{"id":6747,"date":"2013-11-29T20:27:11","date_gmt":"2013-11-29T20:27:11","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/11\/29\/livro-conta-historia-de-pernambucana-torturada-durante-ditadura\/"},"modified":"2013-11-29T20:27:11","modified_gmt":"2013-11-29T20:27:11","slug":"livro-conta-historia-de-pernambucana-torturada-durante-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/11\/29\/livro-conta-historia-de-pernambucana-torturada-durante-ditadura\/","title":{"rendered":"Livro conta hist\u00f3ria de pernambucana torturada durante ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Estadual da Mem\u00f3ria e Verdade Dom Helder C\u00e2mara promove, na quinta-feira (05.12), \u00e0s 19h, no Museu do Estado de Pernambuco, o lan\u00e7amento do livro:R\u00e9quiem por Tatiana, da ex-presa pol\u00edtica pernambucana, Sylvia de Montarroyos. A obra apresenta as mem\u00f3rias de guerra e de vida da autora. Ela aos 17 anos foi presa por pertencer ao movimento de resist\u00eancia ao golpe de Estado. \u201cFugi na primeira noite, estive escondida por alguns dias, fui recapturada e barbaramente torturada a ponto de enlouquecer, por me recusar a falar e denunciar os companheiros\u201d, relembra.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6746\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/silvia_montarroyos52632.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/silvia_montarroyos52632.jpg 591w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/silvia_montarroyos52632-150x150.jpg 150w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/silvia_montarroyos52632-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O drama e a experi\u00eancia de Sylvia de Montarroyos s\u00e3o detalhados no livro que faz parte do primeiro volume da Trilogia da Am\u00e9rica Latina (Tempestade em Tegucigalpa e Vagas Estrelas da Ursa Maior, ambos ainda por publicar). No dia 2 de novembro de 1964, a estudante participante do movimento de resist\u00eancia \u00e0 ditadura militar que se instalara no pa\u00eds, foi, depois de presa, fotografada na Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de Pernambuco. Fugiu da pris\u00e3o nessa mesma noite. Um cartaz, com a tal foto, foi distribu\u00eddo pelos aeroportos e fronteiras do Brasil. Sylvia foi recapturada e passou por torturas t\u00e3o violentas que perdeu, temporariamente, a raz\u00e3o sendo internada no Hospital Psiqui\u00e1trico da Tamarineira.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A \u201cperigosa terrorista\u201d era uma estudante ativista dos direitos humanos e da justi\u00e7a social. \u201cFui internada, no manic\u00f4mio, pelos militares, em coma e em estado lastim\u00e1vel. Pesava 23 quilos. S\u00f3 pele e ossos, e com marcas de feridas e queimaduras por todo o corpo. Sofri outro tipo tamb\u00e9m terr\u00edvel de torturas, as do tratamento psiqui\u00e1trico da \u00e9poca, que inclu\u00eda choques el\u00e9tricos, tal como me haviam dado nos quart\u00e9is\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sylvia era estudante de Direito da Universidade Cat\u00f3lica e de Teatro. A fuga, depois da pris\u00e3o, foi noticiada no Pravda, de Moscou; no Le Monde, da Fran\u00e7a; no El Pa\u00eds, Uruguay e na R\u00e1dio La Habana, de Cuba. A not\u00edcia virou manchete em muitos jornais do Recife, Rio, S\u00e3o Paulo e outras capitais do pa\u00eds: Perigosa terrorista fugiu da pol\u00edcia; Tatiana: Beleza Tamb\u00e9m Conspira; Bela Guerrilheira Fugiu da Pol\u00edcia. \u201cHouve muitos protestos e manifesta\u00e7\u00f5es a meu favor, sobretudo por parte dos universit\u00e1rios. At\u00e9 Dom H\u00e9lder C\u00e2mara e o Vaticano intervieram por mim\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quando finalmente restaurou a sanidade, entrou para a clandestinidade, refugiando-se primeiro na Am\u00e9rica Latina \u2013 onde foi cantora de barzinho, baby-sitter, tradutora, gar\u00e7onete, professora de teatro, core\u00f3grafa, desenhista de moda, perfumista e trapezista de circo \u2013 e depois na Europa, onde concluiu diversos cursos superiores. Viajou pelos cinco continentes em atividades humanit\u00e1rias e\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">hoje mora em Lisboa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo R\u00e9quiem por Tatiana \u00e9 uma refer\u00eancia ao codinome que usou na clandestinidade. Conta sua hist\u00f3ria de forma romanceada e tem como subt\u00edtulo \u201cMissa em Si Menor\u201d. Os cap\u00edtulos est\u00e3o divididos em partes que comp\u00f5em uma Missa de R\u00e9quiem. Tatiana figura na obra como s\u00edmbolo de toda uma gera\u00e7\u00e3o que foi perseguida, presa, torturada e que viveu o inferno desagregador da clandestinidade e do ex\u00edlio, quando n\u00e3o foi morta pela ditadura. Com sensibilidade, Sylvia de Montarroyos narra n\u00e3o s\u00f3 as aventuras e desventuras como ativista pol\u00edtica e humanit\u00e1ria, mas tamb\u00e9m recria toda uma \u00e9poca, com uma riqueza de detalhes v\u00edvidos, numa narrativa fluida e bem constru\u00edda. Mostra, tamb\u00e9m, como uma pessoa de apar\u00eancia t\u00e3o fr\u00e1gil pode superar imensos desafios e terminar vitoriosa na vida.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte \u00a0&#8211; Blog do Jamildo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Estadual da Mem\u00f3ria e Verdade Dom Helder C\u00e2mara promove, na quinta-feira (05.12), \u00e0s 19h, no Museu do Estado de Pernambuco, o lan\u00e7amento do livro:R\u00e9quiem por Tatiana, da ex-presa pol\u00edtica pernambucana, Sylvia de Montarroyos. A obra apresenta as mem\u00f3rias de guerra e de vida da autora. 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