00e7\u00e3o pelas armas&#8221; foi um erro hist\u00f3rico e que fez consolidar a face dura do regime civil e militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Renato Dias informa que, corrente marginal no movimento socialista e oper\u00e1rio mundial, chamada de &#8220;trotskystas&#8221; teria sido alvo de persegui\u00e7\u00f5es em Goi\u00e1s. Ele se refere \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Socialista Internacionalista (OSI), que editava o jornal O Trabalho e criou a tend\u00eancia estudantil conhecida como &#8220;Liberdade e Luta&#8221;. Ela atuava no PT. Os seus integrantes, como o publicit\u00e1rio Renato Monteiro, o atual secret\u00e1rio de Comunica\u00e7\u00e3o da Prefeitura de Goi\u00e2nia, Edmilson dos Santos, o ex-presidente da Agecom Marcus Vin\u00edcius de Faria Felipe, assim como o professor de Hist\u00f3ria Clayton de Souza Avelar e o radialista Evandro Aureliano Peixoto eram monitorados por arapongas mesmo depois do fim da ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Jornalista formado na Alfa, soci\u00f3logo graduado na Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG), com p\u00f3s em Pol\u00edticas P\u00fablicas (UFG), Renato Dias \u00e9 mestrando em Direito, Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Desenvolvimento na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC-GO). Ele lan\u00e7ou, em 2012, o livro Luta Armada\/ALN-Molipo As Quatro Mortes de Maria Augusta Thomaz, que possu\u00eda pref\u00e1cio de Daniel Aar\u00e3o Reis.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 2014, o escritor pretende lan\u00e7ar Pequenas Hist\u00f3rias &#8211; Cuba, hoje &#8211; Uma revolu\u00e7\u00e3o envelhecida ou a reinven\u00e7\u00e3o do socialismo, no segundo semestre. Em 31 de mar\u00e7o de 2014, 50 anos depois do golpe de 1964, ir\u00e1 colocar no mercado editorial O menino que a ditadura matou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">entrevista<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;A trag\u00e9dia do Molipo precisa ser elucidada&#8221;<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Di\u00e1rio da Manh\u00e3 &#8211; O livro traz in\u00fameras reportagens, perfis e entrevistas. Qual a mais marcante em cada um dos temas. E por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Renato Dias &#8211;<\/strong>A trag\u00e9dia do Molipo, dissid\u00eancia da ALN criada em Cuba no ano de 1970, precisa ser elucidada. Dos 28 fundadores, 19 foram assassinados no Brasil, ao retornarem clandestinamente. Destes, seis em Goi\u00e1s: Boanerges de Souza Massa, Rui Vieira Berbert, Arno Preiss, Jeov\u00e1 de Assis Gomes, Maria Augusta Thomaz e M\u00e1rcio Beck Machado. Crimes sem castigos&#8230;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>DM &#8211; O que o senhor acha da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade? Ela est\u00e1 trazendo os resultados esperados?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Renato Dias &#8211;<\/strong>Sou otimista. A esperan\u00e7a \u00e9 que ela, como fez nos casos do ex-deputado federal Rubens Paiva e da \u201cchacina de Quintino\u201d elucide os casos de mortos e desaparecimentos ocorridos de 1964 a 1985. Inclusive os casos das comunidades ind\u00edgenas e dos trabalhadores rurais executados em uma for\u00e7a-tarefa da ditadura, do latif\u00fandio e dos coron\u00e9is no campo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>DM &#8211; A reportagem Direito \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 verdade \u2013 Um passeio pelos centros que recuperam os \u2018anos de chumbo\u2019 na Am\u00e9rica Latina, mostra a ditadura no Chile e na Argentina. Quais as diferen\u00e7as entre as ditaduras nestes pa\u00edses e no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Renato Dias &#8211;<\/strong>A ditadura civil e militar, na Argentina, deixou um saldo tr\u00e1gico de 30 mil desaparecidos e 500 casos de sequestros de beb\u00eas. Ela durou 7 anos. Os civis e militares que romperam a legalidade no Brasil efetuaram 50 mil pris\u00f5es, enviaram milhares para o ex\u00edlio, com 479 militantes mortos ou desaparecidos, cerca de 2000 ind\u00edgenas mortos e centenas de trabalhadores rurais assassinados. Ela durou 21 anos. No Chile, houveram quatro mil mortos e desaparecidos. Ela durou de 1973 a 1990.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>DM &#8211; Em sua entrevista, Silvio Tendler afirma que acredita na elucida\u00e7\u00e3o de crimes ocorridos em 1964. O senhor acredita nisso?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Renato Dias &#8211;<\/strong>Acho que o Brasil precisa ser passado a limpo e que \u00e9 necess\u00e1rio elucidar os crimes de viola\u00e7\u00f5es dos Direitos Humanos ocorridos \u00e0 \u00e9poca da ditadura civil e militar e punir os respons\u00e1veis. Isso n\u00e3o \u00e9 revanchismo. \u00c9 impedir que ocorram novamente crimes desta natureza.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>DM &#8211; Sobre a morte de seu irm\u00e3o, Marcos Ant\u00f4nio Dias Batista. Acredita que conseguir\u00e1 descobrir onde est\u00e3o seus restos mortais?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Renato Dias &#8211;<\/strong>Tenho f\u00e9 e esperan\u00e7a que iremos encontrar os seus restos mortais e dar-lhes um sepultamento crist\u00e3o. O direito ao luto, que minha fam\u00edlia n\u00e3o teve, \u00e9, hoje, um direito inscrito no Direito Internacional dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>DM &#8211; O senhor chegou a participar de algum grupo contra o regime militar?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Renato Dias &#8211;<\/strong>Integrei a Organiza\u00e7\u00e3o Socialista Internacionalista, se\u00e7\u00e3o brasileira da IV Internacional, a central mundial da revolu\u00e7\u00e3o fundada por Leon Trotsky em 1938. Ela atuava no PT, defendia o fim da ditadura civil e militar, a revolu\u00e7\u00e3o permanente e o socialismo democr\u00e1tico, bem longe do socialismo real do Leste europeu, do Sudeste asi\u00e1tico e de Cuba. Depois, troquei a revolu\u00e7\u00e3o pelo Jornalismo e a Sociologia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>DM &#8211; Novos projetos editoriais? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Renato Dias &#8211; <\/strong>Pretendo lan\u00e7ar, em 2014, Pequena Hist\u00f3rias &#8211; Cuba, Hoje &#8211; Uma revolu\u00e7\u00e3o envelhecida ou a reinven\u00e7\u00e3o do socialismo, com fotografias de Juliana Dias Diniz e design gr\u00e1fico de Carlos Sena. Mais: no dia 31 de mar\u00e7o de 2014, quando se completam 50 anos do golpe de Estado civil e militar no Brasil, quero autografar O Menino que a Ditadura Matou. A editora RD Movimento tem planos de lan\u00e7ar uma segunda edi\u00e7\u00e3o de Luta Armada\/ALN-Molipo As Quatro Mortes de Maria Augusta Thomaz. No ano que vem espero escrever um livro sobre os trotskistas no Brasil, hoje.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Di\u00e1rio da Manh\u00e3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renato Dias obteve com \u00a0exclusividade, no Arquivo Nacional, em Bras\u00edlia (DF), documento que desvenda como ocorreu in\u00edcio do desmantelamento do Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Popular (Molipo), uma dissid\u00eancia da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), grupo fundado, em Cuba, no ano de 1970. 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