{"id":6731,"date":"2013-11-29T00:52:00","date_gmt":"2013-11-29T00:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/11\/29\/ex-secretario-nacional-de-seguranca-diz-que-violencia-sempre-fez-parte-da-historia-do-brasil\/"},"modified":"2013-11-29T00:52:00","modified_gmt":"2013-11-29T00:52:00","slug":"ex-secretario-nacional-de-seguranca-diz-que-violencia-sempre-fez-parte-da-historia-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/11\/29\/ex-secretario-nacional-de-seguranca-diz-que-violencia-sempre-fez-parte-da-historia-do-brasil\/","title":{"rendered":"Ex-secret\u00e1rio nacional de Seguran\u00e7a diz que viol\u00eancia sempre fez parte da hist\u00f3ria do Brasil"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo discutiu hoje (28), em audi\u00eancia, as conex\u00f5es entre viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos durante a \u00e9poca da ditadura militar e temas atuais ligados \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica. A audi\u00eancia, realizada na Assembleia Legislativa, tratou de temas como morte de negros e pobres em \u00e1reas de vulnerabilidade, em fun\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es policiais, integra\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias Civil e Militar e desmilitariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A viol\u00eancia, inclusive a que parte da pol\u00edcia, j\u00e1 era antes voltada contra negros e pobres, disse o ex-secret\u00e1rio nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Luiz Eduardo Soares.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o podemos atribuir \u00e0 ditadura essa barb\u00e1rie entre n\u00f3s, isso faz parte da hist\u00f3ria do Brasil. Ali\u00e1s, a ditadura n\u00e3o inventou a viol\u00eancia policial, nem do Ex\u00e9rcito ou das For\u00e7as Armadas. H\u00e1 relatos, at\u00e9 de Graciliano Ramos [escritor brasileiro], de que as brutalidades eram corriqueiras. O que a ditadura fez foi deslocar o foco para a classe m\u00e9dia, para os estudantes, para profissionais liberais, para n\u00f3s, que \u00e9ramos militantes da oposi\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou o ex-secret\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para ele, a responsabilidade pelas mortes praticadas por policiais na periferia precisa ser dividida entre os segmentos da sociedade. \u201cContingentes numerosos sentem-se autorizados a perpetrar essas brutalidades, autorizados n\u00e3o necessariamente pelos seus superiores, pelos seus chefes, mas pela sociedade, que aplaude e se omite diante desses fatos&#8221;, afirmou Soares. Ele destacou que os governos, \u00e0s vezes por omiss\u00e3o, acabam tolerando e tornando-se c\u00famplices da viol\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Na discuss\u00e3o sobre a perman\u00eancia de instrumentos de tortura no ambiente policial, Soares lembrou que a Pol\u00edcia Civil do Rio de Janeiro aplicou aulas sobre como bater at\u00e9 1996. Segundo ele, at\u00e9 2006, o Batalh\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es Policiais Especiais (Bope) deu aulas de como torturar.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O ex-secret\u00e1rio considera baixo o volume de investiga\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, o que, para ele, estimula a escalada da viol\u00eancia.\u201cS\u00e3o 50 mil homic\u00eddios dolosos por ano no Brasil, isso \u00e9 uma barb\u00e1rie. Acredita-se que s\u00f3 8% deles, em m\u00e9dia, s\u00e3o investigados.\u201d Mesmo assim, o pa\u00eds tem a quarta maior popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria do mundo, mas somente 12% dela cumpre pena por homic\u00eddio, acrescentou.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Luiz Eduardo Soares acha dif\u00edcil concretizar a integra\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias Civil, que investiga, e Militar, que faz o trabalho preventivo e ostensivo. \u201cEu costumo brincar dizendo que \u00e9 como se n\u00f3s [v\u00e1rias pessoas diferentes] decid\u00edssemos escrever um texto e alguns ficassem com a atribui\u00e7\u00e3o de escrever os adjetivos e substantivos, e outros os verbos, outros, os pronomes e as conjun\u00e7\u00f5es. \u00c9 muito dif\u00edcil.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, explicou o ex-secret\u00e1rio, integrar \u00e9 diferente de unificar. Para ele, a integra\u00e7\u00e3o apenas corrigiria a fratura do ciclo, sem necessariamente unificar as duas policias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 desmilitariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, Soares ressaltou que teria de ser baseada em trabalhos bem-sucedidos j\u00e1 realizados. Neles, o policial atua como um gestor local de seguran\u00e7a p\u00fablica que, com sua forma\u00e7\u00e3o multidisciplinar, tem grande capacidade de dialogar, ouvir e de n\u00e3o mostrar preconceito, tomando provid\u00eancias capazes de transformar a comunidade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Di\u00e1rio de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo discutiu hoje (28), em audi\u00eancia, as conex\u00f5es entre viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos durante a \u00e9poca da ditadura militar e temas atuais ligados \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica. 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