{"id":6730,"date":"2013-11-28T00:36:16","date_gmt":"2013-11-28T00:36:16","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/11\/28\/doacoes-de-civis-a-ditadura-comecaram-antes-do-golpe\/"},"modified":"2013-11-28T00:36:16","modified_gmt":"2013-11-28T00:36:16","slug":"doacoes-de-civis-a-ditadura-comecaram-antes-do-golpe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/11\/28\/doacoes-de-civis-a-ditadura-comecaram-antes-do-golpe\/","title":{"rendered":"Doa\u00e7\u00f5es de civis \u00e0 ditadura come\u00e7aram antes do golpe"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Paulo Egydio Martins, governador de SP entre 1975 e 1979, empres\u00e1rios ajudaram a reequipar frotas do II Ex\u00e9rcito antes de 1964.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/doacoes-de-civis-para-a-ditadura-comecaram-antes-mesmo-do-golpe-6665.html\/egydio-martins\/image_preview\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address><span style=\"line-height: 1.3em;\">Egydio Martins em cerim\u00f4nia do feriado estadual de 9 de julho de 1975, com o major-brigadeiro Roberto Augusto Carr\u00e3o de Andrade<\/span><\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>  <!--more-->  <\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Antes mesmo de os militares chegarem ao poder por meio do golpe, em 1\u00ba de abril de 1964, civis j\u00e1 os apoiavam com doa\u00e7\u00f5es financeiras com o intuito de deter o governo do ent\u00e3o presidente Jo\u00e3o Goulart. De acordo com Paulo Egydio Martins, governador do estado de S\u00e3o Paulo entre 1975 a 1979, n\u00e3o houve um grande empres\u00e1rio que n\u00e3o tivesse apoiado o golpe. \u201cSe me perguntarem quem n\u00e3o apoiou, n\u00e3o saberia dizer. Foram muitos, mas duas figuras se destacaram: Quartim Barbosa (presidente do Banco do Comm\u00e9rcio e Ind\u00fastria de S\u00e3o Paulo) e Gast\u00e3o Vidigal (do Banco Mercantil de S\u00e3o Paulo)\u201d, disse Egydio Martins em depoimento nesta ter\u00e7a-feira 26 \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade Vladimir Herzog, na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo. \u201cAs doa\u00e7\u00f5es foram fundamentais para os militares chegarem ao poder. O II Ex\u00e9rcito, aqui em S\u00e3o Paulo, era uma piada e estava, literalmente, no ch\u00e3o\u201d, lembrou sobre a ajuda dada para a compra de pneus, baterias, carburadores e combust\u00edvel para os ve\u00edculos militares.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Egydio Martins, hoje com 85 anos de idade, as doa\u00e7\u00f5es eram feitas em dinheiro, por pessoas f\u00edsicas, para coron\u00e9is do Estado Maior do II Ex\u00e9rcito e n\u00e3o em nome das empresas. \u201cEsse dinheiro, claro, deveria ser for\u00e7osamente caixa 2 das empresas dessas pessoas, mas n\u00e3o era oficialmente o dinheiro desses grupos\u201d, disse. O ex-governador contou ainda que antes mesmo de assumir o Pal\u00e1cio dos Bandeirantes foi diretor da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do estado de S\u00e3o Paulo, cargo no qual ajudou a montar um grupo de coordena\u00e7\u00e3o para as doa\u00e7\u00f5es destinadas \u00e0 reequipagem do II Ex\u00e9rcito. \u201cIsso foi feito com a maior boa vontade, quando se aproximava j\u00e1 do fim o governo Jango. Foi feito de forma escancarada e n\u00e3o houve reclama\u00e7\u00e3o\u201d, lembrou ao ressaltar a rela\u00e7\u00e3o de amizade que mantinha com J\u00falio de Mesquita Filho, da fam\u00edlia dona do jornal\u00a0O Estado de S. Paulo, com quem cuidava do que chamou de \u201cpensamento estrat\u00e9gico\u201d da elite empresarial e dos bastidores do poder.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de dizer que n\u00e3o tem informa\u00e7\u00f5es precisas sobre as doa\u00e7\u00f5es de pessoas f\u00edsicas para os militares depois de 1969, quando foram montados \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o como a Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante e os DOI-CODI, Egydio Martins disse que n\u00e3o cr\u00ea em alguma raz\u00e3o para as doa\u00e7\u00f5es terem cessado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o ex-governador paulista, a colabora\u00e7\u00e3o da elite civil ocorreu para impedir que o Brasil se tornasse um pa\u00eds como Cuba e n\u00e3o para o que viria a ser uma ditadura de mais de 20 anos. \u201cA alian\u00e7a civil-militar n\u00e3o era para a implanta\u00e7\u00e3o de uma ditadura. Era para derrubada de um presidente eleito, sim, e sabia-se da gravidade do ato. Era para n\u00e3o haver uma cubaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d, afirmou. \u201cN\u00e3o houve esp\u00edrito civil ditatorial, mas antiditatorial, antigolpista. Temia-se, pelo pronunciamento do Jango, a constitui\u00e7\u00e3o de um Estado socialista aos moldes de Cuba. Mas em hip\u00f3tese alguma esper\u00e1vamos uma ditadura militar. N\u00f3s, civis que participamos do movimento, fomos tra\u00eddos no fim e nunca nos foi dito que a nossa participa\u00e7\u00e3o seria usada para a implanta\u00e7\u00e3o de uma ditadura.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Para ele, existia um estado de tens\u00e3o e nervosismo provocado pelos \u201cdiscursos cada vez mais violentos\u201d do presidente da Rep\u00fablica, Jo\u00e3o Goulart, e as pessoas passaram a se mobilizar para \u201cn\u00e3o deixar o Brasil virar um \u2018Cub\u00e3o\u2019. &#8220;Eu aprendi a odiar todas as ditaduras, aprendi a odiar o comunismo antes mesmo do fascismo. E uma das raz\u00f5es que me levou \u00e0 conspira\u00e7\u00e3o foi buscar evitar uma amea\u00e7a ditatorial como a dos bolcheviques e a de Mao Ts\u00e9-Tung, com milhares de pessoas assassinadas, ou a de Fidel Castro. Eu n\u00e3o queria isso para o Brasil.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Escolhido por voto indireto durante o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), Martins disse no depoimento desta ter\u00e7a-feira ainda que a morte do jornalista Vladimir Herzog no DOI-CODI em S\u00e3o Paulo fazia parte de um compl\u00f4 para derrubar o ent\u00e3o ditador. \u201cEles (os militares) queriam um regime mais forte, muito mais violento. O pr\u00f3prio Sylvio Frota, ex-ministro do Ex\u00e9rcito do Geisel, era um deles.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Carta Capital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo Paulo Egydio Martins, governador de SP entre 1975 e 1979, empres\u00e1rios ajudaram a reequipar frotas do II Ex\u00e9rcito antes de 1964. 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